O Sabor do Saber Ancestral 2011
13 Set 2011

O Sabor do Saber Ancestral 2011

O Sabor do Saber Ancestral 2011 – Sob o olhar da mandinga O Sabor do Saber Ancestral surgiu a partir de uma feijoada

13 Set 2011

O Sabor do Saber Ancestral 2011 – Sob o olhar da mandinga

O Sabor do Saber Ancestral surgiu a partir de uma feijoada de obrigação religiosa, consagrada anualmente a Ogum. Realizada desde os primórdios do grupo, a feijoada gradualmente transformou-se em um evento que abrange uma semana de oficinas, rodas, palestras, exibição filmes e vivências, tendo como fio condutor a relação entre a ancestralidade, a cultura, as lutas e valores civilizatórios de matriz africana.

Este ano, o tema do evento será “Sob o olhar da mandinga”. A palavra mandinga é uma herança dos mandinka, povo africano islamizado descendente do Império Mali, conhecido no Brasil por suas práticas místicas/religiosas (o uso de versos do alcorão em bolsinhas amarradas ao peito originou os atuais patuás). O termo passou a significar popularmente, feitiço, magia. Na capoeira, mandinga não significa apenas a malícia, o engodo, a capacidade de ludibriar o camarada com o corpo, mas remete ao lado oculto da capoeiragem. Ao segredo, aos cuidados e preceitos para com o corpo, à ligação com as religiões de matriz africana, à capacidade sutil de manipular energias. Sob o olhar da mandinga é um convite à vivência e reflexão desse místico universo cultural afro-brasileiro, uma degustação d’O Sabor do Saber Ancestral.

 

O Sabor do Saber Ancestral 2011 Sob o olhar da mandinga

ACANNE: 25 anos de resistência!

Esse evento é também um marco de comemoração dos 25 anos da Acanne, um dos grupos de capoeira angola mais antigos da Bahia. A Acanne foi fundada em 1986, na Fazenda Grande do Retiro, em Salvador, pelo Mestre Renê Bitencourt. Discípulo do saudoso Mestre Paulo dos Anjos, herdeiro da linhagem de Canjiquinha e Aberrê, Renê destacou-se como um dos protagonistas na articulação política da capoeira angola nas décadas de 80 e 90, ajudando a conceber e organizar os históricos Encontros Mestre Paulo dos Anjos, em Mar Grande, Itaparica, além do movimento Capoeira Solidária, em Salvador.

A Acanne foi responsável pela criação de uma coluna semanal de capoeira no jornal A Tarde, entre 1987 e 1993, que divulgava eventos da capoeiragem de toda a cidade. Em 1987, liderou o processo de criação da ABCA – Associação Brasileira de Capoeira Angola, e a partir da década de 90 organizou os lendários Encontros dos Guardiões da Capoeira Angola da Bahia, reunindo a velha-guarda dessa rica manifestação cultural afro-brasileira.

Por volta de 2000 o grupo mudou-se para a atual sede no Largo 2 de Julho, mantendo uma base na Fazenda Grande, onde realiza atividades de arte-educação com crianças e adolescentes. A Acanne também mantém núcleos em Porto Alegre, Erexim e Passo Fundo (RS); Poços de Caldas (MG); Tunapuna (Trinidad e Tobago); Phoenix (EUA) e Paris (França). Em Salvador, o grupo realiza anualmente dois eventos principais: O Sabor do Saber Ancestral e o Pra Contar Certo Tem Que Ver de Perto, um ciclo de vivências, palestras e oficinas que acontecem no mês de Julho visando trazer capoeiristas de todo o mundo pra conhecer os mestres antigos em seu ambiente cultural, incentivando a permanência destes na Bahia.

 

 

“QUANDO A CAPOEIRA NÃO PERDE RAIZ ELA INTROJETA LIÇÕES, FAZ MESTRES E DEIXA LEGADO”

MESTRE RENÊ BITENCOURT

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