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ENAFEC 2012

PARA CONHECIMENTO DE TODOS:

“A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que reúne características muito distintas: trata-se de uma mistura de arte-luta praticada ao som de instrumentos musicais como o berimbau, o pandeiro e o atabaque. Para incentivar a prática entre as mulheres, será promovido o 4º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (4º ENAFEC).

A iniciativa está previsto nos dias 25 e 26/08/2012, (sábado e domingo, das 07h00 as 18h00), atendendo um público alvo de jovens e adultos de ambos os sexos que praticam ou que tenham interesse em praticar esta arte. A prática da capoeira ainda é pouco difundida no Estado entre as mulheres e encontramos resistência em praticá-la, desconhecendo que a atividade pode ser uma alternativa eficaz na melhoria das condições gerais do indivíduo.

A capoeira é uma pratica que pode, ainda, contribuir para a auto-estima e formação do caráter e da personalidade de quem a realiza. A capoeira traz benefícios na área da saúde, já que ela representa uma forte aliada no controle social quanto à recuperação de usuários de drogas, alcoolismo e portadores de transtornos mentais.

Diante destes benefícios, podemos afirmar que a sua prática realmente se constitui em uma política de saúde pública, pois somente por meio de uma prática cultural e física, é possível sanar vários problemas, podendo ser empregada para resgatar àqueles que já estão doentes, evitando que jovens e crianças enveredem pelo caminho das drogas”

Mauricio Alves Pastor

Aconteceu: III Encontro da Capoeira Inclusiva de Santos

Encontro de capoeira reúne portadores de necessidades especiais, em Santos

Conscientizar instituições, professores e familiares de pessoas com necessidades especiais sobre a importância da prática de atividade física para o desenvolvimento motor e mental, melhoria da auto-estima e integração social dos portadores. Esse é o principal objetivo do III Encontro da Capoeira Inclusiva de Santos, que será realizado na próxima quinta (22), das 14 às 17 horas, no Complexo Esportivo Rebouças, na Ponta da Praia, em Santos.

Cerca de 120 crianças, jovens e adultos, de seis entidades que trabalham com educação especial, participarão do evento: Capoeira Inclusiva Semes/Rebouças; Apae/Santos; Escola de Educação Especial “Eduardo Ballerini (Cerex); Escola de Educação Especial “30 de julho”; Napne/Santos e Caec João Paulo II/ Vicente de Carvalho – Guarujá.

O evento inicia com a apresentação de uma performance de dança afro pelos alunos da Apae/Santos, e segue com uma  aula inclusiva, onde os participantes jogarão capoeira, numa grande confraternização. Serão formadas cinco rodas, cada uma delas com dois professores para monitorar e orientar os participantes. Uma grande festa com pizza, doces, refrigerantes e muitos brindes encerrará o encontro.

A ideia do evento, que nasceu há três anos, foi do professor de Educação Física e mestre de capoeira Cícero França. MestreTatu, como é mais conhecido, desenvolve há seis anos um trabalho com crianças e adultos portadores de necessidades educacionais especiais nas cidades de Santos e Guarujá.

“No grupo que tenho, a Capoeira Aruanda, sempre apareciam alguns portadores de necessidades especiais. E vi como a capoeira ajudava essas pessoas. Em 2005, resolvi que me dedicaria com mais afinco a esse trabalho, que é muito gratificante”, explica.

O III Encontro da Capoeira Inclusiva de Santos evento tem o apoio da Prefeitura de Santos, Kokimbos Pizzas e Picanha; Menina Flor, Hautte Cabelo e Estética; Studio Click (Juara Prado) -, Programa no Ar – TV Santa Cecília, Ateliê Amália Marcheto, Track Filmes  e MGNNET Hospedagem e Desenvolvimento.

Ceará: Capoeira é usada para a inclusão social

Um projeto utiliza a capoeira para melhorar a coordenação motora e a inclusão social de portadores de necessidades especiais

Uma roda de capoeira muito especial. Crianças, adolescentes, jovens e adultos não perdem um lance. Acompanham, muito atentos, os movimentos dos braços e pernas de quem está no jogo. Cantam, batem palmas, sorriem. A prática do esporte é um momento de socialização, de integração de autista, portadores de Síndrome de Down, de deficiência visual, com paralisia e deficiências múltiplas. Essa turma tão familiarizada com o esporte, mora em Guaiúba e é assistida pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Há um ano, a Apae enviou um projeto solicitando o apoio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS). E conseguiu implantar o Projeto de Capoeira Inclusiva com a orientação de Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que há 12 anos desenvolve o projeto no Brasil, e do professor Edy Oliveira, mestre em capoeira que está se especializando em educação inclusiva.

O resultado está sendo tão positivo que, segundo o professor Edy, o aluno Josivan, 23, que tem dificuldades de aprendizagem, está quase pronto para ser mestre da capoeira e dar continuidade à prática aos 35 alunos da Apae. Edy Oliveira, 24, também dá aulas para crianças e adolescentes, em Guaiúba, através de projeto desenvolvido com a Secretaria da Cultura. “São mais de 200 alunos”, diz e acrescenta que a capoeira está sendo iniciado em Redenção.

“A inclusão é um processo sem volta”, diz Edy Oliveira e com ele concorda o sergipano Eraldo Gabriel de Sousa, o Mestre Beija-Flor, que já implantou o projeto em outros estados como São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais, Maranhão e Pará. “A inclusão é uma grande arma para diminuir o preconceito e as barreiras sociais. Amplia os horizontes das pessoas portadores de necessidades especiais, além dar mais equilíbrio ao corpo e elevar a sua autoestima”, diz o mestre Beija-Flor.

Os resultados da capoeira inclusiva para os que são atendidos pela Apae de Guaiúba também são ressaltados pela conselheira Fátima Maria Leitão Araújo. Ela cita o exemplo de um paciente de 30 anos que não conseguia andar direito e, com a prática da capoeira, adquiriu confiança, melhorou sua expressão corporal e coordenação motora.

“Já houve até apresentação da turma de capoeiristas na cidade de Pacoti. É um projeto que contribui muito para a inclusão social”, constata Fátima Leitão. O mestre Beija-Flor também pretende levar o projeto para Portugal e países da América Latina.

2º ENAFEC – Encontro Alagoano Feminino de Capoeira

A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que reúne características muito distintas: trata-se de uma mistura de arte-luta praticada ao som de instrumentos musicais como o berimbau, o pandeiro e o atabaque. Para incentivar a prática entre as mulheres, será promovido o 2º Encontro Alagoano Feminino de Capoeira (ENAFEC).

O Evento está PREVISTO para o período de 03 a 06 de junho de 2010 (5ª e 6ª feira, sábado e domingo), das 8h00 as 12h00, 14h00 as 18h00, atendendo um público alvo de jovens e adultos de ambos os sexos que praticam ou que tenham interesse em praticar esta arte. A prática da capoeira ainda é pouco difundida no Estado entre as mulheres e encontramos resistência em praticá-la, desconhecendo que a atividade pode ser uma alternativa eficaz na melhoria das condições gerais do indivíduo. A capoeira é uma pratica que pode, ainda, contribuir para a auto-estima e formação do caráter e da personalidade de quem a realiza.

A capoeira traz benefícios na área da saúde, já que ela representa uma forte aliada no controle social quanto à recuperação de usuários de drogas, alcoolismo e portadores de transtornos mentais. Diante destes benefícios, podemos afirmar que a sua prática realmente se constitui em uma política de saúde pública, pois somente por meio de uma prática cultural e física, é possível sanar vários problemas, podendo ser empregada para resgatar àqueles que já estão doentes, evitando que jovens e crianças enveredem pelo caminho das drogas.

Brevemente estaremos divulgando a programação e confirmando a data do evento.

Mauricio Alves Pastor

João Pessoa sedia Encontro de Capoeira

João Pessoa, PB – Capoeiristas de todo o Brasil estarão presentes neste sábado 25, e domingo 26, em João Pessoa, para o nono Encontro Nacional de Capoeira.

Cerca de 500 praticantes do esporte se inscreveram para o evento que tem como objetivo graduar e observar o desempenho dos atletas além de promover a inclusão de 200 atletas do Centro Integrado de Apoio ao Portador de Deficiências, FUNAD.

No primeiro dia da competição, a atração será uma grande roda de rua realizada às 19h30, na Feirinha de Tambaú. Mestres de capoeira de todo o país estarão presentes, como: Hulk, Portes, e Fabinho, todos do Rio de Janeiro, além do paulista Pinatte.

O organizador do Encontro, Márcio Rodrigues, revelou que este é o maior trabalho de inclusão realizado no Brasil, tendo a participação de 200 capoeiristas da FUNAD, alunos das redes municipal e estadual de ensino, como também de universitários e integrantes de academias.

Ele ainda assegurou que portadores de várias deficiências estarão competindo ao lado dos demais alunos. Todos juntos, num clima de descontração, brincadeira e muito respeito.

O evento é organizado pela Associação de Capoeira Terra Firme e conta com o apoio da direção da FUNAD e da Secretaria de Educação do Estado.

A entrada é gratuita.

Fonte: http://www.agoraesportes.com.br

Prefeitura de Santos utiliza capoeira como método de inclusão social

A Prefeitura de Santos vem utilizando a capoeira como método de inclusão social de moradores de áreas carentes e portadores de deficiência. O trabalho, uma iniciativa da Seção de Assuntos Comunitários da Região Central Histórica (Sascom –RCH), da Secretaria de Governo (SGO), é desenvolvido há três meses pela Associação Capoeira Escola, aos sábados, das 14 às 16 horas, na área de eventos do Mercado Municipal (Praça Iguatemi Martins, Vila Nova).
 
De acordo com o professor Márcio Rodrigues dos Santos, o método utilizado por sua equipe de instrutores procura dar sentido educacional ao esporte, desmistificando-o como luta praticada por marginais. Atualmente o grupo é formado por 30 alunos, sem restrições de idade, sexo ou deficiência física.
 
Entre os praticantes estão também portadores de déficit de aprendizado, triplegia, paralisia cerebral, autista e portadores das síndromes de Down e de X frágil. O professor é praticante de capoeira há 15 anos e foi discípulo dos mestres Sombra e Parada. Interessados em participar podem ir diretamente ao local no horário das aulas ou obter mais informações pelo tel: 9772-0996 ou pelo site www.capoeira.escola.com
 
Como surgiu – Segundo Márcio, a capoeira surgiu como luta de arte marcial para defesa e sobrevivência dos escravos africanos que, na ânsia de liberdade, se refugiavam na comunidades denominadas quilombos. Durante a fuga, se deitavam em áreas, onde a vegetação era formada por um tipo de mato chamado capão ou capoeira, à espera de seus perseguidores, os capitães-do-mato. No confronto, os negros desferiam golpes como cabeçadas e coices, inviabilizando suas capturas.
 
No retorno às fazendas, os capitães-do-mato relatavam que era difícil prender os “negros da capoeira”. Após a libertação dos escravos veio a Proclamação da República e os negros continuaram excluídos na nova sociedade em formação.
 
Para sobreviver, passaram a roubar com os golpes da capoeira e, os mais espertos, introduziram os instrumentos musicais (berimbau, atabaque e pandeiro) para disfarçar de dança a luta por eles praticada. Por volta de 1938, no governo de Getúlio Vargas, a capoeira conquistou caraterísticas de esporte pelas mãos do Mestre Bimba, que criou uma indumentária, graduação e metodologia de aulas.
 
Fonte: http://www.clicklitoral.com.br

Crônica: Pensando bem, aprendi mais do que ensinei!

Deficientes. Insuficientes?  Imperfeitos? Aqui vão alguns exemplos.
 
Quando ouvi este termo pela primeira vez imaginava algo anormal e o sentimento que me tomava era o de pena. Então comecei a vê-los pelas ruas. Transitando em suas cadeiras de rodas, com ajuda de tutores e bengalas. Caminhando com dificuldades, porém sempre presentes em todos os cantos.
 
Fui crescendo e comecei a morar perto de alguns, estudar com outros e dividir os mesmo espaços de trabalho e lazer. Percebi que nos seus olhares havia algo diferente. Talvez piedade? Talvez compaixão? Não! Certamente estes não eram os sentimentos que brilhavam em suas pupilas.
 
Então, eu já escutava o que tinham para falar. Alguns não falavam, expressavam-se corporalmente. Outros falavam demais, pois ninguém os queria ouvir. Mas alguma mensagem sempre ficava na minha mente. Cadeirantes, na maioria das vezes com seqüelas de acidentes ou paralisias na infância comunicam-se perfeitamente. Com tudo em pessoas com problemas mentais e dependendo do nível da deficiência, o diálogo se torna mais difícil, porém não menos perfeito. O corpo fala e para bom entendedor pingo é letra. Tem muita gente que fala, fala e tu não entendes é nada!
 
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Na foto a aluna Luciana e o professor Beija Flor
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Um dia, conheci pelas ruas o Paulinho. Depois fiquei sabendo que se tratava do Mestre Paulo Duarte da academia Zumbi dos Palmares. Uma das primeiras do ABC Paulista, pioneira mesmo. Cadeirante, Mestre Paulo trabalha atualmente na Prefeitura de São Bernardo do Campo, nas bibliotecas públicas. Vítima de um grave acidente de carro, Paulinho ficou paraplégico. Memória viva da capoeira aparece em fotos ao lado de Pastinha. Há algum tempo atrás, ele cruzou a América Latina a bordo de um carro. Um Gol 1000. Adaptado por ele e sem nenhum conforto. Detalhe; sozinho e sem algum tipo de patrocínio. Agora está prestes a sair em aventura até os Estados Unidos. A bordo de seu carro! Cruzará o oceano de navio e seguirá viajem. Pergunto-me qual é a dificuldade dele. Às vezes não vamos daqui até ali por preguiça ou um simples resfriado. Mas certamente a história do Mestre Paulo Duarte está registrada em poucas mentes.
 
Sempre lembro do Paulinho e suas convicções. Uma delas é a de que “você tem surpresas na vida e ela te coloca em caminhos nunca antes percorridos”. Foi bem assim que aconteceu no momento que finalizei uma aula de educação corporal para alunos do ensino médio de uma grande rede de ensino privado na cidade de Santo André em São Paulo. Alunos ditos “normais” e que me davam um enorme trabalho pela rebeldia e falta de compromisso com o futuro. A escola tinha um programa de atividades com a APAE, que oferece tratamento a deficientes físicos e mentais, e enquanto saíamos, cerca de trinta portadores das mais diversas disfunções mentais entravam para começar a atividade com uma terapeuta. A minha sorte foi que ela não pôde chegar e ministrei uma aula de iniciação à capoeira para a turma. Incluindo prática corporal e instrumentação.      
 
Guardo esta aula como uma das melhores. Foi incrível o retorno desta galera, que me deu menos trabalho que a anterior e enorme satisfação. Experimentaram novas propostas de aprendizagem, enxergaram o mundo de cabeça para baixo e aproveitaram ao máximo todas as possibilidades que a capoeira contempla. Ao final, o que mais me tocou foi uma gota. Sim uma gota. Uma garota, que devia ter por volta dos seus 17 anos com deficiência mental moderada insistiu durante uma hora para segurar o berimbau. Às vezes eu me aproximava dela e dava uma dica. Mas percebi que ela queria solucionar o problema sozinha. Deixei; mas não tirava o olho de sua luta. Foi então que ela tirou três notas do instrumento. E por mais simples que pareça, isto a emocionou e a fez derrubar uma lágrima. Conclui com isto que pequenas bobagens para alguns são grandes conquistas para outros! Isto me fez refletir sobre a importância que “deficientes” demonstram perante a vida e suas conquistas. Como minha querida aluna formada Luciana e seu parceiro de treinamento o Ivan. A Lú, está com 22 anos e o Ivan com 45 anos. São portadores de síndrome de down e a capacidade de aprendizado deles é surpreendente. Dias com aulas de capoeira são os dias mais importantes da semana. Respondem muito bem do ponto de vista motor e cognitivo. Sem falar do lado afetivo aflorado. Se eles simpatizam com alguém, são amigos para sempre.
 
O Ivan por estes dias, conseguiu realizar um macaco, movimento característico da capoeira. Ao jeito, dele. Mas foi o macaco mais comemorado que já vi. Na roda, tenho que alertá-lo para não soltar toda hora, pois ele gostou mesmo do movimento.
 
A história dos dois é algo curioso. O Sr.Roberto, pai da Lú, saiu da maternidade transtornado com a notícia de que sua filha era down. Isto no nascimento da Luciana; há 22 anos atrás. Ficou abalado e dirigindo pelas ruas atropelou um garoto com cerca de 20 e poucos anos. Desceu do carro para prestar o socorro e se deparou com o Ivan, down também, levantando do chão com dificuldades e meio atordoado. Aquele pai, desiludido com a notícia que acabara de receber, se emocionou e perguntou ao garoto o que podia fazer a mais por ele além do socorro. O Ivan respondeu que seu grande sonho era ser músico. E então, o Sr.Roberto passou a ensinar o que sabia sobre ritmo e música ao mais novo amigo. E mais, este fato o deu força para aceitar e se orgulhar de sua maravilhosa filha que acabava de chegar ao mundo.
 
O Ivan está até hoje próximo do Sr.Roberto e de sua família. Ele é quem conta o maior número de histórias interessantes lá na academia em dia de treino. É campeão de patinação in line e já viajou por todos continentes. Assim como a Lú.
Ela, por sua vez, já se formou na capoeira e tenho muito orgulho de vê-la desenvolvendo o seu jogo dentro da roda. De fato, necessitam cuidados particulares do ponto de vista anatômico e fisiológico. Mas o ensino é realizado juntamente com os demais alunos da academia. Sem nenhuma diferenciação. Os dois portadores de síndrome de down. Os dois portadores de muita alegria e ótimo bom astral.
 
Com um pouco mais de dificuldades em se locomover, porém com a mesma coragem, recordo de meu amigo Renato. Vítima de um acidente enquanto mergulhava de uma pedra em alguma cachoeira, Renato teve um comprometimento medular grave o que prejudicou drasticamente os seus movimentos. Cursei o ensino médio com ele e nossa sala era no quarto andar. Até hoje não entendo como nossos “engenheiros” não pensam neste pequeno detalhe ao construir estes prédios sem adaptação alguma aos que necessitam. E como é “burrocrático” (desculpe o neologismo) para alguns a simples mudança de uma sala de aula. Subíamos com o Renato as escadas até a sala todos os dias e descíamos ao final. Ele não tinha controle sobre os músculos da bexiga e usava um reservatório com uma adaptação para eliminar a urina. Tinha uma criatividade incrível. Como não dominava também os movimentos da mão, construiu um adaptador para que pudesse escrever.
Hoje o Renato é um advogado respeitado e muito requisitado. Como ver um cadeirante, nestas condições, se expressando na roda de capoeira e não se emocionar? Cantando, tocando o berimbau, fazendo das rodas as suas pernas e muitas vezes até saindo da cadeira para jogar e conhecendo novas perspectivas. E com isto, não quebrarmos as nossas fronteiras para entendermos que tudo é uma questão de força de vontade e otimismo.
 
Assim, quando recebi o convite do Luciano Milani para contribuir com esta coluna, me senti muito emocionado em poder falar do Mestre Paulo, da Luciana e do Ivan, da galerinha da APAE, do Renato e de muitos outros exemplos que tive de superação e de companheirismo. Pensei em escrever sobre métodos, procedimentos e características sobre e trabalho adaptado com a capoeira. Mas no momento que comecei a refletir sobre o tema capoeira sem fronteiras, me deu uma enorme vontade de mostrar o lado humano, vitorioso e na maioria das vezes despercebido desta gente. Uma galera que se supera. Dança, canta, ginga, joga, ensina e vive com uma intensidade ímpar.
E quando você enxergar na roda de capoeira uma luz enorme iluminando um jogador, não se espante, é o dedo do criador que está derrubando as fronteiras do preconceito!
 
Muito Axé e Saúde a todos!
 
Professor Beija-Flor
Ricardo Costa
São Bernardo do Campo/SP
 
 

Portadores de síndrome de Down participam de grupo de capoeira

Em clima de festa popular em praça pública, cerca de 60 crianças, adolescentes e adultos com deficiência participaram, no Salão Negro do Congresso Nacional, de apresentação de capoeira com o grupo da Escola Especial 01, da Fundação Educacional do Distrito Federal, e com o grupo Raízes.
 
Esse trabalho do grupo de capoeira com alunos da escola especial existe desde 1996. Para incluir a capoeira como atividade curricular dos alunos, a escola teve que enviar um projeto para o MEC.
 
– O que anima essa meninada aí é a parte musical e a dança da capoeira – disse o capoeirista Fábio Ferreira dos Santos, professor formado em educação física que pertence ao quadro docente da Fundação Educacional do Distrito Federal.
 
Como parte do projeto, portadores de síndrome de Down não só jogam capoeira, como tocam tambores, atabaques, caxixi e até berimbau – instrumento mais difícil para eles, segundo Fábio, por exigir maior coordenação motora.
O show no Salão Negro faz parte da programação da Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência. No mesmo local, a peça de teatro de mamulengo, O Casamento de Chiquinha, Filha do Coronel João Redondo, com Tião sem Sorte, apresentado pelo mestre Josias W. da Silva, também atraiu o público.
 
Depois do show, alunos de escolas públicas e privadas de Brasília formaram filas para experimentar o Túnel Sensorial – uma instalação que permite às pessoas que enxergam vivenciar a experiência do deficiente visual.

Alagoas: Capoeira para portadores de necessidades

O Grupo Munzenza, tem explorado o lado Esporte-Competição dentro da Capoeira, realizando compeonatos, competições especificas voltadas a capoeira luta… e agora uma abordagem destes mesmos eventos, destinados a um publico portador de necessidaes especiais.
Desta forma a família Munzenza vem se destacando nesta faceta da capoeiragem…. e ao mesmo tempo, conforme a matéria em anexo, valorizando a inclusão e o indivíduo
 
Luciano Milani

A Sociedade Pestalozzi, em parceria com o grupo de capoeira Muzenza, realiza hoje, a partir das 14h, no Pavilhão do Basquete, em Jaraguá, o I Campeonato de Capoeira para portadores de necessidades especiais.
Cerca de 50 atletas participarão do evento, que segundo seu idelizador, professor Antônio Sérgio, tem caráter inclusivo. "As crianças e jovens que participam das aulas de capoeira apresentam melhora em aspectos como motricidade, lateralidade, sensibilidade e auto–estima", avalia.
A prática da capoeira na Pestalozzi integra o trabalho de terapia ocupacional e envolve uma equipe multidisciplar.
"Além da inclusão social, vamos premiar os melhores atletas como forma de incentivá–los à pratica esportiva", finaliza.