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Mestre cego inspira jovens na capoeira

Às vezes, um problema que parece intransponível é, na verdade, só um obstáculo que, quando se percebe, já passou. João Carlos, conhecido como mestre João Kanoa, é um mestre de capoeira do Rio de Janeiro que ficou cego aos 32 anos. “Nos primeiros seis meses ficava pensando “como vai ser minha vida agora”. Mas meus alunos me incentivaram a dar aula assim. A principio eu mesmo achei que era loucura, depois eu vi que dava pra fazer.”

João não sabe muito bem como faz essa proeza. “Como um cara cego dá aula de capoeira? Assim, uma explicação bem correta nem eu tenho. Eu sei que eu chego lá e dou aula”. Mas sabe muito bem de onde vem sua inspiração: “As crianças passam a energia deles para mim.”

E assim mestre Kanoa segue dando suas aulas e passando sua sabedoria a seus alunos. “Não existe um problema que ele não possa superar.”

Conheça mais essa história no Documento Yahoo!

 

  • http://br.noticias.yahoo.com/video/documento-yahoo-mestre-cego-inspira-120208011.html

Nestor capoeira: Encontros com grandes Mestres – Pastinha

Alo rapaziada… Neste mes de setembro vou falar de outro primeiro encontro marcante com os grandes mestres do passado: meu encontro com mestre Pastinha em 1969, em Salvador. Eu estava no Grupo Senzala (RJ), tinha 23 anos e acabara de receber minha “corda-vermelha” (a graduação mais alta da Senzala); e mestre Pastinha tinha 80 anos e ainda comandava a roda num sobrado no Largo do Pelourinho (Salvador). Espero que vocês curtam, Nestor.

Cheguei no Largo do Pelourinho, nº19, uns 15 minutos antes de começar a roda.

É óbvio que não botei minha corda-vermelha na cintura pois sabia do antagonismo entre capoeiristas baianos e cariocas, e de regionais versus angoleiros – e o Grupo Senzala, ao qual eu pertencia, e que começava rapidamente a tomar um lugar de destaque no cenário nacional depois de ser tri-campeão do Berimbau de Ouro (em 1967, 1968 e 1969), era carioca e inspirava-se na regional de mestre Bimba.

Além disto, eu estava numa posição super-delicada: o Ballet Brasileiro da Bahia, cujo corpo de baile era formado pelas dondoquinhas mais patricinhas e ricas de Salvador, tinha feito uma excursão se apresentando nos melhores tearos do Rio de Janeiro (Teatro Municipal), Vitória, Belo Horizonte, e agora finalizavam a turnê em sua cidade natal – Salvador. OBallet estava em contato com  a Dalal Ashcar, uma ricaça que morava no Rio e que amava e patrocinava a dança clássica, e tinham chamdo os três primeiros-bailarinos e as duas primeira-baliarinas do Teatro Municipal do  Rio de Janeiro para dar um lance profissional ao Ballet. O espetáculo tinha números de dança clássica, moderna, jazz, e também de “folclore” – samba, bumba-meu-boi, congada, maculelê e capoeira. Inusitadamente o Ballet da Bahia não chamou capoeiristas de Salvador para compor o elenco; chamaram três capoeiras do Grupo Senzala do Rio: Augusto “Baiano  Anzol” (que hoje é professor de Educação Física e Diretor do Departamento de Artes Marciais da UFRJ), o falecido Helinho, e eu (Nestor Capoeira).

 

Por todas essas, quando cheguei em  Salvador no fim da tournê pelo Brasil, eu fui em Pastinha sozinho e “disfarçado”: calça e camisa brancas, sapatos (regional joga descalço, mas angoleiro só joga de sapato), e dizia para todos que era mineiro – disfarçando, também, o “s” com o chiado de “x”.  Eu dizia que era mineiro, o que não era exatamente uma mentira – tinha nascido em Belo Horizonte mas fui criado no Rio desde os 2 anos de idade.

 

O sobrado onde mestre Pastinha dava aulas não era exclusivo da capoeira, Pastinha só podia utilizá-lo dois ou tres dias na semana por algumas horas; haviam outros lances que tambem funcionavam lá.

Eu cheguei cedo, pensando que a sala do sobrado ia estar lotado. Mas não tinha ninguém. O salão estava vazio. Só tinha um cara, que eu saquei que devia ser o zelador, comendo um “prato feito”, sentado perto de uma das janelas.

– Quem é que está aí?

– Sou um visitante de Minas Gerais.  Estava querendo saber se era possível assistir à roda do mestre Pastinha.

– Chegue mais, meu filho.  O pessoal deve começar a chegar daqui a pouco.  Aceita almoçar?

Declinei o convite e fiquei sentado, ao lado do corôa, trocando uma idéia e observando pela janela o movimento no Largo do Pelourinho, logo abaixo.  De repente, olhei com mais cuidado o rosto do velhinho e subitamente percebi que já o conhecia de fotografias ; não era zelador, nem varredor porra nenhuma, era o próprio mestre Pastinha.

Fiquei tão emocionado com a simplicidade e o acolhimento caloroso do venerando mestre – um dos meus ídolos – que meus olhos se encheram de lágrimas.

Mestre Pastinha já tinha 80 anos, naquela época.  Quase já não enxergava mais nada, apenas sombras e vultos.  É dessa época, outra conhecida frase sua:

“Capoeirista, menino da menina dos meus olhos”.

 

Em mestre Pastinha havia um real alto-astral.

Mas, de maneira geral, havia tanta desconfiança entre capoeiristas que, alguns dias mais tarde, tomando cachaça e fumando uns baseados com uns capoeiristas malandros, no antigo Mercado Modelo (que “pegou” fogo, quando o governo quis mudá-lo de lugar, e os barraqueiros não), tive até que mostrar a carteira de identidade quando um dos malandragens me imprensou:

–  Tu não é mineiro porra nenhuma.  Minas Gerais não tem capoeira.

– Qual é, meu irmão, pra que eu ia mentir?

– Além do mais, tem todo esse papo de “qual é, meu irmão” da malandragem carioca.  Tá achando que nós é otário?

Com essa, o resto da galera, que tinha estado na roda de rua da qual eu participara, se sentiu ofendido.

– Essa porra desse carioca tá achando que nós é otário!

Insistiu meu interlocutor, e o grupo foi lentamente se fechando em torno de mim.  A coisa não estava boa e eu tive que apelar.

– Já vi que você é esperto.  Tão esperto que é capaz de chamar um cara de mentiroso e advinhar onde ele nasceu.  Então vamos fazer o seguinte: vou mandar descer seis cervejas.  Vou pagar as seis.  Agora se eu provar que sou mineiro, aí eu só pago três, e você paga as outras três.

A malandragem gostou.  Aplausos e risadas.  As seis cervejas geladérrimas, já sendo abertas, em cima do balcão.

– Agora é que eu quero  ver!

– Tu foi mexer com o cara!  Não foge da raia não!

Aí, puxei o brabilaque do bolso e dei uma carteirada no malandro – “data de nascimento: 29/9/1946, naturalidade: Minas Gerais”.

Foi um escracho geral.  Todo mundo entornando as cervejas, sacaneando meu interlocutor e, eu, o queridinho da rapaziada.

Mas percebi que tinha feito um inimigo. E me lembrei de meu mestre, Leopoldina: “o bom  negócio tem de ser bom pra todo mundo”.

Ora, eu não posso dizer que sou malandro, mas tive escola.  Além disto, sempre tive sorte.  E otário com sorte é duas vezes malandro. Então, reverti a situação.  Me virei pro interlocutor e mandei.

– Mas é o seguinte.  Eu não estava mentindo, mas você também não está totalmente errado.  Eu tenho viajado bastante pro Rio, fazendo umas tranzações por lá.  E peguei muita coisa do jogo de lá.  Você, como capoeira experiente, sacou a influência carioca.  Por isso, em tua homenagem, um camarada que conhece a fundo a capoeira, vou mandar descer mais três lourinhas geladas, por minha conta.

Foi um sucesso da porra!

 

Alguns anos mais tarde, nos 1970s, mestre Pastinha teve sua academia tomada pelas autoridades – o IPAC -, sob o pretexto das reformas do Largo do Pelourinho. Ao final das obras o espaço foi dado ao SENAC, uma escola de cozinha baiana com seu restaurante. Mestre Pastinha perdeu tudo, os móveis, mais de uma dezena de bancos de jacarandá, os berimbaus, os registros e fotos e reportagens.

Jorge Amado arranjou que recebesse um salário mínimo mensal. Era muito pouco para Pastinha, sua mulher, Maria Romélia de Oliveira que vendia acarajé, e seus três filhos. Sem falar de mais de uma dezena de filhos adotivos, a maioria já adultos em 1970. De sua academia, guardou apenas um banco de madeira onde se sentavam os tocadores de berimbau.

Mestre Pastinha – velho, cego, abandonado -, viveu os anos seguintes num quartinho, na Ladeira do Pelourinho, na miséria.

Finalmente, em 1979, ajudado por Vivaldo da Costa Lima, conseguiu que a prefeitura lhe cedesse um espaço na Ladeira do  Ferrão. Seus alunos, como João Grande e João Pequeno, davam as aulas, mas Pastinha já estava cego e amargurado

 

A capoeira de nada precisa, quem precisa sou eu… Quero falar com o Dr. Antonio Carlos Magalhães (o governador), há muito  tempo venho dizendo isto, mas ninguém me atende (484)

 

Em 1979 foi internado num hospital público onde ficou um ano e, ao sair de lá, foi para o abrigo público para idosos, Abrigo D. Pedro II.

Faleceu aos 92 anos de idade, em 13 de novembro de 1981, e seu amigo, o pintor Carybé, teve de pagar seu enterro.

Vapor de Cachoeira não navega mais

O vapor de Cachoeira do verso de Caetano Veloso é uma lembrança nostálgica de um navio que ligava Salvador ao Recôncavo Baiano. Lançado em 1819, um grande feito para a época, o vapor de Cachoeira não volta nunca mais. Já o de Carlinhos Cachoeira apenas sofreu uma avaria. Pode voltar em forma de submarino ou qualquer embarcação anfíbia.

O vapor de Cachoeira tinha muitos dos defeitos e mais poder que alguns partidos políticos. Tinha bancada parlamentar, acesso e contatos no governo, preenchia cargos e influenciava a promoção de coronéis da Polícia Militar. Os fragmentos de gravações indicam também que Cachoeira tinha algo mais do que os partidos pequenos: um esquema de informação próprio que vazava escândalos para a imprensa, com a esperança de moldar imagens na opinião pública.

Pode-se argumentar que, ao contrário dos partidos, Carlos Cachoeira não tinha um programa. Não havia nada escrito porque não precisava. Programas, dizia o velho Brizola, também podem ser comprados. Cachoeira nunca se interessou em comprar um. Mas é exatamente a prática cotidiana no vácuo de propostas políticas reais que torna o partido de Cachoeira um novo tipo de ator no cenário nacional. A forma como articulou a bancada de Goiás, suprapartidariamente, é inédita. O projeto de regulamentação da loteria que lhe interessava partiu de um senador, foi relatado por um deputado e ainda dependeria da supervisão de Demóstenes Torres.

Num único momento parlamentar, senti a bancada goiana atuar em conjunto. Foi para derrubar um projeto de Eduardo Jorge e meu que proibia o amianto no Brasil. Era um movimento contrário ao que penso, mas não posso negar seu caráter democrático nem a preocupação legítima com os interesses de seus eleitores. Goiás tem mina de amianto em Minaçu e os deputados temiam o desemprego e o declínio econômico na cidade.

Não se conhece, fora de Goiás, a extensão da influência de Cachoeira. A verdade é que nenhum órgão de imprensa foi lá conversar com as pessoas, sentir a atmosfera, indagar sobre as forças típicas do Estado. Confesso que tenho mais perguntas que respostas. Um esquema tão intrincado e complexo merece um estudo maior, que só a íntegra das gravações pode esclarecer – ou, ao menos, indicar pistas.

E o Demóstenes, hein? É a pergunta que todos fazem na rua, resignados com o peso do argumento de que todos os políticos são iguais, até mesmo os que incluem a dimensão ética em sua atuação parlamentar. O desgaste que ele produziu na oposição é arrasador. Não se limita ao célebre “são todos iguais”. Avança para outra constatação mais perigosa: se os críticos são como Demóstenes, toda a roubalheira denunciada por eles não passa de maquinação. A sincera constatação popular “são todos iguais” torna-se um dínamo para múltiplas conclusões políticas. A mais esperta delas é: logo, são todos inocentes.

Depois de tudo o que Demóstenes fez, a partir do fragmentos ouvidos, eram inevitáveis as mais variadas repercussões no cotidiano político, em ano de eleição.

O esquema, no conjunto, precisa ser conhecido e pode ser iluminado por uma CPI. Carlos Cachoeira tinha influência nos governos de Goiás e de Brasília, detinha um poder regional. Era bem mais que um bicheiro. Apresentá-lo assim, desde o início, não combinava com o tipo clássico consagrado pela ficção: camisa aberta no peito, colar de ouro, mulatas deslumbrantes, amor à sua escola de samba. Cachoeira, além dos negócios legais, já usava a internet como ferramenta. Organizava loterias federais, disputava a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo e mantinha um site de jogos, hospedado na Irlanda.

Ele usa muito melhor os instrumentos do seu tempo do que os bicheiros tradicionais, com seus anotadores sentados em caixotes, esperando a chegada da polícia em nova campanha contra o jogo do bicho, dessas que sempre morrem na próxima esquina, ou na próxima manchete. Os bicheiros sempre desconfiaram da legalização porque tinham medo da pesada concorrência que as novas circunstâncias trariam.

Empresário da era eletrônica, Cachoeira tinha um partido sem programa e decidiu legalizar seu negócio de forma que bicheiros tradicionais nem sequer sonhavam: escrevendo a lei, mobilizando a sua bancada, cuidando da tramitação, dos detalhes formais, garantindo a supremacia no futuro.

Cachoeira tem negócios clandestinos e legais. A maneira como se organizou para tocá-los é típica do pragmatismo de muitos partidos políticos: buscar a proximidade com o governo. Sua proposta era deslocar Demóstenes para o PMDB e aproximá-lo do Planalto. Houve algumas conversas sobre isso nas eleições de 2010. Para Demóstenes seria a morte política por incoerência, talvez mais suave que o atropelamento súbito pelos fatos.

Apesar de sua prisão e da desgraça de Demóstenes, Cachoeira continuou desdobrando a tática de aproximação. Tanto ele como Demóstenes escolheram advogados que, além de sua competência, são amigos íntimos do governo. Uma escolha desse tipo nunca é só técnica. É também política. Representa uma bandeira branca de quem não busca conflitos e anseia por uma saída controlada para um escândalo que ameaça governos do PSDB e do PT.

Leis são como salsichas, é melhor não ver como são feitas. Essa célebre frase atribuída a Bismarck é uma constante na crítica aos Parlamentos. Em caso de um escândalo de intoxicação alimentar, é importante saber como foram feitas. Se Carlinhos Cachoeira foi capaz de criar suas leis, aprovando-as no âmbito estadual e levando-as à esfera nacional, o que não podem outros grupos poderosos e articulados?

Essa vulnerabilidade da democracia, de um modo geral, se torna uma inquietação alarmante no caso singular do Brasil. O momento aponta para a desaparição dos partidos programáticos e abre o caminho para os núcleos de todo tipo, principalmente o partido de tirar partido.

 

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

 

O vapor da cachoeira
Não navega mais pro mar.
Levanta a corda, bate o búzio,
Nós queremos navegar.
Ai, ai, ai, nós queremos navegar.
Minha mãe não quer
Que eu vá lá na casa
Do meu amor.
Vou perguntar pra ela
Se ela nunca namorou.
Ai, ai, ai, se ela nunca namorou.
Eu não sei se corro pro campo
Ou se corro pra cidade.
Mas onde quer que eu vá
Vou cheinho de saudade.
Se eu escrevesse na água
Como escrevo na areia,
Escreveria seu nome
No sangue da minha veia.
Lá, iá, iá, nós queremos navegar

CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: TEORIA DE ENSINO E ATIVIDADES PRÁTICAS

Prezados Amigos,

Venho convidá-los a participarem do lançamento do meu livro, CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: TEORIA DE ENSINO E ATIVIDADES PRÁTICAS, será dia 20 de abril à partir das 19h30 no Colégio Ônis que fica na Rua: André Vidal de Negreiros, 36 – Ponta da Praia/Santos. Espero por você lá!

Att.

Kaled

 

Revelação e Zezé Motta – Aglomerado

O Aglomerado recebe o grupo Revelação, formado em rodas de pagode em Engenho de Dentro e Pilares, no subúrbio carioca durante a década de 90. Junto com MV Bill e Nega Gizza, abrem o programa com a canção Pai, que fala das transformações ambientais e políticas da nossa atualidade.

O personagem do quadro ‘Guerreiros e Guerreiras’ é o Mestre Garrincha, fundador do grupo Senzala, que, desde os anos 60, vem lutando e moldando a forma de ensinar Capoeira no Brasil.

Já Nega Gizza percorre alguns becos do bairro mais tradicional da boêmia carioca, a Lapa , e confere a ‘Boa da Noite’: o Beco do Rato . Lá, ela encontra um verdadeiro ‘aglomerado’, juntando muito samba de raiz, pastel de angu e animação.

MV Bill vai até as pistas de atletismo da Vila Olímpica de Santa Cruz , zona oeste do Rio de Janeiro, para conhecer as expectativas e perspectivas de um jovem atleta : Marcos Vinicius.

O Aglomerado faz uma singela homenagem a uma figura feminina que, com força e graça, luta para que os artistas negros tenham espaço, oportunidade e tratamento igual nas mídias e meios de comunicação: a atriz e cantora Zezé Motta.

No Centro da cidade do Rio de Janeiro , no Largo São Francisco , houve um encontro internacional de palhaços . O Aglomerado esteve lá para trazer em matéria a história e tentar entender a alma do que é ser Palhaço.

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Nota de Falecimento: Mestre João Pequeno de Pastinha

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o Mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado. Um Baluarte da Capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA CAPOEIRA PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA CULTURA O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande MESTRE.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha. 

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

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Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

 

 

Casa de Ferreiro Espeto de Pau!

O ditado popular título desse artigo, sem dúvida, sintetiza o que sucessivamente vem ocorrendo com os baluartes da nossa arte-luta brasileira, aqui em Camaçari. Infelizmente, em nossa “casa”, mais vale o que vem de fora, mais apreciado é o que passa por aqui sem deixar nem mesmo a poeira de sua alpercata. Valoriza-se mais, muito mais, o forasteiro do que o ferreiro que dia a dia, dentro de seu terreiro, molda a ferro e fogo a identidade de um povo. Quem leu o meu último artigo, sabe do que estou falando…

Em Camaçari, não temos números precisos, mas estimativas apontam que a população de capoeiristas gira em torno de cinco mil pessoas, organizados em mais de vinte grupos e associações dentro da Sede e nos distritos. Esta população é muitas vezes maior que qualquer outro esporte ádvena.

Em novembro do ano passado, com muito sacrifício e peleja, conseguimos dar uma nova possibilidade de vida a um aluno, o Camisa 7, do Projeto Social Crianças Cabeludas, aqui de Camaçari, que está na Europa (para ser justo, vale citar e mais uma vez agradecer o apoio recebido do secretário Vital Vasconcelos, da SECULT). Desde então, o garoto, hoje com 18 anos, vem “explodindo” nas rodas espanholas sendo aplaudido em várias cidades, como Marbella, Cádiz, Sevilla, Granada, Málaga e Córdoba (esta última, cidade onde atualmente reside e trabalha com Capoeira e cultura brasileira). A Capoeira por lá é um dos esportes mais requisitados. Estes dias recebi uma ligação dele, totalmente atônito pelo que acabara de saber. Lá, em Córdoba, na Espanha, cidade sem tradição em Capoeira, o nosso Grupo havia marcado uma audiência com o prefeito local, com uma pauta de reivindicação na mão, sendo a principal delas, a necessidade de disponibilização de um local próprio para a prática da nossa cultura brasileira. Meu aluno, tomado de espanto me disse: “professor, o prefeito doou um galpão para o Grupo treinar, sem mais demora. Já fomos conhecer o local e estamos reformando o espaço. É inacreditável!”

Creio que vocês não tenham a dimensão do que isso representa. É a nossa arte-luta Capoeira sendo extremamente valorizada lá fora, mas que aqui dentro, em sua pátria, sobrevive apenas com as migalhas que caem dos palcos dos grandes festivais midiáticos, patrocinados com o meu e o seu dinheiro.

Todos que conhecem a luta dessa molecada, lá no Parque das Mangabas, talvez tenham entendido o espanto de Camisa 7, pois durante seis anos, esse jovem treinou sob as mais duras intempéries, em plena via pública, lutando contra todo tipo de dificuldades; construindo, com seu próprio sangue, o caminho que o fez voar mais alto. E ai, eu me questiono: como ensinar que aqui é a terra do dendê, da Capoeira Regional do Mestre Bimba, da Angola de Mestre Pastinha? Como informar que aqui, em nossa Bahia, tivemos o lendário Besouro Mangangá, o malevolente Vermelho 27, Canjiquinha, Di Mola, e tantos outros baluartes da capoeiragem? Como explicar às crianças do Palheiro, em Monte Gordo ou de Machadinho, que em Camaçari, terra rica, cheia de Pólos e empresas, com seus quase R$ 100 milhões de receita/mês, vemos Mestres como Geni Capoeira (uma lenda viva da Capoeira mundial), Petróleo, Oliveira, Saci, Neguinho, Maré, Vando, Ismael, Paulinho, Zeca, Bobô, Grandão não terem seus trabalhos totalmente (é totalmente mesmo, 365 dias do ano, e não apenas nas esmolas ofertadas para a realização de eventos esporádicos) apoiados por quem tem a obrigação legal e moral de fazê-lo? Eu, com meus 33 anos de idade, sinceramente não entendo, senhores. Como, então, explicar isso para crianças que do “lucro” do Pólo só lhe é oferecida a poluição de suas ricas chaminés?

Arrepio-me em saber que no mês de setembro tenho que fazer novamente o “batizado e troca de graduações” das crianças das Mangabas, do Palheiro e de Machadinho. Mais uma vez terei que bater na porta de muita gente, e sei que boa parte dessas portas se fechará, inclusive por que escrevo linhas de protestos como estas, que nada mais pede do que nos devolvam em ações práticas e efetivas, o que eles colocam em seus cofres por conta da nossa Capoeira. Ou capoeirista não paga imposto? Não divulga (e vende) a imagem do estado em todo o mundo? Ou não somos patrimônio imaterial da cultura brasileira?

Enquanto nos acusam de “desorganizados” (argumento semelhante ao utilizado pelos republicanos para lançarem a Capoeira no código penal brasileiro de 1890) e sobre esse pretexto nos relegam à margem das políticas públicas para o desenvolvimento de ações afro-brasileiras no município (sim! Já existe legislação específica que estabelece o ensino da cultura afro-brasileira, entre elas a Capoeira, em toda rede de educação pública e privada, fundamental e médio – vide Lei 10.639/2003), ficamos à mercê da boa, ou melhor, má vontade de uns senhores engravatados que se acham entendedores do assunto. Já fiz o teste! Em agosto de 2010 apresentamos um projeto para o batizado do “Crianças Cabeludas” (só lembrando, este trabalho é desenvolvido há seis anos e é estritamente social, sem qualquer fim lucrativo), com um custo total de R$ 3.500,00 e conseguimos da prefeitura de Camaçari um apoio – pasmem! – de cerca de R$ 50,00, além da cessão do espaço para a realização do evento – que é público, diga-se de passagem! No mesmo mês, houve uma etapa do campeonato de longboard (de onde é mesmo esse esporte?), que teve o apoio, desta mesma prefeitura, muito maior que o solicitado pela “turma da vadiagem”. Fui lá questionar qual teria sido o critério adotado e me responderam simplesmente que: “surf dá mais visibilidade à prefeitura e o evento era internacional”. Em minha opinião isto representa, tão somente, novas desculpas para as velhas políticas de discriminação da Capoeira.

Se não bastasse isso, vale salientar que futebol, judô, vôlei, jiu-jitsu, boxe, surf, natação, karatê, basquete… Todos! Completamente todos os demais esportes são modalidades estrangeiras. Não que não devam ter apoio, claro que devem! Esporte, seja ele qual for, exerce um papel fundamental na formação da criança e do adolescente e na propagação de bons hábitos de saúde, dentre outros fatores socialmente positivos. Mas, cá pra nós, o poder público deveria ter maior zelo com nossa própria cultura, com o nosso único esporte genuinamente brasileiro. A Capoeira, senhores, deveria ser tratada com muito mais cuidado, respeito, honestidade e apoio. Estamos cansados de ouvir promessas e factóides, de ver leis que não saem do papel. Enquanto travamos discussões infindáveis, em fóruns que só servem para promoção política de alguns, lamentavelmente vemos, por exemplo, um mestre com mais 40 anos de história, como o Mestre Oliveira, do Grupo de Capoeira Estrela do Céu, no bairro Nova Vitória, educar e formar crianças e jovens em uma academia cujo teto nem mesmo existe e sem qualquer contribuição dos órgãos governamentais. É realmente um desrespeito não apenas ao ser humano, mas ao esporte, a cultura e ao patrimônio imaterial brasileiro.

Enquanto aqui, os nossos mestres antigos e também novos vivem das sobras – quando sobra! –, acabo de receber um convite da Fundação Casa da Capoeira de Bauru para participar da inauguração da Praça Mestre Bimba, no município de Bauru, São Paulo. Ou seja, na Bahia, a casa do Bimba, temos apenas uma rua e um monumento mal cuidados em homenagem àquele que foi um dos personagens decisivos para que a Capoeira saísse de “debaixo do pé do boi”. Mesmo antes de confirmar a minha presença (e consequentemente a do município de Camaçari), o desânimo já me abate, pois sei das absurdas dificuldades de se conseguir uma mísera passagem, através dos órgãos da prefeitura.

Concordo que a Capoeira é livre e que ela é luta de resistência, mas desafino quando tentam utilizá-la como massa de manobra (tal qual ocorria nos séculos XIX e XX). Fica evidente o que lamentavelmente pensam os nossos governantes sobre a Capoeira, pois, para eles, a “brincadeira de negros” só serve para ser apresentada aos turistas e chefes de estado como algo folclórico, bem como, em espetáculos em seus picadeiros políticos. Recentemente o Governador Jaques Wagner recebeu o título de cidadão baiano na Assembléia Legislativa da Bahia – ALB. E quem fez a recepção? Claro, os capoeiristas! Afinal de contas, são em momentos iguais a estes que a Capoeira representa a mais genuína imagem da Bahia – bem sarcástico mesmo! Todavia, são estes mesmos capoeiras que estão lutando, nesta mesma ALB, para que a profissão e, consequentemente, aposentadoria dos mestres seja legalmente reconhecida. Que incoerência!

Em Camaçari é igualzinho… É só chegar uma comitiva estrangeira, ou até mesmo brasileira, que logo é chamado o “povo da malandragem”, sempre posicionados nas portas da Cidade do Saber, para fazer o showzinho. Às vezes é pago um cachê miserável, é fornecido um lanchinho meia boca e, por fim, os colocam num ônibus para retornarem para os seus guetos, a fim de limparem a área.

Sou um bebê nisso de jogar os pés pro ar, tenho apenas 12 anos de roda. A estrada é muito longa até me tornar Mestre, mas sei que a minha voz, desde já, não poderá calar-se diante de tamanho desdém do poder público, em relação ao nosso tesouro. E não vou me calar, mesmo que isso me custe um apoio aqui, uma passagem acolá… Eu quero ver a minha Capoeira forte, pois “maior é Deus, pequeno sou eu!”.

 

Yê! Volta no mundo, camará!

 

Caio Marcel (admcaio@gmail.com) é administrador de empresas e formado em capoeira regional, pelo Grupo de Capoeira Regional Porto da Barra. Também é responsável e mantenedor do Projeto Social Crianças Cabeludas, nos bairros do Parque das Mangabas, Machadinho e Palheiro, em Camaçari/BA.

Que falta me faz Gonzaguinha

É tão estranho sentirmos falta de alguém que nem ao menos vimos pessoalmente. Estranho mesmo é essa pessoa contribuir para a nossa formação, nos apontar direções, nos ensinar o ser sentimento: poesia, corpo e alma; e dele apenas “escutar” o brilho de seus olhos, através da música.

É assim que me sinto quanto ouço o Gonzaga, filho. O homem magro, de aparência frágil que conseguiu transpor até mesmo as almas mais ásperas.

Descobrir sua poesia ainda quando adolescente, em meio aos versos do Gonzaga (pai), ouvindo uma “profecia”, mais tarde revelada em minha própria existência, como filosofia: “minha vida é andar por esse país, pra ver se um dia descanso feliz”. O rei do baião eu já conhecia dos tempos de infância, sempre prestigiado pela “vitrola Philips” do meu vô Dantas, mas o filho, naquele momento, me chamou a atenção por sua serenidade e sorriso no canto dos lábios, nas mãos dadas e no passeio pelo palco, coisa de pai e filho… “Lá ê, lá ê, lá ê, lá ê, lá ê”…

De lá pra cá, músicas, textos, entrevistas, pensamentos e opiniões, fizeram parte da construção do meu próprio modo de ser (humano). Tudo me servia de alimento necessário para que o meu espírito entrasse em êxtase. Sim, sinto muita saudade de alguém que não pude conhecer em matéria, mas que deixou muito da sua essência pairando pelos corações mais sensíveis.

Há 20 anos um acidente ocorrido no Paraná calava a voz do guerreiro menino. Nunca saberemos o que poderia ter sido dito, escrito ou idealizado. Sinto falta disso também. Todavia, conforto-me em ter plena consciência de que o moleque vive nas quase 200 músicas compostas ao longo de sua carreira.

Não quero chorar, meu amigo. Aprendi sua lição. O nó na garganta é apenas mais um estalo provocado por ouvir seu clamor e lembrar-me de algum momento guardado no peito. Não vou chorar, pois “a saudade que sinto, não é saudade da dor de chorar, não é a saudade da cor do passado… Não é a tristeza que queima o peito. Não é lamentar o que nunca foi feito”. Ora, Gonzaga, já foi feito. Está ai, em você que ler esse texto, está aqui, em mim, que explodo em nostalgia.  Está em todos aqueles que entenderam, através de suas “pregações”, que cada ser é uno, mas que somos construídos graças aos tijolos espalhados por cada pessoa, ao longo do caminho.

Duas décadas de lacuna.  Duas décadas de simples saudade.

Está chovendo neste exato momento. Só posso crer que as águas também lamentam sua partida. Está chovendo. Chuva, frio, vinho, paixão… Clima perfeito para ouvir um Gonzaguinha… “É sempre assim, e sempre assim será”.

Estou indo… De longe percebo algumas esquinas e elas só servem, se a gente dobrar.

 

Axé e luz,

 

Caio Marcel Simões Souza (admcaio@gmail.com) é Administrador de Empresas e formado em Capoeira Regional, pelo Grupo de Capoeira Regional Porto da Barra. Também é responsável e mantenedor do Projeto Social Crianças Cabeludas, no bairro do Parque das Mangabas, Camaçari.

 

PS: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior nasceu em 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro, filho legítimo de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Odaléia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil. Faleceu no dia 29 de abril de 1991, em Renascença, Paraná.

 

Fonte R7:

Luiz Gonzaga e Gonzaguinha serão o tema do novo filme de Breno Silveira, o mesmo diretor de Os Dois Filhos de Francisco, cinebiografia de Zezé di Camargo & Luciano. O cineasta divulgou que o roteiro está quase pronto, e que a trilha sonora será assinada por Gilberto Gil.


Salvador e Subúrbio Ferroviário aclamam o seu Campeão

O Subúrbio sempre evidenciou para o mundo seus aspectos históricos, culturais e ambientais como o Quilombo do Urubú, a Batalha de Pirajá, a passagem de Jorge Amado onde escreveu em Periperi seus famosos livros – “Velhos Marinheiros” e “Baía de Todos os Santos”, a descoberta do primeiro poço de petróleo do Brasil no Lobato que originou a Petrobrás.

Revelado no Subúrbio Ferroviário, no Rio Sena a 40 minutos do centro de Salvador, sem planejamento e com poucas oportunidades, Marcelo Ferreira conseguiu esquivar-se dos problemas lá existentes e se superou.

Desta vez, evidencia também o seu lado desportivo, como um dos maiores atletas de Capoeira e Boxe, aqui pouco divulgado na mídia, mas reconhecido pelos seus amigos e em suas modalidades.

Com uma vida difícil e com poucos recursos na família, como muitos, Marcelo Ferreira disse: “que nunca desistiria de seus sonhos”. Foi assim que começou a praticar a capoeira na Academia Topázio, do Mestre Dinho e em paralelo, o então garoto conhecido pelos amigos como Mestre Trovoada, enveredou pelo boxe, preparado pelo atual treinador e procurador Marcos Ninja, da Federação Baiana de Boxe e pela Academia União de Boxe. “Percebi que o garoto tinha futuro, que era dedicado. Só fiz ensiná-lo as técnicas. O cuidado com o preparo físico, além das conversas que tínhamos a respeito da vida. Hoje me orgulho pelos títulos que defende, e por ele me reconhecer e sempre voltar para estar com sua família e amigos”.

Marcelo Ferreira é o atual Campeão Baiano, Campeão Brasileiro e Campeão europeu de kick Boxer, ranqueado pelo Conselho Nacional e Federação Baiana de Boxe, categoria Meio Pesado – 79,379Kg \ 175Lbs. Basta entrar na internet e verificar seus títulos e lutas ganhas no Brasil e na Espanha, onde mora atualmente.

O Campeão com sete vitórias e um empate está em Salvador para realizar mais um luta importante para sua carreira, tendo como desafiante Luiz Santos, da Academia Coutinho uma das a mais antiga no subúrbio, desde 1970.

Essa luta acontecerá no Clube Recreativo de Periperi, no dia 1º de outubro de 2010, ás 18h. Vale á pena ir lá ver e encontrar outros campeões que também tiveram seus dias de glória, como Holifield, o “Pantera Negra”.

 

Por: Silvio Ribeiro – Coordenador do Projeto ACERVIVO- História, Cultura e Ambiente do Subúrbio Ferroviário de Salvador \ Diretor de Marketing e Comunicação da Federação Baiana de Boxe.

 

Contatos: 87437976 / 99496492 (Silvio Ribeiro) / 81860144 (Marcos)

 

Crédito de foto: Manoel Filho – 30146870

Rio de Janeiro: Berimbau com sotaque

A roda de capoeira já estava armada na área externa da Academia Bamp, no Recreio, quando a equipe do GLOBO-Barra chegou. O professor Marcelo Santos, mais conhecido como Pulmão, logo nos perguntou: “Dos que estão com os instrumentos na mão, quem é o sérvio?”. Na quinta tentativa, desistimos. Aqueles gringos só tinham a Sérvia, no passaporte. O ritmo e o gingado são brasileiros. Sem sombra de dúvidas.

Mas essa brasilidade toda não começou naquele jogo, entre martelo,meia-lua e voo do morcego. O trabalho de Pulmão na Sérvia já dura seis anos. Lá, ele tem mais de 150 alunos que não só aprendem a jogar capoeira, como também fazem aulas de português. Em novembro do ano passado, o mestre promoveu a Semana Cultural Brasileira na Sérvia e levou 40 brazucas para lá. O evento contou com jogos de capoeira; apresentações de forró, frevo, maculelê e samba; e degustação de comidas típicas. A história deu tão certo que agora ele recebe 12 sérvios para conhecer o que o Brasil tem. Para ler mais sobre a experiência dessa turma aqui no Rio, acesse o GLOBO Digital – só para assinantes. Abaixo, assista a roda de capoeira que eles jogaram no Recreio.

Fonte: http://oglobo.globo.com/