Ribeirão Preto: Capoeira na escola
13 Mai 2006

Ribeirão Preto: Capoeira na escola

Conforme já havíamos publicado em matérias anteriores é cada vez mais notório o processo de institucionalização da capoeira dentro do ambito educacional

13 Mai 2006
Conforme já havíamos publicado em matérias anteriores é cada vez mais notório o processo de institucionalização da capoeira dentro do ambito educacional "formal". Na matéria da Gazeta de Ribeirão (é tambem cada vez mais visível notícias e matérias sobre a capoeiragem nos meios de comunicação formais) podemos observar uma exaltação ao processo de inclusão da capoeira nos estabelecimentos de ensino e em contrapartida uma crítica pelas exigencias curriculares para os capoeiristas-educadores. O que vale ressaltar é que este movimento vem crecendo a cada dia e ganhando força…
Podemos até refletir sobre um "terceiro" momento dentro da história da capoeira, no que diz respeito a sua posição, localidade de sua pratica: Rua, praças e terreiros – Academias – Instituições de ensino formais.
 
Nós do Portal esperamos um dia poder ver a capoeira como matéria curricular do ensino Brasileiro.
 
* Na foto Alunos da Universidade de Lisboa, Portugal em Aula de Capoeira.
Luciano Milani
 
Luta marginal no passado, a capoeira invade escolas de Ribeirão Preto como modalidade esportiva
  
Uma das manifestações mais antigas da cultura brasileira, que chegou até a ser proibida no País no início do século 20, passa agora a ocupar salas e quadras de colégios particulares.
 
A capoeira, antes vista como uma luta marginal, se popularizou e ganhou espaço até fora do país. Hoje, considerada uma das melhores modalidades esportivas, a mistura de luta, dança e jogo ganha cada vez mais adeptos, principalmente entre as crianças.
 
Na semana em que a abolição dos escravos completa 118 anos, durante uma aula de capoeira em um colégio particular de Ribeirão, alunos de 9 e 10 anos comparavam as leis brasileiras de 1888 com as atuais.
 
"É muito importante trabalhar a questão cultural e folclórica que existe no universo da capoeira. Nas aulas, a cada movimento ensinado às crianças, procuro contar a história dessa manifestação", afirma o professor André Baccan.
 
De acordo com ele, que desenvolve o projeto de capoeira em pelo menos cinco escolas particulares de Ribeirão, a experiência tem resultados positivos. "Com certeza é uma forma de quebrar o preconceito que existia com a capoeira. Hoje ela é uma modalidade esportiva e está cada vez mais valorizada", explica Baccan.
 
Entre os pequenos capoeiristas, a admiração pelo esporte, pela cultura e pela manifestação histórica é unânime. No colégio, entre as atividades extracurriculares, eles optaram pela capoeira.
"Eu quis fazer a capoeira porque, além de mexer meu corpo, eu aprendo várias coisas", diz Isabella Tonetto Pessica, de 10 anos. Ao lado dela, Davi Moço Lima, também de 10 anos, diz que "a capoeira é uma luta que não machuca".
De olhos azuis e cabelos loiros, Fabrício Lima Fernandez, de 10 anos, se empolga com o gingado.
"Eu gosto como esporte, mas o que aprendo com a capoeira me ajuda muito nas aulas de história e de geografia", conta ele, entre um golpe e outro.
 
De acordo com Eduardo Gula Sobrinho, coordenador do colégio Einstein em Ribeirão, é importante incluir a capoeira dentro do contexto histórico da história nacional.
"Ela fez parte da nossa história, de todo o povo brasileiro, independente de raça, cor ou religião. Por isso deve ser valorizada e ensinada também nas escolas", afirma ele.
 
Para mestre Monteiro, popularizar a capoeira é uma forma de manter viva a cultura negra na sociedade. Segundo ele, nos últimos anos aumentou muito o número de mulheres que passou a praticar o esporte.
 
Aulas foram suspensas
 
Uma disputa cultural provocou a suspensão do processo seletivo para os professores de capoeira em escolas da rede municipal de ensino em Ribeirão Preto.
De acordo com Paulo César Pereira de Oliveira, do Centro Cultural Orunmilá, as exigências que foram feitas para os candidatos provocaram a exclusão de muita gente capaz de ministrar as aulas.
O edital exigia que os candidatos apresentassem segundo grau completo e ainda registro no Crefe (Conselho Regional de Educação Física). "A vivência da capoeira é ainda mais importante do que anos de formação acadêmica. O ensinamento é oral. Esse tipo de restrição faz com que a cultura negra perca mais uma vez o seu valor", afirma Oliveira. (Gazeta de Ribeirão)
 
Capoeira foi proibida
 
A história da capoeira começa no Brasil junto com a história do tráfico negreiro. No século XVI, mais de 2 milhões de negros foram trazidos da África pelos colonizadores portugueses para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar.
Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os três principais Estados que receberam os negros.
A convivência não foi pacífica entre fazendeiros e escravos. Os quilombos foram criados pelos negros fugitivos justamente para fugir dessa situação de exploração.
 
O maior deles se estabeleceu em Pernambuco, numa região conhecida como Palmares. No local, uma espécie de Estado africano foi formado e como chefe, a comunidade tinha Ganga-Zumbi.
Foi nesse local que surgiram as primeiras manifestações da capoeira.

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