Aniversário de um ano do Cazuá em Bremen.
26 Set 2005

Aniversário de um ano do Cazuá em Bremen.

O Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros tem há um ano o seu Cazuá em Bremen na Alemanha. Já vão 4 anos

26 Set 2005

O Grupo de Capoeira Angola Irmãos Guerreiros tem há um ano o seu Cazuá em Bremen na Alemanha. Já vão 4 anos que o Contra-mestre Pernalonga partiu daqui para lá e agora nós vamos comemorar esse primeiro ano de aniversário porque temos uma outra casa, também nossa, na outra metade do globo terrestre.
Comemorar por toda nossa luta, trabalho, indas e vindas e por ser parte daquela humanidade que diariamente descobre formas inéditas de se esforçar para continuar vivendo.
 
Aqui a gente tem certeza que a Capoeira Angola é uma vida que pulsa a todo momento. E toda a vida que se inicia é resultado de movimentos. Foram e são muitos os que aconteceram para fazer essa festa ser ainda mais importante.
Aquela casa de lá não existiria se a casa daqui não tivesse sido guardada por quem ficou, mantendo o ritmo do núcleo Castilho. As guerreiras e guerreiros Moleza, Pecadinho, Cacau, Malvadeza, Fala Grossa, Sorriso, Ciganão e Ciganinho, Batata, os Professores Beto Branco, Soneca, Vagalume, os meninos e meninas, são quem levam e prosseguem com o trabalho que o Contra-mestre Perna construiu desde que entrou pra essa vida capoeirística.
A nova casa na Alemanha também não seria a mesma se o Prof. Cunhadinho não tivesse ido fortalecer as raízes, ajudando a firmar as paredes, deixando também outras saudades nesse ano que passou.
  
Temos que lembrar o quanto significou ter a presença do nosso Mestre Marrom no Cazuá, há quase um ano atrás, para apadrinhar nossa nova morada, mostrando aos olhos desconhecidos o sentido do trabalho, do reconhecimento de ser Mestre. E de agradecer também a chance de receber Mestre Roberval de Salvador e Mestre Cláudio de Feira de Santana.
A festa vai ser nos dias 13-16 de outubro, quando vamos ter a participação de Mura, um taboanense que também vive em Bremen há mais de 18 anos desenvolvendo a sua arte com dedicação e profissionalismo à dança afro, mostrando também seu companheirismo conosco e o quanto há de beleza nessa expressão. Outra ilustre presença que irá nos visitar diretamente de São Bernardo do Campo é o amigo e Mestre Pernalonga do Grupo Nova Geração de Angola, uma outra grande conquista para essa família que estamos formando.
Família que conta com pessoas abertas e dispostas a conhecer e se dedicar a uma realidade como a da comunidade que vive no Jardim Pirajussara, o Piracity, em Taboão da Serra, São Paulo, Brasil. Desde o começo de agosto recebemos a força e apoio e mostramos o tamanho da nossa batalha diária para o pessoal trazido pelo Perna: o Fogueira, a Tigreza, Mulher Grande, a Juju. Não são os primeiros e nem serão os últimos a levar muitas estórias desse lado de cá e nos deixar com uma baita saudade de suas presenças.
Com isso a gente vê o quanto o Brasil e a Alemanha estão ficando mais próximos, através de nós, do nosso trabalho e da nossa luta pela Capoeira Angola. Porque se trazemos os alemães para sentir a brasilidade aqui em nossa terra, lá no Cazuá o Brasil se faz tocando, cantando e mostrando sobre nós brasileiros.
O trabalho de intercâmbio cultural é dos dois lados do oceano. Deu para sentir essa harmonia no nosso encontro Vadiando entre Amigos que fizemos no final de Agosto. O pessoal da Alemanha e o pessoal do Piracity fizeram do salão uma expressão de todas as cores, imagens, gestos, movimentos e palavras que saem dessa troca. Foi lindo!
E o valor da troca, o que ela representa é que é o resultado dessa distância de 4 anos, do que ela gerou. È aquela velha estória: quando a semente é boa e a terra fecunda só nascem bons frutos. Nós somos a prova disso.
 
O nosso Cazuá é um ponto de apoio para a divulgação e valorização do Brasil e do que nós temos de melhor para oferecer ao mundo de hoje: nossa cultura. Será através desse caminho que o Brasil vai assumir o importante papel de reconhecer o quanto é precioso para a humanidade as manifestações culturais típicas de cada sociedade, especialmente dos que foram postos na margem dela. E nós já estamos lutando por isso.
Daí que além da capoeira, outros ritmos brasileiros são tocados e cantados, aprendidos e difundidos entre os alemães. Porque queremos mostrar que tem muita coisa boa aqui, de valor, principalmente porque quem está mostrando tudo isso lá é alguém que veio da periferia, desfazendo a mentira que da pobreza não sai encanto.
Queremos divulgar essa festa pra dizer que nós realmente somos a mudança que queremos ver no mundo e que, esquentando o frio da Alemanha com o calor de nossos corpos tropicais estamos mostrando isso a todos os camaradinhas que, como amigos, estão juntos conosco e nos querem ver crescer e aprender com nossa experiência.
 

       Manchinha – setembro 2005.

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