A Associação Preto Rico de Oxósse realiza no próximo domingo um grande evento em Rio Pardo. Trata-se do batizado – troca de cordéis, que vai contemplar cerca de 60 crianças e adolescente que vivem no município. Entre os alunos estão os estudantes atendidos pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). O grupo, que existe há 23 anos, vai mostrar o espetáculo, considerado uma das mais belas heranças dos escravos.
Mestre Genésio explicou que o Oxósse é o grupo de capoeira mais antigo do interior do Rio Grande do Sul. O trabalho começou há 23 anos e foi ganhando força. Segundo o mestre, pouca gente conhece a realidade do trabalho e, mesmo sem muita divulgação, o grupo está presente hoje em diferentes instituições. “Atualmente desenvolvemos ações na Apae, onde as crianças agora estão aprendendo o Maculelê – dança usada pelos escravos para o aquecimento antes de jogar a capoeira – e no Instituto Medianeira, antiga Casa da Criança”, disse. O projeto também é realizado na Escola Municipal Casimiro de Abreu, no distrito de Albardão.
Na Apae, a capoeira é ensinada pelo empresário e professor Maurício Günter, que desenvolve um trabalho voluntário. Capoeirista desde a adolescência, Günter disse que a atividade na Apae foi um chamado. “Há tempos treinava capoeira apenas como esporte, mas em razão do trabalho comecei a me afastar. Aí, numa conversa com o Genésio, senti que precisava fazer alguma coisa diferente. Foi como um chamado, pois nesse bate-papo soube que a Apae tinha o projeto pronto, mas faltava um parceiro para dar as aulas e eu aceitei”, disse.
São quatro anos de uma ação que se reflete diretamente no desenvolvimento dos alunos. “Em novembro o grupo vai participar de uma macro-olimpíada e a apresentação artística deles será o Maculelê. A arte é difícil, mas eles estão mostrando que são capazes de realizar. Estamos na segunda aula e eles já demonstram domínio sobre os bastões e a música”, destacou Günter.
REPOSTADe acordo com a professora de Educação Física, Sandra Eisenhardt, o uso da capoeira nas atividades das crianças portadoras de necessidades especiais aparece claramente. “A realização da capoeira reflete em aspectos como desenvolvimento do ritmo e da coordenação motora a partir da música. Eles desenvolvem a atenção ao ritmo, ganharam flexibilidade, equilíbrio e percepção corporal. Tudo isso reflete no aprendizado de outras atividades. Pois esses aspectos são base para todas as outras ações que eles querem realizar”, destacou.
O trabalho de capoeira com os meninos e meninas da Apae acontece na Academia Vida Ativa. O espaço é cedido gratuitamente à Apae, todas as quartas-feiras. Sandra destacou que este será o terceiro batizado que o grupo de capoeira Renascer irá participar. “Neste processo, todos eles já mudaram seu graus de corda. Isso, além de valorizar seus esforço, mostra que todos são capazes de desenvolver a atividade”, disse.
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