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Roda de capoeira anima orla de Maceió

Capoeiristas querem manter viva essa manifestação cultural


Já dizia o dramaturgo e autor de novelas Dias Gomes, a ‘capoeira é luta de bailados, dança de gladiadores e duelo de camaradas’. E com essa mesma filosofia o grupo Rei Guerreiro, que tem equipes em vários bairros de Maceió e em municípios do interior do estado, invadiu a orla da Pajuçara para fazer apresentações e apresentar a dança à população.


De acordo com o coordenador do grupo, mestre Rasta, nos dois primeiros domingos de cada mês o Rei Guerreiro se apresenta na Feirinha do Tabuleiro do Martins e na orla marítima da cidade. “A intenção é nós mostrarmos a beleza dessa manifestação cultural que significa luta e dança ao mesmo tempo. Aqui em Alagoas as autoridades não valorizam muito a capoeira e temos que ser nós, admiradores e praticantes dela que precisamos levá-la até o povo”, disse ele.

Grupos espalhados

Segundo o mestre Rasta, o Rei Guerreiro tem grupos espalhados nos bairros do Tabuleiro do Martins, Cruzeiro do Sul, Rosanne Collor, Chã da Jaqueira e Santos Dumond e também tem seguidores em Santa Luzia do Norte e Coruripe. 
O grupo ainda não tem sede própria e ministra as aulas em escolas públicas e espaços privados que são oferecidos por incentivadores da capoeira. 

Os interessados em aprender capoeira podem ligar para 8801-7754. 

Teorias para o surgimento da capoeira

Existem duas teorias para o surgimento da capoeira. A primeira conta que durante os períodos em que não estavam trabalhando, os escravos se distraíam relembrando a sua terra, cantando, dançando e mantendo os rituais que costumavam praticar em suas aldeias na África. 

Já a 2ª teoria sugere que a capoeira tenha sido iniciada nas metrópoles por escravos que possuíam uma carga de trabalho mais amena e, portanto, dispunham de tempo, espaço e energias física e psicológica para desenvolver a luta. Com o passar do tempo, intencionalmente por parte de organizações abolicionistas, a luta foi se infiltrando nas cidades interioranas, fazendas e senzalas, surgindo como luta de libertação dos escravos ali cativos.

 

http://gazetaweb.globo.com

De Zumbis a Zumbi dos Palmares

ZUMBI dos Palmares

Neto de uma princesa do Congo, ele nasceu em 1655, no Quilombo dos Palmares. Aos 23 anos, tornou-se líder do povoado, que virou o grande foco de resistência dos negros á escravidão. Mas o mérito não foi apenas de Zumbi.

Palmares foi ajudado por um conflito que distraiu os portugueses.

A Invasão Holandesa em guerra com a Espanha, que era dona de Portugal, os holandeses começaram atacar o Brasil em 1630. Isso atrapalhou a repressão a Palmares e soltou milhares de escravos. Os holandeses não ficaram por aqui.

Mas aprenderam o bastante para se tornar uma potência colonial. Que chegaria ao que com Guilherme 3° em 1688, rei da Holanda invadiu a Inglaterra com seu exército. Assumiu o trono e partiu para cima da França, na chamada guerra dos Nove Anos. Não deu muito certo.Tanto que,em 1697, Guilherme 3° decidiu fazer
acordo de paz,cedendo aos franceses parte de uma ilha no Caribe.

Que ganharia o nome de Haiti ele logo se tornou campeão na produção de açúcar e também na escravidão. Mas, aconteceu la maior revolta de escravos da história do mundo. Os negros conquistaram independência e expulsaram os brancos do país. Isso fez com que Haiti desenvolvesse uma cultura quase 100% africana.

Cuja lenda mais célebre são os Zumbis os haitianos acreditam que os bruxos são capazes de ressuscitar os mortos e transformá-los em zumbis (“espíritos”) Daí o nome dado a Zumbi dos Palmares, que tinha fama de sobrenatural.

Os escravos só aceitaram que ele estava morto quando sua cabeça decapitada foi separada do corpo. Como os zumbis dos filmes.

 

Fonte: http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog/  – Revista Super Interessante

A Confraria Carioca de Capoeira – C.C.C.

A CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – (C.C.C.)

Nasceu de um grupo de amigos e com iniciativa do Mestres Burguês – Hulk – Arerê – Columar – King – Gegê – Edvaldo Baiano – Martins – Lua – Montana

A partir da necessidade de unir seus grupos com as seguintes propostas:

1- Trabalhar juntos com ideologias diferentes em prol da CAPOEIRA . (Esse é o nosso grande desafio)

2- Respeitar a individualidade de cada Grupo e de cada Mestre.

3- Enfocar uma comunidade de CAPOEIRA.

4- Os trabalhos de cada Grupo ou Mestre continuam individualmente mais, o objetivo principal é de reunir.

5- Juntar o saber popular com o saber academico.

6- Objetivo coletividade e não ao individualismo.

7- Pensar mais na CAPOEIRA e não no seu grupo.

8- O nosso grande instrumento é o diálogo.

9- Amadurecer a ideia de fazer um evento todos juntos.

10- NOSSO LEMA:

– RESPEITAR AS DIFERENÇAS

– HUMILDADE

– UNIÃO

A necessidade de manter o respeito aos fundamentos, o compromisso e seriedade com a Capoeira. A história da capoeira no Rio de Janeiro passa a ser vista com mais credibilidade quando há  forças, de companheiros com  o compromisso da nossa CAPOEIRA.  Respeitar as diferenças , humildade, união e seriedade com a capoeira. Isto é  a  CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – (C.C.C.)

A CONFRARIA CARIOCA DE CAPOEIRA – C.C.C.

FUNDADORES:

EDVALDO BAIANO – MARTINS – KING – MONTANA – GEGÊ – COLUMA – ARERÊ – HULK – LUA E BURGUÊS.

LANÇAMENTO DA CONFRARIA DIA 27 DE FEVEREIRO DE 2010 GRANDE RODA NA PEDRA DO SAL (PRAÇA MAUÁ, Rio de Janeiro/RJ, Brasil)

O COLEGIADO DA C.C.C

CONFRARIA DE ESCRAVOS VOLTADA PARA A LIBERTAÇÃO DE OUTROS ESCRAVOS

Novembro: Mês da Consciência Negra

Os textos abaixo focalizam as diferentes formas de discriminação e preconceito. Parte do material apresenta dados históricos, que explicam a origem das divergências entre povos e raças no Brasil e relatam o processo de escravidão, da colonização até a abolição. Focalizam, também, experiências educacionais sobre o tema e atividades desenvolvidas por professores em sala de aula.

As referencias apresentadas (links) foram consultadas no site: http://www.crmariocovas.sp.gov.br

Fica a sugestão de uma extensa pesquisa e reflexão sobre a verdadeira importância desta data e sua real aplicação dentro do contexto da capoeira e da cidadania.

Luciano Milanii

 

Convenção relativa à escravatura

Convenção sobre a escravatura assinada em Genebra, em 25 de setembro de 1926. Aberta à assinatura ou à aceitação na sede da Organização das Nações Unidas (Nova York), em 7 de dezembro de 1953, e a Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura, adotada em Genebra, a 7 de setembro de 1956.

http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Onu/Emprego_protecao/texto/texto_2.html

O senado e a abolição da escravatura

Disponibiliza textos com informações sobre: adesão da Princesa Isabel à causa abolicionista; esforço político e assinatura da Lei Áurea.

http://www.senado.gov.br/comunica/historia/nonas.htm

Escravidão negra

Desde a origem da escravidão até a abolição, este site relata o trabalho, a cultura africana, a religiosidade, entre outros aspectos da vida desse povo.

http://consorcio.bn.br/escravos/introducao.html

África negra (colonização, escravidão e independência)

Conta a história do tráfico de escravos, da colonização e da luta pela abolição da escravatura. Tem também informações de países, líderes e movimentos africanos.

http://www.terra.com.br/voltaire/mundo/africa4.htm

Campanha abolicionista

Informações sobre os interesses e os fatos que resultaram na abolição dos escravos.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2004/11/16/001.htm

Zumbi

Contém a biografia do líder negro Zumbi, a história dos primeiros quilombos, do tráfico negreiro e da abolição da escravatura.

http://www.zbi.vilabol.uol.com.br

Documentos da Organização Internacional do Trabalho – OIT

Página do site da Biblioteca Virtual de Direitos Humanos da USP, que apresenta documentos da Organização Internacional do Trabalho. Abordam assuntos como justiça, discriminação e trabalho.

http://www.direitoshumanos.usp.br/counter/Oit/OIT.html

Portal Palmares

A Fundação Cultural Palmares é uma entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, que busca a preservação da cultura afro-brasileira. No site há publicações, legislação, indicação para outros sites e informações de projetos.

http://www.palmares.gov.br

Religião e cultura negra

Texto sobre as religiões africanas inseridas na América. Esclarece superficialmente como se originaram, os dogmas, as doutrinas, as transformações e a diversidade de estilos existentes.

http://www.orixas.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=5&Itemid=6

Racismo nas escolas

Apresenta exemplos de discriminação racial no cotidiano escolar e também as ações do Ministério da Educação para combatê-la.

http://www.fundaj.gov.br/tpd/147.html

Racismo made in Brazil

Artigo sobre a origem do preconceito racial no Brasil. Estabelece comparações com a cultura e a discriminação que ocorre em outros países.

http://ruibebiano.net/zonanon/actual/lcl021211.htm

Diversidade cultural e fracasso escolar

Texto que introduz uma reflexão sobre as diferenças culturais, a discriminação e o fracasso escolar.

http://www.mulheresnegras.org/azoilda.html

Educação e diversidade cultural: refletindo sobre as diferentes presenças na escola

Este artigo coloca em debate as diferenças encontradas na escola, já que é um espaço socio-cultural onde há culturas diversas.

http://www.mulheresnegras.org/nilma.html

O racismo na sociedade brasileira

Apresenta textos sobre discriminação racial e a forma de inserção do negro no mercado de trabalho e na sociedade como um todo.

http://www.geocities.com/CollegePark/Lab/9844/racismo.htm?200630

O Brasil Negro

Reportagem da revista Com Ciência, editada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC.

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/grp_l.php?t=002

Por que os heróis nunca são negros?

Reportagem que discute a questão dos estereótipos.

http://novaescola.abril.com.br/ed/157_nov02/html/pluralidade.htm

Racismo esta luta é de todos

Entrevista da Revista Raça Brasil com o antropólogo Kabengele Munanga, que fala da discriminação das crianças negras nas escolas e convida a sociedade a rever seus valores para construir um país mais justo e mais rico.

http://www2.uol.com.br/simbolo/raca/1000/entrevista.htm

A mulher trabalhadora é o negro de saias

Neste artigo, Gilberto Dimenstein aborda a questão da discriminação por parte do mercado de trabalho brasileiro em relação às mulheres e aos negros.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/gd300400.htm

Videoconferência

Videoconferência de encerramento do módulo II do “Programa SP: educando pela diferença para a igualdade”. Conta com a participação do professor Valter Silvério, da Universidade Federal de São Carlos. O programa é um curso de formação continuada que trabalha com conceitos de diversidade étnico-racial que busca sensibilizar e capacitar professores para a discussão da questão racial no currículo escolar, mostrando a história e a cultura africanas.

http://media.rededosaber.sp.gov.br//CENP/Streaming00000093.wmv

Quilombo no Leblon foi o primeiro abolicionista no país

RIO – O primeiro quilombo abolicionista conhecido pela história brasileira, membro ativo na luta pela extinção imediata do sistema escravista, deu origem ao que hoje é o bairro do Leblon, metro quadrado mais caro da cidade.

Antiga fortaleza do quilombo do Leblon, o Clube Campestre Guanabara representa atualmente o berço de um dos capítulos mais secretos do abolicionismo no Brasil: nele eram cultivadas as camélias, plantas então raras e indicativas do apoio declarado aos ideais de liberdade e igualdade.

Eduardo Silva, pesquisador da Casa de Rui Barbosa que estuda há mais de 30 anos temas como a escravidão e a cultura negra, publicou a desconhecida relação das flores com o movimento pelo abolicionismo incondicional – ou seja, sem o pagamento de indenização aos antigos proprietários de escravos – no livro As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura.

O historiador explica que os 2.700 mil metros quadrados do quilombo do Leblon, que já havia servido de residência para um francês de mesmo nome, foi comprado em 1878 pelo comerciante português José de Seixas Magalhães, que viria a se tornar chefe do quilombo e grande fomentador da aliança entre brancos e escravos negros na luta pela abolição.

– Um francês deu nome à chácara, que deu nome ao quilombo e, por fim, ao bairro mais chique da cidade. O quilombo do Leblon foi revolucionário porque não se isolou e tentou eliminar, de forma ativa, a sociedade escravista daquela época – lembra o pesquisador, ressaltando que o local foi o centro da faceta mais radical do movimento.

– Tudo começou no quilombo do Leblon. Existia uma ligação direta entre os quilombolas e a princesa Isabel, que recebia deles as camélias plantadas no quilombo. Além de assinar a lei, ela estava secretamente aliada ao movimento subversivo pela abolição.

Ponto de cultura eternizada

No Clube Campestre Guanabara, o professor de capoeira Leonardo Dib, 30 anos, é o responsável pela perpetuação da tradição africana. Desde 2006 ele organiza um evento anual em comemoração à assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888.

Com demonstrações de jongo, capoeira, maculelê e maracatu, Leonardo tenta preservar a memória do quilombo que deu origem ao bairro símbolo da boemia carioca.

– Sempre procurei inserir nas aulas temas como a história dos quilombos e como surgiu a capoeira, por exemplo. Hoje, nem acredito que esteja dando aulas em um quilombo – revela o professor, que chega a atender a até 20 crianças entre 3 e 12 anos.

Leonardo afirma ainda que pretende inscrever o Clube Campestre Guanabara no processo seletivo do edital de Pontos de Cultura, ação prioritária do Programa Cultura Viva, do Governo Federal. Uma vez firmado o convênio, o local recebe R$ 185 mil, divididos em cinco parcelas, para investimento no projeto de cultura.

Fonte: Jornal do Brasil

História: Gangues do Rio de Janeiro

 

No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos.

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso. Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.

Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.

Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.

Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.

Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.

Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

"As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.

Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeirateria nascido em senzalas ou quilombos.

"A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana", afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços da luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra "capoeira" é mencionada sem se referir à luta.

Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome "capoeira" teriapassado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.

Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.

A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. "Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim, para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares", diz Soares.

As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório públicoficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.

A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser malvista.

A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem".

Chibatadas e servidão

 

A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.

No Brasil de dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861).

A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias – os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.

O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio).

O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.

Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta".

Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos.

Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.

Guerra nas ruas

O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.

Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais.

Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira.

Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.

Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o "imperador tirânico", um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando "constituição" e "independência". Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses.

Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.

O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial.

A sorte de dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como "as noites das garrafadas". A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.

O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça.

Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada "gente preta".

O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras.

A pior ocorreu em1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio.

Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade.

"Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada", afirma o historiador Soares. "Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti."

Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime.

Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

Fonte: Aventuras na História – historia.abril.uol.com.br/

Do quilombo ao Leblon

Na semana em que comemoramos os 120 anos da Lei Áurea, a coluna “Histórias do Rio” visitou um lugar na Zona Sul da cidade que guarda a marca dos abolicionistas. O repórter Márcio Gomes foi até o Alto Leblon, onde no fim do século 19 foi criado um movimento de resistência à escravidão. ( Para ver o vídeo da matéria, clique aqui )

O som que invade as ruas estreitas e íngremes do Alto Leblon ecoa pelo tempo. O instrutor de capoeira Leonardo Dib Boiadeiro sabe que, mais do que ensinar a ginga, está mantendo uma tradição que começou aqui no século 19.

A história do Quilombo do Leblon veio à tona quando o escritor Eduardo Silva lançou o seu livro “As Camélias do Leblon e a abolição da escravatura – uma investigação de história cultural”. Na ocasião o instrutor de capoeira Leonardo Dib conhecido como Boiadeiro, estava desenvolvendo um trabalho de capoeira e valorização da cultura afro brasileira nas dependências do Clube Campestre da Guanabara. Ao tomar conhecimento do livro percebeu que o espaço onde estava atuando estava intimamente ligado as suas propostas de trabalho. Assim começou o projeto Camélias do Leblon. Em sua primeira edição que foi realizada no dia 13 de maio de 2006 o capoeirista realizou o plantio de uma Cameleira para marcar o retorno das “Camélias da Liberdade”. O evento foi seguido de apresentações de Jongo, Capoeira, Samba de Roda, Maculêlê e uma feijoada, desde então sempre no dia 13 de maio é realizado o “Camélias do Leblon” que este ano homenageou em sua 3ª edição o grande poeta negro, Solano Trindade, que faria 100 anos.

Solano Trindade era poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife, capital de Pernambuco. Era filho de Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Merença (Emerenciana). Estudou até completar um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício. A partir de então, começa a escrever.

Solano Trindade foi o poeta da resistência negra por excelência.

História:

Quilombo na Zona Sul produzia as camélias, símbolo do movimento abolicionista

Existia no Alto Leblon, no século XIX, um "sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e dos mais empolgantes panoramas (…), em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos liberatórios", na época do movimento da Abolição da escravatura no Brasil. Era na verdade, segundo o depoimento do jornalista Brício Filho, "a afamada chácara – batizada sob o nome de Quilombo do Leblon – benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocatas". A história desse pequeno, mas fundamental quilombo – criado numa época em que havia centenas de outros no país, formados por escravos que naqueles anos fugiam em massa de seus senhores – é contada pelo historiador Eduardo Silva em As camélias do Leblon e a abolição da escravatura – Uma investigação de história cultural (Companhia das Letras), que será lançado na Bienal do Livro (entre 15 a 25 de maio).

Pela primeira vez, os segredos da camélia, o símbolo do movimento abolicionista, são desvendados. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, ganhou de presente dois buquês de camélias: um de flores artificiais, da Confederação Abolicionista, e outro de flores naturais, cultivadas pelos negros do Quilombo do Leblon. Quem a presenteou foi o dono da chácara subversiva, o comerciante de malas José de Seixas Magalhães, um português que mantinha uma loja na elegante Gonçalves Dias. Na sua pesquisa, Silva, historiador da Casa de Rui Barbosa, logo viu que o mistério das camélias nunca seria desvelado se ele não destrinchasse as atividades clandestinas do quilombo que Seixas protegia, na então bucólica Zona Sul do Rio.

– Foi um quilombo fundamental para a assinatura da Lei Áurea – afirma o historiador, que começou a se interessar pelo assunto quando reparou, certo dia, com olhar de suspeita, os três pés de camélias do jardim da casa de Rui Barbosa, até hoje no mesmo lugar onde floresciam, com sua beleza desafiadora, quando o eminente intelectual lá vivia: dois na frente, avistados por quem passa pela São Clemente, e outro embaixo da janela do quarto dele.

Assim como eram uma senha para os abolicionistas se identificarem, exibidas na lapela, as camélias foram a porta que o historiador abriu para se lançar na pesquisa sobre o quilombo, que teve, como conta o livro, uma ligação secreta com a influente Confederação Abolicionista. O jornal A Gazeta da Tarde, chefiado por José do Patrocínio, era o órgão oficial da Confederação, que "por detrás dos panos ajudava a organizar e a manter o Quilombo do Leblon".

– É importante fazer essa ligação entre a elite, que defendeu a Abolição no Parlamento e nos jornais, com a luta dos negros, nos quilombos. A Abolição foi uma conquista, não uma benesse da princesa. Foi a elite e o povão negro que fizeram a Abolição – diz Eduardo Silva.

Sendo flores delicadas e "cheias de melindres com o sol dos trópicos", segundo o historiador, as camélias exigiam técnicas modernas e cuidados especiais: para o seu cultivo, "somente um trabalhador livre de todas as amarras".

– Ninguém tinha levado tão a sério o simbolismo das camélias, a ponto de estudá-lo. Mas, por trás do simbolismo, está o Quilombo do Leblon. Para pesquisar algo tão secreto, só mesmo encontrando uma porta, como foram as camélias da casa de Rui Barbosa no meu caso. É um livro bem pequeno (140 páginas, boa parte de apêndices), mas deu muito trabalho. Para mim, foi também uma revelação – conta Silva.

O quilombo das camélias é mencionado en passant em cartas, como na correspondência entre Seixas e Rui Barbosa, citado em charges de Ângelo Agostini – muitas das quais ilustram o livro -, descrito em depoimentos orais que tiveram alguma forma de registro. Até a literatura ajudou Silva. Em A conquista, Coelho Neto, que trabalhou na Gazeta da Tarde, escreve que "para os lados da Gávea, em frente ao mar, havia um quilombo mantido pela Confederação Abolicionista e, no escritório da Gazeta da Tarde, (…) negros e negras sentados melancolicamente fumavam esperando que lhes dessem destino".

Diferentemente da maior parte dos quilombos, que Silva chama de "quilombos-rompimento", lugares para onde os escravos fugiam para se esconder e morar, o Quilombo do Leblon seria do tipo abolicionista, que contava com a proteção de pessoas influentes. Rui Barbosa, que lançou em 1869 a tese de que a escravidão era ilegal, foi uma dessas pessoas, segundo os indícios levantados por Silva. O livro mostra que a tese de Barbosa fez a Abolição, no Brasil, ser decretada sem indenização aos proprietários de escravos. Outro quilombo-abolicionista seria o de Jabaquara, em Santos, organizado em terras cedidas por um abolicionista, abrigo para milhares de negros.

Nova história do negro muda Brasil pela raiz: Ação de José do Patrocínio e de André Rebouças e o destemor dos escravos foram decisivos para a Abolição

Resgatar a história dos quilombos, segundo Eduardo Silva, é uma maneira de modificar o Brasil pela raiz.

– É humilhante para os negros, na sua condição atual, dizer que eles não tiveram papel na Abolição. Porque eles tiveram um papel preponderante. O lado subversivo do abolicionismo, esse lado secreto, tem de ser destacado. O fim da escravidão foi conquistado. E a elite negra, liderada por José do Patrocínio e André Rebouças (engenheiro que foi tesoureiro da Confederação Abolicionista), desempenhou papel muito importante. Eles influenciaram a princesa Isabel e ela adotou, corajosamente, a causa abolicionista – diz o historiador.

Com o respaldo dos abolicionistas, aumentou o destemor dos negros.

– Os escravos fugiam em massa. As fazendas amanheciam vazias – destaca Silva.

Curiosidade sobre os quilombos cresceu em 1988
A curiosidade sobre os quilombos, no Brasil, tem crescido desde a Constituição de 1988, que reconheceu, no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o direito à posse da terra de remanescentes de quilombos. Em alguns casos, há comunidades negras que vivem há 300 anos em seus lotes. Eram pessoas que permaneciam invisíveis para a sociedade e que passaram a se reconhecer e a se identificar, orgulhosamente, como quilombolas. Sua história, que também estava invisível, começa a ser contada. Nas biografias de Patrocínio, por exemplo, não há referência ao Quilombo do Leblon.

– É uma história invisível, até porque eles não queriam ser descobertos. Mas isso mudou de forma perceptível. É por isso que cada geração precisa reescrever a História. O movimento negro avançou muito, e isso é um sinal da transformação da sociedade brasileira – destaca Silva, que em As camélias do Leblon sugere muitas outras pesquisas a serem feitas sobre quilombos e mocambos.

No momento em que os quilombolas travam batalhas judiciais pela posse de terras, o livro de Eduardo Silva ganha um contorno social.

– Eu tenho esse compromisso. É preciso fazer a política de ação afirmativa no sentido simbólico, porque os negros não entraram na nossa História – destaca o historiador, autor de Dom Obá II d’África, o príncipe do povo, no qual conta a história do príncipe africano que foi um personagem pitoresco do Rio, no fim do Império, muito ativo na conquista da sua liberdade. – O que tento fazer, e isso também no livro sobre dom Obá, é contar a nova história do negro, porque ele foi um agente ativo na História. É impossível, hoje, continuar a se ter a interpretação tradicional. É preciso rever o racismo entronizado na nossa História.

E como sinal de que a releitura do passado pode mudar a cultura popular, a história de dom Obá, embora tenha sido tema de uma tese de doutorado, inspirou o samba da Mangueira de 2000. Se Zumbi é símbolo de luta pela liberdade, não pode ser considerado um símbolo do movimento abolicionista. Já a nova história dos quilombos pode ajudar a compreender o papel dos negros naquele momento crucial da História do Brasil.

Fonte: http://rjtv.globo.com/

O Brincar na 1ª Infância: Subsídios para sua aula de capoeira infantil

Nas atividades da educação infantil, devemos respeitar e utilizar as sugestões das crianças! São especialistas neste assunto. Esta afirmação é constatada nas mais diversas literaturas e apoiada pelos PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. A criança de fato é fonte de sabedoria em brincar, propor atividades e além de tudo explicar esta atividade. Fenômeno ocorrido normalmente dentro do ambiente escolar.

Muitas vezes o professor leva certo tempo tentando esclarecer sobre um jogo ou atividade que irá ser realizada, enquanto a criança consegue expressar de maneira mais clara e objetiva o que se quer propor. E já que a ação do professor na Educação Física Infantil, como citado anteriormente, é decorrente do conhecer e saber sobre o “mundo” das crianças, porque não entrarmos neste universo estando sempre prontos a brincar e falando a língua universal à todos “pequenos” ; a ludicidade.

KISHIMOTO (1998) em relação à brincadeira diz que; se brincar é essencial é porque é brincando que a criança se mostra criativa. Brincar é visto como um mecanismo psicológico que garante ao sujeito manter uma certa distância em relação ao real, fiel, na concepção de FREUD, citado por KISHIMOTO (1998) que vê no brincar o modelo do princípio de prazer oposto ao principio da realidade.

Ou seja, brincar é unidade fundamental para ensinar na primeira infância. É nele que a criança transcende o seu cotidiano e transforma o natural, o simples em maravilhoso e belo. Não precisa de recursos tecnológicos ou modernos programas de computadores, precisa é de sucata, bola de meia, um anel, material reciclável e às vezes não precisa de material algum, somente de uma criança.

Segundo FROEBEL, citado por KISHIMOTO (1998), a brincadeira é a atividade espiritual mais pura do homem neste estágio e, ao mesmo tempo, típica da vida humana enquanto um todo da vida natural interna no homem e de todas as coisas. Ela dá alegria, liberdade, contentamento, descanso externo e interno, paz com o mundo. A criança que brinca sempre, com determinação auto-ativa, perseverando, esquecendo sua fadiga física, pode certamente torna-se um homem determinado e capaz de auto-sacrifício para a promoção do seu bem e de outros. Como sempre indicamos, o brincar em qualquer tempo não é trivial é altamente sério e de profunda significação.

FREIRE (1996) destacando o poder que a criança possui em relação as suas experiências, pergunta: Por onde poderíamos começar, senão pelo conhecimento que a própria criança possui ao entrar na escola? Não é isso o que dizem a respeito da alfabetização Emilia Ferreiro, autora que conquistou a admiração de muita gente.

O que se vê, na maioria das vezes, é uma quase total desconsideração, por parte da escola, do conhecimento que toda criança com certeza possui.

Além de constituir um importante alicerce para a cultura adulta, as atividades culturais infantis, comportam um espaço livre de pressões adultas para o exercício de componentes não “bem aceitos” pelos mais velhos. Tratam-se especialmente, daqueles aspectos de ordem afetiva e sexual, como os que se vêem nos brinquedos de “casinha” ou “papai e mamãe”, camuflados num cenário de ingenuidade infantil. Em relação a outros aspectos, como o cognitivo ou o motor, basta saber ver o envolvimento em brincadeiras como amarelinha, garrafão ou mãe da rua, por exemplo. Bem mais que a escola, o brinquedo infantil tem cumprido a importante missão de aperfeiçoar o acervo motor, elevando-o ao nível necessário para se dar conta das solicitações, que o ingresso no mundo de amplas relações sociais da escola exige.

E sendo a criança, o melhor engenheiro deste brinquedo, as possibilidades de construção e opiniões que se transformam em realidades são imensas. Basta ao professor, respeitar os conhecimentos do aluno e garantir a sua participação efetiva neste sentido. Abrindo o espaço para oficinas de brinquedos, utilizando-se de sucatas e materiais recicláveis e também trazendo para as aulas, simples materiais como um cabo de vassoura que certamente se transformará num cavalo mágico ou num avião.

A concepção do Brincar de FROEBEL se amarra aos princípios da abordagem construtivista que enxerga no brincar e no lúdico um caminho de sucesso para o desenvolvimento pleno da criança nas aulas de educação física escolar. Com base nestas frentes que enfatizam o lúdico, podemos ainda pensar em diferentes possibilidades como fontes inesgotáveis de possibilidades recreativas. Em manifestações culturais e folclóricas que se tornaram, com o passar da história, objetos de estudo dentro do universo do aprendizado e também do saber.

A cultura é inesgotável, fonte de águas límpidas e que mexe com os sentimentos não só de pesquisadores e historiadores, mas também, e podemos afirmar que; principalmente das crianças.

Ao relatarmos alguns pontos, que consideramos relevantes, dentro da Educação Física Infantil, procuramos nos situar para então dar início nas pesquisas de nosso objeto de estudo: o ensino da capoeira para crianças, especialmente em idade de primeira infância (02 à 06 anos); misto de dança, jogo, e luta. Cultura, arte, expressão, sentimento e paixão declarada na face de seus praticantes.

capoeira infantilSegundo Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha, um dos principais mestres de capoeira de todos os tempos, o seu princípio não tem método e seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres. Algo mutável, conforme a própria realidade nos aponta. Começou nos engenhos ou porões dos navios negreiros e hoje é disciplina em universidades, objeto de estudos, e ferramenta de trabalho para muitos educadores. Já implantada por diversas instituições de ensino e utilizada para se abrir, uma série de outras possibilidades de vivenciar a cultura através da herança dos africanos, trazidos para o trabalho escravo no Brasil.

São estas possibilidades citadas, o maculelê1, o samba de roda2 , a puxada-de-rede3 as danças regionais como o carimbó4, a catira5 e o maracatu6, enfim; uma série de temas trabalhados juntamente com a herança cultural dos africanos e levando ao professor um “arsenal” de brincadeiras e possibilidades.

Propondo tais atividades, o educador poderá adaptar as tradições de danças regionais e o folclore dos índios e escravos, jogos e brincadeiras dentro do universo da educação infantil. Assim, as crianças vivenciam possibilidades de conhecimentos múltiplos dentro de temas culturais, passam a adquirir um caráter crítico e analítico das situações, pois, vão construir os seus pensamentos em relação às atividades propostas e não irão receber algo pronto a acabado, pois; a cultura é inesgotável, abrindo a possibilidade de novas vivências e “pesquisas” sobre o assunto.


1- Dança realizada com bastões simulando a cana-de-açucar e os combates entre capitães-do-mato e escravos dentro dos canaviais; oriundo de rituais indígenas praticados também pelos escravos.
2- O início do samba, também chamado de semba e realizado sempre em rodas em razão das tradições da cultura indígena e escravocrata.
3- Manifestação do povo caiçara que relata o sofrimento e a alegria dos pescadores voltando do mar.
4-5-6- Danças regionais praticadas principalmente no Estado do Maranhão .BR.

SUGESTÕES DE LITERATURA

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O brincar e suas teorias- São Paulo:Pioneira,1998

FREIRE, João Batista; SCAGLIA, José Alcides. Educação como Prática Corporal – São Paulo: Scipione, 2003

COSTA, Caio Martins ;SILVA, Marcelo Barros. Parâmetros Curriculares Nacionais
Ministério da Educação e do Desporto – Secretaria de Educação Fundamental
Terceiro e Quarto Ciclo do Ensino Fundamental

RICARDO AUGUSTO COSTA (PROFESSOR BEIJA-FLOR)
SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP

Maiores informações sobre capoeira infantil e adaptada
http://bfcapoeira.vilabol.com.br
ou e-mail
[email protected]

 

Rondônia: Capoeiristas realizam encontro beneficiente

PORTO VELHO – Mais de 150 capoeiristas participaram do 1º Encontro de Capoeira de Rondônia. O objetivo foi arrecadar alimentos para ajudar crianças carentes em Rolim de Moura. Ao som do berimbau os participantes se revezavam na roda. No final da apresentação todos lutaram entre si.

O grupo memória capoeira chegou há pouco tempo em Rolim de Moura, e vem conquistando adeptos. Alguns alunos já passaram pela troca de cordão, uma espécie de ‘graduação’ que reconhece o progresso de cada aluno. A atividade independe de idade e sexo.

Herança africana

A capoeira é uma mistura de esporte, luta, dança, cultura popular e música, caracterizada por movimentos ágeis que exigem habilidade. Foi desenvolvida por escravos africanos trazidos ao Brasil, e se caracteriza por movimentos ágeis e complicados, feitos com frequência junto ao chão ou de cabeça para baixo, tendo por vezes uma forte componente ginástico-acrobático.

http://portalamazonia.globo.com/

     
Fonte: ESPORTE/RO – RC 

Entrevista: Mestre Genaro

Genaro Raymundo Coelho (Mestre Genaro), filho de Claudionor Coelho e de Veridiana Coelho, nasceu na Maternidade Dr. Climério de Oliveira – Bairro de Nazaré/Salvador/BA, mas a família morava no bairro Politeama de Baixo. Trabalhou junto com o médico (não se lembra do nome) a parteira Emília q era mulher do grande jogador de futebol o finado Popó do Ypiranga da Bahia. A madrinha era Almerinda do Nascimento, de São Francisco do Conde, era um lugar de muitos engenhos de açúcar.

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