Blog

academia

Vendo Artigos etiquetados em: academia

Regras e Tradições

Regras e Tradição

Capoeira é beleza, capoeira é tradição…capoeira tem fundamento, capoeira é vibração” A tradição é um conceito importante no mundo e discurso da capoeira; a gente fala por exemplo da tradição que tem que ser mantida e respeitada, a tradição das vertentes da capoeira Angola ou Regional, ou os rituais dentro da tradição.

Assim, a tradição é explicada como algo que tem que ser seguido, não só porque sempre foi assim, mas porque dá uma certa estrutura, que no fim – contrariamente – nos dá uma certa liberdade: de controle, de disciplina e de autoconhecimento por exemplo. E que deixa o jogo acontecer, como falei no último texto.

Então enquanto a gente se movimenta ‘dentro da tradição’, está tudo bem: dentro da tradição existe uma certa liberdade, mas porque a gente precisa da tradição, e porque seguir os deveres nela? Porque não podemos logo partir para a liberdade?

Na verdade, na filosofia e na psicologia existe a consciência de que uma liberdade absoluta não existe, e se existe, de fato não é a liberdade. A liberdade existe sempre ao lado de algo que a limita.[1] Sabem na psicologia que uma liberdade sem limites, por exemplo a liberdade de poder escolher tudo que se quer, leva a uma ansiedade. A criança que é criada sem nenhuma regra, depois tem muitas problemas de auto-controle, e de construir uma vida própria. A pedagogia consiste em ajudar a criança em crescer e se desenvolver, e isto é feito com a aprendizado de negociar com os limites.

 

Limites portanto, são deveres. E a tradição também tem seus deveres. Fiz um teste. Tenta fazer um ‘pesquisa de palavra’ num grande documento de músicas de capoeira, e conta quantas vezes a palavra ‘tradição’ e ‘regra’ aparecem: ‘tradição’ encontrei várias, ‘regra’ somente uma: “..Mas se ficar inventando regras vou chamar o meu advogado..”

A regra não parece fazer parte do discurso lírico da capoeira, e mesmo assim tem várias regras na capoeira, regras escritas e não-escritas. Muitas delas justificadas para ajudar a ‘manter a tradição’. Então como é que é isso?

Vários (as) mestres (as) que entrevistei, costumaram explicar a regra como algo imposto, que diz o que tu podes e não podes fazer. Enquanto à tradição é algo voluntária, onde você faz porque você quer; porque dá prazer e uma sensação de criar uma certa liberdade. Tudo bem, mas deveres são deveres, não é? Você pode ou não pode. E há varias regras que estão lá para respeitar a tradição, pelo menos segundo eles que defendem-lhes. Qual a diferença então?

De fato, a tradição está dentro de um sistema maior, que determina a cosmovisão do mundo. Enquanto a regra é norma, a tradição tem ‘regra’ também, mas a função dela na tradição é diferente; suporte a perspectiva da vida. Enquanto a regra como norma é para deixar funcionar um determinado sistema.

 

Quando a gente entra numa casa que não é a nossa, precisamos respeitar as regras da casa, igual como nas escolas de capoeira. Porque a gente sabe que quando nós não fazemos, isto cria confusão e é um sinal de desrespeito. A regra é então da casa, mas respeitar essas regras da casa, não é uma regra em si: é uma tradição, que cria uma sociedade mais agradável, onde todos tem o seu espaço. O que ajuda o nosso bem estar. Uma outra analogia será um explicação dado a mim uma vez assim: a tradição é ter berimbau na roda de capoeira, uma regra é ter 3.

 

Regras são introduzidas, inventadas às vezes, por uma escola ou vertente de capoeira, mas isto não automaticamente quer dizer que fazem parte da tradição da capoeira. Voltando para o exemplo do berimbau, a regra de ter três berimbaus na roda respeita e segue a tradição de ter berimbau na roda. O numero de três não fazia parte desta tradição, vendo que há vários exemplos de grupos e escolas de capoeira onde usava mais ou menos berimbaus, dependendo das possibilidades, necessidades e preferências. E todos sabem que mestre Bimba só usava um.

Mas quem sabe, talvez um dia 3 berimbaus será tradição. Porque como as regras são postas ou inventadas seguindo as necessidades e preferências de quem lhes faz, também a tradição não é algo fixa pela eternidade. Uma tradição também se evolui.

 

O filósofo Escocês MacIntyre nós explica que a tradição na verdade é um argumento estendido pelo tempo em que algumas concordâncias são definidas e redefinidas, pelos debates externos e internos.[2] Voltamos para o exemplo do berimbau, teve um época, no início do surgimento da capoeira, onde não havia berimbau quando a capoeira era jogada. Há vários documentos históricos para testemunhar esse fato. Mas, como várias outras manifestações da cultura afro-brasileira – como o batuque e o samba de roda – a execução é feita em roda, com música e dança, consistindo de diferentes instrumentos e canto. Ter musica na roda é então uma tradição até mais antiga, podemos dizer. Mas também podemos ver que o debate não termina nunca, vendo agora também o acrescentamento de surdo e triangulo (e antigamente o violão) nas rodas de capoeira.

Segundo MacIntyre, tratando-se de tradições rivais, o relativismo não seria uma perspectiva de assimilação ou diálogo entre estas tradições rivais.[3] Ou seja, pode-se acabar em rupturas absolutas, onde nenhum debate entre as duas tradições ou vertentes acontece mais. Podemos ver isto como um risco real entre as vertentes de capoeira Angola e regional ocorrido nós últimos 15-20 anos , que hoje em dia parece estar diminuído.

 

Um debate entre tradições é então muito mais profundo e com conseqüências maiores, de que um debate entre regras; muitas vezes o debate sobre regras é baseado somente em uma tradição.

 

As regras ‘universais’ da capoeira – que incluem tanto o uso de uniforme e/ou abada, graduações e títulos, etc. – foram introduzidas na tentativa de oficializar a capoeira numa época (1920), aonde a tendência era desenvolver o aspecto esportiva da capoeira, indo por lado de dô e a pratica no ringue.

Essa tendência aparece dentro um contexto, aonde a capoeira se depara com uma concorrência forte com as lutas Japoneses, o boxe e o savate na época, como o historiador Matthias Assunção nos conta.[4] Uma das conseqüências foi a luta regional Baiana, que mestre Bimba então criou; mas paralelo ao trabalho de mestre Bimba já existia várias outras tentativas de esportizar a capoeira. Com o apelo do governo nacionalista, houve uma tendência em reduzir a capoeira aos seus movimentos ofensivos e defensivos, eliminando aspectos ritualísticos e simbólicos (que é algo cultuado dentro a tradição), a sua musicalidade original e a prática e aprendizagem baseados na tradição oral. Gerando sistematizações, baseadas em regras e princípios oriundos de uma prática didática esportiva.

A gente conhece as críticas – justificadas ou não -, que depois surgiram contra a ‘militarização’ ou a ‘esportização’ da capoeira; regras que foram vistas como não características da capoeira, especialmente no âmbito da competição. Hoje podemos ver um desenvolvimento parecido no ‘empreendedorismo’ dentro a capoeira. Mas a idéia de ter regras na capoeira não foi atacada em si mesmo. Enquanto elas mantiverem a tradição, parece estar tudo bem.

 

Hoje em dia – talvez com o resultado das pesquisas e a realização de que ‘a união faz a força’ – haja uma maior realização de que no fundo a capoeira está inserida numa tradição cultural própria, que é baseada na tradição afro-brasileira. Uma tradição que as varias vertentes de capoeira partilham. Uma arte em que os praticantes segue uma tradição que – entre outras – cria um relacionamento com pessoas de uma outra forma que na sociedade diária; e assim dá mais liberdade aos praticantes de se movimentarem dentro desta sociedade. Uma tradição que tem deveres que são seguidos pela própria vontade e prazer, porque sentimos que nos faz bem. Cada casa tem regras que devem ser respeitados, segundo as tradições de nossa sociedade. Mas isto não quer dizer que estas regras definam a tradição da capoeira.

regul[1]


[1] Pode se explicar um pouco como a idéia que não existe o bem sem existir o mal, agora, depois há varias maneiras de ver o que é o ‘mal’; certo é que é um conceito moral, mas pode ser de uma falta de ação ou de negação, até uma ação grave, como matar ou manipular alguém.

[2] MacIntyre, A. (1988) Whose Justice? Which Rationality? Notre Dame, University of Notre Dame Press. P. 12

[3] Idem.

[4] Assunção, M. (2012) Ringue ou Academia? A emergência dos estilos modernosda capoeira e seu contexto global. No: História, Ciências, Saúde – Manguinhos. Rio de Janeiro. http://www.scielo.br/hcsm

Leiria: 4º Aniversário Academia Ginga Camará

4º Aniversário Academia Ginga Camará

O Grupo de Capoeira Ginga Camará, sob a responsabilidade do Contramestre Papagaio, comemora, em 2013, o 4º Aniversário da sua Academia.

Inaugurada em 2009, em Gândara – Leiria, este espaço conta com o trabalho de excelentes profissionais de Capoeira, Jiu-Jitsu, Muay-Thai e Ginástica Localizada.

Para comemorar esta data tão importante, contaremos com a presença de convidados de renome, entre eles Mestre Robson Bocão (Centro Cultural Alabê – Hambrugo, Alemanha) e Mestre Perna Longa (Grupo de Capoeira Arte Nossa – Porto, Portugal).

Os workshops realizar-se-ão nos dias 21 e 22 de Dezembro e terão um investimento de 25€, com tudo incluído (ver cartaz em anexo).

Portugal: 4º Aniversário Academia Ginga Camará

O Grupo de Capoeira Ginga Camará comemora, em 2013, o 4º Aniversário da sua Academia.

Inaugurada em 2009, em Gândara – Leiria, este espaço conta com o trabalho de excelentes profissionais de Capoeira, Jiu-Jitsu, Muay-Thai e Ginástica Localizada.

Para comemorar esta data tão importante, contaremos com a presença de convidados de renome, entre eles Mestre Robson Bocão (Centro Cultural Alabê – Hambrugo, Alemanha) e Mestre Perna Longa (Grupo de Capoeira Arte Nossa – Porto, Portugal).

Os workshops realizar-se-ão nos dias 21 e 22 de Dezembro e terão um investimento de 25€, com tudo incluído (ver cartaz em anexo).

Nota de Falecimento: Mestre Camisa Roxa

Capoeira Chora com o Falecimento do Mestre Camisa Roxa…

Nossos mais profundos sentimentos a toda família Abada-Capoeira pela perda deste grande Mestre, Camisa Roxa Ao que Sabemos o Mestre Sofreu uma queda de uma Laje resultando em sua Morte, mais uma triste noticia para a Capoeira, assim que tenhamos mais noticias informaremos a todos.

Lembrando: Edvaldo Carneiro e Silva (Mestre CamisaRoxa)
Mestre Camisa Roxa foi considerado o melhor aluno de Mestre Bimba. Grão-Mestre é Abadá-capoeira, título vida para o qual foi escolhido por um conselho de notáveis Mestres do conhecimento. Sua função é mentor e consultor,e seu título o mais alto grau na Abadá-capoeira. É o mais relatado capoeira Capoeira pelo mundo, viajou para mais de 50 países, trazendo uma manifestação da arte Capoeira e da cultura brasileira. 

Camisa Roxa nasceu em 1944, na Fazenda Estiva, no interior da Bahia. Ele começou a praticar capoeira aos 10 anos de idade como forma de entretenimento, que mais tarde foi copiado por todos os seus outros irmãos. Na década de 60, foi para Salvador para fazer o grau científico e começou a treinar na Academia de Mestre Bimba, onde ele treinou e foi considerado o melhor aluno de Mestre. Seus irmãos Ermival, Pedrinho e uma camisa também formaram na Academia de Bimba.

O Grão Mestre apelido surgiu devido ao fato de que ele sempre frequentava rodas de Capoeira da Bahia vestindo uma camisa roxa (roxa em Português), que ele gostava. Ela também gostava de jogar no tradicional Capoeira rodas de Mestre Pastinha academia eo rhodes de Mestres Waldemar e Traíra Rua Pero Vaz, onde era muito respeitado pela sua postura e possuidor de grande conhecimento dos fundamentos da Capoeira.
Camisa Roxa Capoeira pensar como um todo, reunindo Regional e Angola. “Na verdade, poucas pessoas entendem a verdadeira intenção de Mestre Bimba”, diz o Grão Mestre. “Primeiro ele ensinou seu método de Capoeira novamente elevado, mas com o tempo a pessoa deve aprender a jogar em” completa.

Camisa Roxa é responsável pela coordenação Abadá-capoeira na Europa, e realiza regularmente oficinas de reciclagem para instrutores e professores que agem dessa forma. Ele também é o organizador do Encontro de Primavera Capoeira na Europa e Jogos Europeu Abadá-capoeira. Estes eventos têm como objetivo a integração e atualização dos capoeiristas na Europa através de aulas teóricas e práticas ministradas por professores convidados do Brasil.

Hoje o Grão Mestre dedica grande parte de seu tempo para pesquisar a capoeira, sempre à procura de novas maneiras e aumentar a sua visibilidade no mundo. Para ele, no Brasil deveria ser mais unidade entre os diferentes grupos, para que seja possível estabelecer uma ordem nas atividades e ensinamentos. “Talvez uma Capoeira mais disciplina e unidade entre os líderes, produzindo uma Capoeira com mais responsabilidade e profissionalismo”, diz ele. Camisa Roxa diz passar sua experiência procura recompensar tudo o que deu Capoeira hoje.

 

Fonte: Equipe Rabo de Arraia – http://www.rabodearraia.com

CAL organizou aula de capoeira na Escola Rainha D. Amélia

A Casa da América Latina organizou, no âmbito do seu programa educativo A Minha América Latina, uma aula de capoeira no dia 11 de março, na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa.

A demonstração ficou a cargo dos membros da academia Abadá Capoeira.

 

http://casadamericalatina.wordpress.com

Cabo Verde: Ginga e debate de Capoeira, em S. Vicente

A ginga, ao som do berimbau, voltou a invadir as ruas de Mindelo, no passado fim-de-semana. O 21º Encontro Nacional de Capoeira mobilizou mais de cem capoeiristas das escolas de S. Vicente Santo Antão e Sal, além de um praticante cabo-verdiano residente na Bolívia. “Este foi um dos encontros mais bem organizados que já fizemos. Recebemos os patrocínios solicitados e cumprimos toda a nossa programação. Estendemos o nosso convite aos capoeiristas da ilha de Santiago, mas, infelizmente, devido a problemas de ligação aérea, não puderam estar presentes”, afirma Djê, professor da academia Liberdade de Expressão, anfitriã do evento que costuma acontecer no mês de Dezembro.

Além das habituais aulas colectivas nas escolas e na rua, a reunião dos capoeiristas foi o momento escolhido para a graduação de 56 alunos, bem como, para o debate sobre o desenvolvimento desta expressão cultural e desportiva em Cabo Verde e a visualização de vídeos. “Foi também uma oportunidade para fazermos um balanço de 2012 e perspectivarmos 2013”, acrescenta o professor, que enalteceu o trabalho que a sua academia tem em curso na ilha de S. Vicente envolvendo um grupo considerável de crianças que estão a ser iniciadas na arte da ginga, uma aposta no futuro da Capoeira. Para o próximo mês de Abril está marcado um encontro internacional que deve assinalar mais um aniversário da academia Liberdade de Expressão.

Livro: A Magia da Capoeira

O Capoeirista e Escritor Jean C. de Andrade apresenta seu segundo livro sobre uma luta Brasileira e eficáz,um pouco da história da capoeira, luta esta que se mistura com a cultura em meio a dança com golpes desequilibrantes e traumatizantes,criada pelos escravos no Brasil em meados do século XVII.

Estou na capoeira desde 1993, de lá para cá coleciono vários títulos e campeonatos,sendo também Árbitro da Federação Sul Mineira de Capoeira, também Campeão interno da Academia Santa Isabel e Vice Campeão Mineiro de Capoeira. Hoje sou  Professor, formado por Mestre Roque da Academia Santa Isabel de Bom Repouso MG. Mestre Roque é Formado de seu Irmão, Geraldo (Mestre Gêra) da Academia Santa Isabel de São Caetano do Sul SP.

Como um trabalho social dou aulas de capoeira para crianças na Escola Municipal de Estiva MG.

A capoeira juntamente com a natação é um excelente esporte físico, pois mexe com todo corpo,é um exercício físico e tanto, além de somar disciplina e  controle emocional.Salve Capoeira!!!! — Prof. Jean C. de Andrade-

Benefícios Da Capoeira

1Maior disposição para trabalho sexo e estudos.
2-Previne contra estresse.
3-Combate o excesso e a falta de peso.
4-Aumenta a força, reflexo, equilíbrio e agilidade.
5-Fortalece o sistema muscular, respiratório e cardio- vascular.
6-Contribui para regularização do sistema digestivo.
7-Oportuniza o domínio de eficazes técnicas de defesa.
8-Desenvolve sua sensibilidade artística.
9-Atua como terapia (o poder de concentração melhora o auto
(Controle emocional)
10-Depois da natação, a capoeira é o melhor esporte, pois mexe com todo o corpo.

Mestre Decânio: O Doutor da Capoeira

Um dos grandes nomes da capoeira, que ficará eternamente registrado na história dessa arte-luta brasileira, sem dúvida nenhuma, é Ângelo Augusto Decânio Filho, ou “Doutor Decânio” como ficou conhecido no meio da capoeiragem.

Um dos principais e mais antigos discípulos do mestre Bimba, Decânio teve papel importante na constituição da Capoeira Regional, sendo um dos pilares juntamente com Sisnando – outro importante discípulo, nos quais Bimba se apoiou para a criação desse estilo de capoeira, bem como na definição das estratégias de obtenção de reconhecimento da capoeira junto à sociedade baiana, num período em que essa manifestação ainda era muito discriminada e vítima de preconceitos e ações violentas por parte do poder vigente.

Formado em medicina, foi ainda nos tempos de faculdade, em 1938, que Decânio conheceu mestre Bimba e logo se juntou a ele, exercendo papel fundamental na organização de sua academia, sendo responsável – ao lado de outros acadêmicos que também participaram dessa fase inicial de criação da Capoeira Regional – por ajudar Bimba a dar uma nova roupagem à capoeira que até então era praticada somente nas ruas, a partir da criação de um método de ensino baseado em sequências de golpes de ataque e defesa, bem como a estruturação do funcionamento da academia, que passava pela utilização de fardamentos, horário de treinos, organização de eventos, batizados, rodas de exibição, cursos de especialização entre outras atividades.

Decânio acompanhou Bimba durante muitos anos, mas sempre exercendo paralelamente as atividades como médico, o que muitas vezes não era tarefa fácil, mas ambas sempre exercidas com muito amor e dedicação. Mestre Decânio foi responsável por publicações importantes como os manuscritos do Mestre Pastinha entre outras obras de sua autoria, editadas pela Coleção São Salomão, por ele próprio criada.

Mestre Decânio formulou ainda uma teoria que é muito citada em trabalhos acadêmicos sobre capoeira – a teoria do “Transe Capoeirano” que segundo ele, trata-se de um estado físico-psíquico que o capoeirista atinge durante o jogo, em virtude de estímulos que vêm da musicalidade, do ritmo dos atabaques e agogôs, e da atmosfera propiciada pelo ritual da roda de capoeira, tudo isso explicado a partir de princípios científicos.

Era o mais antigo discípulo vivo de Bimba e, durante muitos anos, a maior referência da Capoeira Regional. Sujeito amável a sempre disponível, seja para uma conversa despretensiosa na varanda de sua casa de frente para o mar de Paripe, seja para colaborar com algum estudo ou pesquisa sobre capoeira, através de seus ricos depoimentos ou do vasto material de arquivo que o mestre foi juntando ao longo de tantos anos de vivência nesse universo.

O mestre Decânio nos deixou no último dia 01 de fevereiro de 2012, véspera da Festa de Yemanjá , prestes a completar 89 anos de idade. Deve estar agora ao lado de João Pequeno, seu vizinho e amigo inseparável, assim como de seu companheiro Sisnando, e finalmente reencontrando seu mestre Bimba, com quem deve estar agora proseando…. e olhando por todos nós aqui na terra !

 

Dica do Editor:


Não deixe de visitar o site Capoeira da Bahia, criado pelo ímpar Mestre Decânio, uma obra prima da capoeiragem…

Ele não joga capoeira, ele faz cafuné: histórias da academia do Mestre Bimba

Ele não joga capoeira, ele faz cafuné: histórias da academia do Mestre Bimba, de Sérgio Fachinetti Doria, no Lançamento Coletivo EDUFBA – Dezembro de 2011

Com o irreverente título Ele não joga capoeira, ele faz cafuné: histórias da academia do Mestre Bimba, de autoria de Sérgio Fachinetti Doria, esta obra integra a programação do Lançamento Coletivo EDUFBA – Dezembro de 2011, que acontece no próximo dia 15, quinta-feira, às 17h30, na Biblioteca Universitária de Saúde da UFBA, em Salvador. Na ocasião, o autor recebe o público, que pode adquirir o livro por um preço especial.

Alguns aspectos da diversificada cultura brasileira são desvendados ao longo desta obra. A capoeira, expressão de luta do povo negro e uma arma para a saída das senzalas, no período da escravidão, e os capoeiristas, altamente discriminados e perseguidos, são abordados com um olhar crítico, a partir de lembranças e estudos do autor sobre Mestre Bimba e sua academia. Nascida nos tempos da escravidão e uma arte essencialmente brasileira, a capoeira foi trabalhada de forma sistemática por Mestre Bimba nas décadas de 1920 e 1930.

Após percorrer a história de Mestre Bimba e de sua academia, expondo, por exemplo, aspectos sobre seus ensinamentos, o local das aulas e a repercussão de uma campanha de marketing realizada por ele e seu grupo nos jornais soteropolitanos, o autor presenteia os leitores, ainda, com um caderno de fotos do Mestre.

 

Informações adicionais sobre este livro

ISBN: 978-85-232-0833-2

Número de páginas: 107

Ano: 2011

Formato: 15 x 21 cm

Preço promocional de lançamento: R$ 20,00

 

Serviço

O quê: Lançamento Coletivo EDUFBA – Dezembro de 2011

Quando: 15 de dezembro de 2011, quinta-feira, às 17h30

Onde: Biblioteca Universitária de Saúde da UFBA (Rua Basílio da Gama, s/n, Canela – Salvador, Bahia)

Quanto: entrada gratuita

 

Laryne Nascimento

Assessoria de Comunicação

Editora da Universidade Federal da Bahia

Telefone e fax: (71) 3283-6160

www.edufba.ufba.br | imprensaedufba@ufba.br

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

João Pereira dos Santos, aluno de mestre Gilvenson e depois discípulo de Mestre Pastinha, de quem se tornou continuador. Integrou em 1966 a delegação brasileira no Premier Festival des Arts Nègres, em Dakar (Senegal).Hoje, ainda mantém Academia de Capoeira, no Forte Santo Antônio (centro histórico de Salvador). Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil

como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em

espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos,

Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola ( CECA ) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

  • Leia Mais : Mestre João Pequeno de Pastinha