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Africa: A Capoeira ajuda as crianças de rua em Kinshasa

Na praça do centro de Limete, um bairro popular de Kinshasa, a capoeira encontrou praticantes inesperados: as crianças de rua.

A capital da República Democrática do Congo, com seus 12 milhões de habitantes, é a segunda cidade do mundo, logo atrás do Rio de Janeiro, em número de crianças abandonadas.

As estimativas variam de uma fonte à outra, mas a ONG francesa Médecins du Monde (Médicos do Mundo, MDM) estima que são cerca de 20.000. Algumas largaram as famílias, outras foram abandonadas.

Estas crianças são chamadas de “shégués” (crianças de rua em lingala), um nome que é sinônimo de “ladrão”, já que elas vivem essencialmente de roubos e furtos. Elas recusam a ajuda de dezenas de ONG e acabam muitas vezes caindo na prostituição, na desnutrição e na violência.

Algumas, porém, deram sentido às suas vidas graças à disciplina e a energia da capoeira.

As crianças a praticam na rua com Yannick N’Salambo, um técnico em computação congolês de cerca de 30 anos de idade que se apaixonou por esta luta misturada com dança ensinada por um viajante brasileiro. Três vezes por semana, ele vai a Limete e encontra um lugar no meio dos comerciantes de carvão e de legumes, dos engraxates e dos vendedores de crédito para celular.

Munidos de um berimbau e de um reco-reco, Yannick e seus assistentes começam o aquecimento. Em seguida, dois de cada vez, eles começam. Fortes e atléticos, eles exibem seus movimentos plásticos.

Às vezes, um dos participantes acaba entrando no ritmo do adversário e atingindo-o. “Malembe!” (cuidado!), avisa o mestre, que toma seu lugar e mostra como se deve agir sem machucar o companheiro.

Em volta, cerca de dez crianças, entre 5 a 13 anos, assistem com atenção.

Descalços, vestindo roupas comuns como camisetas e calças largas, os dois param após alguns minutos, sendo imediatamente substituídos por outros dois parceiros que tentam mostrar que aprenderam como se faz.

A aula dura duas horas e termina com a lembrança do que se espera dos jovens alunos: seguir as obrigações escolares, ter um comportamento digno, respeitar as funções de cada um perante o grupo e ser pontual.

“Eu vi uma grande evolução”, diz Yannick. “Eu tinha crianças que não obedeciam, eram agressivas, mal-educadas. A capoeira reestruturou seus lados psicológicos”.

A capoeira ensina os jovens de rua o que nem a escola, nem a família conseguiu ensinar.

Um dos assistentes, Ninja, de 30 anos, saiu das ruas graças à esta prática. Fechado, tímido, ele viveu sem lar por 20 anos.

“A capoeira permitiu a ele se expressar”, explica Yannick, que ganha um pouco de dinheiro dando aulas aos estrangeiros.

“É um esporte que nos ensina a amizade”, diz Jérémie Tchibenda, de 14 anos. Francis, de 9 anos, “se sente bem” quando pratica capoeira.

Nem todos vem da rua, alguns têm família e moram por perto. Alex Karibu, de 25 anos, tinha quinze anos e já era órfão quando começou.

O jovem embaixador do Brasil no país, Paulo Uchoa, se sente orgulhoso de ver esta atividade brasileira encontrando público no Congo e ajudando estas crianças.

“Vou fazer de tudo para ajudar”, garantiu o diplomata, lembrando que o Brasil e a África vêm se aproximando. Em des anos, as trocas comerciais do Brasil com o continente africano saltaram de 5 para 26 bilhões de dólares, e o número de embaixadas brasileiras em solo africano subiu de 15 para 38.

É praticamente uma volta para casa, já que a capoeira, mesmo tendo sido criada no Brasil, tem as raízes na África.

Metade dança, metade luta, a capoeira se desenvolveu no século XIX na clandestinidade, em meio às populações escravas vindas da África. Como eram proibidos de lutar, os escravos escondiam sua luta com a dança.

 

Fonte: AFP – Agence France-Presse

Nota de Falecimento – Mestre Durinho CDO

Depois de mais de um ano lutando contar o cancer mestre Durinho perdeu a batalha… Mas deixou muita coisa boa neste mundão de meu deus…

 

Obrigado por todos os ensinamentos deixados, os discupulos que ensinou.
Obrigado…

Vai com Deus Mestre Durinho…

Mestre Faleceu no final do dia 11 de Março do corrente ano, por volta das 23:00 horas.


O Enterro será en Natal – RN as 9:00 do dia 12 de março.

 

Homenagem Rabo de Arraia e Portal Capoeira

Mestre de Guarapuava produz filme sobre história da capoeira

Autor de vários projetos sociais no município, Ceará aparece entre capoeiristas do mundo todo contando a trajetória do esporte. Lançamento do festival cinematográfico acontece no Cine XV, neste domingo, mas a mostra será levada a vários Estados do país

O capoeirista Francisco Aloísio Teixeira Filho, conhecido como Mestre Ceará, deve colocar o município de Guarapuava, mais uma vez, no cenário internacional do esporte. Líder da Companhia Volta ao Mundo, ele ajudou a produzir um filme que vai contar a história da arte brasileira, além de relatar a trajetória dos nomes que atravessaram fronteiras para espalhar a modalidade a vários países.

O filme “Capoeira: a Arte que Encantou o Mundo” será exibido em primeira mão na cidade de Guarapuava, às 8h30 deste domingo, 9, no Cine XV. O festival cinematográfico, no entanto, será lançado já na sexta, 7, com batizados, troca de cordas e cursos na Escola Estadual Newton Felipe Albach, a partir das 15h. A organização é dos capoeiristas “Banin”, “Trilips”, Hait, Eddy e Bombom.

Durante o longa, são mostrados shows de capoeira em países como Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Japão, além de projetos desenvolvidos no mesmo local por mestres brasileiros. Como já ministrou aulas e cursos em várias partes da Europa (Polônia, Bielorrússia, Bélgica, França e Suíça, entre outras), Ceará também aparece mostrando a expansão do esporte e da arte.

Ceará é fundador da companhia Volta ao Mundo e vem ajudando crianças e adolescentes da região com projetos sociais. No ano passado, foi reconhecido por uma instituição nacional pelo trabalho realizado com pessoas com deficiências físicas e mentais. O mestre realiza aulas em escolas públicas e na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), entre outras instituições.

Em Guarapuava há quase uma década, Ceará já promoveu grandes eventos no município. O último deles, o Circuito Internacional e Jogos Abertos de Capoeira, aconteceu em junho.

O capoeirista iniciou a carreira aos nove anos de idade, em Fortaleza (CE) e, apesar dos problemas de saúde que teve na infância, se tornou um dos grandes nomes da arte no país. Ele cita como seus “formadores” os mestres Jair Correia (Grupo Marabaiano- Fortaleza), Antonio Carlos de Menezes (Muzenza-Curitiba) e Jamil Raimundo (Museu-Belo Horizonte).

 

Diário de Guarapuava

http://www.diariodeguarapuava.com.br

Mestre Bigodinho: Capoeira não se faz, se joga !

Mestre Bigodinho, batizado como Reinaldo Santana, nasceu em Conceição de Feira, no ano de 1933, mas foi no Acupe – distrito de Santo Amaro que se criou em meio a efervecência cultural do Recôncavo, onde também teve as primeiras lições na capoeiragem. Já rapaz, se mudou em 1950 para Salvador, onde logo conheceu Auvelino, mestre de Berimbau que o acolheu e ensinou os segredos da arte desse instrumento, que acabou tornando mestre Bigodinho famoso.

Mas não foi só tocando berimbau que Bigodinho encantava a todos, não ! Durante mais de 25 anos Bigodinho frequentou o famoso Barracão de Mestre Valdemar da Paixão, tempo em que, segundo ele, “menino e mulher não jogavam”. Conviveu com capoeiras famosos como Traíra, Zacarias, e tantos outros que frequentavam o Barracão, sendo ele também um dos capoeiras mais respeitados do lugar. Excelente cantor e compositor, ficou conhecido também pela forma muito particular de entoar as ladainhas e corridos que compunha.

Coordenou na década de 1960 o Grupo Resistência, no bairro da Lapinha, em Salvador. Sempre dizia que ele era do tempo em que polícia reprimia as rodas e ameaçava: “pare, senão eu furo o pandeiro e quebro o berimbau !”. Chegou a integrar também o Grupo Folclórico “Viva Bahia”, coordenado por Emília Biancardi, que teve importância na divulgação da capoeira pelo Brasil e também pelo mundo. Se tornou mestre em 1968.

Bigodinho se afastou da capoeira na década de 1970, ficando um longo período inativo. Voltou à cena somente na década de 1990, por influência de seu amigo Lua Rasta. Segundo o pesquisador Frede Abreu, mestre Bigodinho teve grande importância no processo de revitalização da Capoeira Angola nos anos 70/80, pelo conhecimento que possuía. Diz Frede que “ele conheceu e conviveu com muitos mestres antigos e sabia das coisas”.

Em 2007 aconteceu o “Tributo à Mestre Bigodinho”, uma iniciativa de seu amigo, o mestre Lua Rasta, que junto com o seu “bando anunciador”, formado por capoeiristas de todas as linhagens, fez das ruas do Acupe uma grande festa a céu aberto. Uma justa homenagem em vida que teve até registro em vídeo – o documentário com o mesmo nome, dirigido por Gabriela Barreto, onde pode-se ver a alegria de Mestre Bigodinho desfilando pelas ruas do lugar, sendo aclamado e reconhecido por todos ali presentes.

Bigodinho gravou um CD, juntamente com Mestre Boca Rica, que mostra um pouco do seu talento de cantor e compositor não só de músicas de capoeira, como também de samba-de-roda, outra paixão de Bigodinho, que era considerado também um exímio sambista. Era um boêmio nato, diziam seus amigos mais próximos.

Com sua perspicácia, dizia Bigodinho que a capoeira “é uma farmácia: está com dor na perna, no músculo…então você dá uns pulo de capoeira com a rapaziada, quando você volta já volta bom, aquela dor já saiu tudo”.

Morreu na Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro, mesmo local onde morreu o famoso Besouro Mangangá. Foi num dia cinzento, 5 de abril de 2011, data de aniversário de outro grande personagem da capoeira: Mestre Pastinha.

Para o Mestre Bigodinho: “ A capoeira não se faz, capoeira se joga. A capoeira é vadiagem, é o lazer que tinha dia de domingo…é jogo, é mandinga, é magia” !

Nestor Capoeira: Encontros com grandes Mestres – Leopoldina

A figura do Mestre, assim como a denominação “mestre”, é algo seminal.

Nos próximos dois livros (em 2013) desta trilogia falarei dos mestres do passado. Eu tive muita sorte: conheci os grandes mestres que instauraram a “era das academias”. Agora, gostaria apenas de contar como conheci alguns deles.

Meu encontro com mestre Leopoldina

A rigor, mestre Leopoldina não foi um dos que “instauraram a era das academias”; ele só começou a jogar em 1950, no Rio.

Mas foi quem me iniciou na capoeira; foi quem abriu as portas da “cultura popular”, e foi quem me apresentou a “filosofia da malandragem”. E fez isso sem fazer força, sem se preocupar em ser “mestre”.

Além disto, meu encontro com Leopoldina é uma estória que merece ser contada.

Demerval Lopes de Lacerda (1933-2007), o mestre Leopoldina, nasceu no Rio de Janeiro num sábado de carnaval.

Foi criado pela mãe e, depois por tias e outras senhoras que o acolheram. Mas, menino ainda, fugiu de casa para vender balas junto a outros moleques que dominavam as linhas da Estrada de Ferro Central do Brasil, que une o centro da cidade aos subúrbios mais distantes do Rio. Foi na Central do Brasil que ele se “formou” e fez “pós-graduação”.

Adolescente, foi por vontade própria, numa época de vacas muito magras, para o SAM – o temido Serviço de Asssistência ao Menor, atual FUNABEM. Leopoldina não tinha reclamações desta época; ao contrário, jovem malandro criado nas ruas, entrou logo para o time dos “diretores”. Entre outras coisas, aprendeu a nadar, dando regularmente a volta na ilha onde estava situado o reformatório, o que lhe deu uma excelente forma física.

Ao sair do SAM, já com 18 anos em 1951, e velho demais para vender bala e amendoin nos trens, começou a vender jornais e, em breve, montou uma equipe de pivetes. Pela primeira vez, começou a ganhar dinheiro, vestir altas becas e frequentar o mulherio da Zona do Mangue, onde breve fez fama devido ao tamanho de seu pênis – ganhou o apelido de Sultão. Leopoldina frequentava regularmente as prostitutas, não raro mais de uma vez ao dia, sem nunca usar qualquer proteção, como as “camisinhas-de-vênus”, e incrivelmente nunca pegou doença venérea.

Foi nessa época que conheceu Quinzinho, Joaquim Felix de Souza, um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha, que já havia cumprido pena na Colonia Penal e carregava algumas mortes nas costas. Quinzinho era capoeirista e foi o primeiro mestre de Leopoldina na arte da “tiririca”, a capoeira dos malandros cariocas, sem berimbau, descendente da capoeira das maltas dos 1800s.

Drauzio Varela, o médico da Penitenciaria do Carandiru que escreveu um livro de grande sucesso, e que mais tarde virou filme, menciona Quinzinho em seu Estação Carandiru:

Seu Valdomiro é um mulato de rosto vincado e cantos grisalhos na carapinha…

Os setenta anos e as histórias de cadeia ao lado de bandidos lendários como Meneguetti, Quinzinho, Sete Dedos, Luz Vermelha, e Promessinha, fizeram de seu Valdo um homem de respeito no presídio.

Leopoldina contou (num depoimento a Nestor Capoeira, gravado em DVD, em 2005, Mestre Leopoldina, o último bom malandro), como conheceu seu primeiro mestre, Joaquim Felix, o Quinzinho, por volta de 1950; quando Leopoldina tinha uns 18 anos de idade e Quinzinho tinha, talvez, uns 23 anos de idade.

 

Leopoldina:

” Eu olhava pra ele (Quinzinho), olhava para os caras em volta, e ele berava pra mim:

– Desembandeira!

Quando eu me preparava pra atacar, ele fazia aquelas coisas com o corpo.

Eu pensei: ‘Vou matá-lo!’

Dentro da (estação de trens) Central do Brasil, escondido nos trilhos, eu tinha uma faca de 8 polegadas que eu costumava esconder ali. De madrugada, eu pegava a faca e caia na noite. Então eu deixei o Quinzinho e entrei na Central pra pegar aquela faca.

Neste momento, um jornaleiro que nunca mais vi, acho que já morreu, chamado Rosa Branca, me viu muito agitado e perguntou: ‘que que tá acontecendo?’

 

Eu respondi: ‘Quinzinho roubou o meu chapéu e eu vou dar uma facada conversada nele’. “

Leopoldina explicou o que é a facada conversada:

“A facada conversada é o seguinte: eu teria de esperar pelo momento em que ele estivesse bebendo, aproximar por tras, bater no seu ombro para que ele se virasse.

Quando ele se virasse eu furava ele pela frente… não pelas costas. Porque se eu fosse preso depois, eu teria considerção na cadeia: ‘esse é malandro, deu uma facada conversada no cara’. Mas se eu esfaqueasse pelas costas eles iam dizer: ‘covarde’, e iam descer o pau.”

Para a sorte de Leopoldina, Rosa Branca acalmou-o e ele não procurou Quinzinho. Mas pouco tempo depois, Leopoldina estava num ponto final de onibus, e encontrou Quinzinho mais uma vez.

Leopoldina:

“Desceram do ônibus, Mineiro Bate Pau, um outro cara chamado Peão, Testa de Ferro, e aí, Quinzinho.

Quando eu vi Quinzinho, eu gelei. E pensei: ‘é agora!’

Mas ninguém ali sabia do ocorrido entre nós e começaram a falar comigo. Quinzinho, vendo que eu era respeitado e amigo da malandragem, se aproximou e disse:

‘Eu não quero problema com você, porque você é malandro’.

Ele estava segurando uma cuíca e passou ela pra um dos caras. Ele passou a cuíca e, de repente, me deu uma geral (revistar alguém a procura de armas)!

Imagina só. Ele disse, ‘Eu não quero problema com você porque voce é malandro, etcetera e tal’, e em seguida me deu uma geral!”

As semanas foram passando e Leopoldina, que estva louco para aprender capoeira, foi, aos poucos, se aproximando de Quinzinho.

Leopoldina:

“Eu disse: ‘Quinzinho, quero te pedir um favor’

‘O que?’, ele respondeu (desconfiado).

‘Eu quero que você me ensine capoeira’

‘Então vai no Morro da Favela amanhã’

Puxa, eu não ficaria tão feliz se alguém me desse um milhão de reais.

Aquele primeiro dia, eu voltei pro Morro do São Carlos e fui dormir na esteira. No dia seguinte eu não conseguia levantar. Meu corpo todo estava doendo. E ao mesmo tempo, eu estava preocupado que ele não ia querer mais me ensinar se faltasse à segunda aula.

‘Como é que eu vou?’, e na Favela ainda tinha que subir mais de uns cem degraus.

Então eu fui no dia seguinte e disse pro Quinzinho:

‘Não pude vir porque estava todo doído’

E ele (sem me dar papo):

‘É assim mesmo… é assim mesmo’.

E começou a me ensinar: ‘faz assim…. faz assim’.”

“Aí, um dia o Juvenil apareceu. Ele disse ‘alô’, olhou pra mim e disse: ‘vamos brincar?’

Eu olhei pro Quinzinho e como ele não disse nada, eu respondi: ‘vamos’.

O Juvenil tirou o chapéu, o colete, a gravata, e ficou nú da cintura pra cima. Assim que nós começamos a brincar, ele me deu um chute que me pegou de raspão na cabeça.

O Quinzinho estava sentado com a 7.65 enfiada na cintura. Ele estava de shorts. Naquele tempo (aprox. 1955) se usava short de futebol e não essas sungas de hoje. Todo mundo usava shorts. E ele estava com um lenço no colo, escondendo a pistola.

Quando o Juvenil deu aquele chute, Quinzinho se levantou e enfiou a pistola na cara do Juvenil:

‘Não faça isso! Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!’ “

Eu (Nestor Capoeira) acho esta estória, contada pelo Leopoldina, incrível.

Vejam bem: o Quinzinho era um jovem e perigoso marginal, chefe de quadrilha que, na verdade, não tinha nem um método de ensino estruturado; como já existia na Bahia, com mestre Bimba, desde 1930; ou como Sinhozinho, no Rio no mesmo período. Leopoldina explicou como Quinzinho ensinava: ia jogando com o aprendiz e dizendo, “faz assim… faz assim”.

No entanto, quando encarnava o “mestre de capoeira”, Quinzinho tinha uma ética impecável – “Não faça isso, se não ele fica covarde e não aprende!”. Mais impecável ainda, pois naquele tempo, Rio dos 1950s, aluno aprendia capoeira levando porrada pra “ficar esperto”.

Eu vejo esta passagem como algo muito emblemático da complexidade do mundo da capoeira, com seus bizarros paradoxos; que, na verdade, não parecem tão estranhos assim para aqueles que tem o corpo e a cabeça feitos pelos fundamentos da malícia.

Alguns anos mais tarde, Quinzinho foi, mais uma vez, preso e, desta vez, assassinado na prisão da Ilha Grande pelo Chefe de Segurança, Chicão.

Leopoldina sumiu da área, com medo de represálias de marginais inimigos. Quando voltou às ruas, conheceu Artur Emídio, que tinha chegado recentemente de Itabuna, e tornou-se aluno de Artur por volta de 1954, conhecendo então a capoeira baiana jogada ao som do berimbau.

Mais tarde, Leopoldina foi trabalhar no Cais do Porto e acabou conseguindo entrar para a Resistência, um dos ramos da estiva. Aposentou-se cedo, antes dos 45 anos de idade devido a um acidente de trabalho que, felizmente, não deixou seqüelas; e, com um salário razoável de aposentado, pode viver mais intensamente a vida de capoeirista e malandro alto-astral.

Eu (Nestor Capoeira) conheci Leopoldina em 1965, aos 18 anos de idade.

Leopoldina tinha 31 de idade, e apesar de estar em grande forma, cheio de energia, o corpo magro e musculoso todo talhado; seu rosto parecia o de um homem muito mais velho. O curioso é que os anos passaram e ele continuou com o mesmo rosto e o mesmo corpo.

Eu cursava o primeiro ano da Escola de Engenharia da UFRJ, na distante (em relação à Copacabana, onde eu morava com meus pais) Ilha do Fundão. Um dia, eu estava no pátio da escola conversando com alguns amigos quando vi, longe na estrada, um cara que se aproximava pedalando a toda velocidade; era o Leopoldina que vinha de bicicleta da Cidade de Deus até a Ilha do Fundão – é longe.

A medida que foi se aproximando comecei a perceber os detalhes da roupa da figura: chapeuzinho de aba curta, desses usados pelos sambistas; um colete vermelho com bolinhas brancas, completamente aberto sobre o peito nú, que balançava no vento feito as asas de um pássaro; calça boca-de-sino listrada de verde-pistache e cinza, e um largo cinto de couro preto com uma enorme fivela na cintura; sapatos de sola plataforma com uns 3 centímetro de altura, todo cravejado de estrelinhas prateadas.

Ele entrou pelo pátio adentro a toda velocidade e então deu um tremendo cavalo-de-pau e, girando, acabou parando ao lado de uma pilastra, onde calmamente encostou a bicicleta depois de saltar.

Aí reparei numa coisa mais estranha ainda: ele levava, preso entre os lábios, uma espécie de graveto pintado de preto, vermelho e branco com uns 30 ou 40 centímetros de comprimento. De repente, o graveto começou a se mexer e se enrolou em volta do pescoço daquela estranha pessoa: Leopoldina criava cobras em casa, e aquela – uma falsa coral – era uma de suas preferidas.

Eu perguntei para um amigo:

“Porra, quem é esse cara?”.

“É o mestre Leopoldina; ensina capoeira na Atlética”, que era a parte desportiva dos diretórios estudantis.

Leopoldina era gentil e amistoso com os alunos. Não permitia que um aluno mais velho batesse num iniciante.

Carregava os mais interessados para o samba, para o candomblé e a umbanda, para os morros, para os desfiles de carnaval na Avenida Presidente Vargas.

Era, sem tentar sê-lo, um Mestre completo, que iniciava aqueles universitários, eu entre eles, na cultura “popular” brasileira; na filosofia da malandragem alto-astral – “o bom negócio é bom pra todo mundo” (em oposição à chamada Lei de Gérson, “levo a melhor em todas”, dos 171 e golpistas); e num enfoque da mulher e do sexo radicalmente revolucionários – “ninguém pertence à ninguém” -, tanto para a moral burguesa como para os enfoques machistas.

Leopoldina achava que só se deve dar aulas de capoeira duas vezes por semana, e aulas de apenas uma hora; o resto seria correr as rodas e jogar.

Seu método de ensino consistia de um breve aquecimento (uma corrida em volta da sala e alguns “polichinelos”), algumas “sequências” de golpes e contragolpes para duplas de alunos (similares às que aprendeu com Artur Emídio, por sua vez baseadas nas sequências de mestre Bimba), ocasionalmente um treino de golpes (os alunos se aproximam em fila de uma cadeira e davam, um a um, o golpe por cima da cadeira) e, no final da aula, uma roda de uns 15 a 20 minutos.

Suas aulas geralmente tinham de 4 a 8 alunos; Leopoldina nunca teve “sucesso” no que se refere ao número de alunos; tampouco deu aulas por mais de 5 anos no mesmo local.

Creio que sou o único aluno de Leopoldina em atividade, mas meu estilo de jogo é bastante diferente do dele: Leo era mais baixo que eu – devia medir 1,70m e pesar uns 65 kg -, tinha um estilo mais rápido, mais leve, mais arisco; sua ginga tinha mais personalidade que a minha, e era extremamente malandra e expressiva; embora seus golpes não se equiparassem aos da rapaziada de ponta de Senzala (onde fiquei de 1968 a 1992 e completei minha formação), Leo tinha muita visão de jogo e objetividade quando queria.

Outro aspecto importante, da vida de Leopoldina, foi seu relacionamento com o samba.

Saiu com a Mangueira, pela primeira vez, no carnaval de 1961, aos 28 anos de idade. A Mangueira foi a primeira escola de samba a colocar a capoeira em seus desfiles, o que deu uma grande visibilidade à capoeira. Leopoldina chegou a organizar um grupo de 60 capoeiristas na ala V.C. Entende, a ala show da Mangueira. E continuou saindo até aproximadamente 1974.

Eu mesmo (Nestor Capoeira) desfilei várias vezes na Mangueira, a convite de Leopoldina, quando ainda era um novato de capoeira, por volta de 1968/1970.

Na verdade, quando o conheci em 1965, embora fosse conhecido e querido no meio da capoeiragem, Leopoldina não era renomado, como foi Artur Emídio ou, mais tarde, o Grupo Senzala. Sua fama cresceu lentamente com o tempo, nas viagens que fazia constantemente à São Paulo (e depois ao resto do Brasil e estrangeiro), e na amizade que conquistou no hegemônico Grupo Senzala carioca.

Mas principalmente por sua personalidade alto-astral e positiva, alguém que só fazia amigos e evitava as inimizades. E mais ainda, por suas músicas de capoeira que, ao mesmo tempo, eram inovadoras na letra e principalmente na harmonia mas agradavam até aos jogadores mais chegados à tradição.

Aos poucos sua figura começou a ser associada, e com razão, aos últimos “bons malandros” e ao próprio Zé Pelintra, uma entidade da Umbanda.

Em 2005, com mais de 70 anos de idade, estava em grande forma física, jogando no seu ritmo rápido com 4 ou mais capoeiras jovens, um jogo seguido ao outro, e era um dos (“velhos”) mestres mais conhecidos de nosso tempo, junto com os mestre João Pequeno e João Grande (antigos alunos de mestre Pastinha, de Salvador).

Seus maiores interesses eram as mulheres, a capoeira, o samba, os carrões (que comprava e equipava com muitos cromados e pinturas), as viagens no Brasil e exterior (onde começou a ir por volta de 1990), as festas, as amizades; enfim, as curtições de quem ama e está de bem com a vida.

Leopoldina morreu em 2007, vitima de câncer, aos 74 anos de idade.

Curta sobre cultura afrobrasileira faz avant premiere em encontro de Capoeira Angola

“ANGOLA: Capoeira Ancestral” 

O curta metragem “ANGOLA: Capoeira Ancestral” terá sua avant premiere na próxima quinta-feira, dia 07 de abril, às 13h, durante o 3º Encontro Nacional de Capoeira Angola. Ele será reexibido na sexta-feira, dia 08, no mesmo horário. O encontro, que acontece entre 5 e 9 de abril, na Funarte, com entrada franca, é realizado pelo Grupo Iuna de Capoeira Angola, com os recursos do Fundo Municipal de Cultura. Com rodas, palestras, seminários, oficinas de Capoeira Angola e mostras de filmes, o evento vem sendo realizado desde 1999 e tornou-se referência para a comunidade capoeirística de Minas Gerais.  Nesse ano serão homenageados os mestres Cavalieri, Boca e Dunga e vindos diretamente de Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano, os mestres Felipe e Ivan, e Mestre Lua, de Salvador. Confira a programação completa em http://grupoiuna.blogspot.com/.


SINOPSE: Apertem os cintos! Vamos embarcar numa viagem para o passado. O nosso passado, o do povo brasileiro e da capoeira angola. Um passado bem antigo, de bem mais de 400 anos atrás, quando começaram a chegar ao brasil os primeiros negros africanos. Visitaremos a áfrica antiga, as fazendas de cana da bahia, o quilombo do palmares, zumbi e o rei ganga zumba em alagoas. O trabalho duro nos portos de recife. No recôncavo baiano conheceremos o besouro de macangá, o samba e política das vilas e favelas no rio de janeiro, com suas “maltas” de capoeiristas. Veremos que o governo do brasil republicano teve medo da organização do negro liberto e por isso fez da capoeira um crime. E veremos, principalmente, que o povo negro é lindo! Que nossa liberdade não tem amarras, nem fronteiras. Ainda mais quando se sabe valorizar a sua cultura e a sua herança ancestral.


DESTAQUE: CRIANÇAS PRODUZIRAM A ANIMAÇÃO


O documentário é um dos oito produtos culturais do DVD “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”, co-produzido pela Associação Cultural Eu Sou Angoleiro e ATOS Central de Imagens. “ANGOLA: Capoeira Ancestral” é resultado da Oficina de Animação e Contação de Histórias, da qual participaram dez crianças do programa Escola Integrada da E. M. Hugo Werneck (comunidade do Morro do Cascalho, bairro Morro Alto, Belo Horizonte, MG). Eles foram selecionados para ajudar a construir uma parte da narrativa do documentário “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e volta que o mundo dá” e criaram cenas que remontam 400 anos da Capoeira no Brasil. A oficina atuou como uma ferramenta de resgate dessas memórias não registradas e um instrumento de interação e reflexão social. O projeto tem o patrocínio do Prêmio Capoeira Viva, Governo de Minas, Fundo Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, BDMG, Petrobrás e Governo Federal; foi desenvolvido em parceria com o Ponto de Cultura Flor do Cascalho e a Casa Civil da Presidência da República; com o apoio do Pão de Queijo Notícias, Instituto Caribé e Gegê Produções.


PRÉ-LANÇAMENTO do DVD “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”


A avant premier do curta “ANGOLA: Capoeira Ancestral” integra as atividades de pré-lançamento do DVD “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá”. Ele é o resultado de seis anos de trabalho e envolvimento da comunidade capoeirística angoleira de cinco estados brasileiros.

PAZ NO MUNDO CAMARÁ em números:
6 anos de produção;
Mais de 40 profissionais envolvidos;
5 estados pesquisados;
58 locações (15 MG, 25 RJ, 12 BA, 5 PE, 1 AL);
51 entrevistados: 25 mestres de capoeira angola;
18 mestres da cultura popular/agentes culturais;
8 pesquisadores;
25 alunos tiveram contato com o mundo audiovisual

Com 35% das verbas reais Realizamos 70% de nossos objetivos. 

Conteúdo do DVD:http://paznomundocamara.blogspot.com/

EDIÇÃO LIMITADA. Faça logo sua reserva:[email protected]

CONTEÚDO DO DVD: 
8 PRODUTOS CULTURAIS

VIDEOS:

1) “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá” Documentario televisivo (52 minutos, Brasil: RJ, BA, PE, AL e MG); 
2) “PAZ NO MUNDO CAMARÁ: a Capoeira Angola e a volta que o mundo dá- Minas Gerais”, Curta metragem (19 minutos, Minas Gerais) – produzido pelos alunos da Oficina de Produção Audiovisual “Documentos de Si”;
3) Making Off da Oficina de Produção Audiovisual “Documentos de Si”– 13 capoeiristas capacitados em Audiovisual – 4 min;

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FOTOS: 

4) Fotos de Cena (Still) no Brasil;
5) Referências Pesquisa Histórica;
6) Pesquisa iconográfica Arquivo Nacional; 

TEXTOS

7) Revista Angoleiro é o que Eu Sou!;
8) Encarte- Resumo da Pesquisa in loco em MG, BA, RJ, PE e AL sobre a capoeira angola no Brasil.

Conheça os outros sete produtos culturais do projeto:http://paznomundocamara.blogspot.com/

Esse projeto recebeu o Prêmio Capoeira Viva e possui patrocínio do Fundo Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, BDMG, Governo de Minas, Petrobrás e Governo Federal. Foi desenvolvido em parceria com o Ponto de Cultura Flor do Cascalho e a Casa Civil da Presidência da República e possui apoio do Pão de Queijo Notícias, Instituto Caribé e Gegê Produções.

SERVIÇO


EVENTO:  Avant premiere do curta metragem “ANGOLA: Capoeira Ancestral” durante o 3º Encontro Nacional de Capoeira Angola

DATA: 7 e 8 de abril de 2011

HORÁRIO: 13h

LOCAL: FUNARTE,  R. Januária, 68, Floresta / BH/MG

INFORMAÇÕES: (31) 3483-5301 / 4063-9822

LINKS: http://paznomundocamara.blogspot.com/
www.atosimagens.com.br
www.eusouangoleiro.org.br
http://grupoiuna.blogspot.com/

Pernambuco: X Encontro Internacional, Batizado e Troca de Cordas da Associação Capoeira Interação

Ocorreu no dia 26/02/2011 no Núcleo de Educação Física da Universidade Federal de Pernambuco o X Encontro Internacional, Batizado e Troca de Cordas da Associação Capoeira Interação, organizado pelo Prof. Henrique Kohl “Tchê” e pela Formada Cupido com supervisão do Contramestre Vulcão.

O evento, que desde o segundo ano da associação acontece no sábado que antecede o sábado de carnaval, comemorou uma década de intervenções realizadas pela associação em parceria com importantes entidades representativas da capoeira de Pernambucana e setores da UFPE (Exs.: Laboratório de Sociologia do Esporte-DEF/CCS/UFPE, Programa de Pós-Graduação em Educação-PPGed/UFPE, Núcleo de Educação Física-NEFD/UFPE, Departamento de Educação Física-DEF/UFPE, Coordenação de Educação Física, Programa Cabeça de Área da TV Universitária/UFPE, etc.).

Na ocasião do evento, homenageamos o Prof. Dr. Edilson Fernandes de Souza e o Prof. Dr. José Luis Simões pelos espaços oportunizados pela extensão universitária em prol da capoeira; a Profª. Msª Daise França (IFPE-Belo Jardim/PE) recebeu moção de reconhecimento pelo trabalho da capoeira com a terceira idade; os mestres de capoeira Marco-Angola e Senzala (Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá), juntamente com a Srª Edna Gomes da Silva (Secretária Municipal de Programas Sociais e da Mulher do Cabo de Santo Agostinho) receberam moções relativas ao trabalho social com capoeira desenvolvido no estado e os mestres de capoeira Birilo e Mula (Associação de Capoeira Meia Lua Inteira) foram as referências da capoeira homenageadas no evento.

A Associação Capoeira Interação reafirmou durante todo o evento que todas as entidades presentes são importantes para a projeção qualitativa da capoeira pernambucana e que merecem mais reconhecimento pelas contribuições de inconteste importância delineadas até o momento. Abrilhantaram o evento alunos(as) das entidades convidadas, além das lideranças abaixo relacionadas:

Mestres

Galvão (Capoeira Raízes), Dentista (Muzambê), Renato (Axé Liberdade), Peu (Quilombo), Grillo (Arte e Malícia), Marco Angola(Volta que o Mundo Dá), Senzala (Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá), Maciano (Muzambê),Mula (Meia Lua Inteira),Babuíno (Candeias), Americano (Malunguinho),Pezão (Raízes de Salvador), Sérgio Tatu (Brazambuco), Til (Bamba Capoeira), Robocop (Capoeira Liberdade) e Ligeirinho (Capoeira Raízes).

Contramestres

Pernalonga (Grupo Arte Nossa/Portugal), Cupim (Ungo Capoeira), Gereba(Ungo Capoeira), Cuscuz (Filho da Capoeira),Pajé (Legião Brasileira de Capoeira), Macarrão (Grupo Legião Brasileira de Capoeira), Leto (Legião Brasileira de Capoeira), Pingo (Gingarte Capoeira), Kadocá (Escola Brasileira de Capoeira), Enrrolado (Quilombo da Catucá), Bola (Quilombo), Malhado (Quilombo), Gato (Quilombo), José Radiola (Projeto Social José Radiola) e Dendê (Dendê Arte e Dança Capoeira).

Professores

Soldado (Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá), Timão (Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá), Paçoca(Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá),  Zumbi (Grupo Capoeira Brasil),Peixe (Muzenza), João (Ginga Brasil), Caju (Axé Liberdade), Preguiça (Legião Brasileira de Capoeira),Pernalonga (Legião Brasileira de Capoeira), Bruce (Legião Brasileira de Capoeira) e Bira (Quilombo).

Instrutores(as)

Tom (ABADA Capoeira), Paulo Brasil (Ungo Capoeira/Bélgica), Parasita (Ungo Capoeira), Kinha (Capoeira Brasil), Guri (Capoeira Brasil), Bambinho (Ginga Brasil), Séla (Legião Brasileira de Capoeira), Pallos (Força da Capoeira) e Tibério (Capoeirarte).

Monitores

Erinho (Legião Brasileira de Capoeira), Paçoca (Volta que o Mundo Dá), Coruja (Associação de Capoeira Volta que o Mundo Dá), Tampinha (Legião Brasileira), Edu( Legião Brasileira de Capoeira), Pesado (Legião Brasileira de Capoeira), Bolado (Arte e Cultura), Mandinga (Oficina da Capoeira), Lampião (Oficina da Capoeira), Sóia (Ungo Capoeira) e Fêlix (Ungo Capoeira).

Mestre Amaro: 30 anos da Academia Marinheiro em Suzano

Mestre Amaro, comemora este mes, 30 anos de atividades da Academia Marinheiro, fundada por ele em 1980.

“Na verdade é uma conjunção de duas celebrações. São três décadas de trabalho na capoeira no Alto Tietê, mais especificamente em Suzano, e muito mais de prática desta modalidade que tem me ajudado no aspecto disciplinar, físico, mental e social”, afirmou Mestre Amaro.
Sua história na verdade se confunde com o advento da capoeira em Suzano. Vim para São Paulo entre 1974 e 1976. Visitei uma série de academias de capoeira. Depois fui para Mogi onde passei a trabalhar com o mestre José Pereira, mais conhecido como mestre Pantera Negra, que teve formação com o mestre Canjiquinha da Bahia. Aprendi muito neste período”.

 

História:

Amaro Caetano de Souza, “MESTRE AMARO” de família baiana, em função de uma viagem de emergência à São Paulo, acabou por nascer prematuro de sete meses em São Paulo, em 1962. Voltou à Bahia, onde morou até os 12 anos. Em meados de 1967, tendo familiares capoeiristas, passou a tomar gosto pela arte, e assim sendo, nunca mais parou sua trajetória, no mundo da capoeira.

Por volta de 1974, volta à São Paulo, com a família, e conhece inúmeros capoeiristas, mais em particular o Mestre José Pereira, mais conhecido no mundo da capoeira como “Mestre Pantera Negra”, formado pelo famoso capoeirista Mestre Canjiquinha da Bahia. Com o qual passou a treinar até o ano de 1980, quando se formou. Passou a monitorar um trabalho paralelo ao do seu Mestre, por um período de seis meses, como filial da academia do mesmo. Mas ainda no ano 1980, em comum acordo com seu Mestre, funda a ACADEMIA MARINHEIRO, na cidade de Suzano/SP, com metodologia de ensino, totalmente voltada em não formar simplesmente um lutador, mas um cidadão de bem, para com a vida, e seus semelhantes.

Em verdade o Mestre Amaro, costuma dizer: “A Academia Marinheiro, não é somente uma academia, e sim uma extensão dos familiares dos alunos, que fazem parte do corpo presente da mesma. Hoje em nossa academia,procuro passar para os alunos conhecimento de vida, e até como se portar no seu dia-a-dia, e como se sair em uma possível entrevista de trabalho, pois haja visto que trabalhei na área de recursos humanos, comércio exterior, custos e controle empresarial, por mais de 12 anos. Assim procuro estar na melhor forma possível, ao lado de meus alunos. A Academia Marinheiro, hoje conta com inúmeros capoeiristas, com competência substâncial, para correr o mundo, e assim sendo temos projetos para se instalar em outros continentes. Do qual estaremos exportando toda nossa experiência capoeirista”.

Hoje após uma constante batalha, a Academia Marinheiro é destaque, e é considerada uma das melhores academias

de capoeira do Brasil. Em função de constantes pesquisas, realizadas pelas autoridades competentes e meios jornalísticos, o Mestre Amaro, constantemente é convidado a ministrar inúmeras palestras motivacionais, em empresas, universidades, escolas estaduais e municipais, além de ministrar cursos para outras academias, em todo o Brasil.

Está preparando-se para expor também seu trabalho por todo o mundo, como já ocorrido na década de 90, onde esteve na Argentina representando o Brasil, em um encontro mundial de artes marciais, do qual foi reconhecidamente aplaudido pelos presentes, durante sua apresentação.

O Mestre Amaro tem como meta, estar viajando por todos os continentes, onde estará fazendo contatos comerciais, para as instalações de franquias, pelo mundo.

e-mails: [email protected]
e-mails:[email protected]

A Academia Marinheiro, localizada na rua General Francisco Glicério, 354, 3º andar, sala 342, no centro de Suzano.

Encontro da Capoeira Baiana

Encontro da Capoeira Baiana: com Valmir Assunção e Marcelino Galo

Na volta que o mundo deu, na volta que o mundo dá. Capoeira se joga na pequena roda e na grande roda da vida. Só gingando com a linguagem do sistema poderemos dar uma rasteira no opressor e fazer avançar nossa luta por melhores condições de vida e trabalho para todas e todos!

A capoeira é uma manifestação histórica de resistência do povo afro-brasileiro, e faz parte das raízes culturais da Bahia. Presente em mais de 150 países, instrumento de educação em escolas e projetos sociais, a capoeira não tem entretanto recebido o apoio que merece por parte do Estado. Muitos mestres são reverenciados mas têm sérias dificuldades de sobrevivência no dia a dia. Depois de dedicar toda sua vida à educação popular através dessa arte/luta, morrem à míngua, como os saudosos mestres Bimba e Pastinha.

Algumas iniciativas de políticas públicas para a capoeira têm surgido pelo país. Alguns estados, como Pernambuco e Alagoas, criaram pensões vitalícias para mestres da cultura popular. Aqui na Bahia, VALMIR ASSUNÇÃO encaminhou na Assembléia Legislativa o projeto de Estatuto da Igualdade Racial, que prevê a inserção da capoeira nas escolas públicas através dos mestres de capoeira, e não apenas pelos professores de educação física.

O registro da capoeira como patrimônio cultural brasileiro abre a possibilidade de avançar na construção de leis como o reconhecimento do notório saber dos antigos mestres (permitindo que dêem aulas em escolas e universidades sem ter diploma universitário), a criação de um passaporte especial para os mestres de capoeira (considerados “embaixadores culturais” de nosso país), a regulamentação da profissão de capoeirista (mestre, contramestre, treinel e professor), a aposentadoria ou pensão vitalícia, dentre outros. Para que isso aconteça, é necessário que os capoeiristas estejam mobilizados e tenham voz no Congresso Nacional.

Por isso convocamos todos os capoeiristas, independente de estilo, vertente ou linhagem, para um encontro com VALMIR ASSUNÇÃO e MARCELINO GALO. Valmir, negro, Sem Terra e comprometido com a luta do povo, será a voz dos capoeiristas no Congresso Nacional. Marcelino, militante popular, dará continuidade ao debate do Estatuto e apresentará as reivindicações da capoeira na Assembléia Legislativa.

Capoeira na escola, capoeira no estrangeiro

nossos mestres na batalha, nosso povo sem dinheiro

não queremos sua esmola, queremos nossos direitos

Exigimos o escrito lá na Constituição

se preciso mudaremos toda a legislação

com seu Marcelino Galo e o Valmir Assunção

Capoeira é cultura, arte e educação

de um povo mandingueiro, na luta por libertação, camaradinha

É hora, é hora!!!

Dia 12 de Setembro, Domingo, a partir das 10h da manhã, no Largo da Dinha (Rio Vermelho)

 

Paulo Magalhães Fº

[email protected]

Documentário sobre Mestra Cigana

O acervo cultural sobre a mulher na capoeira ganhará uma contribuição gigantesca: um documentário sobre a Mestra Cigana.

Com o excesso de chuva em Angra dos Reis no início do ano, foram perdidos muitos materiais sobre a Mestra. O documentário vem preencher esta lacuna e, além disso, quebrar paradigmas e preconceitos em relação à mulher na capoeira.

No momento, o documentário ainda está em fase de reunião de materiais. Serão coletadas fotos, vídeos, revistas, entre outros materiais e documentos. A busca estará focada na trajetória da Mestra, incluindo as cidades de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Volta Redonda.

Quem tiver algum material sobre a Mestra Cigana, pode colaborar entrando em contato com a Contra-Mestra Arara pelo e-mail [email protected]

História

Fátima Colombiano, a Mestra Cigana, nasceu no Rio de Janeiro, mas começou a praticar capoeira em Belém do Pará, com o Mestre Bezerra, em 1970. Na época o preconceito contra a mulher capoeirista era ainda maior e mais evidente. A mulher que praticava capoeira era malvista pela sociedade e, com isso, durante muito tempo Fátima era a única mulher nas rodas que frequentava.

Em 1975, Fátima conheceu o Mestre Canjiquinha, em São Paulo, e com ele seguiu para Salvador. Após cinco anos de treinamento, segundo informações do blog Filhos de Mestra Cigana, Fátima foi a primeira mulher a se formar Mestra de Capoeira no Brasil.

De volta ao Rio de Janeiro, Mestra Cigana abriu em 1980, a Associação de Mestre Canjiquinha, em Volta Redonda, onde teve mais de 100 alunos.

Impedida de ensinar capoeira em escola, Mestra Cigana se formou em Educação Física para conquistar este objetivo. Hoje é também formada em Filosofia e Pedagogia.

Mais tarde, fundou a Associação Cigana Capoeira, onde se graduou cerca de 20 instrutores. Mestra Cigana também presidiu a Federação de Capoeira do Estado do Rio de Janeiro.

Fontes: 

 

Neila Vasconcelos – Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com