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A EVOLUÇAO DA CAPOEIRA NO MUNDO

A EVOLUÇAO DA CAPOEIRA NO MUNDO

Caminhos de “esterilização” da arte para “fertilização” do negocio.

O reconhecimento da capoeira na atualidade se depara com seu mais difícil paradigma, pois a mesma precisa conviver com um processo de transformação que, na maioria das vezes, só justifica-se por parâmetros que negligenciam princípios de ancestralidade, oralidade, aprender fazendo, dentre outros, que são encarados por seus praticantes como ultrapassados e/ou utilizados unicamente nos discursos eloqüentes dos “tiranos comandantes” disfarçados de mestres. Neste sentido, nos propomos a refletir sobre algumas questões que tentarão nos aproximar de alternativas para dialogarmos com a tão famigerada “evolução” da capoeira, apelidada em nosso tempo equivocadamente de Capoeira Contemporânea.

Inicialmente quero tratar especificamente da terminologia, que já de inicio apresenta-se erroneamente, pois faz referencia, considerando a grande maioria de capoeiras de senso comum, a um estilo que se distanciaria da Angola e da Regional, propondo uma mescla dos dois estilos anteriores, mesmo convivendo no mesmo período histórico, ou seja, representando uma pretensa evolução técnica e etc. Assim, se desta forma for encarada, seu nome correto talvez devesse ser Capoeira Futuro, Avançada, Espacial….. Sei la…. E não Contemporânea, pois isso representa algo que convive em mesmo período.

Outro ponto contraditório apresenta-se quando definimos esta nova capoeira “moderna” como algo inusitado, futurístico, pois sua própria origem esteve sempre atrelada no discurso de que a mesma foi forjada a luz da Angola e da Regional baiana e sendo assim, o correto seria dizer que a mesma simplesmente tentou juntar o que vivia separado, fato que representaria uma grande incoerência, pois sabemos que quando investigamos a capoeiragem mais detalhadamente e criticamente, percebemos que o trabalho capitaneado por Bimba e por Pastinha possuíam muito mais semelhanças do que diferenças, pois os mesmos foram fruto da historia de um determinado local em um tempo especifico.

Sobre a técnica desta capoeira evoluída, o que temos visto são conseqüências desastrosas, considerando o grande numero de lesões, a violência com pouca belicosidade e ainda as atrocidades com relação à biomecânica dos movimentos, pois estes alem de não respeitarem os limites articulares e fisiológicos, ainda propõem uma pratica completamente distanciada da estética ancestral da capoeira, visto que os capoeiras deste estilo “evoluído” mais se aproximam de ginastas ou acrobatas de circo com pretensões de luta, transformando o jogo em um espetáculo grotesco, pois não conseguem fazer bem nem a ginástica nem tão pouco a luta.

A musicalidade na capoeira tem papel fundamental, pois dela se desencadeia boa parte do processo “ritualístico”, ou seja, é a partir da musicalidade que os movimentos são executados, os instrumentos são tocados e as cantigas entoadas, contudo atualmente nos grupos intitulados de Capoeira Contemporânea, observamos uma linearidade melódica que não contempla as variantes ancestrais africanas, com letras ceifadas de seu conteúdo para reflexão, que já não cumprem tão bem o papel da oralidade e sua documentação da historia humana por contos e cantigas. Assim temos percebido que os instrumentos e as cantigas pouco a pouco tem perdido sua função ritual na roda, pois os praticantes alem de não valorizarem e desenvolverem esta parte do aprendizado, não conseguem decodificar a influencia da musicalidade na pratica, negligenciando o papel fundamental desta no desenvolvimento da roda.

A ladainha não arrepia mais, o cantador não se emociona, as cantigas não tratam do universo simbólico da capoeiragem e ainda a forma de cantar tem sido “plastificada” e embalada para vender, criando um exercito de cantadores “copias de alguém famoso”, e se não bastasse isso, as pessoas ainda não conseguem perceber que o mesmo acontece por toda parte no modo de produção capitalista, pois todos querem parecer com os modelos vendidos pela mídia, idiotizados pela propaganda e aumentando o lucro dos “grupos produto”, como um grande Big Mac vendido na esquina de qualquer grande centro.

Em relação aos aspectos filosóficos, temos nosso maior abismo, basta observar os bonecos de vídeo game que representam os capoeiras, sempre musculosos, com movimentos robóticos, com uma negritude estereotipada, e ainda com golpes previsíveis e não característicos, negando os fundamentos difundidos pelos antigos mestres da Bahia.

Soma-se também a este conflito simbólico uma serie de situações organizacionais nos grupos de capoeira, aproximando-os administrativamente de empresas e distanciando cada vez mais das praticas humanas e necessidades da capoeiragem em sua trajetória, pois os mestres se transformaram em patrões, as rodas em shows, o conhecimento em produto de venda, as pessoas em números de matricula e sua filosofia em trabalhos acadêmicos de pessoas que nunca sujaram as mãos fazendo Au…..

Lamentável, mas esta tem sido a realidade que tenho encontrado em muitas partes do mundo em nossas viagens com a capoeira, e para piorar, se não bastasse tudo isso, tenho percebido, com o passar dos anos, que os poucos cabelos que ainda me restam estão ficando brancos e que a grande parte dos capoeiras acreditam que nossa arte esta em seu curso natural, como se alguma força alienígena controlasse estas mudanças, não sendo necessário refletir sobre as mesmas e só segui-las.

Quero propor com estas palavras, que não são verdades absolutas e sim um desabafo ingênuo de um capoeira da Bahia, que existem sim alternativas e estas estão ao alcance de todos aqueles que investigarem a matriz ancestral da capoeira e seus representantes mais antigos, observando a forma como jogam, sua fala, como lidam com os instrumentos, seus códigos filosóficos e acima de tudo como vivem, mesmo não fazendo parte do espetáculo futurístico da Capoeira Contemporânea.

Sugiro uma busca na década de trinta e seus princípios metodológicos para trato com a Educação Física, pois la encontraremos as bases desta dita capoeira evoluída, comprovando que a mesma não possui nada de moderno e sim uma adaptação mal feita para na atualidade atender as demandas do capital, considerando a dicotomia corpo/mente e o processo de adestramento pelas seqüências de ensino idiotizantes, atrofiando o senso critico e favorecendo o negocio dos mega grupos e seus mestrões.

Mestre Jean Pangolin Portal CapoeiraDespeço-me pedindo força ao Grande Arquiteto do Universo e perdão pela possibilidade de minhas palavras ofenderem camaradas ainda não despertos para as armadilhas desta capoeira mercadorizada, espetacularizada e muito distante das necessidades de aprendizado para evolução da humanidade.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Em 2008, após uma grande pesquisa desenvolvida no Brasil, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) formatou um inventário com o intuito de registrar a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres nos Livros de Registros das Formas de Expressão e dos Saberes, respectivamente. 

Seis anos depois, em 2014, na 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, a Unesco aprova a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Com esse registro e reconhecimento, o Brasil tornou-se responsável pela salvaguarda da Capoeira. Entende-se por salvaguarda as medidas que visam a garantir a visibilidade do patrimônio cultural imaterial, tais como a identificação, a documentação, a investigação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão e a revitalização deste patrimônio em seus diversos aspectos, assim como sua preservação e manutenção, fomentando ações para que haja a perpetuação do patrimônio e de seus mantenedores, os Mestres de Capoeira.

Dessa forma, em cada estado da federação, o Iphan estabelece a iniciativa de organizar coletivos que pudessem desenvolver um plano de salvaguarda dentro da realidade local. A denominação desses coletivos varia regionalmente, podendo ser: conselho de Mestres, conselho gestor, colegiado de Mestres, ou outras nomenclaturas. Não existe regra para a escolha da denominação e também não existe nenhuma remuneração pela participação dos Mestres.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina Capoeira Portal CapoeiraEm Santa Catarina, no ano de 2015, o Iphan fez um chamamento aos capoeiristas para uma plenária que teve como resultado o Colegiado de Mestres. O nome ‘Colegiado’ foi escolhido pelo entendimento de que os membros eleitos opinam e definem suas ações com igualdade de voz e voto. O movimento não tem a pretensão de se organizar como entidade jurídica; mas, sim, como um coletivo de Mestres catarinenses.

Como primeiras ações, o Colegiado empenhou esforço na construção dos documentos que norteariam suas ações, sendo: Estatuto e Código de Ética. Após a elaboração e aprovação desses documentos, decidiu-se realizar uma ação coletiva para a comunidade da Capoeira catarinense: a Formação Continuada de Educadores de Capoeira. A proposição do Colegiado de Mestres, projetada em 2016 e colocada em prática em 2017, foi endossada pelas parcerias com o Iphan e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os conteúdos foram divididos em oito encontros presenciais quinzenais, totalizando oitenta (80) horas de formação continuada, com os seguintes temas:

  • – Origem da Capoeira;
  • – Relações de Poder, Raça e Gênero na Capoeira;
  • – Diferença, Geração e Capoeira;
  • – Metodologia e Prática de Ensino de Capoeira: Pessoas com Deficiência,

Idosos, Reabilitação, Crianças e Adultos;

  • – Prevenção a Acidentes e Primeiros Socorros;
  • – Oratória e Saúde Vocal;
  • – Marketing na Capoeira;
  • – Captação de Recursos;
  • – Formalização de Organizações de Capoeira; e
  • – Microempreendedorismo (MEI).

Foram abertas e preenchidas sessenta vagas (60) contando com a participação de vinte e dois (22) municípios de todo o estado e oriundos de trinta e seis (36) entidades de Capoeira (grupos, associações, escolas etc.).

Já em 2018, aconteceu a assembleia de posse da segunda gestão do Colegiado de Mestres. Ali, estabeleceu-se como objetivo para os encontros bimestrais e itinerantes (realizados cada vez em uma cidade diferente do estado) estreitar a participação da comunidade, realizando reuniões abertas ao coletivo, com debates e práticas sobre temas diversos. O pano de fundo de todas as ações do Colegiado de Mestres de Santa Catarina é a construção e aplicação do Plano de Ações de Salvaguarda da Capoeira.

Nesta caminhada recente, dificuldades já foram – e continuarão sendo – vislumbradas pelos Mestres, mas a Capoeira é sinônimo de resistência; portanto, faz-se necessário enfrentar as agruras como um bom desafio e como uma missão a se cumprir. Acima de tudo, os Mestres do Colegiado têm a consciência de que não agem com vistas ao resultado particular; mas, sim, para os jovens capoeiristas que continuarão o legado e perpetuarão a arte Capoeira no futuro.

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Membros do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina:

Titulares: Kadu, Tuti, Sinhozinho, Careca, Zico, Silvio e Curió.
Suplentes: Habibs, Curisco, Tigre, Dourado e Bião.

 

 

Por:

Marcos Duarte de Oliveira (Mestre Kadu)

Fernando Bueno (Mestre Tuti)

Capoeira e seus Cantadores

CAPOEIRA E SEUS CANTADORES

A musicalidade traz em si um elemento fundamental para o desenvolvimento da capoeira, pois ela será responsável pelo encadeamento ritualístico, pela oralidade na construção do conhecimento, pelo “balanço” do jogo e pela construção simbólica da “atmosfera” da “vadiação”.

A musicalidade nunca será uma simples conseqüência fisiológica da articulação bem sucedida entre cordas vocais, músculos da face e diafragma, pois em capoeira a complementaridade entre os diferentes, articulados em propósito comum para o coletivo, supera qualquer perspectiva ou habilidade individual, transformando o bom cantador naquele que mais motiva o coletivo a cantar junto, muitas vezes ofuscando a própria voz de quem puxa o canto, ou seja, cantador de “verdade” na capoeira não é o que mais aparece, mas o que projeta o conjunto da roda em ritual.

O bom cantador nem sempre é aquele com a voz mais bonita e empostada, nem sempre é o que tem a melhor pronuncia e português correto, nem sempre é o que grita mais alto…..O bom cantador é o que cantando encanta, aquele que consegue captar a magia do momento do jogo, fazendo com que sua cantiga seja o “catalisador” de uma química que eleva os capoeiras a um “transe” coletivo, que de tão especial nos faz sonhar acordado.

Não existe bom jogo sem boa musicalidade, pois a organicidade da roda é um complexo sistema multifacetado, lembrando o corpo humano, em que cada órgão cumpre uma função distinta a favor do funcionamento de todo o sistema para que a vida aconteça. Assim, tão importante quanto o “movimento”, aquilo que o impulsiona, harmoniza e qualifica, também deve ser considerado e exercitado, a cantiga.

È impressionante como Mestre Boca Rica, cantando quase sussurrando, com um único berimbau, se espalhou pelo planeta como um vírus positivo da boa capoeiragem……Impressionante como décadas mais tarde, as gravações de Bimba, Pastinha, Waldemar, Canjiquinha, Camafeu de Oxossi e outros, ainda encantam, mesmo sem todos os recursos tecnológicos atuais.

O maior desafio de um grande cantador em capoeira será sempre conseguir captar o “cheiro do dendê“ em uma roda, sendo simples, singelo e traduzindo na poesia de seu canto os mistérios da arte capoeira. Neste sentido, se você deseja qualificar seu canto, te recomendo que antes de cantar tente ouvir mais, e não ouça qualquer coisa, ouça os sons mais elementares produzidos pela mãe natureza, o ronco do mar, a suavidade das ondas, o fluir da cachoeira, o vento nas arvores, trovões e ate mesmo o pingo da chuva caindo no chão, percebendo que cada som deste esta articulado a um contexto especifico e complexo, sendo seu maior sentido a conexão com o todo.

Por fim, aprenda que a cantiga é também uma forma de doação à arte capoeira, portanto, ser um bom cantador será, acima de tudo, a capacidade de brindar os outros com aquilo que temos de melhor, pois o lamento da ladainha emociona e arrepia o outro, também na medida em que o cantador já chorou e se arrepiou antes, incorporando o sentimento expresso em seu cantar. Desta forma, entenda que viver o momento é mais importante do que o resultado final, portanto, não fique preocupado com o impacto de sua voz na roda, mas tente viver junto com seus pares magia do contexto no milésimo de segundo em que sua cantiga toca a fibra mais tênue do coração de quem te escuta, transformando o momento em único e especial para todos.

Vamos cantar mais com a alma!!!!!!!

Mestre Jean Pangolin Portal Capoeira

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador

O projeto Vadiando começou as suas atividades no bairro do Dois de Julho, Centro de Salvador, no dia 05 de dezembro. O Centro de Estudos Afro Orientais (CEAO), pertencente à Universidade Federal da Bahia, recebeu o evento gratuito, que trouxe como mote, o imaginário simbólico da capoeira no bairro, os mestres que ali viveram e vivem, as rodas de capoeira e as curiosidades em torno dessa cultura popular. E, seguindo a definição do termo “vadiar”, dentro da capoeira, que significa jogar por lazer, descontrair, interagir com os camaradas, o projeto contará a história do bairro do Dois de Julho, através do contexto simbólico da capoeira, lembrando os mestres que ali viveram, as rodas e curiosidades sobre esta temática.

No evento inaugural, em dezembro, aconteceram palestras sobre “A capoeira como instrumento de desenvolvimento local”, ministrada pelo coordenador, Luís Alencar; “Políticas Públicas para a Capoeira”, ministrada por Magnair Barbosa, gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM); “Capoeira e Tecnologia”, com o contramestre Veru Filho, criador do aplicativo “Iê Capoeira”; além de intervenções com músicas afro-brasileiras e a leitura de poesias.

Com patrocínio da FGM, apoio do Centro de Estudos Afro Orientais – CEAO/UFBA, e do comércio local, após três meses de projeto, com oficinas regulares às segundas, quartas e sextas, as aulas serão finalizadas no próximo dia 23 de março. O projeto ofereceu oficina de “Capoeira – Educação”, ministrada pelo contramestre Veru Filho, e “Educação Artística”, ministrada pela capoeirista e arte educadora Nildes Sena, que teve a finalidade de contar a história do bairro do Dois de Julho, tendo como mote o imaginário simbólico da capoeira no lugar.

Projeto conta a história da capoeira no bairro Dois de Julho em Salvador Capoeira Portal Capoeira

Com todo o material produzido durante as aulas, o público atendido no projeto – um grupo crianças e jovens da comunidade – irá apresentar o resultado final de toda a aprendizagem. Entre os dias 26 e 28 de março, sempre a partir das 18 horas, na Casa do Benin, acontecerá uma grande mostra artística envolvendo todos esses alunos e a comunidade, fazendo parte, inclusive, da programação cultural do aniversário de Salvador.

Na abertura da mostra artística, haverá evento solene para gestores públicos, mestres de capoeira e pesquisadores da cultura popular, quando será lançada a Cartilha Digital, que contará a história da capoeira no bairro do Dois de Julho. Essa cartilha é resultado de uma pesquisa realizada pelo Contramestre Sem Terra, cientista social e etnógrafo. Além disso, a programação dos demais dias envolverá a exibição de uma projeção audiovisual, mostrando entrevistas com mestres de capoeira que atuam no Dois de Julho e equipe do projeto; e um espetáculo cênico, onde alunos do projeto atuarão.

Sobre a Associação:

A Associação Cultural Arte Baiana Capoeira foi criada no ano de 1989, pelo Mestre Malícia, na cidade de Belmonte, no interior da Bahia, onde até hoje está localizada a sede do grupo. Muitos alunos passaram pela associação, mas no ano de 1992, Veru Filho iniciou seus estudos com o Mestre Malícia, e chegou para levar adiante o nome da instituição. Por conta dos estudos, Veru Filho, veio morar em Salvador, e começou a treinar com o Mestre Alabama. Alguns anos se passaram, e em 2014, Veru inicia em Salvador, um trabalho com a Associação Cultural Arte Baiana Capoeira, na comunidade da Vila Brandão e no Dois de Julho. Com a finalidade de fomentar o empreendedorismo social na capoeira, Veru Filho, que além de contramestre é educador físico, vem buscando aumentar o reconhecimento da capoeira na sociedade, potencializar a geração de recursos para os grupos de capoeira e, por fim, a inclusão produtiva de indivíduos e grupos sociais que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

SERVIÇO:

O QUÊ: Vadiando no Dois de Julho – Lançamento da Cartilha Digital e Mostras

QUANDO: 26 a 28 de março de 2018, a partir das 18 horas

ONDE: Casa do Benin – Baixa dos Sapateiros, 7 – Pelourinho
VALOR: Gratuito

 

Por: Pietro Raña: pietro.rana@pipacomunicacao.com.br

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Fundação Cultural ILE: Projeto “Mestras de Capoeira”

Salve meus amigos!

Somos a Fundação Cultural ILE,  uma organização sem fins lucrativos com sede em País de Gales no Reino Unido.

Trabalhamos para a preservação e difusão da Capoeira, seus fundamentos e tradições. Fazemos isso através de livros, CDs, documentários, festivais e outros. Nosso carro chefe é o Projeto Tributo ao Mestres, cujo principal objetivo é contribuir com os Mestres que estão em situações de risco sejam elas sociais, financeiras, emocionais, médicas ou afins. Todos os nossos esforços são para angariar fundos ou gerar fundos para esse fim.

Em 2016, lançamos nosso primeiro livro de Ilustrações, o tributo aos Mestres artbook que foi um sucesso.

Hoje temos a grande alegria de convidar todos a participar deste momento histórico na capoeira, onde honraremos as Mestras da nossa arte!

Faremos um livro com 30 ilustrações e com um texto para cada  ilustração contando um pouco sobre cada uma das homenagiadas.

Um momento mágico e histórico e você pode participar de várias formas desta homenagem.

Você pode fazer uma doação para que o projeto aconteça, ou você pode fazer contribuições e receber recompensas por isso.

Você pode inclusive fazer campanha dentro do seu grupo e participar como patrocinador recebendo e compartilhando as recompensas com o grupo todo.

Este é um trabalho histórico o primeiro em seu formato e o primeiro em homenagem as Mestras de Capoeira!

E a sua participação é fundamental

 

Fundação Cultural ILE: Projeto "Mestras de Capoeira" Notícias - Atualidades Portal Capoeira

CLIQUE NA IMAGEM PARA VISITAR A PÁGINA DO PROJETO

 

Hi Guys!

We are the ILE Cultural Foundation; a registered charity based in Wales.

We work for the preservation and diffusion of Capoeira, its foundations and traditions. We do this through books, CDs, documentaries, festivals and others. Our flagship project is the Tribute to Masters Project, whose main objective is to contribute to the Masters who are in risk situations whether they are social, financial, emotional, medical or otherwise. All our efforts are to raise funds or generate funds for this purpose.

In 2016, we launched our first book of Illustrations, the Tribute to the Masters art book, which was a success.

Today we have the great joy of inviting everyone to participate in this historic moment in capoeira. This is a vibrant, adventurous and compassionate project where we will raise funds to develop and publish a fresh, innovative and empowering illustration book that will, for the first time, show the face of our Mestras.  

It will be 30 illustrations with 30 texts telling a little story about each one.

A magical and historical moment and you can take part of it in different forms, making  a donation or you can make contributions and receive rewards.

You can campaign in your group and participate as a sponsor, sharing the rewards within the whole group.

This will be an historic book, the first in its format, and the first in honour of the Female Masters of Capoeira!

And your participation is fundamental!

 

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A arrogância neoangoleira e a tradição autista

A arrogância neoangoleira e a tradição autista

por: Paulo Mutaokê Magalhães 

Essa semana fiquei abismado com um comentário que li na internet. Um velho mestre de capoeira angola, conhecido pela fluidez com que encara a relação entre a capoeira e outras manifestações culturais populares e pelo especial apreço ao espaço da rua, comemorou seu aniversário com uma grande roda. Após publicar trechos do jogo de compra, um jovem capoeirista o questiona, afirmando que na capoeira angola não existiria compra e que o adeus adeus seria uma música do samba de roda. Além da evidente falta de conhecimento desse capoeirista, o que salta aos olhos é o desplante de se dirigir a um mestre de capoeira com idade de ser seu pai (ou talvez seu avô), acusando-o de corromper fundamentos por dinheiro. Trata-se na verdade de uma inversão dos fundamentos, uma vez que uma característica básica que perpassa toda a cultura de matriz africana é o respeito aos mais velhos. De acordo com esta tendência, que infelizmente vem crescendo nos dias de hoje, alguns detalhes formais da prática da cultura seriam mais importantes que a relação viva que se estabelece entre mestre e discípulo, entre os mais novos e os mais velhos de uma forma geral.

Ora, sabemos que de forma diferente da capoeira regional do Mestre Bimba, a capoeira angola tem uma grande diversidade de linhagens, heranças, famílias. E muito do seu formato é relativamente recente. Grande parte das músicas “tradicionais” da capoeira vêm do candomblé, são sambas de caboco, que se confundem com o samba de roda porque nunca houve essa fronteira rígida. O jogo de compra não vem nem da capoeira angola de academia nem da capoeira regional, uma vez que na academia do Mestre Bimba as duplas saíam do pé do berimbau para jogar. A compra vem da rua, das festas de largo, do samba, desse caldeirão cultural onde os mais velhos aprenderam e preservaram esta cultura para que chegasse até nós. O fato de ser proibido em algumas academias talvez diga mais sobre elas do que sobre a herança da capoeira angola em geral. As heranças são muitas, e cada um busca preservar o que aprendeu.

Este caso me lembrou algo que aconteceu comigo no ano passado. Ao vadiar em uma roda coordenada por um jovem contramestre, alguns anos mais velho que eu, fui repreendido pelo mesmo ao aplicar uma tesoura. Visivelmente nervoso, bradou que tesoura não era de capoeira angola, era coisa de dez anos pra cá, pois não via tesouras acontecendo em determinada roda que ele frequentara. Também neste dia fiquei surpreso pelo absurdo da situação, pois na linhagem de capoeira angola a que ele se filiara, a aplicação de tesouras era algo comum. Para não polemizar em casa alheia, lembrei do Mestre Canjiquinha: “o calado é vencedor para quem juízo tem”. Algumas pessoas costumam ser rígidas com o que aprenderam ao ensinar para seus alunos, é natural. Agora, querer colocar os ensinamentos de uma academia como se fosse a grande verdade da capoeira angola é no mínimo desrespeito aos mais velhos. Pus-me a pensar nos mestres Moraes, Paulo dos Anjos, Nô e tantos outros. Será que todos estariam errados, e esse camarado, que nasceu quando estes antigos mestres já praticavam capoeira, sabe mais do que eles? Aprendi que jogo de compra, tesoura, martelo, gancho, tudo isso faz parte da capoeira angola, são ensinamentos que vieram de velhos mestres do passado. Como uma pessoa jovem pode questionar algum desses elementos, por não ter visto em sua formação, se antes dela nascer os velhos mestres já praticavam?

Pensei também nos manuscritos do Mestre Pastinha, um verdadeiro tesouro para nos aprofundarmos no pensamento desse mestre. Ao criar sua escola, ele estabelece uma série de regras, cria cargos a que nenhum dos seus discípulos deu continuidade (fiscal, juiz, mestre de bateria, etc.) e proibiu uma série de golpes. Se proibiu, será que existiam ou não? Será que as outras academias foram obrigadas deixar de usar os mesmos movimentos ou seguiram dando continuidade ao que aprenderam com seus mestres? Segue um trecho:

“É proibido no jogo e prinsiparmente em baixo, fonsional golpes, ou truque, não por a mão, é fau. Os golpes que não pode ser fonsionado em demonstração; golpes de pescoço, dedo nos olhos, cabeçada solta, cabeçada presa, meia lua baixa, Balão a coitado, rabo de arraia, Tesoura fechada, chibata de clacanhar, chibata de peito de pé, meia lua virada, duas meia lua num lugar só, pulo mortal, virada no corpo com presa de calcanhar, presa de cintura, balão na boca da calça, golpes de joelho e nem truques”.

 

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Falta mais humildade para aceitar as diferenças e continuar aprendendo com os mais velhos. Trata-se de uma tradição autista, que não dialoga com as que estão ao seu lado, encerrada em sua verdade única e absoluta que impõe em seu pequeno espaço de poder. As diferenças fazem a riqueza da capoeira angola, e preservar essa diversidade é zelar pelos seus fundamentos. Tempo é rei e nos ensinará mais. Iê dá volta ao mundo!

Imagens: Manuscritos do Mestre Pastinha; Mestre Sapo (aluno dos mestres Pelé da Bomba e Canjiquinha) e seu aluno Mestre Patinho treinando em uma praia do Maranhão. No berimbau, Mestre Tião Carvalho.

 

por: Paulo Mutaokê Magalhães 

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

 

O projeto de revitalização da Praça Mestre Bimba situada no bairro da Amaralina em Salvador, Bahia, Brasil foi concluída com êxito no mês de Julho de 2017.

Após  uma grande batalha por parte da Turma de Bimba, da Família do Mestre Bimba e da comunidade da Capoeira do Brasil, foi conseguido junto aos órgãos públicos a obra que deu a comunidade um espaço apropriado a prática da Capoeiragem, prestando assim uma bela homenagem a um patrono da nossa arte.

Porém, menos de um ano depois passamos pelo mesmo problema, o descaso por parte dos órgãos que seriam os responsáveis pela manutenção do local, nos apresentam um cenário indigno para o tamanho da grandeza da obra do Mestre Bimba .

Uma vez mais a comunidade da Capoeiragem deve dar as mãos e pedir o devido respeito para com o Sr. Dr. Manoel dos Reis Machado criador da Capoeira Regional Baiana que esse ano completa 100 anos.

HÁ CERCA DE UM ANO ATRÁS…

Se o Rio Vermelho já era conhecido por ser o point de Iemanjá e da boemia, agora ele se estende para a valorização da capoeira e da memória militar. Com homenagens à Mestre Bimba e ex-combatentes do Exército Brasileiro, foi entregue pela prefeitura, nesta quinta-feira (27), a terceira e última etapa de requalificação da orla do lugar – que vai desde o Supermercado Bompreço até o Quartel de Amaralina, um perímetro de mais de 600 metros. Com investimento de cerca de R$3,7 milhões, a obra foi realizada em quatro meses numa parceria entre a Secretaria Municipal de Infrestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e Fundação Mário Leal Ferreira. A requalificação começou em 2015 e custou, ao todo, R$65,3 milhões.

A obra contemplou a revitalização da Praça Mestre Bimba, ícone da capoeira mundial, incluindo no local um espaço para roda de capoeira com arquibancada para até 25 pessoas e piso intertravado de 250m² ao redor. Foi recuperado também o monumento desenhado pela artista Mercedes Kruchewsky em homenagem ao mestre: um medalhão de bronze acoplado à uma estrutura de 3,69m de altura em formato de berimbau. O capoeirista Manoel dos Reis Machado ficou conhecido por ajudar a descriminalizar a prática da capoeira por meio da obra “A capoeira regional”.

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!! Capoeira Cidadania Portal Capoeira

Na reinauguração, diversos grupos de capoeira se reuniram para saudar a memória e os ensinamentos de Bimba. O grupo de Mestre Itapuã, 70, que começou a ser aluno dele aos 16 anos, era um deles. “Eu fui educado dentro da academia de Bimba. Meu pai tinha morrido nessa época, então a figura forte que eu tinha era ele. Bimba era um exemplo. Ele sempre exigia as coisas certas e que a gente fosse alguém”, lembra.

Contente, Dona Bena, 86, uma das viúvas do capoeirista, falou de como aprendeu a jogar capoeira escondido com o companheiro por causa da repressão. “Naquele tempo, mulher não podia jogar porque não consentiam. Uma vez ele fez uma turma, mas desmanchou porque os maiorais não deixavam. Só era para homem”, relembra ela, que defende hoje a democratização e valorização dessa expressão cultural.

(FONTE: http://www.correio24horas.com.br/)

 

Video da Praça do Mestre Bimba – “REinauguração” – Julho 2017 

ACORDA BAHIA… FESTA… PROMOÇÃO… VIDEO PROMOCIONAL… TUDO MUITO BONITO… PORÉM, MANTER O ESPAÇO, PREZERVAR O PATRÍMONIO, ZELAR PELA NOSSA CAPOEIRAGEM… ISSO JÁ É OUTRA COISA!!!

Respeito!!! É a única coisa que pedimos. Viva Seu Bimba!!!

Vivência com o Mestre Itapuã Beiramar em Belgrado, capital da Sérvia

Vivência com o Mestre Itapuã Beiramar em Belgrado, capital da Sérvia.

Uma parceria da ABP em Movimento e do Centro Brasileiro de Cultura de Belgrado

Mestre Pulmão, Grupo Senzala Capoeira, convida a todos para se juntarem a esta festa da capoeiragem em Belgrado – Sérvia.

Nos dias 4 e 5 maio , para participar basta somente ter a camisa do evento que vai custar apenas 20 euros!!!

Escreva já para o e-mail: pulmao_senzala@hotmail.com Dizendo seu nome , grupo , Mestre e garanta sua vaga.

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De quebra ainda pode assistir o Filme “CAPOEIRA UM PASSO A DOIS” produzido por Jorge Itapuã Beiramar no dia 9 de Maio no festival de cinema de Belgrado.

 

Mais Informações:

Mestre Pulmão e Mestre Itapuã Beiramar

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá

Paranaguá e Curitiba recebem, de 16 a 18 de março, a 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira. Com programação gratuita, o evento tem o objetivo de resgatar elementos importantes dessa expressão cultural brasileira, que mistura arte marcial, esporte, cultura popular e música. Importantes nomes da área, como Mestre Camisa e Mestre João Grande, também estão confirmados.

Idealizado pela Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira (Abadá-Capoeira), que há três décadas se dedica à promoção dessa importante manifestação cultural em nível internacional, a ação é também sinônimo de resgate social.  “As crianças se envolvem através da arte, da música, da dança e acabam tomando como referência os professores. Dessa forma, melhoram as notas na escola, fazem amizades novas”, comenta Janaína Luz, uma das organizadoras do festival.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, há quase uma década a capoeira muda a rotina de crianças, jovens, adultos e idosos da região do bairro Cajuru, na capital paranaense. Oficinas transformaram a realidade de moradores da Vila Camargo, Trindade, Autódromo, São Domingos e São João Del Rey.

O evento também celebra o resgate social promovido pela capoeira.

As aulas, realizadas na Associação Cultural de Capoeira do Estado do Paraná (ACCEP), provocaram mudanças na vida dos participantes. “Penso que nosso maior resultado é a inserção das crianças nas escolas, o resgate dos adolescentes retomando os estudos e, atualmente, o ingresso deles nas faculdades”, completa Janaína Luz.

O projeto deve atingir, em 2018, 300 alunos e passará a ser realizado em 3 escolas de Paranaguá também. “Já temos prevista a expansão para as cidades de Ponta Grossa e Guarapuava”, reitera Janaína Luz. Atualmente, as oficinas contam com 160 participantes.

Programação

Inúmeras atividades gratuitas fazem parte do Festival Nacional Arte-Capoeira – oficina de jogos, cantoria tradicional da capoeira, batizado e troca de cordas, além de aulão e Campanha Berimbau pela Paz com o Mestre Camisa. “O motivo é conscientizar a sociedade da importância de se viver em harmonia. Estamos passando por um momento político muito difícil e dessa forma nasce a corrupção, conflitos e aumenta a criminalidade,  pois tudo isso se reflete principalmente nas comunidades carentes ou áreas de vulnerabilidade. Então pedimos paz para que a sociedade viva em harmonia e em constante desenvolvimento em busca de um grande crescimento”, fala Janaína Luz.

Em Curitiba, nos dias 17 e 18 de março, a programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira passa pela Praça Osório e pelo Largo da Ordem – Palácio Garibaldi e Ruínas de São Francisco. Já em Paranaguá, no dia 16 de março, as atividades serão realizadas na Praça Mário Roque e no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Festival Nacional Arte-Capoeira une tradição e solidariedade em Curitiba e Paranaguá Capoeira Portal Capoeira

 

Programação da 9.ª edição do Festival Nacional Arte-Capoeira

 

Dia 16 de março – Paranaguá
10h – Oficina de Maculelê
11h – Oficina de Capoeira com Mestra Edna
12h – Intervalo
14h30 – Oficina de Berimbau com Mestre Bode
15h30 – Oficina Sambadeiras de Bimba com Fernanda Machado
17h – Aulão com Mestra Edna
Local: Praça Mário Roque
18h – Abertura oficial do Festival no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Dia 17 de março – Curitiba
9h – Comemoração 12 anos de Roda da Praça Osório
14h – Roda Feminina/Praça Osório
15h30 – Oficina de Jogos com Mestres Camisa, João Grande e Boca Rica
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
20h – Cantoria Tradicional da Capoeira e Show Cultural
Local: Palácio Garibaldi – Largo da Ordem
Dia 18 de março – Curitiba
9h30 – Caminhada pela Paz
10h – Aulão e Campanha Berimbau pela Paz com Mestre Camisa
11h – Batizado e Troca de Cordas
Local: Teatro público – Ruínas de São Francisco (Largo da Ordem)

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

Capoeira é “gatilho” para o empoderamento feminino

 

A cultura popular, a arte e o esporte são ferramentas que permitem resgatar a essência do ser humano, despertando valores que fazem mudar olhares e, consequentemente, geram mais respeito, empatia e compaixão, segundo a educadora física jundiaiense Aline Longui, de 35 anos. Capoeirista há 21, ela usa a expressão cultural para realizar projetos sociais, incluindo um somente com mulheres na cidade, dentro da proposta de empoderamento feminino e fortalecimento de identidade cultural.

“São reflexões acerca do resgate da nossa essência perdida enquanto mulher, mãe e profissional, que muitas vezes segue padrões impostos pela sociedade sem ao menos saber se ela está feliz ou não. A mulher, dentro do contexto histórico de uma sociedade patriarcal, deixou de lado seus sonhos e sua vida. E através da arte ela encontra caminhos e possibilidades”, diz Aline, que acredita que o empoderamento feminino é a consciência coletiva, expressada por ações para fortalecer as mulheres.

A luta para combater o machismo que segue enraizado na sociedade, mesmo em tempos modernos, é diária. Segundo a capoeirista, ainda há muito para percorrer e muita coisa já foi conquistada pela luta de mulheres na história. “Sem a luta do passado não seria possível a continuidade do presente. Muita coisa mudou, mas muito há de se fazer, pois ainda há muita desigualdade, preconceito e exclusão”, acredita. “A capoeira é muito similar. É a resistência de um povo, luta de libertação, igualdade e resiliência. Quilombos são criados a cada momento. Temos uma história, ancestralidade e identidade”.

A esperança é de um futuro melhor. E para isso, a educação é fundamental, com investimento em políticas públicas e formação vinda de casa. “Esporte, lazer e cultura, possibilitam caminhos que trabalham valores, como o respeito. Por isso que o investimento em políticas públicas possibilita oportunidades. Para ensinar valores não existe idade, mas acredito que as crianças são nossa esperança para o futuro”.

Competição na Bahia

A capoeirista participou, no último final de semana, da fase final do Red Bull Paranauê – torneio que busca revelar os capoeiristas mais completos do mundo -, em Salvador, na Bahia. Ela representou o estado de São Paulo na primeira final de uma categoria exclusivamente feminina, ficando entre as oito melhores colocadas.

“Foi uma surpresa para mim e uma vitória, pois não tenho o costume de participar de campeonatos, mas como vi que era uma proposta diferenciada, procurando uma visibilidade histórica para a capoeira, que carrega uma bagagem cultural de resistência à opressão e valores que são construídos através de um povo que foi escravizado, trouxe momentos de reflexões e de aprendizados”, explica Aline.

Ela conta que, além da competição, participou de vivências com mestres renomados no mundo da capoeira, além de aulas sobre fundamentos dos toques, educação infantil na capoeira e afrobetização – empoderamento através de histórias de princesas e rainhas negras. “Foram dias de aprendizados, trocas e muita experiência até o momento da final. Então saímos todos com a sensação de campeões, pois vivemos uma experiência inesquecível”, afirma. “Como o Mestre Sabiá comentou, estamos em constante processo de construção”, completa Aline.

 

Fonte: FELIPE TOREZIM – FTOREZIM@JJ.COM.BR – http://www.jj.com.br/