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O papel da capoeira na educação

O papel da capoeira na educação

O que significa começar a jogar capoeira para uma criança? Essa pergunta pode ter muitas respostas diferentes, mas todas elas costumam convergir para um mesmo sentido: a importância da capoeira no processo de educação de um ser humano. Mas para que isso faça total sentido, é importante entendermos que, quando falamos de educação, não falamos simplesmente de um aprendizado formal, mas da formação de pessoas para viver em sociedade.

E para que tal formação seja completa, é preciso também entender qual é o papel que a capoeira cumpre (ou pode potencialmente cumprir) na vida de uma pessoa.

Preservação da cultura

Capoeira não é apenas uma tradição rica. Ela carrega consigo história e, principalmente, resistência de uma cultura que é ameaçada até os dias de hoje. Mesmo com a roda de capoeira declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, sempre há mais para se aprender da sua cultura e do porquê de se jogar capoeira até os dias de hoje.

Ao entrar em uma roda de capoeira, uma criança aprende, aos poucos, o que é a história da dança, da luta, da cultura, das gírias, dos movimentos e de tudo que envolve aquele ambiente. É por meio disso que ela também aprende a importância de se preservar essa cultura.

Lições como o respeito e a resistência são aprendidas no dia-a-dia da capoeira, seja com crianças que acabaram de fazer sua primeira aula ou mesmo aquelas que nasceram no meio. Tudo isso faz parte da construção das crianças como cidadãs, o que nos leva ao próximo ponto.

Capoeira e cidadania

A roda de capoeira é um local onde se pode aprender, entre outras coisas, lições importantes sobre como viver em sociedade. Cada pessoa tem uma função nesse momento. Alguns cantam, outros tocam berimbau, atabaque ou pandeiro, alguns acompanham, enquanto dois jogam. Em outro momento, as funções se invertem.

Por isso, além de aprender sobre o respeito, uma roda de capoeira pode ser um local para aprender sobre diversidade e divisão de tarefas. Não se trata de simplesmente respeitar uma hierarquia, mas aprender que cada um precisa exercer sua função para que o todo funcione.

Benefícios para o corpo

Praticar atividades físicas é algo importante no desenvolvimento de qualquer pessoa. E, por mais que isso seja deixado de lado por muitos, o desenvolvimento físico e a disciplina com o próprio corpo também são elementos fundamentais da educação.

Com a capoeira, uma pessoa aprende a ter mais elasticidade, um melhor condicionamento físico, uma melhor coordenação motora, mais velocidade, entre diversos outros benefícios para o corpo.

A importância das estratégias de ensino

Ensinar alguém exige traçar um caminho para alcançar o objetivo. É como um jogo que precisa ser vencido, da mesma forma que jogadores utilizam estratégias básicas para o blackjack como as das mãos duras e suaves, para o xadrez como o controle do centro do tabuleiro e a conexão das torres, ou para qualquer outro jogo que exija planos e táticas para vencer. Fato é que é importante que se saiba quais caminhos serão traçados nesse ensino. Para isso, é importante ter em mente por que a capoeira está sendo ensinada.

Há um papel fundamental de preservação cultura. Há um papel importante de formação de cidadania. Há também a importância da atividade física na vida de qualquer pessoa. Mas para que essa mensagem chegue até quem está aprendendo, estratégias devem ser traçadas pelo mestre.

A realidade é que o papel da capoeira na educação não se dá por esses elementos existirem separadamente, mas por sua união. Entender a importância de preservar a cultura te ajuda a entender seu papel como cidadão, que por sua vez tem relação direta com a forma como você se comporta em meio a outras pessoas. Tudo isso praticando uma atividade física, mas que vai muito além de um simples exercício.

É claro que todos esses elementos não são assimilados da noite para o dia. Mas é importante entender que a educação é um processo – e que precisa continuar a acontecer por toda a nossa vida.

Patrimônio cultural imaterial: o que comemorar?

Patrimônio cultural imaterial: o que comemorar?

O Decreto nº 3.551, que regulamenta em âmbito federal o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial, completa neste mês de agosto duas décadas de existência, o que torna inevitável questionarmos: há razões para comemorarmos? A resposta é sim. E podemos pontuar alguns desses motivos.

‘Defender o patrimônio histórico é garantir nosso direito à memória e contribuir para o futuro’

O primeiro é que num país cuja legislação é feita para não ser aplicada, essa é uma norma cuja prática administrativa rapidamente lhe deu efetividade, de tal forma que o seu status jurídico, situado abaixo das leis, não foi obstáculo para a implementação de uma mudança de rumo na política de proteção do patrimônio cultural.

O referido decreto rompe a hegemonia do tombamento (Decreto-Lei nº 25, de 1937) dos bens culturais ligados a fatos memoráveis da História ou dotados de valor excepcional, dando espaço a um novo conjunto de bens culturais, cuja dimensão imaterial é predominante. O bem a ser protegido pelo Registro não é o patrimônio de “pedra e cal” de natureza estática e que anseia a imutabilidade, mas os saberes, as formas de expressão, as celebrações e os lugares aonde se reproduzem práticas culturais coletivas.

Essa mudança cria um importante espaço para o desenvolvimento de uma democracia cultural que pode ser considerada um outro motivo para festejar o respectivo decreto, pois mesmo em construção e precisando ser aperfeiçoada, ela viabiliza o reconhecimento do valor cultural dos bens pertencentes a grupos não hegemônicos, que reivindicam o seu espaço legítimo na construção da identidade cultural brasileira, a partir da diversidade.

papoeira  Portal Capoeira

A capoeira é exemplo dessa mudança. O Código Penal de 1890 considerava crime “fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação de capoeiragem”. A pena: “prisão cellular por dous a seis mezes” (Art. 402). Atualmente, a capoeira (Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres de Capoeira) é patrimônio cultural brasileiro registrado pelo Iphan (2008) nos Livros dos Saberes e das Formas de Expressão e a UNESCO (2014) lhe conferiu o título de patrimônio da humanidade.

O Brasil possui 48 bens culturais imateriais registrados pelo Iphan com fundamento na referida norma. A dimensão territorial do país e a diversidade cultural existente pode induzir alguns a pensarem que não seja um número expressivo. Contudo, mais importante que a quantidade é a continuidade dos registros, sendo este um terceiro motivo para celebrar as conquistas desta norma, pois desde 2002, ano dos primeiros Registros (Ofício das Paneleiras de Goiabeiras e Arte Kusiwa), mantém-se uma regularidade, de forma que a norma nunca caiu em desuso, mas, ao contrário, está em processo de consolidação de uma política cultural que tem o desafio de se redesenhar a cada ação de salvaguarda e se adequar às peculiaridades de cada bem cultural imaterial, pois são dinâmicos e mutáveis.

Mas, além de dar visibilidade às comunidades não hegemônicas, o Registro dos bens imateriais evidencia a importância dos detentores desse patrimônio (mestres de capoeira, paneleiras, rendeiras, artesãs, entre outros) e das comunidades a que pertencem, tornando-os sujeitos essenciais na construção da política de salvaguarda, como intérpretes do seu próprio patrimônio.

Assim, o quarto motivo para saudar as conquistas da política de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial é a mudança, mesmo tímida, mas que tende a consolidar a participação comunitária na construção da política cultural de salvaguarda dos bens culturais intangíveis conjuntamente com o poder público.

Esses motivos de celebração do Decreto nº 3.551, de 2000 (efetividade, democracia cultural, continuidade e participação comunitária) não estão consolidados, mas apontam um importante caminho a ser trilhado para a efetivação dos direitos culturais. Para tanto, é preciso dar continuidade às atividades de instrução dos processos que se encontram em curso perante o Iphan, para permanecer priorizando o saber construído e não o saber dado.

Escrito por: Allan Carlos Moreira Magalhães, doutor em Direito, articulista do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult), professor e pesquisador com estudos no campo dos Direitos Culturais

Fonte: https://politica.estadao.com.br/

IV MOSTRA COLETIVO 22 – Cultura popular afro-brasileira

IV MOSTRA COLETIVO 22 – Cultura popular afro-brasileira

As atividades de formação serão gratuitas, com presença de oficineiro de São Paulo

Com apresentações premia­das que navegam pela dan­ça, teatro e música, mer­gulhando nas manifestações da cultura popular afrobrasileira, o Núcleo Coletivo 22 realiza a quar­ta edição da sua Mostra, do dia 7 a 9 de junho. Na programação, apre­sentações dos espetáculos do grupo, como MoringaPor Cima do Mar Eu Vim, a performance Entre Raí­zes, Corpos e Fé, se entrelaçam com oficinas e exibição dos vídeos Èjé Elas Florescem, que expressam a força da cultura afrobrasileira e da ancestralidade. A Mostra será fina­lizada agradecendo as anciãs ances­trais com uma roda de tambor de crioula, uma ação do projeto Barro do Chão.

Como já é uma postura política do grupo, o acesso à arte será demo­crático, a atividade de formação será gratuita e os espetáculos terão entra­das populares de R$ 5. As oficinas terão participação livre e as inscri­ções podem ser feitas no momen­to da sua realização.

Em sua quarta edição a Mostra Coletivo 22 inicia na quinta-fei­ra, dia 7, às 20h no Centro Cultu­ral da UFG com o espetáculo Mo­ringa, uma dança feita de terra e água, cozida ao fogo e esfriada pelo vento. Uma experiência es­tética que percorre a sabedoria da natureza e das anciãs ancestrais. Na narrativa a Moringa feita do barro da criação guarda o líquido que nutre os que nascem e apazi­gua os ânimos dos deuses subter­râneos. É também a substância que no fundo do lago ou no pân­tano guarda os segredos de uma velha senhora do antigo Daomé.

A programação segue, na sexta­-feira, dia 8, com a Oficina Núcleo Coletivo 22 às 9h no Centro Cultural UFG. Os participantes da oficina po­derão vivenciar os elementos com­ponentes da proposta estética dos espetáculos presentes na programa­ção da Mostra, além das manifesta­ções populares que fizeram parte do processo de criação: Jongo, Ba­tuque, Tambor de Crioula e Sussa.

Ainda na sexta-feira, às 20h o Centro Cultural da UFG recebe­rá o espetáculo “Por Cima do Mar Eu Vim”, que tem como inspiração para o roteiro a travessia de afri­canos escravizados a caminho do Brasil e de sua permanência nesse território. A representação do mar, na qualidade de Kalunga Grande, é utilizado como elo entre o Brasil e a África bantu. Figuras históricas e ícones da resistência como a Ra­inha Nzinga Mbandi ecoam nesse espetáculo-musical.

E no sábado, dia 9, às 9h no Cen­tro Cultural da UFG a oficina será “Deuses que Dançam”, com o pre­miado artista-pesquisador,Wellin­gton Campos, integra o Núcleo Co­letivo 22/ SP e da Cia Balangan/ SP, professor de Educação Física. A ofi­cina tem como objetivo oferecer aos participantes elementos técnicos e poéticos de matrizes estéticas pre­sentes nas obras do Núcleo, perpas­sando pela dança, teatro e a música.

Na noite de sábado, às 18h, na sede do Núcleo Coletivo 22–Es­paço Águas de Menino ocorrerá a apresentação de Entre Raízes, Corpos e Fé, performance realiza­da por cinco mulheres, inspirada no fluxo entre o cotidiano e o ri­tual presente nos saberes e faze­res de mulheres do cerrado–par­teiras, raizeiras e rezadeiras.

E a programação finaliza agra­decendo as anciãs ancestrais com uma roda de tambor de crioula, uma ação do projeto Barro do Chão.

Depois da realização da Mostra, as atividades do grupo Coletivo 22 continuam de portas abertas para a comunidade, já que a sede do gru­po atua como um espaço cultural. O Espaço Águas de Menino fica lo­calizado na Rua Negrinho Barbo­sa, Qd 08 Lt 27, Residencial Antô­nio Barbosa Goiânia-GO.

Participam da equipe da Mostra a diretora artística do Núcleo Coleti­vo 22: Renata Lima; os intérpretes­-criadores do Núcleo Coletivo 22: Claudia Barreto, Diego Amaral, Flá­via Honorato, Lorena Fonte, Marli­ni De Lima, Vinicius Bolivar, Renata Lima e Wellignton Campos; a pro­dutora geral: Lorena Fonte; a assis­tente de produção: Rafaela Francis­co; designer gráfico: Michel Cunha e a assessora de imprensa: Lorena Dias–Avoá Produção e Assessoria.

 

ATIVIDADES PARA A COMUNIDADE

Atualmente está na programa­ção o projeto Barro de Chão que convida a todos para sentir a força do Tambor e perceber como o jon­go, o batuque, o tambor de crioula, o samba de roda e a capoeira ango­la, manifestações da afrobrasilida­de, se dão no contato com o barro do chão. É realizada uma vivência, uma brincadeira de cultura popu­lar, aberta para a comunidade, uma quarta-feira por mês às 19h. Em ju­nho será no dia 13, em julho no dia 11 e em agosto, será no dia 15.

Somado a isto, o projeto Águas de Menino oferece aulas de capoei­ra angola a partir do grupo Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô. As ro­das de capoeira são às quintas-fei­ras, sendo as próximas nos dias 28 de junho e 26 de julho.

NÚCLEO COLETIVO 22

O Núcleo Coletivo 22 une o co­nhecimento acadêmico com o co­nhecimento popular e atua em Goiânia e São Paulo. A trupe é for­mada do encontro de quatro linhas confluentes: a formação em dança na Unicamp, o Abaçaí – Balé Folcló­rico de São Paulo, o Centro de Ca­poeira Angola Angoleiro Sim Sinhô e a Universidade Federal de Goiás no curso de Licenciatura em Dan­ça. Na convergência dessas trilhas está a professora e diretora Renata Lima que, ao longo de sua trajetó­ria artística e acadêmica, vem aglu­tinando pessoas destes contextos, e nutre um profundo respeito e inte­resse em manifestações da cultura popular afrobrasileira.

Dessa forma para a diretora do núcleo “mergulhar na cultura po­pular para pensar e criar o traba­lho do Núcleo é uma forma de pro­testo, ou de afirmação política. E, em alguma medida, é isso mesmo. Mas esse, antes de tudo, é o nosso lugar de fala. É isso que eu, junto com meus parceiros, tenho para dizer”, explica Renata Lima.

 

PROGRAMAÇÃO

 

IV MOSTRA COLETIVO 22–DE 07 A 09 DE JUNHO

Dia 07/06/2018

NOITE

Espetáculo Moringa

Mostra de Vídeo Coletivo 22

Local: CCUFG às 20h

Ingresso: R$ 5,00 (Valor Único)

Dia 08/06/2018

MANHÃ

Oficina com Núcleo Coletivo 22

Local: CCUFG às 09h

Entrada Franca–Inscrições no local

NOITE

Espetáculo Por Cima do Mar eu Vim

Local: CCUFG às 20h

Ingresso: R$ 5,00 (Valor único)

Dia 09/06/2018

MANHÃ

Oficina “Deuses que Dançam” com Wellington Campos

Local: CCUFG às 9h

Entrada Franca – Inscrições no local

NOITE

Ensaio Ritual Entre Raízes, Corpos e Fé

Tambor de Crioula–Ação Projeto Barro de Chão

Local: Águas de Menino às 18h

Entrada Franca

Endereços:

CCUFG: Av. Universitária, 1533– Setor Leste Universitário, Goiânia- GO

Sede do Núcleo Coletivo 22 – Espaço Águas de Menino: Rua Negrinho Barbosa, Qd 08 Lt 27, Residencial Antônio Barbosa Goiânia-GO

 

 

Fonte: https://www.dm.com.br/

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Unesc oferece aulas gratuitas de capoeira para a comunidade

Aulas ocorrem nas segundas e quartas-feiras na Universidade.

Disciplina, coordenação motora, condicionamento físico, socialização. São diversos os benefícios que a capoeira traz aos seus participantes. Entretanto, a sua essência vai muito além do esporte e da movimentação do corpo, ela está presente na arte como manifestação cultural, parte da história brasileira e mundial. E para disseminar esse conhecimento e resgatar raízes, a Unesc oferece o projeto Capoeira, gratuito para a comunidade, com aulas direcionadas a todas as idades.

O coordenador do projeto, Alex Sander da Silva, ressaltou a importância de disseminar elementos como esse, que fazem parte da cultura nacional. “A iniciativa é vinculada ao NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Minorias) da Unesc, e parte da premissa de resgatar as tradições da cultura afro-brasileira. O interessante é que qualquer pessoa pode participar, não há pré-requisito para aprender capoeira. Crianças, jovens e adultos, todos estão convidados”, comentou.

Dentre os participantes, pai e filho seguem juntos nas aulas. O pai, Leandro Daros, praticava a capoeira na adolescência, e segundo ele, essa foi a oportunidade de levar o filho a apreciar a arte. “Com a capoeira eu aprendi a ser uma pessoa melhor, com os professores como mentores me trazendo conselhos. Cresci muito na capoeira, e trazer meu filho para participar é ainda mais especial”, comentou.

O professor, Filipe Alexandre Create, comentou sobre os benefícios do esporte, que contribuem para a saúde, mas também para a educação do participante. “A capoeira ensina regras, fornece disciplina, além da musicalidade, do canto, e de tantos outros elementos.”, ressaltou.

PARTICIPE

Os interessados em participar do projeto podem se inscrever no momento da aula, que ocorre todas as segundas e quartas-feiras, das 17h30 às 19 horas, na Sala de Dança da Unesc. Informações pelo telefone 3431-2724.

 

Fonte: https://www.portalveneza.com.br/

Cultura da Capoeira: Refletindo sobre a construção de Práticas Organizacionais em Organizações Sociais

Cultura da Capoeira: Refletindo sobre a construção de Práticas Organizacionais em Organizações Sociais

 Resumo

Este trabalho apresenta uma análise da influência da cultura da capoeira na construção de práticas de gestão nas organizações sociais. Para tanto, o texto versa sobre os estudos sobre cultura organizacional e especificamente do contexto cultural e tradicional da capoeira, enquanto manifestação alicerçada em valores civilizatórios africanos. Em seguida, se conceitua as organizações sociais e suas práticas de gestão, para então criar algumas categorias de análise para estudar a relação da gestão e a cultura da capoeira. As constatações realizadas indicam o quão distantes estão os diálogos entre estes campos de conhecimento, e o quão urgente é a necessidade de aprofundamento dos estudos organizacionais no campo das culturas populares e de suas comunidades tradicionais de matriz africana como condição elementar para que gestores sociais, cientistas e alunos, possam compreender os desafios propostos para este cenário.

Palavras-chave: capoeira, gestão social, cultura organizacional

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba”

Carlos Carvalho Cavalheiro: ‘Notas para a História da Capoeira em Sorocaba’

O livro foi contemplado pelo Edital PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Sorocaba: o historiador, Carlos Carvalho Cavalheiro, lança o livro "Notas para a História da Capoeira em Sorocaba" Eventos - Agenda Portal Capoeira 1

 

O livro “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba (1850 – 1930)”, de autoria do escritor e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro foi lançado no dia 10 de junho (sábado), às 15h, na Biblioteca Infantil de Sorocaba.

 

Resultado de quase 20 anos de pesquisa, a obra trata do desenvolvimento da luta capoeira numa cidade do interior de São Paulo. O ineditismo da pesquisa serviu de base para outros pesquisadores, como Pedro Cunha que publicou sua dissertação de Mestrado, “Capoeiras e valentões”, no ano de 2015.

 

Esse mesmo pesquisador escreveu o prefácio para Cavalheiro, evidenciando que seu livro “consolida um trabalho pioneiro”, iniciado em fins da década de 1990, e que seus estudos “vem inspirando diversos outros pesquisadores como eu a romperem o silêncio da historiografia da capoeira”.

 

Já o apresentador do livro, o escritor e pesquisador André Luiz Lacé Lopes, deixa em evidência que “Mais do que consagrar de vez um espaço para Sorocaba no Mundo da Capoeira, Cavalheiro, talvez até de modo inconsciente, faz com que o seu livro, em princípio concentrado no período de 1850/1930, ajude a entender ainda mais o Brasil de todas as épocas, inclusive o Brasil de hoje”.

 

 Estudo inovador

 

 Ao iniciar as suas pesquisas sobre a capoeira paulista, em 1998, Carlos Carvalho Cavalheiro inaugurou uma linha de pesquisa inovadora, saindo do eixo tradicional do Rio-Bahia-Pernambuco, e concentrando-se não apenas no território da Província e depois Estado de São Paulo, mas, sobretudo, procurando os vestígios dessa arte/luta da capoeira em Sorocaba, cidade interiorana.

 

Com isso, Cavalheiro trouxe aspectos do cotidiano da cidade, cujo contexto explica melhor a existência da capoeira na cidade. As fontes consultadas pelo historiador demonstram uma cidade sulcada pelas relações tensas entre grupos sociais, cujo ápice se dá na emissão de leis (Posturas Municipais) que procuravam coibir as práticas populares, acima de tudo afro-brasileiras, das quais a capoeira é uma das expressões máximas.
“Mais importante que provar a sua existência nos séculos passados é entender o porquê da capoeira ter existido em Sorocaba naqueles idos”, comenta o historiador.

 

O livro de Carlos Carvalho Cavalheiro, “Notas para a História da Capoeira em Sorocaba” foi contemplado pelo edital do PROAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O fato de ter sido contemplado por esse importante programa de incentivo à cultura define, de certa forma, a importância da obra para o entendimento da história da capoeira, tanto em Sorocaba como para o Estado de São Paulo. Foram impressos 1000 (mil) exemplares da obra, que deverá ter parte doada para diversas bibliotecas e, ainda, outra parte disponibilizada para venda a interessados no assunto. O projeto foi apresentado ao PROAC pela Editora Crearte, a qual editou o livro. Com 270 páginas, repletas de informações e ilustrações, a obra será comercializada a preço abaixo de mercado, por R$ 20,00. A ideia é tornar o livro mais acessível ao grande público.

 

O autor

 

Carlos Carvalho Cavalheiro nasceu em maio de 1972, em São Paulo. Residente em Sorocaba, o autor é professor de História na cidade de Porto Feliz, trabalhando na EMEF. Coronel Esmédio.
Autor de mais de duas dezenas de livros, Cavalheiro tem publicado obras que tratam da História e da Cultura Popular regionais, mas também obras de ficção. Mestre em Educação pela UFSCar, é ainda graduado em História, em Pedagogia e Bacharel em Teologia.
Possui ainda Especialização em Gestão Ambiental e em Metodologia do Ensino de História. É colunista dos jornais “Tribuna das Monções” e “Jornal ROL”.

 

Fonte: Jornal Rol.

Gingando na Lusofonia: A institucionalização da capoeira em Portugal

Gingando na Lusofonia: A institucionalização da capoeira em Portugal

 Resumo

A capoeira é uma prática cultural e esportiva de origem afro-brasileira que chega a Portugal no final dos anos oitenta com a emigração brasileira e hoje é praticada em todo país. O presente artigo pretende analisar o impacto decorrente do processo de institucionalização da capoeira em Portugal, iniciado pelo Estado português em 2010, junto à comunidade luso-brasileira de praticantes. Tenciona ainda: verificar as contradições do processo no que toca à compreensão dos diversos atores sobre o que é a capoeira e como deve ser concebida, bem como perceber as relações de poder entre o Estado e as instituições desportivas representativas dos capoeiristas. A fim de realizar esta tarefa, foram entrevistados os diferentes atores envolvidos e analisada a documentação referente ao tema.

Palavras-chave: Capoeira. Esporte. Cultura. Institucionalização.

Dancin’ within Lusophony: capoeira’s institutionalization in Portugal

Abstract

Capoeira is a cultural and sports activity of african-Brazilian origin that arrived in Portugal in the late eighties with the Brazilian emigration and which is practiced today throughout the country. This article aims to analyze the impact of the capoeira institutionalization process in Portugal, initiated by the Portuguese state in 2010 together with the Luso-Brazilian community of practitioners. It intends to: (a) verify the contradictions of the process regarding the understanding of the various actors about what capoeira is and how it should be conceived, as well as (b) identify power 1 Professor-Doutor do Instituto de Humanidades e Letras da Universidade da Integração Internacional e da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), Brasil.

 

Keywords: Capoeira. Sports. Culture. Institutionalization.

 

[email protected] RICARDO NASCIMENTO

 

Jongo

Jongo: Os negros montam uma fogueira e iluminam o terreiro com tochas.

Do outro lado, armam uma barraca de bambu para os pagodes, um arrasta-pé onde os casais dançam o calango ao som da sanfona de oito baixos e pandeiro.

À meia-noite, a negra mais idosa e responsável pelo jongo interrompe o baile, sai da barraca e caminha para o terreiro de “terra batida”. É hora de acender a fogueira e formar a roda. As fagulhas da fogueira sobem pro céu e se misturam com as estrelas. Ela se benze nos tambores sagrados, pedindo licença aos pretos-velhos – antigos jongueiros que já morreram – para iniciar o jongo.

Improvisa um verso e canta o primeiro ponto de abertura. Todos respondem cantando alto e batendo palmas com grande animação. O baticum dos tambores é violento. O primeiro casal se dirige para o centro da roda. Começa a dança.

Durante a madrugada, os participantes assam na fogueira batata-doce, milho e amendoim. Alguns fumam cachimbo, tomam cachaça, café ou caldo de cana quente para se esquentar.

O jongo é muito animado e vai até o sol raiar, quando todos cantam para saudar o amanhecer ou “saravá a barra do dia”.

Dança-se o jongo no dia 13 de maio, consagrado aos pretos-velhos, nos dias de santos católicos de devoção da comunidade, nas festas juninas, nos casamentos e, mais recentemente, em apresentações públicas.

Os jongueiros dançam muitas vezes descalços, vestindo as roupas comuns do dia-a-dia.

O jongo é uma dança de roda e de umbigada. Um casal de cada vez dirige-se para o centro da roda girando em sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, aproximam-se e fazem a menção de uma umbigada. A umbigada no jongo é de longe.

Logo um outro entra roda, pedindo licença: “Dá uma beirada cumpadre!” ou “Bota fora ioiô!” Os casais, um de cada vez, vão se revezando até de manhã numa disputa de força, ginga e agilidade.

Durante a dança, o casal trava uma comunicação pelo olhar, que vai determinando o deslocamento pela roda e o momento da umbigada.
No jongo da Serrinha, existe um passo que se chama “tabiá”, uma pisada forte com o pé direito.

O jongo é dançado ao som de dois tambores, um grave (caxambu ou tambu) e um agudo (candongueiro). O repicar do candongueiro atravessa os vales, avisando aos jongueiros das fazendas distantes que é noite de jongo.Os tambores são feitos de tronco de árvores escavados com um pedaço de couro fixado com pregos numa das extremidades. São de origem bantu e conhecidos em Angola e no Brasil como “ngoma”. Antes do jongo começar, eles são aquecidos no calor da fogueira, que estica o couro e afina o som.

Em alguns locais, os tambores são acompanhados por uma cuíca de som grave, a angoma -puíta ou onça (na África chamada de “mpwita”), e por um chocalho de palha trançada com fundo de cabaça, chamado guará.

Durante a madrugada, os tambores começam a ficar úmidos de sereno, perdendo o som. Por isso são levados várias vezes para perto do fogo para serem afinados. Enquanto esperam, os jongueiros vão para a barraca dançar o calango.

Os tambores são sagrados, pois tem o poder de fazer a comunicação com o outro mundo, com os antepassados, indo “buscar quem mora longe”. No início da festa, os jongueiros vão se benzer, tocando levemente no seu couro em sinal de respeito.

Mestre Darcy inventou um terceiro tambor solista reproduzindo as células rítmicas emitidas pelos sons guturais que saiam da garganta da jongueira centenária Vovó Tereza quando essa dançava o jongo.

Ministério da Cultura (MinC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Departamento do Patrimônio Imaterial, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).

 

Pontos

O canto do jongo é responsorial. É cantado primeiramente pelo solista, com versos livres improvisados, e o refrão respondido por todos.

Os pontos de jongo têm frases curtas que retratam o contato com a natureza, fatos do cotidiano, o dia-a-dia de trabalho braçal nas fazendas e a revolta com a opressão sofrida. São cantados no linguajar do homem rural, com sotaque de preto-velho, e gungunados, numa espécie de som gutural bem resmungado saído do peito.Os pontos misturam o português com heranças do dialeto africano de origem bantu, o quimbundo. São criados de improviso e exigem grande criatividade, agilidade mental e poesia, muito comuns aos negros bantus.

Os jongueiros trocaram o sentido das palavras criando um novo vocabulário passando a conversar entre si por meio dos pontos de jongo numa linguagem cifrada. Só alguém com muita experiência consegue entender os seus significados. Assim, os escravos se comunicavam por meio de mensagens secretas, que muitas vezes protestavam contra a escravidão, zombavam dos patrões publicamente, combinavam festas de tambor e fugas.Quando algum jongueiro quer cantar um outro ponto, interrompendo o anterior, ele põe as mãos no couro dos tambores e grita a palavra “machado” ou “cachoeira”. Isso cala os tambores, interrompendo o ponto anterior e a dança para que o jongueiro em seguida “tire” um novo ponto.Os pontos podem ser de diversos tipos:

  • abertura ou licença – para iniciar a roda de jongo
  • louvação – para saudar o local, o dono da casa ou um antepassado jongueiro
  • visaria – para alegrar a roda e divertir a comunidade
  • demanda, porfia ou “gurumenta” – para a briga, quando um jongueiro desafia seu rival a demonstrar sua sabedoria
  • encante – era cantado quando um jongueiro desejava enfeitiçar o outro pelo ponto
  • encerramento ou despedida – cantado ao amanhecer para saudar a chegada do dia e encerrar a festa

O JONGO E O SAMBA

O jongo influenciou decisivamente o nascimento do samba no Rio de Janeiro. No início do século 20 o jongo era o ritmo mais tocado no alto das primeiras favelas pelos fundadores das escolas de samba antes mesmo do samba nascer e se popularizar. Os antigos sambistas da velha guarda das escolas de samba realizavam rodas de jongo em suas casas. Nessas festas visitavam-se uns aos outros, recebendo também jongueiros do interior.

 

Os versos do partido-alto e do samba de terreiro são inventados na hora pelo improvisador. Esse canto de improviso nasceu das rodas de jongo. A umbigada, que na língua quimbundo se chama “semba”, originou o termo samba e também faz parte do samba primitivo. A “mpwita”, instrumento congo-angolano presente no jongo, é a avó africana das cuícas das baterias das escolas de samba.

 

O jongo, por ser uma festa de divertimento, mas com aspectos místicos, fez com que a dança se restringisse aos ambientes familiares. Por isso, ao contrário do samba, que logo conseguiu hegemonia nacional, acabou sendo pouco divulgado. O fato do jongo ser praticado apenas por idosos e proibido para os mais jovens foi outro fator que levou a dança a um processo acelerado de extinção.

 

Saiba Mais:

 

Wiki:

O jongo, também conhecido como caxambu e corimá, é dança brasileira de origem africana praticada ao som de tambores, como o caxambu. É essencialmente rural. Faz parte da cultura afro-brasileira. Influiu poderosamente na formação do samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, o jongo é o “avô” do samba.

Inserindo-se no âmbito das chamadas danças de umbigada (sendo, portanto, aparentado com o semba ou masemba de Angola), o jongo foi trazido para o Brasil por negros bantos, sequestrados para serem vendidos como escravos nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola. Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos, o jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens (pelo menos no que diz respeito à estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhação angolano denominado jinongonongo.

Wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jongo

Enquadramento da Profissão da Capoeira na Legislação Desportiva de Portugal

Estimada Comunidade da Capoeira em Portugal,

No passado dia 21 de Julho de 2014, foi feita uma convocação por parte do Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ) de Portugal (Instituição Governamental) para uma sessão de esclarecimento sobre o processo de regulamentação da Capoeira em Portugal. Estiveram presentes as seguintes instituições/grupos de capoeira:

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‘Herança Africana’ é apresentada no palco do Teatro Amazonas

Espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas retrata a influência negra. 
Duas apresentações serão realizadas nesta quarta-feira e domingo.

Capoeira, lundu, gambá, dança do rapachão e o samba são manifestações com influências negras. Essa ‘Herança Africana’ é o tema de um espetáculo do Balé Folclórico do Amazonas, que será apresentado nesta quarta-feira (2) e domingo (6), no Teatro Amazonas, Centro de Manaus. As apresentações serão às 21h e 19h, respectivamente. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 20 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro (pelos telefones: (92) 3622-1880/3622-2420) ou pelo site www.bestseat.com.br.

O espetáculo é dirigido por Conceição Souza e é resultado da pesquisa dos colaboradores Eliberto Barroncas e Railda Vitor. ‘Herança Africana’ vai destacar algumas manifestações regionais deixadas como legado cultural do negro.

A concepção do espetáculo aproveitou o trabalho realizado no projeto Escada Sem Degraus, iniciativa que envolve pesquisas de música regional e artes visuais. “Visitamos grupos de dança lundu em Itacoatiara, composto em sua maioria por mulheres, cujo estilo de dança é diferente daquele apresentado em Belém. De acordo com a localidade, a mesma dança possui características diferentes”, explica Railda.

O Balé Folclórico do Amazonas foi criado em 2001. A companhia, composta por 33 bailarinos e que se encontra com elenco renovado desde novembro de 2013, já participou de eventos como o Festival Amazonas de Ópera e Concerto de Natal.

 

Fonte: http://g1.globo.com/