Os Capoeiras e a lida com a intelectualidade predatória
11 Mai 2020

Os Capoeiras e a lida com a intelectualidade predatória

OS CAPOEIRAS E A LIDA COM A INTELECTUALIDADE PREDATÓRIA Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin  A arte capoeira tem se transformado

11 Mai 2020

OS CAPOEIRAS E A LIDA COM A INTELECTUALIDADE PREDATÓRIA

Por: Mestra Brisa e Mestre Jean Pangolin

 A arte capoeira tem se transformado muito ao longo da historia, e atualmente é impossível negar seu crescimento no âmbito acadêmico, contudo, a partir de uma relativa fragilidade intelectual pela falta de acesso de muitos membros da comunidade a um processo educativo formal, vez ou outra, a nossa comunidade é atacada por pessoas que tentam manipular a “massa” por uma falsa sapiência em favor do próprio umbigo, constituindo o que tenho chamado de “intelectualidade predatória”.

Essas pessoas nocivas a arte se valem de uma linguagem rebuscada e de “ferramentas” teóricas para camuflar intenções em disputas por espaços de poder, fato que tem construído um “discurso” em torno da capoeira, que tenta substituir as “mãos no chão” por uma “verborréia” vazia e estéril para as culturas populares.

A capoeira se constitui a partir de um “fazer”, e este produz uma teoria fruto de uma “práxis capoeirana”, ou seja, as reflexões mais funcionais devem emergir do “chão da roda”, não cabendo na racionalidade funcional do cartesianismo acadêmico, pois este viola, muitas vezes, a subjetividade da arte e negligencia as historias de vida dos seus interlocutores e toda sua ancestralidade.

Diante deste quadro, quais os encaminhamentos possíveis? Como perceber a “intelectualidade predatória”?….. Bom, não existem formulas prontas e acabadas, mas, tenho usado uma estratégia bem particular e irei partilhá-la aqui com vocês. Neste sentido, para verificar se uma pessoa possui autoridade para tratar da capoeira com profundidade, eu observo se a mesma possui serviços prestados a cultura, cantando, tocando, jogando, conhecendo o ritual e afins, ou seja, se é alguém que efetivamente vive implicado com a capoeiragem, não sendo apenas mais “gigolô da arte”.

Para falar de capoeira é preciso vivê-la, é preciso beber da dor e da delícia de acordar e dormir pensando em como conduzi-la a instância do respeito social. Falar dela sem organicidade, sem mergulhar em suas tensões e belezas, é apropriar-se como um colonizador que sai a recolher terras alheias, ignorando seus povos originários e toda a trama daquele lugar.

Enfim, capoeira!!!!!… Assim como nossa arte nos pede atenção constante no ato do jogo, levemos isto para a vida, identificando quais são estas pessoas que, sob o poder das acadêmicas palavras, podem estar a invadir nossos espaços. Só assim poderemos nos proteger dos ataques que, invariavelmente, tem produzido tantos silêncios, justamente daqueles que mais desejamos ouvir….OS ANTIGOS MESTRES.

Axé.:

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