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Bahia – Histórias de Resistência: Mestre de capoeira enfrenta desafios para preservar herança africana

João Carlos Lopes Almeida é o cordão branco do grupo Kilombolas, nome que faz referência a outro tipo de resistência do povo negro

João Carlos Lopes Almeida, 47 anos, funcionário público, ou simplesmente João do Morro, mestre de capoeira. O cordão branco do grupo Kilombolas abriu as portas de um dos seus núcleos, na escola Madre Judite, no Alto da Bola, no bairro da Federação, para o iBahia e contou as dificuldades que enfrenta todos os dias para manter o projeto social e fazer com que uma das maiores heranças africanas no Brasil resista ao tempo.

“Nasci no bairro da Fazenda Garcia e tive pais linha dura. Só pude praticar capoeira quando tive meu primeiro emprego, já que, enquanto eu era dependente deles, era regulado para onde eu iria. Minha liberdade eu só conquistei quando passei a trabalhar”, apresentou-se.

Para a capoeira, ele se apresentou aos 18 anos e, desde então, não se vê sem a roupa branca. O agente de fiscalização de meio ambiente já está à frente do projeto Kilombolas há 23 anos, mas tornou-se mestre apenas em 2013. Segundo João do Morro, o trabalho é árduo e por vezes já pensou em desistir, mas a consciência e a necessidade de resistir sempre falou mais alto. “Eu fui convidado por alguns amigos para participar de uma lavagem aqui no Alto da Bola, que existia na época. Dessa lavagem, o pessoal gostou e quis colocar a capoeira em um patamar mais sério dentro da comunidade, por não existir nenhum tipo de cultura do gênero. Eu aceitei e fui ficando, ficando. Não vivo da capoeira, o que é até bom para mim. Se eu vivesse talvez não desse para fazer isso com o amor que eu faço. Saio da minha casa todos os dias para dar aula às crianças às 18h e só retorno às 22h, então é cansativo, mas é gratificante”, diz.

Para João, o tempo no projeto foi importante para ele entender a importância da sua presença na vida dos seus alunos. O mestre do Morro viu de tudo em seu centro cultural — nome dado por ele mesmo —, mas graças a sua persistência e resistência, pôde participar ativamente da formação de jovens que hoje já cursam o nível superior. 

“A estrada foi longa e encontrei muitas pedras. Comecei novo com esse trabalho e foi muito difícil porque a área aqui é muito violenta. Perdi alunos por causa das drogas, com os policiais agindo, às vezes, até de forma truculenta. Isso me fez pensar por vezes em desistir. Muitas vezes, eles se envolvem [com o crime] porque dá o que a capoeira não dá, que é a parte financeira, aí o aluno cai no erro. Isso me deixava muito triste, então foi difícil segurar isso. Hoje, sou feliz porque tenho alunos que estão em faculdade federal, estadual. Para mim, isso é gratificante porque quer dizer que mudei um pouco a visão da comunidade aqui”, revelou.

Consciência x Preconceito

Para João, o Dia da Consciência Negra representa mais um dia de reflexão e resistência aos preconceitos e dificuldades enfrentados pelo povo negro até aqui. “A consciência está na cabeça de cada um. Temos que ter consciência do que é certo e do que é errado, mas no geral, só é certo quando não afeta negativamente uma outra pessoa. É uma data simbólica, que está aí para a gente lembrar e está cada vez mais alerta. A gente precisa refletir. Não é só esse momento de euforia, de festa, como muitos estão vivendo a data. É o ano todo, todos os dias, temos que ter consciência e buscar fazer sempre o melhor. Se todos buscarem o seu objetivo, como eu tive o da capoeira, não tem preconceito que derrube”, analisa.

“A capoeira me fortaleceu muito em relação ao preconceito, pois é o local onde eu sinto que tenho mais valor. Onde eu chego sou respeitado. Ganhei um título através da capoeira e me sinto potente por causa dela. Sempre que presencio uma atitude racista eu penso: ‘poxa, sou um mestre de capoeira’. Isso tem valor para mim, então preconceito nenhum me abate”, acrescentou. A luta do Mestre João do Morro não acontece dentro da roda de capoeira. Na opinião dele, uma das grandes brigas que ele tem é com o preconceito de outras classes sociais à prática: “eles gostam do esporte, da luta, da dança, mas tem medo da origem. O que gera medo ou receio é de onde a capoeira vem”, opina.

Dificuldades

Sem muitos recursos para melhorar o projeto, João conta que a união sempre fez a força no grupo. “O projeto é de graça para todos os alunos. O pessoal não paga nada, mas muitas vezes arrumei um parceiro que arrumava as calças, as camisas. Hoje em dia, treinam filhos de ex-alunos meus e eles têm uma consciência. Eles viraram homens aqui, começaram a trabalhar. Não vou dizer que eles pagam, mas colaboram sempre para manter a escola. O que a escola nos oferece é apenas o espaço físico. Tudo o que temos é com o nosso próprio custo. Tem a manutenção no banheiro, água para os meninos beberem, instrumento para eles aprenderem a tocar e tudo isso é com o nosso próprio bolso. Eu, quando posso, compro, mas geralmente chamo os meus alunos mais antigos, fazemos uma vaquinha e compramos os materiais”, revelou.

O mestre acredita que o esporte pode tirar as pessoas da criminalidade e das drogas, mas finalizou a conversa com o iBahia fazendo uma crítica à falta de apoio do poder público aos projetos sociais. “A capoeira já está no mundo todo. Fiz um evento que a Bahia toda estava lá, mas isso ainda não foi visto pelos órgãos públicos. Acho que está faltando um apoio. O povo criou uma consciência aqui de que eu estou contribuindo para a formação desses jovens, mas eu não sei até quando eu vou aguentar isso. Tenho a minha vida particular, que às vezes fica até à parte. Posso até não chegar em casa porque, infelizmente, a violência está aí, mas sinto que se eu não estivesse aqui seria pior. Então queria que existisse um apoio dos órgãos públicos, para que isso se torne maior e melhor ainda”, pediu.

Mestre João do Morro segue em frente com duas certezas: o trabalho desenvolvido por ele é de fundamental importância para os jovens da comunidade e tem papel fundamental na preservação da cultura negra ao resistir a qualquer tipo de dificuldade financeira e ao mais perverso preconceito. Mais um exemplo de resistência e consciência a ser aplaudido.

*Sob a orientação de Diego Mascarenhas e Rafaele Rego.

Fonte: http://www.ibahia.com/

Alagoas: Capoeiristas protestam contra proibição de aulas no Cepa

Eles reclamam que aulas foram suspeitas sem justificativa. Grupo bloqueou avenida e afirma que está sendo vítima de discriminação.

Capoeiristas de Alagoas bloquearam um trecho da Avenida Fernandes Lima, em frente ao Centro Educacional de Pesquisas Aplicada (Cepa). Eles protestam contra a proibição das aulas de capoeira que eram ministradas gratuitamente na Escola Estadual Afrânio Lages, que fica nas dependências do Cepa.

A mobilização, denominada “Protesto do Berimbau Contra a Discriminação Institucional”, denuncia que a proibição é um preconceito à manifestação cultural. Segundo os capoeiristas, a atividade era oferecida de forma voluntária e foi proibida pela sem que houvesse uma justificativa para a medida.

O presidente da Federação de Capoeira do Estado de Alagoas, José Carlos Pereira, disse que o trabalho com cerca de cem alunos estava sendo feito há dois anos pela Associação Cultural Capoeira Brasil, entidade legalmente constituída. No dia 19 deste mês, eles foram informados pela diretora da escola que as aulas teriam que ser suspensas.

“As aulas eram voluntárias e ministradas por um professor formado em Educação Física e em escola de capoeira. Esse trabalho estava sendo muito importante para os alunos que passavam parte do tempo ocioso aprendendo uma arte. Não podemos admitir que atos de discriminação como esse aconteçam”, reclamou Pereira.

O professor Rodrigo Pedrosa de Freitas, conhecido por “Arapuá”, disse que quer um pedido de desculpa por parte da direção da escola. “Iremos ao Ministério Público denunciar essa situação. Desde que a Capoeira começou a ser difundida no estado sofre preconceito. Não vemos isso com outras atividades”, disse.

A técnica auxiliar do Núcleo de Rede do Cepa, Vânia Marciglia, informou que os capoeirisas não tinham autorização para ministrar aulas na escola. Ela disse ainda que os alunos da escola não participavam das aulas. “Eles têm que fazer uma proposta para a Secretaria de Educação. As aulas estavam acontecendo sem autorização e isso e ruim porque qualquer coisa que acontecesse não havia quem respondesse por isso”, falou.

A assessoria da Secretaria de Estado da Educação (SEE) informou que já está ciente do protesto e que vai encaminhar uma nota à imprensa.

Orgulho e preconceito em um mesmo esporte

Capoeirista de Bauru quer aproveitar os Jogos Abertos para mostrar seu valor e acabar com discriminação

A capoeira é um esporte que sofre preconceito de tudo quanto é lado. Do campo religioso, por parte de alas mais radicais que a associam ao candomblé e umbanda. De etnia, por ser de origem negra. 

E até mesmo esportiva, pois muitos nem consideram a modalidade como prática esportiva. Não bastasse isso, a modalidade teve pouco apoio até mesmo da cidade para acabar com as discriminações sofridas pelos praticantes da modalidade.

“O preconceito está presente, mas seria facilmente suplantado se tivesse mais apoio. Temos um espaço fantástico, estamos numa região boa. Tudo isso contribui para uma divulgação positiva”, comentou Alberto Pereira, professor da Casa da Capoeira e do time bauruense. A modalidade é a quinta da série do BOM DIA sobre os Jogos Abertos. A competição, aliás, é a grande vitrine esperada pelos praticantes. Mais do que medalhas, a capoeira de Bauru quer atenção e respeito no evento que acontecerá em novembro na cidade.

“A gente precisa muito dessa atenção. Tudo o que a gente faz aqui é no peito. Tanto que estamos tentando realizar desde o início do ano um treinamento com a equipe completa, mas não conseguimos. Falta estrutura para trazer todo o pessoal que treina no Fortunato Rocha Lima”, comentou o atleta André Luiz Bastasini, o Parada. Ele ganhou uma medalha de bronze nos Jogos Regionais ao lado de duas atletas que treinam no Fortunato: as irmãs Leda Maria Pereira e Lidiane Maria Pereira. Elas começaram praticamente juntas na capoeira e preferem deixar os problemas de lado para praticarem o esporte que gostam.

“Foi amor à primeira vista. Eu tinha 14 anos e nunca mais parei de ir. Nem mesmo quando eu me machucava eu deixava de ir nas rodas de capoeira”, garantiu Lidiane, que depois completou. “Estou muito ansiosa para que chegue logo os Jogos Abertos”. As duas são as únicas representantes femininas da equipe bauruense. Na capoeira são quatro categorias masculinas e quatro femininas. Mas o time está desfalcado e jogará com apenas cinco representantes. Além dos três já citados, completam o grupo André José e Jorge Oliveira.

CAPOEIRA Bauruense
Objetivos
Equipe está incompleta e sabe das dificuldades que terá na primeira divisão ao lado de Guarulhos, Piracicaba e Ribeirão Preto. Uma medalha, de qualquer cor, já seria um prêmio.

Avaliação BOM DIA
Sem apoio adequado e ainda sofrendo com preconceito, até mesmo uma medalha parece improvável. As maiores chances são no peso médio masculino, mas mesmo assim seria zebra.

Em 2011
A capoeira bauruense não esteve presente nos Jogos Abertos do ano passado, em Mogi Guaçu. Muitos atletas competiram por outras cidades no ano passado pela falta de apoio daqui.

Em família
A equipe feminina de Bauru é uma verdadeira família. E isso não é figura de linguagem. As duas atletas são irmãs e competem juntas. Leda, no meio pesado, e Lidiane, no pesado, estarão presentes.

 

Fonte: GUSTAVO LONGO
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Oferendas e cânticos marcam celebração ao dia de Iemanjá

Grupos se reúnem na Praia de Pajuçara para homenagear a rainha das águas

As batidas dos tambores marcaram o ritmo. Os colares em cores vibrantes adornaram as vestimentas. Os cânticos foram acompanhados com uma leve dança. Em cortejo, as cestas levaram flores bem decoradas, comidas e lembranças. Foram as oferendas a Iemanjá, a rainha das águas, homenageada todo oito de dezembro. Crianças e adolescentes também foram às areias da praia da Pajuçara para reverenciar a mãe de todos os orixás e pedir o fim do preconceito contra as religiões de matriz africana.

Os grupos de candomblé e umbanda, vindos de várias partes de Alagoas, festejaram o orixá dos Egbá na Pajuçara, em Maceió, durante todo o dia. A celebração, que pretendia chamar atenção para o preconceito histórico contra as manifestações afro-brasileiras, aconteceu também para agradecer por tudo o que foi alcançado em 2010.

Mãe Fátima de Oiá saiu de São Miguel dos Campos com seu grupo para homenagear aquela que ela considera ‘a mãe maior de todas as nações’. “Hoje o dia é de festa, felicidade e união de todos os candomblés e nações. Isso representa o renascimento da mãe mais caridosa e dedicada” – contou a mãe de santo, que mantém 38 filhos de santo dançando em seu grupo.

Há 15 anos como mãe de santo, Mãe Fátima explica que as oferendas preparadas para o orixá são levadas para alto mar, onde são, segundo a crença, conduzidas pelas águas até a Terra de Orucaia, conhecida como Terra de Iemanjá. “É um lugar feliz e radiante. A terra dos encantos”, diz ela.

 

Rodas de capoeira

Fazendo parte dos festejos, grupos de percussão e rodas de capoeira animaram o ambiente. “A capoeira tem ligação com o movimento afro-brasileiro, por esse motivo, fomos convidados e aqui estamos para fazer parte da comemoração”, diz o presidente do grupo Muzenza, Marcelo Cardoso, conhecido como Mestre Girafa.

Na praça Multieventos, a roda de capoeira chamava a atenção dos transeuntes, que paravam para apreciar o gingado. Grupos de percussão, de maracatu e orquestras de tambores estendem a programação até o final do dia.

 

Candomblé: tradição passada de geração a geração

Ela tem apenas sete anos de vida, mas já sabe entoar os cânticos que homenageiam Iemanjá, a rainha das águas. No dia em que as religiões de matriz africana reverenciam a mãe de todos os orixás, neste 8 de dezembro, seguidores do candomblé e da umbanda levam os filhos para também participa da festa de louvor.

A pequena Ieda Vitória da Silva, de 7 anos, canta, dança e segue os passos da mãe. Ela praticamente nasceu num terreiro de candomblé e, nos dias em que já movimentação é grande para levar à Iemanjá as oferendas que significam uma espécie de agradecimento por tudo o que ela teria feito pelos seus seguidores.

“Desde quando a Vitória era bebezinha que eu a levo para todas as atividades festivas da nossa religião. Ela sabe todas as músicas e os passos que marcam o ritmo das batidas dos nossos hinos”, disse a mãe Catiana da Conceição.

“Viemos de Rio Largo para prestar as nossas homenagens à mãe das águas”, lembrou a menina, que faz parte do Grupo Santuário de Iemanjá.

 

Tarde ainda com muitas oferendas

E a Pajuçara continua tomada por grupos de candomblé e umbanda. Todos cantam e dançam em dezenas de rodas formadas nas areias da praia. No meio do círculo, as oferendas que serão lançadas no mar: perfumes de alfazema, sabonetes, talcos, flores, champanhe, espelhos, bonecas e adereços.

Além do ritual religioso, a festa de Iemanjá também reúne outras expressões da cultura afro, a exemplo de sambas de roda, grupos de capoeira e blocos afros.

 

A lenda*

Com a lenda conta que Iemanjá, filha de Olokum, casou-se com Olofin-Odudua, em Ifé, na Nigéria, e teve dez filhos, todos orixás. Depois de amamentá-los, ela teria ficado com os seios enormes, o que lhe causara vergonha. Cansada de viver em Ifé, Iemanjá fugiu e, chegando a Abeokutá, casou-se novamente, dessa vez, com Okerê. Mas, Iemanjá impôs uma condição para o casamento: que o marido jamais a ridicularizasse por conta dos seios volumosos. Entretanto, numa briga, Okerê teria ofendido Iemanjá, que, furiosa, fugiu novamente, encontrando num presente do pai o caminho para as águas. Ela nunca mais teria voltado para a terra e se tornou, assim, a rainha do mar. Nas datas em que é homenageada, em 02 de fevereiro e 08 de dezembro (Imaculada Conceição, para o Catolicisco), seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.

* Com informações do portal da Capoeira – www.portalcapoeira.com

 

Pajuçara vira palco de articulação pela cultura afro-brasileira

E, com o objetivo d pedir o fim do preconceito contra as religiões afro-brasileiras, reuniram-se, durante toda a tarde desta quarta-feira (08), vários grupos culturais na praia da Pajuçara. Cada um, mostrando as suas ações que são desenvolvidas no dia-a-dia, apresentou-se nas areias da orla marítima de Maceió e pediu o fim do preconceito.

“Estamos aqui num em prol da liberdade de crença e em favor do sincretismo religioso. A intolerância religiosa tem que ser combatida em todos os templos e lugares. O mais importante é que tenhamos fé, independentemente da religião a ser seguida”, defendeu Sirlene Gomes, coordenadora do Cepa Quilombo, grupo temático de discussão contra o preconceito.

Além dele, estiveram presentes o Quintal Cultural (grupo de educação, cultura e formação), Coletivo Afro Caetés (maracatu), Centro Espírita Santa Bárbara (Umbanda), Corte de Airá (maracatu) e o Núcleo Cultural da Zona Sul (capoeira e bumba-meu-boi).

O encontro foi denominado de ‘articulação pela cultura popular e afro-alagoana’ e seus organizadores prometem novas ações ao longo do próximo ano. Por enquanto, eles conseguiram abrigo provisório na Secretaria de Estado da Cultura.

 

Conscientização com crianças

O Centro Espírita Santa Bárbara, cuja sede fica no Conjunto Village Campestre, trabalha o tema da umbanda com crianças com idades entre 4 e 8 anos. Os integrantes da entidade alegam que, para poder desmistificar as religiões de matriz africana, a educação religiosa precisa ser ministrada desde os primeiros anos de vida.

E, para as homenagens à Iemanjá na praia, o Centro levou crianças e adolescentes para que eles pudessem entender e presenciar as reverências à rainha das águas.

 

Fonte: http://gazetaweb.globo.com

Gazetaweb – Janaina Ribeiro, Roberta Batista e Daniel Dabasi

A ausência de vozes femininas na capoeira

No mundo da capoeira a mulher está chegando, jogando e conquistando seu espaço. No mundo da música, está lado à lado com o homem, cantando, tocando, se destacando e fazendo muito sucesso. Mas porque será que, quando se trata da música na capoeira, a situação é tão diferente? 

Sim, na roda a mulher canta, a mulher toca pandeiro, atabaque e berimbau, mas quando você vai a uma loja especializada, ou mesmo quando procura na Internet, quantos CD’s de capoeira de mulher você já encontrou? Na melhor das hipóteses uns três ou quatro, todos da Carolina Soares, certo? 

Exitem também músicas interpretadas por mulheres em CD’s de grupos e coletâneas, mas a participação ainda é muito modesta. 

Por que isso acontece? Não tenho resposta para esta pergunta, mas trouxe algumas hipóteses para a reflexão: 

* Falta de interesse – Obviamente não é todo capoeirista que sonha em gravar um CD. Será que o número de mulheres capoeiras com este objetivo é simplesmente inexpressivo? Acho difícil acreditar nesta hipótese. 

* Preconceito – Se a mulher sofria e ainda sofre preconceito ao entrar na roda, na bateria a resistência masculina sempre foi ainda mais rígida. Afinal é o berimbau que comanda a roda, e em muitos lugares, por muito tempo, era inadmissível uma mulher tocando o gunga. Será que esta postura “atrasou” a inclusão da mulher no campo musical da capoeira?

* Dificuldades diversas – A dificuldade em conciliar a capoeira com os cuidados com os filhos, com a casa e o trabalho fora também é uma hipótese válida. Com a vida atribulada a mulher pensa duas vezes antes de assumir mais uma tarefa, chegando até mesmo a abrir mão de um grande desejo. 

É interessante pensar na questão, descobrir outras hipóteses, colocar o assunto em pauta. É possível que existam sonhos sendo sufocados e talentos desperdiçados. 

E que Carolina Soares seja exemplo e inspiração para que a mulher capoeirista ultrapasse mais esta barreira.

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

CAPOEIRA: PRECONCEITO EM ALTA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

É com muita tristeza que informamos à comunidade universitária e à sociedade baiana e brasileira que o preconceito está em alta na Universidade Federal da Bahia. Não bastassem as infelizes declarações do professor Antonio Dantas (ex) coordenador da Faculdade de Medicina, com grande repercussão na mídia (ver reportagem publicada no Portal Capoeira) há cerca de um ano atrás, onde cita a execução do toque do berimbau como referência para dizer que o baiano tem pouca capacidade mental, temos agora outra manifestação eminente desse preconceito. Vamos aos fatos.

Desde que foi implantada na UFBA, em 2000, a Atividade Curricular em Comunidade (ou simplesmente ACC como é conhecida no ambiente universitário) tem sido uma experiência muito importante no que diz respeito a uma maior aproximação entre Universidade e Comunidade. Uma dessas ACCs – Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira – desenvolvida a partir da Faculdade de Educação da UFBA, foi uma das primeiras a serem implantadas no currículo e vem envolvendo estudantes de vários cursos em atividades sócio-educativas direcionadas às comunidades de capoeira, atuando em Salvador e Região Metropolitana, abrindo o espaço da universidade para estas comunidades, dando voz e visibilidade aos seus líderes e seus participantes (crianças, adolescentes e adultos) a partir de muitas atividades.

No entanto, a ACC EDC464 – Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira sofre, já há alguns semestres, o que poderíamos chamar de “pouco prestígio” junto a Pró-Reitoria de Extensão, órgão responsável pelas ACCs. Já não vinha recebendo o apoio financeiro a que todas as ACCs têm direito, o que  já tornava a tarefa de continuar um fardo pesado para alunos e professores comprometidos com essas ações e que apelaram freqüentemente ao próprio bolso para manter as atividades em funcionamento.

Temos durante esse tempo todo, tentado dialogar com representantes dessa Pró-Reitoria no sentido de sensibilizá-los sobre a necessidade e a importância da continuidade das ações dessa ACC, sobretudo em função dos compromissos estabelecidos com essas comunidades, que finalmente começam a enxergar a Universidade como uma parceira importante em sua luta por dignidade humana.

Fomos, então, surpreendidos nesse atual semestre com a notícia veiculada pela Pró-Reitoria de Extensão, de que a ACC Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira não seria mais oferecida. Depois de muito tentarmos, sequer uma explicação plausível nos foi dada para justificar tal atitude. Será que os saberes tratados pela capoeira não seriam nobres o suficiente, para justificar sua presença no currículo oficial da UFBA ???

Diante do exposto, viemos a público manifestar nossa INDIGNAÇÃO pela forma arbitrária com que essa decisão foi tomada, sem sequer possibilitar um diálogo e uma argumentação de nossa parte, que pudesse alterar tal decisão, o que nos faz acreditar que tal atitude trata-se de PRECONCEITO contra uma manifestação como a CAPOEIRA, que durante séculos foi perseguida e reprimida pelo poder, tida como coisa de “vadios” e “desordeiros”, e que apesar de hoje, ser considerada Patrimônio da Cultura Brasileira pelo IPHAN, e ser praticada em mais de 150 países no mundo inteiro, ainda sofre esse tipo de discriminação, e pior, justamente na Bahia, local de maior prestígio dessa manifestação em todo o mundo.

Reiteramos a relevância desta ACC na formação de estudantes de diversas áreas, o que confirma seu caráter aberto a todas as áreas do conhecimento. Destacamos a importância desta manifestação cultural não só para a formação humana de seus estudiosos na Universidade Federal da Bahia, mas também para a formação científica dos estudantes e professores desta instituição. A ACC 464 foi (e é) base para estudos monográficos, dissertações de mestrados, além de trabalhos apresentados em eventos como a SBPC em Campinas, o Seminário Interno de Pesquisa da UFBA em Salvador e em eventos internacionais, como o de Cuba – Pedagogia 2009.

A ACC busca aproximar o saber popular e acadêmico de forma democrática, sensível, auxiliando na superação de uma lógica retrógada que permeou por muito tempo os ambientes universitários e que, agora, cabe cada vez menos em um país que declara ser a diversidade cultural um dos seus grandes diferenciais. Para sermos diversos culturalmente, é preciso respeito com toda forma de cultura. Não é o que esta universidade mostra agindo desta forma em relação a essa já histórica e resistente ACC.

Em virtude do silêncio da Pró-Reitoria de Extensão sobre a justificativa da exclusão da ACC, consideramos que os canais de diálogo foram esgotados, e por isso apelamos a essa nota pública, no intuito de denunciar essa atitude discriminatória e preconceituosa, certos de que a comunidade acadêmica e a sociedade baiana se manifestarão a respeito.

 Salvador, 30 de março de 2009

 

Professores responsáveis atuais pela ACC 464: Ensino e Pesquisa na Roda de Capoeira (Faculdade de Educação):

Pedro Abib

Maria Cecília de Paula Silva

Antigos professores participantes:

José Luis Cirqueira Falcão (professor da UFSC, colaborador na criação da ACC 464 e sua inclusão no currículo da UFBA EM 2000)

Participantes:

Benício Boida de Andrade Júnior, estudante de filosofia (participante desde 2007.1)

Eduardo Evangelista Costa Bomfim, estudante de ciências sociais (participante desde 2006.2)

Fernando Lemos, estudante de arquitetura (participante desde 2006.2)

Franciane Simplício Figueiredo, mestre em educação (participante desde 2006.1)

Luciano Ferreira Guimarães, contramestre de capoeira (participante informal desde 2005.2)

José Luis Oliveira Cruz , mestre Bola Sete, mestre de capoeira (participante informal desde 2006.1)

Maria Luisa Bastos Pimenta Neves, estudante de pedagogia (participante desde 2004.1)

Priscila Lemos Menezes, estudante de letras vernáculas com uma língua estrangeira, (participante desde 2008.2)

Renato Silva Santos, estudante de educação física (participante desde 2007.2)

Sante Braga Dias Scaldaferri, mestre em educação (participante desde 2006.1)

Sergio Fachinetti, mestre Cafuné, mestre de capoeira (participante informal desde 2006.2).

Preconceito

E-mail de Dani recebido em 28/10/2002
Formatação/editoriação AADF

Repassando…
Adorei essa crítica irônica ao eufemismo barato de chamar os pretos de "de cor". O que há de errado em ser preto, que faz com que queiramos evitar chamar alguém assim ? Evitar chamar alguém de preto delata que consideramos "ser preto" um defeito, uma característica ofensiva e por isso, deve-se evitar dizer para não "ofender"… Quanto preconceito! Só um detalhe que há muito tempo está preso na minha garganta que, para o bem de todos e felicidade geral da nação, eu vos informo:

Não existe RAÇA entre os seres humanos! Raça é uma especificação biológica para (e somente para) os animais irracionais. Ou seja, os humanos (nós homens) não se distinguem por raça. Não houve na espécie humana distinção histórica, geográfica, genética, temporal ou evolutiva que permitisse sua diferenciação em espécies. O que difere geneticamente um nórdico dinamarquês de um preto do Congo é tão insignificante que pode ser muito menor que a diferença entre  indivíduos de mesma cor.

A única distinção que se vê, em alguns casos, é a cultural. Normalmente, quando há um agrupamento espacial de indivíduos de mesma cor (ou outra característica qualquer) existe aí uma cultura específica que aglutina traços vários além da cor, como folclore, musicalidade, alimentação, língua,religião etc…

A esse "conjunto de características culturais e fenotípicas"(fenótipo=aparência física), damos o nome de ETNIA.

Portanto, se você quiser se referir a um preto ou a um branco ou a um amarelo, indígena, etc… se refira não à  raça, mas, se for o caso, à etnia.

Ex: "…no Brasil existe um conflito étnico…", etc…

É muito comum você ver o próprio movimento negro se referir a uma "valorização da RAÇA negra".

É uma pena que eles próprios estão se chamando de um suposto subgrupo biológico que não existe. Acabam sendo preconceituosos sem saber ou querer.

Da mesma forma o são quando dizem: "preto é cor, negro é raça"
… coitados, erram duas vezes! Essa frase é totalmente idiota.
Preto é cor, sim. Mas qual é a cor deles? Preta! Ora bolas!
Se um branco pode ser chamado de branco sem constrangimento,
por que o preto não pode?
E "negro" não é raça,

na melhor das hipóteses, é apenas uma das características, que somada a outras, forma uma etnia.

E no Brasil fica difícil de enxergar essa diferenciação, já que:

não há no nosso país uma distinção cultural significativa
que diferencie os brancos e pretos em etnias diferentes).

De forma geral, partilhamos todos uma mesma cultura, pelo que somos todos iguais.

Gente, isso é só uma dica, ok?

Ouçam se quiserem.

Abçs, Dani

Poema Africano
Meus caros irmãos
Quando nasci eu era negro
Agora cresci e sou negro
Quando tomo sol fico negro
Quando estou com frio fico negro
Quando tenho medo fico negro
Quando estou doente fico negro
Quando morrer ficarei negro
E você homem branco,
Quando nasce é rosa
Quando cresce fica branco
Quando toma sol fica vermelho
Quando sente frio fica roxo
Quando sente medo fica verde
Quando está doente fica amarelo
Quando morre fica cinza
E ainda tem a "cara de pau"
de me chamar de "homem de cor"?
TOMA VERGONHA!