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Festa de capoeira no Vale do Ribeira fortalece cultura quilombola

A 1ª Festa de Capoeira no Quilombo de Pedro Cubas, em Eldorado, no Vale do Ribeira (SP), aconteceu no último final de semana (1º e 2/9)e girou em torno da entrega das graduações de capoeira para 26 alunos do projeto Ponto de Cultura Socioambiental. A comemoração marcou ainda a fase final do projeto desenvolvido por quase três anos nas comunidades quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima.

As associações quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima organizaram a festa, cujos preparativos começaram duas semanas antes com a participação de alunos, pais, do ISA e da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Nossa Senhora da Guia (Adecc ). Os 26 alunos do projeto, adolescentes e jovens fizeram a decoração e organizaram as rodas.

Entre os convidados estavam grupos de capoeira como a Associação de Capoeira Quilombo dos Palmares, de Guarulhos/SP; o Grupo de Capoeira Nagolo, de Pedro de Toledo/SP; a Associação de Capoeira Liberdade Camará, de Araçatuba/SP; o Grupo Bernardo Furquim, do Quilombo São Pedro, a Orquestra de Berimbau do Morro do Querosene, situado bairro do Butantan em São Paulo, além das comunidades quilombolas vizinhas à Pedro Cubas. Também participaram da festa dois componentes do Grupo Angoleiros do Sertão (Marcos e Molejo) de Presidente Prudente/SP, Kleber Macaquinho que veio da Bahia e representantes da Eaacone (Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira).

No sábado, os grupos começaram a chegar ao quilombo de Pedro Cubas por volta das 19 hs. Tochas e uma fogueira foram colocadas para a realização de uma roda de confraternização e do jogo da capoeira Angola.

O instrutor Leleco, que treinou o grupo nesses quase três anos, apresentou os convidados e as lideranças quilombolas, Diva e Antonio Jorge, deram as boas vinda a todos expressando a alegria e o orgulho da comunidade em ser o cenário de um momento de intercâmbio cultural e de graduação de seus jovens. Esse encontro foi uma representação da amizade entre os grupos presentes. Depois começou a roda que só terminou às 11 da noite.

Na manhã do domingo (2), os convidados foram recepcionados com um café tradicional quilombola, com cuscuz de arroz, coruja, bolo de mandioca e pão caseiro.

Depois foi a cerimônia de graduação dos alunos do Ponto de Cultura em Capoeira Regional de Bimba no galpão de sapê do quilombo. Seguindo o protocolo da atividade, na abertura, cada mestre foi apresentado (Mestre Marco Lima, Mestre Peixe, Mestre Bililico, Kleber Macaquinho) e cada um deles apresentou seus alunos e formados. Neste momento os convidados foram saudados e a comunidade de Pedro Cubas e o ISA agradeceram a presença de todos. Em seguida, cada graduando fez um jogo com os mestres e formados e recebendo a sua corda colorida. Cada cor corresponde a uma graduação, um estágio de evolução dentro da capoeira.

O último a receber a graduação de cor verde e branca foi o orientador dos alunos de Pedro Cubas, Leleco, que foi homenageado pela comunidade e pelos alunos pelo trabalho desenvolvido no Ponto de Cultura.

Em seguida, a Orquestra de Berimbau do Morro do Querosene, comandada por Dinho Nascimento, encerrou a festa.

O trabalho conjunto de preparação da festa dos jovens e adolescentes com as associações quilombolas foi o destaque do evento. Atividades de integração como esta revelam a diversidade da expressão cultural da capoeira, os diferentes tipos e jeitos de jogar e o respeito pela cultura de cada grupo. A festa foi ainda uma oportunidade de troca entre grupos e pessoas convidadas vindas de outros pontos de cultura, além de contribuir para o fortalecimento da juventude quilombola e de suas expressões culturais.

 

Fonte: ISA, Raquel Pasinato – http://www.socioambiental.org

Reconhecimento aos guardiões da cultura afro-brasileira

Sob pressão da Inglaterra, o estado imperial brasileiro proibiu o comércio de escravos africanos em 1831. Apesar da lei, um intenso tráfico clandestino continuou para o litoral do Brasil, especialmente para as novas áreas cafeeiras em produção. O tráfico transatlântico só seria efetivamente reprimido por uma nova lei em 1850, e somente nesse período, cerca de um milhão de africanos chegaram ao litoral brasileiro, especialmente na costa fluminense. Esses cativos, oriundos da África Central, povoada por diferentes povos falantes das chamadas línguas banto, desembarcavam em portos clandestinos do litoral sul e norte do estado do Rio de Janeiro, resultando em índices significativos tanto da territorialidade negra como da prática de manifestações diretamente relacionadas à memória ancestral. [1]

Para os quilombolas, descendentes de africanos escravizados no Brasil, é uma importante conquista ter a sua comunidade oficialmente reconhecida. É o primeiro passo de uma série de etapas até a titulação, e que já lhes assegura direitos dos quais antes não conseguiam usufruir. O ato de receber, em mãos, a certidão de autorreconhecimento tem significado todo especial. E assim aconteceu, recentemente, em duas comunidades remanescentes de quilombo do Estado do Rio de Janeiro.

 

Baía Formosa

 

Em Armação dos Búzios – município do litoral norte do Rio de Janeiro alçado à condição de atração turística internacional, no início dos anos 1960, pela atriz francesa Brigitte Bardot – a comunidade de Baía Formosa reuniu-se em recepção solene, no dia 23 de fevereiro, para receber do presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, o documento com que tanto sonhou.

A festa foi prestigiada por quilombolas da região e de municípios vizinhos, como os das comunidades de Rasa e Botafogo, e também por autoridades locais. Após um breve histórico sobre a criação e a missão da Fundação Cultural Palmares, o presidente Eloi Ferreira destacou a importância dos quilombolas não só para a história do País, mas, especialmente, em seus valores mais caros: o respeito ao próximo, aos hábitos locais e à natureza.

“Não existem registros de comunidades quilombolas com área de desmatamento, com poluição, com grilagem de terras, com queima de cartórios ou com fraude de certidões. Ser quilombola é ter um vínculo histórico com a resistência à escravidão e com os antepassados. Ser quilombola é ser detentor da cultura afro-brasileira e de sua terra”, enfatizou.

Ao entregar formalmente a certidão de autorreconhecimento à comunidade de Baía Formosa, o presidente da Fundação Cultural Palmares também ressaltou que, quando for conquistada a titulação, a terra passará a ser de propriedade coletiva, ou seja, inalienável – o que, vale lembrar, reproduz o costume ancestral de utilização da terra, fossem as atividades agrícolas, extrativistas ou outras, assim caracterizando diferentes formas de uso e ocupação dos elementos essenciais ao ecossistema, que tomam por base laços de parentesco e vizinhança assentados em relações de solidariedade e reciprocidade. “Assim como uma herança deixada pelos antepassados, essa terra será transmitida aos descendentes de vocês e jamais poderá ser negociada e penhorada”, finalizou Eloi Ferreira.

Um pouco de História – A história das comunidades negras da Região dos Lagos tem como referência a fazenda Santo Inácio dos Campos Novos, localizada em Sesmaria concedida a jesuítas e depois vendida a escravagistas. A Comunidade de Baía Formosa localiza-se nessa região, que já abrigou cultivos principalmente de banana, além de milho e feijão, e onde trabalhavam negros escravos. No período de prosperidade agrícola, tornou-se ponto de desembarque clandestino de navios negreiros após a proibição do tráfico no Brasil. Assim, a área é de ocupação antiga e sua história remonta às fugas dos negros das fazendas. Dessas fugas teria surgido um quilombo, mas, com a assinatura da Lei Áurea, os negros teriam sido expulsos e formado a periferia, onde fizeram descendência. Consta ainda que algumas famílias de ex-escravos e seus descendentes pagavam arrendamento ao proprietário das terras para permanecer no local e, com o tempo, também foram deslocadas pela especulação imobiliária, que é muito forte na região.

 

Santa Rita do Bracuí

 

No dia 24 de fevereiro, a comitiva da Fundação Palmares dirigiu-se ao litoral sul fluminense, na região de Angra dos Reis – outra área onde a especulação imobiliária é significativa – para entregar o documento pertencente à Comunidade Remanescente de Quilombo de Santa Rita do Bracuí.

Ali, como que reproduzindo uma postura ancestral e sem conter a emoção, o presidente Eloi Ferreira de Araujo reverenciou o mestre jongueiro Zé Adriano, de 89 anos de idade – guardião de uma das mais tradicionais manifestações culturais afro-brasileiras, o jongo, e importante liderança local na luta pela titulação das terras – ao lhe entregar oficialmente a certidão de autorreconhecimento, que já havia sido formalizada pela FCP.

Origens – A Comunidade de Santa Rita do Bracuí originou-se em 1877, a partir de uma doação de 260 alqueires que o fazendeiro José de Souza Breves, que ficou conhecido na região como “o comendador Breves”, fez aos seus escravos.

A comunidade foi atingida pela construção da estrada Rio-Santos, que a dividiu em duas partes, e desde os anos 1960 luta contra grileiros e condomínios de luxo para se manter nas terras herdadas dos antepassados. Antigos e jovens moradores compartilham memórias, experiências e projetos – o que resultou em um Ponto de Cultura – e se associam para a construção de alternativas de desenvolvimento comunitário e sustentável.

Conceito – Contemporaneamente, a expressão “quilombo” não se refere estritamente a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou comprovação biológica. Também não se limita a grupos isolados, uma população homogênea ou que necessariamente se tenha constituído a partir de movimentos de insurreição. São, de fato, grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência em manter e reproduzir modos de vida característicos e de consolidação de um território próprio. A identidade quilombola não se define pelo tamanho e número dos membros da comunidade, mas pela experiência vivida e as versões compartilhadas de sua trajetória comum e da continuidade enquanto grupo [2].

 

[1] Jongos, calangos e folias – Memória e música negra em comunidades rurais do Rio de Janeiro. Projeto desenvolvido a partir de 2005 pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) e o Núcleo de Pesquisas em História Cultural (NUPEH) da Universidade Federal Fluminense (UFF), RJ.

[2] O’Dwyer, Eliane Cantarino. Apresentação do Caderno Terra de Quilombos. Rio de Janeiro: UFRJ/ABA, 1995.

Governo Federal aprova projeto baiano para mulheres rurais

A Bahia está entre os dez estados brasileiros que mais se destacam na elaboração de projetos voltados às mulheres camponesas. O Ministério do Desenvolimento Agrário (MDA) divulgou esta semana o resultado da seleção de propostas cujo foco é o fortalecimento da cidadania e da organização produtiva de mulheres rurais. Com isso, são esperados R$ 3,1 milhões, a serem aplicados em iniciativas de acesso à documentação civil e jurídica, implementação de mecanismos de formalização, gestão e comercialização de produtos da agricultura familiar. Os trabalhos serão coordenados pela Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM), contemplando também indígenas, quilombolas, entre outros segmentos de mulheres. Além da Bahia, tiveram propostas aprovadas os estados do Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul e Sergipe.

 

Assessoria de Imprensa: 71 3117-2819

Kleidir Costa (71 8224-2737)

Twitter @SPMulheresBA

Facebook www.facebook.com/SPM/BA

Palmares promove o Seminário Quilombo Vivo

Para discutir a promoção e proteção da cultura quilombola será realizado nos dias 14 e 15 de setembro o Seminário Quilombo Vivo: Promover e proteger o patrimônio cultural quilombola. Para participar, será necessário inscrever-se pelo site da Palmares, preenchendo este formulário. As vagas são limitadas a 150 participantes.

Direcionado a lideranças quilombolas, especialistas em políticas culturais e gestores públicos da área da cultura, o Seminário tem o objetivo de debater estratégias de ação para garantir o reconhecimento, a preservação e a promoção do patrimônio cultural das mais de 1.700 comunidades remanescentes de quilombos certificadas.

Com base nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, o Seminário pretende discutir maneiras de realizar as propostas do Estatuto da Igualdade Racial e do Plano Nacional de Cultura. O evento é resultado de uma parceria entre a Fundação e a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Entre os temas debatidos estão: as criações artísticas, os bens culturais e o registro da memória das comunidades quilombolas; o desenvolvimento da economia da cultura nessas comunidades; a participação e o controle social dessa população na formulação e implementação de políticas culturais; o financiamento, a descentralização e a implementação de políticas públicas culturais para as comunidades quilombolas.

Serviço

O quê: Seminário Quilombo Vivo – Promover e proteger o patrimônio cultural quilombola
Onde: Auditório Freitas Nobre – Anexo IV Subsolo – Câmara dos Deputados – Brasília
Quando: 14 e 15 de setembro
Inscrições: clique aqui

 

Programação

Dia 14/09/2011

9h – 12h
Painel 1: Reconhecimento, valorização, promoção e proteção do patrimônio cultural quilombola.
Painelistas:
Ana de Hollanda – Ministra da Cultura
Eloi Ferreira – Presidente da Fundação Cultural Palmares/MinC
Luiz Fernando de Almeida – Presidente do Iphan/MinC
Cynthia Martins – Professora da Universidade Federal do Estado do Maranhão

14h – 17h
Painel 2: A proteção e promoção das criações artísticas, dos bens culturais e dos registros da memória das comunidades quilombolas.
Painelistas:
Sérgio Mamberti – Secretário de Políticas Culturais/MinC
Ilka Boaventura Leite – Doutora em Antropologia, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina e Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Identidades em Relações Interétnicas

Dia 15/09/2011

9h – 12h
Painel 3: O desenvolvimento da economia da cultura em comunidades quilombolas.
Painelistas:
Cláudia Leitão – Secretária da Economia Criativa/MinC
Henilton Parente de Menezes – Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura/MinC
Mário Theodoro – Secretário Executivo da SEPPIR/PR

14h – 17h
Painel 4: O financiamento, a descentralização e a implementação de políticas públicas culturais para as comunidades quilombolas com participação e controle social.
Painelistas:
Bernardo Machado – Diretor de Programas Integrados da Secretaria de Articulação
Institucional / MinC
Albino Rubim – Secretário de Cultura do Estado da Bahia
Aniceto Catanhede Filho – Doutor em Antropologia e Professor da Universidade Federal do Maranhão

Seminário discutirá políticas públicas para população quilombola em Pernambuco

O Ministério da Integração Nacional e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em parceria com a Fundação Cultural Palmares realizarão nos dias 15 e 16 de junho, o Seminário de Certificação e Regularização Fundiária das Comunidades Quilombolas, em Pernambuco.

O evento tem por objetivo discutir e apresentar as demandas das comunidades quilombolas atendidas pelo Programa de Desenvolvimento das Comunidades Quilombolas (PBA 17) do Projeto de Integração do rio São Francisco com bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF).

A representante da Palmares, Míriam Caetana, apresentará parte do trabalho da instituição que consiste em formalizar a existência destas comunidades. Para Míriam, o evento é uma oportunidade de explicar para os moradores de territórios quilombolas a importância da certificação e da identidade quilombola. “A certificação é o primeiro passo para a regularização fundiária”, explica.

A partir do reconhecimento pela Fundação, as comunidades poderão ser demarcadas, assessoradas juridicamente e desenvolver projetos, programas e políticas públicas de acesso à cidadania. Estarão representadas no evento as comunidades quilombolas de São José e Cachoeira da Onça, Araça, Buenos Aires, Juazeiro Grande, Pedra Branca, Queimadas, Serra do Talhado, Sítio Feijão e Massapê, Conceição das Crioulas, Contendas, Tamboril do Padre e Santana, Cruz do Riacho, Jatobá II e Fazenda Santana dos municípios de Mirandiba, Custódia, Salgueiro e Cabrobró.

SERVIÇO

O quê: Seminário Certificação e Regularização Fundiária das comunidades quilombolas
Quando: 15 e 16 de junho de 2011
Onde: Hotel Talismã – Travessa Lourival Sampaio nº 275 , Bairro Nossa Senhora das Graças, Salgueiro/PE
Mais informações: Ministério da Integração Nacional – (87) 3871-2575

PROGRAMAÇÃO

08h00 às 08h30 – Credenciamento dos participantes
08h30 às 09h00 – Cerimonial de abertura com composição de mesa para formalidades
09h00 às 09h30 – Temática I: Programa de Desenvolvimento das Comunidades Quilombolas
09h30 às 09h45 – Debate
10h15 às 10h45 – Temática II: Certificação das comunidades quilombolas
10h45 às 11h00 – Debate
11h00 às 11h30 – Temática III: Regularização fundiária dos territórios quilombolas
11h30 às 11h45 – Debate
14h45 ás 16h30 – Encaminhamentos e Avaliação.
16h30 ás 17h00 – Encerramento

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

13 de maio – Cultura e política em celebração à data no estado de Pernambuco

Os eventos relativos ao 13 de maio espalham-se por todo o Brasil. Em Pernambuco, a agenda é extensa. O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, participa de atividades em Olinda e em Recife, onde acontecerão encontros com lideranças negras do estado, visitas a fundações e universidades e abertura de projeto turístico para a Copa do Mundo de 2014.

Seminários fazem parte da programação, que envolve a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a Secretaria de Turismo de Pernambuco (Setur) e a Empresa de Turismo do estado (Empetur). Visitas a uma comunidade quilombola e a um núcleo de estudos afro-brasileiros e indígenas estimularão os debates sobre políticas públicas e ações afirmativas destinadas à inclusão de grupos socialmente vulneráveis.

Serão realizadas, ainda, manifestações de Xirê e Canto-Toré, em homenagem ao presidente da Palmares, Eloi Ferreira de Araujo. Promovidos pela Comunidade Tradicional de Terreiros de Pernambuco e pelos Povos Indígenas, ocorrerão durante a ação “Pérola Negra do Saber – Treze de Maio não é dia de negro!”, que objetiva, também, contribuir para a reflexão sobre a condição atual destas populações.

Xirê

Xirê é um rito caracterizado por uma série de cantigas e toques de instrumento executados durante as festas de candomblé. Há uma sequência pré-estabelecida de cantigas para todos os Orixás, começando com as cantigas de Ogum e seguindo-se as de Oxossi.

Fonte: Wikipedia

Toré

É dançado ao ar livre por homens e mulheres que, aos pares, formam um grande círculo que gira em torno do centro. Cada par, ao acompanhar os movimentos, gira em torno de si próprio, pisando fortemente o solo, marcando o ritmo da dança, acompanhado por maracás, gaitas, totens e amuletos e pelo coro de vozes dos dançarinos, que declamam versos de difícil compreensão, puxados pelo guia do grupo, no idioma da tribo.

Fonte: Blog “Índios, nossos antepassados, nossos irmãos”.

Programação

10 de maio
20h, Olinda – Jantar com lideranças do Movimento Negro e personalidades negras do estado.

11 de maio
08h, Olinda – Café da manhã com lideranças culturais de afoxés, maracatus, quilombolas, comunidades tradicionais de terreiros, legislativo e executivo de Olinda e do estado no Quilombo Xambá, bairro de Portão do Gelo.

10h, Olinda – Visita à turma de alunos sacerdotes e sacerdotisas e do curso Língua e Cultura Yorubá do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABIs), da Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso), no Campus da União das Escolas Superiores de Olinda.

12h30, Olinda – Almoço com professores e gestores públicos.

15h, Olinda – Abertura do projeto: Turismo Étnico nas Comunidades de Terreiros e Quilombolas em Pernambuco – Copa 2014, na Empetur e Setur de Pernambuco. Recepção pelos Tambores Falantes de Pernambuco – Secretário de Turismo do Estado e Presidente da EMPETUR, André Correia, e outros Secretários de Estado.

19h, Recife – Abertura da segunda turma do curso de Formação para as Comunidades Tradicionais, de Terreiros e Povos Indígenas (Sacerdócio das religiões de matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas), na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Oferta de Xirê e um Canto-Toré, Comunidade quilombolas.

 

Fonte: http://www.palmares.gov.br

Mutirão de jovens quilombolas encerra primeiro ciclo de oficinas do Ponto de Cultura

No final de semana dos dias 5 e 6 de junho, crianças e adolescentes das comunidades quilombolas de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima, no município de Eldorado, participaram de mutirão para pintar o salão comunitário. Depois assistiram ao filme Avatar e tiveram aula sobre instrumentos musicais utilizados na capoeira

Alunos do curso de capoeira dos quilombos de Pedro Cubas e Pedro Cubas de Cima se reuniram para pintar o salão comunitário de Pedro Cubas de Cima encerrando o primeiro ciclo de oficinas iniciadas em abril e maio sobre o Brasil Colônia, o trabalho escravo e o surgimento dos quilombos. Eles desenharam no piso do salão as marcações para a roda de capoeira. Mais de 30 pessoas, que participam do projeto ajudaram nas atividades.

No sábado, depois de um dia árduo de trabalho, mesclado com brincadeiras, cerca de 100 pessoas da comunidade se reuniram à noite para assistir ao filme Avatar, do diretor James Cameron, em sessão promovida pela equipe técnica do projeto do Ponto de Cultura.

No dia seguinte, o grupo de alunos assistiu a uma aula sobre instrumentos musicais relacionados com a capoeira tais como: berimbau, atabaque, caxixi, agogô, reco-reco e pandeiro. A atividade foi coordenada pelo instrutor Leleco, da Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Nossa Senhora da Guia, de Eldorado/SP. Em seguida, foram agendadas as próximas oficinas com o grupo, que acontecerão em junho e julho.

A dinâmica das oficinas

Atividades lúdicas, recreativas e psicomotoras fazem parte da dinâmica das oficinas realizadas pelo projeto. Os grupos foram divididos por faixa etária e realizaram atividades para estabelecer o que é trabalhar em grupo, e promover a sociabilização entre eles. Por meio de recreação e vídeos eles ouviram um pouco sobre a história do Brasil Colônia, a chegada dos negros e o início da maltas – grupos de capoeiras do Rio de Janeiro que tiveram seu auge na segunda metade do século XIX, compostas principalmente por negros e mulatos , que aterrorizavam a sociedade carioca. Alguns brancos também, faziam parte das maltas.Os técnicos do projeto elaboraram também uma apostila com conteúdo histórico da capoeira e as músicas, mestres, movimentos e ritmos.

Ao final, os participantes fizeram um relato escrito sobre a visão que tinham de suas comunidades. O objetivo foi fortalecer a identidade quilombola por meio da compreensão de sua história e cultura.

Em um desses relatos, um menino de nove anos escreveu: “O Pedro Cubas tem mais de 350 anos e eu moro aqui mais de 9 anos e meio e nunca vi nenhuma criança manter a nossa cultura ou se interessar. Nós crianças não fazemos isto, mas o meu pai, por exemplo vai todo ano para São Paulo cantar e tocar …”

O projeto do Ponto de Cultura é apoiado pela Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo e pretende contribuir para a consolidação de experiências e processos culturais, voltados à integração de jovens e adolescentes nas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Faz parte da estratégia de trabalho adotada pelo ISA em conjunto com as comunidades, de identificação, promoção e valorização dos bens da cultura material e imaterial quilombola do Vale do Ribeira. Vem de encontro à demanda apontada por 14 comunidades quilombolas, do envolvimento dos jovens com a cultura, contida na Agenda socioambiental Quilombola em 2006/2008, elaborada pelas comunidades em conjunto com o ISA. A estratégia para atender a demanda é realizar o levantamento cultural e ao mesmo tempo promover ações práticas de uma manifestação cultural de interesse dos jovens, como é o caso da capoeira.

 

Fonte: http://www.socioambiental.org/

Alagoanos ressaltam importância da participação no FSM e Conneb

A participação de homens e mulheres de Alagoas no Fórum Social Mundial (FSM) e no Congresso de Negros e Negras do Brasil (Conneb), entre os dias 27 de janeiro e 1° de fevereiro foi marcada por discussões que fortaleceram os movimentos sociais do Estado. O ônibus que levou a comitiva alagoana para Belém do Pará reuniu representantes da ONG Anajô, da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), do Movimento dos sem terra (MST), da Comissão de jornalistas pela igualdade racial (Cojira/AL), do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, sindicalistas, entre outros, que vieram de vários municípios.
 
A coordenadora da MMM no Estado, Andréia Malta Brandão destacou a representação feminina no FSM, dizendo que todos os movimentos sociais que estiveram presentes buscam alternativas para construir um mundo melhor e que a Marcha não luta apenas pelo feminismo e sim, apóia outras causas, como o fim do neoliberalismo e do patriarcalismo, que segundo ela são bases do capitalismo, que exclui as pessoas.
 
“Reunimos cerca de 300 mulheres neste FSM e promovemos passeatas a favor da Palestina e do aborto, além de trocarmos experiências com companheiras de outros países, como Congo, França, Canadá, Argentina e Equador. Enquanto existir uma divisão sexual do trabalho não teremos liberdade e buscamos também apóio para as mulheres do Congo, que vivem submissas, são estupradas e mortas, durante a exploração dos recursos naturais daquele país. Vamos fortalecer as discussões em Alagoas, porque em 2010 a MMM vai realizar uma grande caminhada por São Paulo e Rio de Janeiro”, contou Andréia.
Segundo Maria Madalena da Silva – que foi delegada no Conneb e que faz parte da direção da ong Anajô – existe a necessidade do movimento negro alagoano realizar mais encontros, fortalecendo uma representação nacional, apesar de existir o Fórum de Entidades Negras de Alagoas (Fenal). “Foram indicados 10 delegados para o congresso em Belém, mas apenas 4 participaram. No Estado existem cerca de 50 entidades negras, mas em eventos nacionais sentimos um isolamento e precisamos sair dos guetos, principalmente porque representamos o berço dos quilombolas. Temos que realizar uma reunião com o Fenal para expor a situação”, lamentou.
O professor Jorge Luís Riscado, que coordena o projeto Afroatitude, da Universidade Federal de Alagoas disse que sua experiência nas comunidades quilombolas serviu para entender a importância do congresso. “Nas comunidades de Palmeira dos Índios e Batalha as pessoas moram em casas de taipa afastadas da cidade, por isso falta educação e saúde. É preciso disseminar e fortalecer essa discussão e no Conneb isso foi possível”.
Delegados alagoanos no Conneb: Maria Madalena (Anajô), Jorge Riscado (Afroatitude/Ufal) e Noelma Sandra (Unegro)
Já o Conneb, realizado simultaneamente ao fórum, contou com a participação de 250 delegados de entidades negras de todo o país, como a União dos Negros pela Igualdade (Unegro), o Movimento Negro Unificado (MNU), os Agentes de Pastoral Negros (Apns), o Conselho Nacional de Entidades Negras (Conen), entre outras. O próximo encontro será no Rio Grande do Sul, entre os meses de junho e julho deste ano.
FSM – dados gerais
A 8° edição do Fórum Social Mundial (FSM) reuniu 133 mil participantes de 142 países, entre eles 4.500 comunicadores credenciados, dos quais dois mil eram jornalistas, os mil artistas que se apresentaram em atos culturais e mais de 10 mil que trabalharam na organização, alimentação e em outros serviços, contando ainda com a presença de 1.900 indígenas de 190 etnias e 1.400 quilombolas (afrodescendentes de comunidades tradicionais), que levaram para o evento discussões e celebrações próprias. A próxima edição será em 2011, no continente africano.
 
Texto e fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL 

FSM aborda impactos e disputas no território quilombola

“A política para os negros no Brasil e no mundo e os impactos causados no território quilombola” foi o tema de uma palestra ontem (29), na Universidade Rural do Pará (UFRA). A atividade reuniu entidades negras de todo o país, como a Associação das comunidades negras rurais quilombolas do Maranhão (Aconeruc-MA) e o Quilombo de Jambuaçú, do município paraense de Mojú.

Durante o evento o professor Kabemgele Munanga, que nasceu na República Democrática do Congo e que há 35 anos vive no Brasil e ministra as disciplinas de Antropologia e Relações Raciais na Universidade de São Paulo falou sobre a demarcação do território quilombola e das leis que legitimam a posse dessas terras, ressaltando que a questão é polêmica.

“Entre a lei e o cumprimento existe um abismo, apesar de em alguns estados as famílias já terem a titulação. Mas, existem cerca de 2000 comunidades quilombolas no Brasil e menos de 10% tem o registro das terras. Ter o registro da terra não resolve muita coisa porque faltam escolas, saneamento básico, energia elétrica e muitos já foram expulsos por falsos donos e vivem sob ameaças de empresários”, conta.

De acordo com Benedito Cunha, coordenador da Aconeruc-MA, nos anos 80 o governo federal desapropriou do município de Alcântara terras de 300 famílias de 10 comunidades, para a implantação de um centro espacial. Atualmente, existem 22 mil habitantes distribuídos em 162 comunidades quilombolas nas imediações do centro, que lutam para receberem o título das terras, já que existe o projeto para a construção de uma base para lançamentos de foguetes no local.

Benedito Cunha, Coordenador da Aconeruc, falou sobre a luta pelas terras das comunidades quilombolas do Maranhão:

“Várias famílias foram deslocadas para propriedades menores e inférteis e sem terem emprego tiveram que ir para a capital morar em bairros periféricos. Interditamos as obras da base, tirando as máquinas e o Incra já fez o levantamento e nos deu a possa das terras, mas nosso medo é que tenhamos que sair por causa dos impactos, já que o centro fica praticamente nos nossos quintais”, esclarece.

Benedito Cunha ressalta ainda que “a empresa responsável pelas obras da base culpa as comunidades quilombolas, dizendo que elas atrasam o desenvolvimento do país”. “O Roberto Amaral, que é dono da empresa binacional ACS, que surgiu por causa de uma acordo firmado entre o Brasil e a Ucrânia tem espaço na mídia para dizer que somos culpados pelo atraso nas obras, mas queremos apenas nossos direitos”, destaca.
 
 
Texto e Fotos: Emanuelle Oliveira
Jornalista e integrante da Cojira-AL

Fonte:  www.cojira-al.blogspot.com