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Câmara de Curitiba aprova moção de repúdio contra humorista por piada com capoeira

Câmara de Curitiba aprova moção de repúdio contra humorista por piada com capoeira

A moção de repúdio ao comediante Dihh Lopes por piadas com a capoeira foi proposta pelo vereador e capoeirista Mestre Pop, do PSC, e aprovada sem unanimidade na Câmara Municipal de Curitiba. De acordo com o parlamentar, o humorista desrespeitou o esporte, que é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial da humanidade.

“A capoeira é reconhecida como patrimônio cultural imaterial da humanidade. Existe toda uma luta para tirá-la da marginalidade. A capoeira chegou a ser proibida no Brasil [até a década de 1930], e precisou ser disfarçada em dança”, declarou. “A capoeira chegou aqui [ao país] dentro de um navio negreiro. Foi arma de resistência contra escravatura. Não aceito, não admito [as piadas].”

“Ele compara a capoeira a fezes, para não usar o termo pejorativo que ele usa”, continuou Pop. No vídeo, Lopes pergunta ao público se tem alguém que “luta ou joga capoeira” e diz ter “vergonha” da prática. “Desculpa, não tem como respeitar”, afirma, em outro trecho. “Dois negões gigantes rebolando, é capoeira ou parangolê? Quem tá [sic] ali quer ver sangue. Juro, a galera queria ver. Capoeira só ameaça. Não consigo respeitar”, declara o humorista. Ele debocha, na sequência, dos nomes dos golpes e da capoeira ser considera uma arte.

“Não fiz para todos assinarem porque 30% não iam assinar, assim como foram pedir para eu retirar. A Confederação Brasileira de Capoeira e outras estão em movimento, para que isso não se repita”, complementou o autor da moção de repúdio, para quem a capoeira “é a maior representação cultural brasileira”. “Arte tem sua liberdade, mas para no momento que você desrespeita alguém. Arte tem limite”, disse Pop.

Câmara de Curitiba aprova moção de repúdio contra humorista por piada com capoeira Capoeira Portal Capoeira

Osias Moraes (PRB) argumentou que também há casos de desrespeito a outros segmentos, como aos evangélicos e a padres. “Já tivemos aqui o Thiago Ferro [PSDB], ridicularizado por um humorista”, acrescentou. “Temos sim que combater esse humorismo, esses espetáculos que têm como fundamento ridicularizar um segmento e pessoas. Me somo ao senhor pela capoeira e vários outros segmentos.” Também declararam apoio a Mestre Pop os vereadores Professor Euler (PSD), Professor Silberto (MDB), Ezequias Barros (PRP) e Oscalino do Povo (Pode).

“Censura”

Contrária à aprovação da moção de repúdio, Julieta Reis (DEM) foi à tribuna debater o requerimento. “Uma coisa é a valorização da capoeira, como patrimônio cultural brasileiro e mesmo internacional. Outra é um pedido de repúdio a um comediante, que nem sei quem é, envolvendo a Câmara como um todo. Uma censura”, avaliou. “A maior parte dos comediantes hoje fala mal dos políticos, faz uma sátira. Nós teríamos que fazer voto [moção] de repúdio todo dia. Temos que pensar bem. Uma coisa é você [Pop] fazer de forma individual, por uma associação”, completou.

“É uma linha tênue entre valorizar a capoeira e os votos de repúdio da Câmara a uma piada de mau gosto, que acontece todo dia. Poderia ser ao balé. Vamos censurar todos os comediantes por piadas de mau gosto, a maior parte delas sobre políticos? Nós [vereadores] não podemos, vai do público não aceitar”, continuou a vereadora. “Não é o momento desta Casa fazer nenhum pronunciamento”, concordou Jairo Marcelino (PSD).

Professora Josete (PT) se absteve e justificou o voto devido à censura. A parlamentar disse concordar com a importância da capoeira e que existe racismo no país, mas alegou que “neste momento de exceção, com intervenção militar [federal] no Rio de Janeiro, tenho grande temor com censura”. “É um debate muito delicado”, completou. Para ela, as associações de capoeira e outras entidades “têm todo o direito de fazer a crítica a esse humorista”.

 

Fonte: Ana Ehlert – http://www.bemparana.com.br

Violência e Capoeira – Parte 3

Violência e Capoeira – Parte 3

A última coluna que escrevi (Parte 2) provocou algumas reações e debates sobre o tema violência e capoeira. Felizmente. Porque esta série de colunas chamada “Contemplações” é para refletir, reagir, e para fazer agir. No fim de uma conversa, resolvi então abrir este espaço para uma conhecida colega minha, sobre o tema da violência de gênero, especificamente a violência contra a mulher na capoeira. Porque como na capoeira não há ninguém que sabe de tudo, na vida também não tem. E Christine Nicole Zonzon – além de ser mulher na capoeira, que neste assunto faz uma diferença importante – vem desenvolvendo há anos pesquisas, no âmbito da Universidade UFBA, sobre o assunto. Como ela então tem mais experiência nesta área, e uma voz própria, a palavra agora é dela:

 

Violência na capoeira?

Seguindo com o tema da violência na capoeira, tratado nos dois últimos Posts por Filósofo, proponho refletir sobre o tema da violência de gênero, questão que começou a ser discutida em nossos grupos e encontros de capoeira no Brasil e algures. O debate sobre a violência contra a mulher poderá esclarecer alguns aspectos mais gerais da violência na capoeira, já que, como Filósofo justamente afirma, a violência está sempre relacionada ao contexto e ao objeto.

Pelo fato de a capoeira ser uma tradição sem regras explícitas e definitivas, identificar a violência pode ser um exercício difícil. No fim das contas, a própria malícia da capoeira borra as fronteiras entre o “faz de conta” e o real, a brincadeira e a agressão. Mas a violência pode ser percebida por quem sofre seus efeitos, como me disse certa vez uma capoeirista que teve o braço fraturado na roda: “Eu sei muito bem o que é capoeira e o que é violência”. Assim, mesmo ambivalente, a violência na/da capoeira, se torna problemática (e é, portanto, problematizada) quando deixa de ser naturalizada, passando então a ser questionada. Um pouco ao exemplo dos castigos corporais outrora infligidos às crianças na família e na escola…

Mas quais são as formas da violência contra a mulher na capoeira? Recentemente, circulou na Internet um vídeo que ilustra bem duas formas em que a violência se dirige à mulher na roda de capoeira: a violência física e a violência simbólica. A primeira, a violência física é visível em dois tempos: 1. o homem suspende a mulher em meio ao jogo e beija a sua bunda (violência física de caráter sexual)…ela revida; 2. Ele aplica uma chapa no peito da parceira rebelde (violência física propriamente dita). A violência simbólica, por sua vez, se expressa no fato de que a roda continua como se nada tivesse acontecido. A violência é invisível, naturalizada, pois todos aceitam implicitamente que a mulher, antes de ser parceira de jogo, é um objeto sexual para o homem. Isso não significa que os homens e mulheres presentes concordem ideologicamente com essa agressão, mas que não pensam a respeito, não percebem o ato como sendo violência. O conceito de violência simbólica criado por Pierre Bourdieu[1] significa que dentro de uma relação de dominação, o dominado aceita e normaliza a violência sofrida porque incorporou as regras do dominante.

As reações a esse vídeo compartilhado milhares de vez foram virais, e muitas (e muitos) identificaram a violência e a condenaram, afirmando que se tratava de um acontecimento lamentável, porém isolado e peculiar… Ora, as pesquisas empíricas no campo da capoeira mostram que não se trata de um caso excepcional. Além da experiência própria enquanto mulher e capoeirista, convivendo nesse campo desde 1989, duas pesquisas que desenvolvi nesses últimos anos[2] evidenciaram o caráter estrutural da violência de gênero no mundo da capoeira. Através de entrevistas, da análise de debates nas redes sociais, da organização de seminários e discussões sobre esse tema, criou-se um espaço seguro para que as mulheres capoeiristas relatem suas experiências. Também observamos durante meses as interações nas rodas e no cotidiano de grupos de capoeira e garimpamos uma bibliografia (nunca citada nos estudos sobre capoeira!) comportando uma dúzia de estudos sobre gênero e capoeira escritos por pesquisadoras/capoeiristas[3]. Descobrimos que a dinâmica da violência sexual, física e simbólica é corriqueira em diversos grupos e estilos de capoeira no Brasil e no exterior. Entre outras figuras da violência sexista relatadas, vale destacar que o jogo de capoeira inclui novas figuras quando a interação se dá com uma mulher. Inúmeras capoeiristas são carregadas no colo no final do jogo ou jogadas no colo de homens sentados na roda, são beijadas, ridicularizadas. Viu-se até um de “nossos grandes mestres” simular uma sodomização quando sua adversária abriu uma tesoura!

Outra expressão da violência simbólica sofrida pelas mulheres na capoeira é a sua exclusão dos lugares de poder/saber: poucas mestras, poucas mulheres comandando a roda e tocando o berimbau, treino diferenciado menos desafiador por considerar que as mulheres não têm força ou habilidade semelhante aos homens, homens se recusando a jogar com mulheres na roda, entre outras…Essas violências têm sido naturalizadas até um tempo muito recente, ou na verdade, até hoje em muitos coletivos de capoeira. São violências justificadas pelo argumento que as mulheres são mais frágeis, não se esforçam o suficiente, não desenvolveram ainda as competências etc… Mas são essas mesmas mulheres tidas por incompetentes que brilham na roda, na bateria, nas discussões nos eventos organizados por e para elas!

Violência e Capoeira - Parte 3 Capoeira Portal Capoeira 1

A violência de gênero, na capoeira, pode ser associada à herança dos tempos da malandragem, dos bambas, da rua, da marginalidade. Mundo dos homens por excelência em que valores testemunhando da masculinidade como a força e a valentia não só eram necessários para a sobrevivência como acabaram instituindo uma hierarquia, um ethos. Mas lembremos também que a capoeira moderna, como surge a partir das iniciativas de Mestres como Bimba e Pastinha, buscou romper com alguns aspectos dessa cultura marginalizada, para enfatizar a educação, a poesia, a beleza, a mística da capoeira. Lembremos também que mulheres estão praticando capoeira, cuidando da capoeira, trabalhando em prol da capoeira há pelo menos 40 anos!

É hora, é hora! De repensar a violência contra quem é menos homem: a mulher, o “viado”, o “gringo”, o fraquinho… Capoeira é luta pela liberdade!

[1] Segundo Bourdieu, a raiz da violência simbólica estaria presente nos habitus culturais, especialmente no reconhecimento tácito da autoridade exercida por certas pessoas e grupos de pessoas, isto é, no respeito que “naturalmente” vincula os dominados aos dominantes. Ver: BOURDIEU, P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 e A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 2007

[2] A primeira, realizada no âmbito do Doutorado, foi publicada pela Edufba em 2017 sob o título Nas rodas da Capoeira e da Vida: Corpo, Experiência e Tradição. A segunda (Experiências e Representações de Mulheres Capoeiristas) realizada com equipe de pesquisadores da UFBA, está ainda em andamento. Incluiu notadamente a organização de um Seminário (julho de 2017) reunindo uma grande diversidade de mulheres capoeiristas em Salvador em torno da temática da Invisibilidade da mulher na Capoeira.

[3] Entre outros estudos publicados, recomendo “COMO SI FUERAN HOMBRES”:los arquetipos masculinos y la presencia femenina en los grupos de capoeira de Madrid de Menara Lube Guizardi, Revista de Antropología Experimental, nº 11, 2011. Texto 21: 299-315.e TEM MULHER NA RODA? PERSPECTIVAS FEMINISTAS SOBRE RELAÇÕES DE GÊNERO E FEMINILIDADE NA CAPOEIRA de Paula Natanny Rocha Bezerra (Fazendo Gênero 10, 2013)

Foto principal: Arte de Lara Robatto. Logo marca do coletivo feminista de capoeira angola.

Violência e Capoeira - Parte 3 Capoeira Portal Capoeira

Christine Nicole Zonzon é capoeirista e pesquisadora interessada mais particularmente nas temáticas do corpo e da cultura, com foco na capoeira. Atualmente realiza um pós-doutorado no Programa de Pós Graduação em CIências Sociais da Universidade Federal da Bahia, desenvolvendo um projeto sobre as experiências das mulheres capoeiristas.  É autora do livro Nas rodas da capoeira e da vida: Corpo, Experiência e Tradição (Edufba, 2017).

Escola de Capoeira Vivência: Não foi lido, Não foi contado, foi Vivido…

“PERNAMBUCO FALANDO PARA O MUNDO…”

 

Capoeira leva associação poveira a festival em Lisboa

A Associação de Capoeira e Artes Marciais da Póvoa de Varzim – Portugal, continua a levar o nome do concelho pelo país fora.

Desta feita deslocou-se a Lisboa para participar no Festival Tributo aos Mestres 2018 um evento solidário que tem como um dos objetivos angariar fundos para a concretização de projetos sociais nos quais a Capoeira é ferramenta de inclusão social.

Além do convívio com o mestre Acordeon, discipulo de Mestre Bimba e Mestre João Grande, discipulo de Mestre Pastinha, a comitiva liderada pelo Contramestre Pestana – Escola de Capoeira Vivência aproveitou a oportunidade para estabelecer parcerias tendo em vista o próximo festival de Verão que será organizado com a colaboração da autarquia e da Casa da Juventude.

Na próxima semana a ECV comemora seu primeiro aniversário!!!

 

Sobre:
Escola de Capoeira Vivência, foi criada pela Contramestre Pestana e Pelo Professor Tata em Fevereiro de 2016.

 

Não foi lido, Não foi contado, foi Vivido

Contactos: 
Web: https://www.facebook.com/pg/escolacapoeiravivencia/
Tel: +351 913 506 933

Tributo aos Mestres Lisboa 2018

Tributo aos Mestres, Lisboa 2018

Um dos grandes objetivos do “Tributo” é a ajuda financeira que possa beneficiar Mestres que muito já fizeram pela arte e que estejam nesse momento a precisar de apoio da nossa comunidade. Nosso grande Mestre Alexandre Batata terá de passar por um tratamento complexo e dispendioso para resolver uma lesão em sua anca, o pré e pós operatório são situações de grande pressão psicológica e financeira, apoiar e ajudar de alguma forma o Mestre não só é uma necessidade, mas uma responsabilidade coletiva da #Capoeira, os fundos arrecadados depois de retirados custos de evento e despesas gerais serão revertidos para o próprio Mestre como forma de apoio ao seu tratamento.
A possibilidade de privar com Mestres Acordeon e João Grande é imperdível, somada com o objetivo da missão, tornam esse evento uma bandeira da Capoeira para os capoeiras, e não territorial e de uma só cor, por isso, façam suas inscrições pelos lincks apresentados aqui no evento, e reservem suas vagas.

*NÃO SE ACEITARÃO INSCRIÇÇÔES NO LOCAL E NA HORA DO EVENTO, APENAS ANTECIPADAS E FEITAS ON LINE.

Tributo aos Mestres Lisboa 2018 Capoeira Portal Capoeira

Ingressos a venda:
– 50 unidades por 70astrais* – Já a venda pelo: https://www.eventbrite.co.uk/e/2nd-tributo-aos-mestres-fundraising-festival-tickets-38601400829
– 50unidades por 80astrais* – Vendas a partir de 16 de Novembro até 20 de Dezembro.
– 50unidades por 90astrais* – Vendas a partir de 21 de Dezembro até 25 de Janeiro.
-30unidades para o dia de Sábado por 50astrais* O/dia.
-30unidades para o dia de Domingo por 50astrais* O/dia.
*Isso vai dar direito as aulas , foto oficial com os Mestres Acordeon e João Grande, e um livro.

Alojamento:
Professores/Mestres acompanhados por mais de 5 alunos também terão garantidas alimentação e alojamento, desde que confirme presença até dia 10 de Janeiro de 2018, caso contrário poderemos não ter salvaguardadas essas garantias, devido a organização antecipada do evento.

https://www.facebook.com/AssociacaoSpin/ (ASSOCIAÇÃO SPIN)

Alimentação: O evento será realizado no Bairro de Carnide, que conta com uma boa rede de Cafés e restaurantes nas imediações e que está bem perto do Centro Comercial Colombo.
Professores/Mestres acompanhados por mais de 5 alunos também terão garantidas alimentação e alojamento, desde que confirme presença até dia 10 de Janeiro de 2018, caso contrário poderemos não ter salvaguardadas essas garantias, devido a organização antecipada do evento.

Mais informações:
Ilefoundation.org
tel +447757116730
@Aos_Mestres

APOIO: Junta de Freguesia de Carnide.

Texto do Mestre Maxwel:

Salve meu queridos amigos e companheiros de jornada de Capoeira.
Meu nome è Maxwel, sou Mestre de Capoeira e gostaria de apresentar á vocês nosso projeto chamado Tributo aos Mestres.
O projeto tem 3 objetivos principais.
1. Divulgar e promover a capoeira para os capoeiristas e não capoeiristas através de músicas, CDs, vídeos, documentários, festivais e cursos.
2. Contribuir financeira e administrativamente com projetos sociais onde a Capoeira è utilizada como ferramenta de inclusão social, terapia e promotora de bem estar físico e mental.
3. Retribuir de forma financeira aos Mestres que estão passando por dificuldades financeiras, emocionais, físicas e ou sociais.

Com o intuito de cumprir nossa missão, depois de trabalhar 10 anos com projetos sociais no Pais de Gales, criamos uma ONG a Fundação Cultural ILÊ.
Em Fevereiro de 2016 fizemos uma pequena homenagem e retribuição ao Mestre Gigante, em Fevereiro de 2017 realizamos o primeiro Festival Tributo aos Mestres, em março de 2017 fizemos uma retribuição ao Mestre Sabú, também lançamos o primeiro CD Tributo aos Mestres, á venda no site da DunDak.com.
Tudo isso é muito pouco, mas que para ser realizado contou com a boa vontade de mais de 100 pessoas que doaram seu talento, seu tempo, sua boa vontade e sua fé nesse projeto.
Particularmente passei por um momento muito complicado da minha vida há uns 10 anos atrás, estava sozinho e tive que passar por uma cirurgia bem grave, passei uma semana no hospital e tive que esperar quase 6 meses para voltar as atividades. Nesse tempo tive a sorte de ter meus alunos e amigos por perto para me ajudar. Geralmente pensamos que os Mestres em situação de risco são os únicos que precisam de ajuda, por que não se organizaram, não pensaram no futuro, mas isso nem sempre è verdade, existem inúmeros fatores que os fizeram chegar no ponto em que estão, e não é nosso papel julgar è nosso papel tentar mudar essa realidade dando apoio nos primeiros passos.
Vamos ficar muito felizes em ver os amigos fazendo um comentário, curtindo o texto ou mesmo postando na sua página, mais vamos ficar muito mais felizes em ver que nossos amigos estimularem seus amigos e alunos a apoiarem o projeto com uma doação, comprando um Cd ou um livro, por que isso vai fazer uma grande diferença na vida de muita gente, nesse momento precisamos de atitudes pra mudar as coisas, nesse momento contamos com vocês, pois tem muita gente contando com a gente!

Muito obrigado!

Maxwel Lucas
Diretor Executivo da Fundação Cultural ILE

BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

OLHA AÍ, mestre… merecida homenagem ao seu/nosso PORTAL e ao amigo !
Abs, do NATOAZEVEDO ** BRINCADEIRA DE CAPOEIRA

(mote / glosa)

Séculos de “brincadeira”
sem incomodar ninguém…
mesmo levando “rasteira”
a Capoeira vai bem !

I
CAPOEIRA se reparte…
está em todo lugar,
só não na Estação Lunar
e nem nos confins de Marte.
Hoje não há uma parte
desse Mundo sem fronteiras
que não tenha Capoeira
e o som de um Berimbau.
Vem resistindo, afinal…
séculos de brincadeira !

I I
Mas, segue com pouca ajuda
ou sem sequer um apoio,
tendo um ou outro “joio”
que a mensagem dela muda…
e que é “um Deus nos acuda” !
Embora com tais “porém”
Capoeira nos faz bem,
melhora todo o sistema,
é canto, dança e poema,
sem incomodar ninguém.

I I I
Capoeira é diversão
e bela Filosofia,
tem música e alegria,
é magia e oração !
Nos eleva o coração,
“brincadeira” bem maneira
que nos segue a Vida inteira,
sempre em nosso pensamento.
Sobreviveu aos “tormentos”
mesmo levando “rasteira” !

I V
Hoje está na Internet(e)
e em tod’os cantos da Terra.
Perdeu o seu “tom de guerra”,
quando se “pintava o 7” !
Tem esclarecido escrete
e jovens mestres também
que lhe querem muito bem
e seu Presente engrandecem.
Nossa Arte-Luta só cresce…

“A CAPOEIRA vai bem” !
“NATO” AZEVEDO
(em 26/dez. 2017)

OBS: justa homenagem a Mestre “GUARÁ” levando — na gélida Paris — as tradições de seus (e nossos) ancestrais, com prazer e beleza.

Ao LUCIANO MILANI pela positiva mensagem de seu site “PORTAL CAPOEIRA”, divulgando nosso (ainda) Folclore no Mundo. “Allons-y, camarás”!

Leiteiro  Portal Capoeira

Cena do Filme Cordão de Ouro: Participação de Mestre Leopoldina, Mestre Nestor Capoeira e Leiteiro.

 

“NATO” AZEVEDO (em 26/dez. 2017)

Violência e Capoeira – Parte 2

Na última coluna escrevi sobre violência e a capoeira, e como muitas vezes o discurso sobre a violência, está relacionado ao estilo de capoeira que alguém joga. Um discurso que inclui facetas ligados à historia da nossa arte.

Mas, podemos nos perguntar se tudo é tão simples assim: se a violência é uma coisa relacionada ao estilo, à interpretação do jogo, ou se existem outras dimensões a serem abordadas

Para compreendermos melhor do que estamos falando, quando falamos de violência e a capoeira, é preciso ver a origem e definição da palavra ‘violência’ em si mesma. E como ela é entendida nas várias outras áreas da nossa existência que também encontram (formas de) violência diária.

Então, o que é a violência, no fato?

Na verdade, não há mesmo uma definição ‘geral’, ou comum, de violência, como há por exemplo de amor, felicidade ou ódio. Claro, que há uma definição no dicionário[1], mas parece estar sempre relacionado ao contexto (sentido) e ao objecto (a direcção da violência). Talvez esses são dois aspectos ‘gerais’ aplicados em qualquer tipo de violência.

É o contexto que decide se um ato é violento ou não; porque o mesmo ato pode ser violento num contexto quando não é em outro – a mesma banda dada em um iniciante pode ser muito mais violenta do que em um capoeirista avançado, ou ter uma outra significação numa outra roda.

E a violência é sempre direcionada à algo; seja um objecto, outra pessoa, ou à si mesmo. Quando falamos sobre direcção, prendemos também em conta o efeito e a intenção do ato. Por exemplo, a definição da Organização Mundial de Saúde (WHO) mostra que a violência não é só o ato, mais inclui necessariamente o efeito, e a intenção:

o uso intencional da força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em ferimento, morte, dano psicológico, mal desenvolvimento ou privação.”[2]

Mas aí já não só falamos sobre atos físicos: falamos também sobre a violência psicológica, ou mental, que muitas pessoas sofrem toda dia e seus efeitos muitas vezes são mais profundos, mais danificadores e duram mais tempo. É uma das razões por exemplo porque a violência sexual é tão desastroso, ainda mais quando é feito contra crianças. E isto não é só limitado ao físico também não; ofensas, ameaças e manipulações também causam sequelas mentais (que depois podem causar outras sequelas físicas).

Não foi o Mahatma Gandhi, grande lutador pelo paz, que falou que toda tentativa de parar com as guerras no mundo será fútil enquanto a gente continuar usar a violência psicológica diária entre nós (as pequenas guerras)? Que todo movimento contra a violência física irá se enfraquecer enquanto a gente não resolver a raiz de todo mal – que é o ganância – e a pobreza, que para ele era a pior forma de violência?[3]

De certa maneira, isto também se relaciona com o que o filósofo e educador Americano John Dewey falou, que a violência é uma força que tomou um rumo errado, ou até uma força destrutiva e danificadora. “Energia se torna violência quando derrota ou frustra propósitos em vez de executar ou realizar isto. Quando a dinamite faz explodir humanos em vez de pedras, quando seu resultado é lixo em vez de produção, destruição em vez de construção, nós não chamamos isto energia ou poder, mas violência.”[4]

Precisamos abrir a nossa concepção do que é a violência, e como isto se relaciona à capoeira. Pior que o ato é o efeito da violência; o mal que faz. Isto pode ser a lesão física, claro, mas também a humilhação, o medo e – o que sempre acompanha o medo – o ódio.

E aí os discursos sobre a violência e estilos e interpretações da capoeira já ficam diferentes: porque o golpe ou a queda já não dói tanto do que a humilhação. Aí começamos a ver quem joga com o medo do parceiro, e quem o cria. E quem leva ate ódio. E começamos a entender as várias dimensões e intensidades da violência, que na verdade tem pouco a ver com um estilo de capoeira.

Essas reflexões também levam às consequências para o ensinamento da capoeira, para as crianças, e para os adultos. O que é aquele ‘tapa educadora’ ? Quando estamos treinando a resistência do aluno, e quando estamos criando medo? Deveríamos tocar -lhe para ensinar a esquivar mesmo? E qual será a intensidade da força usada?

Me lembro a historia que o saudoso mestre Leopoldina várias vezes falou: que quando ele começou a aprender a capoeira, o seu professor da época – Quinzinho – um dia deixou ele treinar com um capoeirista mais antigo no jardim, e quando este capoeirista bateu o novo Leopoldina uma vez, logo meteu um revólver na testa do cara para indicar de não lhe bater, para ele não desenvolver o medo.

Vamos ver o que isto significa para nós nos dias de hoje, na próxima.

Violência e Capoeira - Parte 2 Capoeira Portal Capoeira

 


 

[1] Dicionário do Aurélio: A. A qualidade do que é violento (ex. violência da guerra) e B. Acção o efeito de empregar força física ou intimidação moral contra; ato violento. C. Exercício injusto ou discricionário, gerado ilegal, de força ou de poder. D. Força súbita que se faz sentir com intensidade; fúria, veemência. E. Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter se à vontade de outrem; coação. F. Cerceamento da justiça e do direito; coação, opressão, tirania

[2] Krug et al. (2002) World Report on Violence and Health, World Health Organisation, Geneva.

[3] Gandhi, M.K. (1942), Non-Violence in Peace and War, Vol. 1. Navajian Publishing House

[4] Dewey, J. (1980) ‚Force, Violence and Law’ and ‚Force and Coercion’, in: J. A. Boydston (ed.), John Dewey, The Middle Works, 1899-1924, Volume 10: 1916-1917. Carbondale, Southern Illinois University Press, pp. 211-15 e pp. 244-51. Tradução para Português é minha.

Revista Acadêmica GUETO

Revista Acadêmica GUETO, registrada no Centro Brasileiro de ISSN sob o nr. 2319-0752 e com periodicidade de publicação semestral, está sob a responsabilidade editorial do Grupo de Pesquisa GUETO, do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Vale ressaltar, que esta iniciativa foi consubstanciada como produto da parceria entre a Universidade Federal do Reconcavo da Bahia – UFRB e a Uminho, a partir do Programa de doutoramento em Ciências da Educação, na área de especialidades em Desenvolvimento Curricular, no Centro de Investigação em Estudos da Criança, em pesquisa desenvolvida pelo Prof. Jean Adriano Barros da Silva, sob a orientação da Profª Drª Isabel Maria da Torre Carvalho Viana.

O seu principal objetivo é publicar artigos, ensaios, debates, entrevistas e resenhas  inéditos em  qualquer língua sobre temas que contribuam para o desenvolvimento do debate educacional, bem como para a divulgação do conhecimento produzido na área, considerando as perspectivas da Inclusão e Cultura Corporal.

É dirigida  a pesquisadores, profissionais e alunos da Educação. A sua organização nas seções propostas permite a publicação de materiais sob diferentes formatos e naturezas. Os textos em outros idiomas, exceto o Espanhol, poderão ser traduzidos e apresentados na mesma edição.

Revista Acadêmica GUETO Capoeira Portal Capoeira

 

 

Editor Chefe – Prof. Dr. Jean Adriano Barros da Silva – http://lattes.cnpq.br/4808864760751921

Professor assistente e pesquisador do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Possui graduação em licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal da Bahia (2001), especialista em educação física escolar (2003), mestre de capoeira e mestrado em educação pela Universidade Federal da Bahia (2008). Doutor em Ciências da Educação pela Uminho – PT (2017). Coordenador do Grupo de Pesquisa Gueto/UFRB e coordenador do Projeto de Extensão Balaio de Gato – UFRB. Atualmente é presidente – cargo não remunerado da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação inclusiva, atuando principalmente nos seguintes temas: capoeira, cultura corporal humana, estagio supervisionado em educação física e deficiência visual.

Profª Dra. Anália de Jesus Moreira – http://lattes.cnpq.br/1045272167785063

Professora assistente do centro de formação de professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Doutora em educação (FACED/UFBA), mestrado em educação (FACED/UFBA). Doutoranda em educação no mesmo ppg na linha de pesquisa educação, cultura corporal e lazer. Licenciatura plena em educação física na universidade católica do salvador (UCSAL). Especialização em metodologia da educação física e esporte escolar (UNEB).

Prof. Dr. Emanoel Luís Roque Soares – http://lattes.cnpq.br/3011122221613108

Professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Formação de Professores, Amargosa -BA, doutor em Educação (2008) Universidade Federal do Ceará/FACED. Mestre em Educação (2004) Universidade Federal da Bahia/FACED, Especialista em Estética, Semiótica, Cultura e Educação (2001): Universidade Federal da Bahia/FACED. Bacharel em Filosofia (1999): Universidade Católica do Salvador.

 

Ms. Carolina Gusmão Magalhães – http://lattes.cnpq.br/3303183194939389

Mestrado em Ciencias Sociais Aplicadas | ADM l UFBA, Bacharel em Nutrição pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UNEB/2005) e em metodologia de ensino da Educação Física Escolar (FAVIC/2005). Graduanda em Licenciatura em Educação Física (UFRB), bem como integrante do Grupo de Pesquisa G.U.E.T.O. (UFRB). Possui grande experiência em Nutrição Clínica e em Saúde Coletiva – desde 2004, e em docência – desde 1996, conferencista internacional (COL, ARG, ECU, ESP, FRA, POR, MOZ e JAP) e como nutricionista e gestora social voluntaria da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva, Educação Nutricional, Gestão Social e Cultural, com ênfase no ensino de práticas da cultura popular afro-brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, nutrição clínica, capoeira, gestão social e capacitação.

 

Conselho Científico e Comissões Pareceristas

O Conselho Científico da Revista Acadêmica GUETO é composto por professores doutores ou doutorandos de IES que pesquisem as temáticas preferenciais desta revista: cultura, corpo, educação, artes, linguagens, saúde, inclusão social, capoeira, diversidade, memória, identidade, territorialidades, sociedades e Lutas.

 

Comissão de editoração gráfica e eletrônica

A esta comissão cabe a editoração gráfica e eletrônica da revista, garantindo sua qualidade visual, respeitando o projeto original e as determinações do Conselho Editorial. Funcionará sob a presidência de um docente capacitado para tanto.

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Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

Nos últimos dias, postei diversas fotos em preto e branco do Mestre Waldemar e sua turma. Todas e esta foto foram feitas pelo Francês Marcel Gautherot que leu o livro Jubiabá de Jorge Amado e ficou fascinado pelo povo Brasileiro e viajou pro Brasil aonde trabalhou muito tempo até que veio a falecer no Rio de Janeiro em 1996.

Ele e Pierre Verger tiraram muitas fotos, nas decadas 40, 50, 60… não apenas de arquitectura e panoramas mais do povo e seus costumes no Brasil. Foi este interesse próprio no povo junto com o talento que os destacaram. De Marcel Gautherot existem alguns livros porém estas fotos aqui postadas não foram publicadas em nenhum deles.

Seria muito interessante utilizar as fotos para perguntar a velha guarda de capoeiristas que viveram esta época se reconhecem as pessoas, os locais e os hábitos do tempo para dar mais conteúdo a estas imagens.

Jeroen Verheul Rouxinol Capoeira

 

 

O camarada Rouxinou, capoeirista e pesquisador, nos brindou com esta excelente e inédita compilação de imagens históricas feitas pelo fotografo Francês Marcel Gautherot que após ler Jorge Amado ficou fascinado pela cultura e pelo povo Brasileiro. Marcel viajou para o Brasil aonde trabalhou muito tempo seu carinho e amor pelo nosso país era tanto que Marcel “escolheu como seu porto de repouso” o Rio de Janeiro, onde faleceu em 1996 com oitenta e seis anos de idade.

 

Galeria: Mestre Waldemar e sua turma através das lentes de Marcel Gautherot

 

Sobre Marcel Gautherot:

Filho de pais pobres – a mãe operária e o pai pedreiro – viveu a Paris dos anos 20 e foi muito cedo aprendiz numa escola de arquitetura. Nesses anos flerta com o movimento Bauhaus e com as obras de Le Corbusier, deixando incompleto um curso de arquitetura.

Em 1936 participa do grupo que seria responsável pela instalação do Musée de l”Homme e é encarregado de catalogar as peças do museu, começando aí a se dedicar à fotografia. Influenciado pela leitura do romance moderno de Jorge Amado – Jubiabá – decide conhecer o Brasil. Chega ao Brasil em 1939 onde viveu e trabalhou por 57 anos.

Fixa residência no Rio de Janeiro e passa a freqüentar o círculo de intelectuais ligados ao modernismo, conhece Rodrigo Melo Franco de Andrade, Carlos Drummond, Mário de Andrade, Lúcio Costa, Burle Marx, entre outros. Começa a fazer trabalhos de fotografia para o SPHAN, o Museu do Folclore e trabalha para a revista O Cruzeiro.

Em 1986, juntamente com Pierre Verger, recebe, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Prêmio Golfinho de Ouro na categoria Fotografia.

Ilustrou inúmeras revistas de arquitetura e quase todos os textos sobre Burle Marx. Sua coleção é composta de mais de 25 mil negativos e atualmente pertence ao Instituto Moreira Sales no Rio de Janeiro. Percorreu 18 estados brasileiros fotografando, registrando o povo brasileiro, sua arquitetura, suas festas. Sua coleção é um vasto retrato da diversidade cultural do país. Morreu no Rio de Janeiro em 1996 com oitenta e seis anos de idade.

 

 

Sobre Rouxinol: 

http://www.capoeirarotterdam.com

http://www.capoeirabarendrecht.com/

 

+ do Acervo de Rouxinol

Centenário: Neta relembra histórias de João Pequeno

Neta relembra histórias de João Pequeno, que faria 100 anos nesta quarta

Nani de João Pequeno também é capoeirista e professora de Educação Física

“Eu sou um patrimônio da capoeira.” Essa frase, que foi uma das últimas de João Pereira dos Santos, mais conhecido como João Pequeno, é a que a sua neta mais velha, Nani de João Pequeno, mais tem orgulho de relembrar. Nani é Cristiane dos Santos Miranda, a primeira neta de João Pequeno de Pastinha, capoeirista angoleiro da segunda geração do mestre Vicente Ferreira Pastinha.

Centenário: Neta relembra histórias de João Pequeno Capoeira Portal Capoeira

Nascido no dia 27 de dezembro de 1917 – amanhã faria 100 anos -, ele foi o capoeirista mais velho a praticar a capoeira, e o fez até o último dia de sua vida, em 9 de dezembro de 2011, no mês em que completaria 94 anos de idade. “Ele fez a sua passagem no mesmo mês em que veio à vida”, diz Nani, no pátio do Forte da Capoeira, em Santo Antônio Além do Carmo, onde fica a Academia de João Pequeno de Pastinha, lugar sagrado para os capoeiristas do mundo inteiro.

“Eu sou um patrimônio da capoeira.” Essa frase, que foi uma das últimas de João Pereira dos Santos, mais conhecido como João Pequeno, é a que a sua neta mais velha, Nani de João Pequeno, mais tem orgulho de relembrar. Nani é Cristiane dos Santos Miranda, a primeira neta de João Pequeno de Pastinha, capoeirista angoleiro da segunda geração do mestre Vicente Ferreira Pastinha.

Nascido no dia 27 de dezembro de 1917 – amanhã faria 100 anos -, ele foi o capoeirista mais velho a praticar a capoeira, e o fez até o último dia de sua vida, em 9 de dezembro de 2011, no mês em que completaria 94 anos de idade. “Ele fez a sua passagem no mesmo mês em que veio à vida”, diz Nani, no pátio do Forte da Capoeira, em Santo Antônio Além do Carmo, onde fica a Academia de João Pequeno de Pastinha, lugar sagrado para os capoeiristas do mundo inteiro.

 

Saudade

No centenário do avô, o sentimento é uma mistura de saudade e reconhecimento. “Ele era um homem de poucas palavras. Costumava dizer: ‘fale pouco, olhe mais e ouça mais’. A simplicidade, o modo de falar, o jeito de cantar e o conhecimento que tinha estão guardados: “Ele nunca forçou ninguém a ser igual a ele. Mestre Zoinho, Mestre Aranha, Mestre Pé de Chumbo, Mestre Jogo de Dentro. Você consegue sentir a presença do meu avô, mas eles são autênticos, cada um tem seu jeito de ser, de levar e transmitir o conhecimento que o mestre deu para cada um”, diz Nani. Quando está em um jogo de capoeira, ela diz que a própria ginga a faz lembrar o seu avô.

 

Cobra mansa

O mestre João Pequeno seguia os ensinamentos de Vicente Ferreira de Pastinha, também baiano e conhecido por ser o maior propagador da capoeira angolana no Brasil. Pastinha costumava chamar João, seu aluno, de Cobra Mansa. O motivo do apelido, segundo Nani, é porque existiam dois ‘Joãos’ na academia dele: “Um João era alto e o outro era baixo, que era o meu avô. Enquanto um jogava mais embaixo, o outro jogava mais no alto. Mestre Pastinha dizia: ‘Na minha academia,  eu tenho dois Joãos. Um é cobra mansa e o outro é gavião. Enquanto um anda pelos ares, o outro enrosca pelo chão’”, explica ela.

Entre os diversos momentos vividos com o avô, Nani relembra o Carnaval de 2008, quando a capoeira foi homenageada. “Uma repórter perguntou sobre o que ele achava da homenagem e ele disse: ‘Ótimo. Tudo que é bom para a capoeira é bom pra mim. Se tá bom para a capoeira, tá bom pra mim’. Ele era muito espontâneo, acessível, aberto e sereno. Lembro desse momento com carinho, porque ele falava coisas que, muitas vezes, a gente desacreditava.”

 

Recomeço

Foi em 1952 que João Pequeno conheceu a sua “mãezinha”, a esposa, dona Edelzuíta. O mestre tinha acabado de perder a mulher devido a um parto complicado e, em Edelzuíta, encontrou uma forma de recomeçar no amor: “Eles se conheceram na academia do mestre Pastinha. Chamou minha avó para lavar as suas roupas de capoeira e aproveitou para convidá-la para ir ao cinema. Minha avó diz que eles não foram para cinema coisa nenhuma, foram logo para o barraco dele, e lá mesmo ela ficou”, relembra Nani, que sempre morou com os dois, no bairro de Fazenda Coutos.

Nani começou a praticar a capoeira com o avô aprendendo a ensinar, como ela mesma diz, nos anos 90, na academia de Fazenda Coutos, cuja construção foi um sonho do mestre João Pequeno.

“Ele me passou o método de ensino, as sequências de aula que eu deveria seguir. Ficava do meu lado e eu ia ensinando aos meninos na comunidade”, conta.

Em 2008, Nani começou a dar aulas profissionalmente em uma escola na Ribeira, mas foi no projeto Pequenos de João, encabeçado pelo seu avô, que ela começou a colocar em prática os ensinamentos.

 

 

Mulheres no jogo

No início, o mestre João Pequeno achava que mulher não poderia segurar o berimbau gunga – instrumento que comanda a roda, normalmente sendo tocado por um capoeirista mais antigo ou um mestre. Depois, enquanto treinava para seguir os seus passos, Nani perguntou a ele sobre segurar o gunga, e a resposta foi: ‘É claro. Você vai deixar um homem comandar a sua roda?’”.

“Não existe diferença entre um jogo de uma mulher ou de um homem, e nem deve ter. A palavra de ordem sempre foi respeito”, disse Nani, em tom sério. O mestre João Pequeno acreditava que a educação era para todos. Costumava questionar os seus discípulos: “Se você jogar com uma criança, você vai bater nela?”, dizia, pois, para ele, todo capoeirista iniciante era como uma criança que se desenvolveria através do jogo: e essa lição servia para ambos os sexos.

Sobre a presença feminina no esporte, Nani afirma que a mulher sempre esteve presente na capoeira, mas ‘escondida’ nos bastidores: “São as mulheres que fazem tudo acontecer. Todos os eventos e trabalhos que envolvem a capoeira, somos nós que organizamos. Minha avó sempre foi a capoeirista por trás das rodas e eventos do meu avô. Era ela quem trazia as comidas, as panelas, quem estava no fundo do quintal construindo os berimbaus, lixando as cabaças…”, afirma ela.

 

 

Presente

Nani é mãe de Gustavo e João, que nasceu após a morte do avô. “Nem pensei em outro nome. Foi um presente que eu ganhei logo após o falecimento dele”, conta ela. Assim como foi com Nani, os seus filhos aprendem a capoeira de forma natural: participando das rodas.

“Ele dizia que eu era a menina dos olhos dele. Eu fui a única que continuou na capoeira, meus irmãos pararam. De vez em quando até tentam, eu ainda não desisti deles”, compartilha ela, aos risos.

Nani completa que conheceu o lado familiar, pessoal de João Pequeno e só viu o lado capoeirista dele nos anos 90. “Ele já era muito sábio, mas tranquilo. Teve muita luta e nunca se deslumbrou nos meios em que andava.” João Pequeno e outros mestres cumpriram o seu legado. Agora, é fazer a capoeira se perpetuar.

* Renata Oliveira é integrante da 12ª Turma do Correio de Futuro, orientada pela editora Mariana Rios.

 

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/

Évora, um novo capítulo na Capoeira. O verdadeiro encontro de Bambas!

Évora, um novo capítulo na Capoeira. O verdadeiro encontro de Bambas!

Um novo tempo… ou o resgate dos velhos tempos??!!

Pensei, pensei e repensei…!
O que está errado com a nossa Capoeira…!!??
Évora, me trouxe uma felicidade e, ao mesmo tempo, uma angústia…!
Me fez perceber que estamos fazendo uma coisa errada, desencaminhando nossa capoeira para rumos irremediavelmente equivocados e provavelmente sem volta!
Mas demorei muito procurando a maneira certa de falar sobre isso…!
Não quero briga com nossos milhões de felizes jogadores de perna, hoje chamados de capoeiristas, espalhados pelos quatro cantos do Brasil, como também mundo afora!
Não quero criticar ninguém!

Quero apenas ser útil a essa Arte Secular que abracei e que me abrigou em seu seio de verdades, de mandingas e de tanta energia!!!

Estava ali, vendo aquela roda cheia de estrangeiros, em plena praça de Évora, onde uma centena de pessoas disputavam, tanto a oportunidade de se expressar naquela roda, como simplesmente assistir aos jogos que iam acontecendo, contagiando a todos com sua beleza e, principalmente, com a emoção que despertavam…!
Emoções fortes rolaram…
Quedas incríveis…!

Entradas perfeitas e saídas competentes… no tempo milimetricamente certos…!!!
Havia algo que eu não via há longo tempo!!
Havia um equilíbrio, uma verdade de roda e uma aceitação diferenciada pelo prejuízo que alguém levava durante os jogos!

Onde andaria esse espírito de jogo… que ninguém interrompe quando o jogo flui…!!??
Onde estariam esses nossos bambas de capoeira, que aceitam quando tomam um prejuízo e não se tornam – horrivelmente – agressivos…!!??
Onde estariam nossas rodas de capoeira em que todos vibram com os jogos, mas não tentam desprezar quem levou desvantagem!!??

Eram muitas perguntas que me vinham…!!!

Mas faltava uma questão básica:
o que havia de estranho em nossas rodas de capoeira desde o início da Capoeira Regional de Mestre Bimba, e essa realidade que estamos vendo proliferar nas nossas rodas…!!??Algumas luas depois de minhas inquietações, eu finalmente entendi o que estava errado:- Estamos traindo a causa primeira que Mestre Bimba viu na capoeira, a da objetividade… do jogo efetivo… o jogo de resultado… o fim da capoeira estéril, falsa, sem força e sem expressão… vendida em qualquer boteco… sem disciplina e sem profissionalismo!

Nós estamos inventando uma capoeira sem graça!

Estamos misturando nossa necessidade de nos expressar, de nos mostrar nas rodas, de uma forma tão sem sentido, que a maioria dos jogos não dura nem o tempo mínimo para acontecer alguma coisa: alguém já corre e compra…!! É como se a gente quisesse dizer: eu não jogo, mas não deixo ninguém jogar!!!!

Convenhamos…! Precisamos rever isso. Antes que seja tarde!!

Évora, um novo capítulo na Capoeira. O verdadeiro encontro de Bambas!

Temos excelentes atletas na capoeira…!
Temos excelentes capoeiristas, mas esses que tem essa competência não têm oportunidade de fazer um jogo bonito… alguém compra em poucos segundos seu jogo!!

O que Évora me mostrou foi mais de uma centena de pessoas educadas, capazes de abrir mão de seu próprio ego, para assistir um bom jogo, reunidas num mesmo evento…!!

Vi mestres criativos e organizados, que não interrompiam um jogo bonito, que sabiam a diferença entre um jogo comum e um especial, cheio de magia, de efetividade e, para mim o melhor, o gol no jogo…! o resultado… ou pelo menos momentos de grande vibração…!!

O que vi também foi uma razão para estarmos perdendo tantos bons capoeiras para outras artes-marciais: não estamos permitindo que ninguém desenvolva um bom jogo de capoeira! Esses jogos são fundamentais para desenvolvermos nossa capacidade de obter resultados no nosso aprendizado!!

Também acontece que, ao apagarmos o brilho dos jogos de nossa capoeira, nos tornamos sem graça para a platéia…!

Quem não estiver me entendendo, prestem atenção nas rodas que acontecem pelos quatro cantos: nenhum jogo dura mais de 5 segundos… quando muito!!! Aí eu me pergunto: como vamos desenvolver nossa Arte se ninguém tem tempo suficiente para se manifestar…!!!??? Sem poder fazer acontecer um jogo de decisão,  um jogo bonito??

Infelizmente estamos a cada dia perdendo o brilho de nossa Arte. E enquanto não revertermos essa situação a capoeira estará caminhando somente para o seu extermínio enquanto Arte e esvaziada de seus maiores conhecimentos: a Arte da Sobrevivência no meio de uma situação difícil…!

Depois de alguns meses em que estive naquela atmosfera de bambas do povo, sem estrelas, apenas capoeiristas de brilho, como deve ser, eu ainda sinto os ecos daqueles momentos e percebo que esse evento (2017) não foi um acidente. Isso se acumulou nos anos que Évora vem se tradicionalizando entre os que ali se refugiam, que se encontram e confraternizam em emoções e alegrias pulsantes, mesmo para os nossos capoeiristas europeus, tão serenos e racionais, eles também apreciam – quem não o faz!! – uma roda bonita, um jogo bonito, uma volta do mundo mandingada… uma boa Capoeira, sem sobrenomes… sem ninguém dominando os momentos da roda, a cantoria, os jogos, um verdadeiro celeiro de bambas, anônimos, só preocupados com uma única e exclusiva coisa: que a Capoeira possa descer ali, na milagrosa transcedência dos desiguais, dos diferentes, dos distintos, dos graduados e não graduados, transmutação de uma energia que se torna a verdadeira chama que todos buscamos para nossa arte, em paz, mas em seu pulsar mais sagrado, mais relutante contra essa hegemonia estéril que está tentando anular nossos fundamentos, transformando-os em regras estereotipadas, medidas pela espessura dos bíceps ou dos abdômens perfeitos…!

A roda é o lugar do mais fraco encontrar sua afirmação e sua emancipação enquanto ser igual, enquanto o portador da divina chama de Filho de Deus, que tantos pregam, mas tão poucos sabem o verdadeiro significado, na prática!

Por isso tudo é que só posso afirmar, depois de contabilizar todos os prós e contras, verificar a efervescência de tantos eventos, clamando por ser o melhor dos melhores, que o Nosso Encontro de Évora é uma dessas tradições que tem muito pra ensinar a todos quantos tem a humildade de aprender.

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Por isso que só nos resta panfletar essa rica experiência de todos quantos ali já percorreram:

Viva nossa Capoeira de verdade!!

Viva os capoeiristas que não estão permitindo que suas rodas se tornem estéreis e sem nenhum realismo!!
Viva Évora e sua capoeira de bambas de verdade!!!