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Entrevista Mestre Canjiquinha 1960

Entrevista Mestre Canjiquinha 1960, gravada por Janice Marie Smith.

Compilação de videos e imagens, com audio incidental da entrevista de 1960 de Washington Bruno da Silva -Mestre Canjiquinha.

 

(entrevista começa +- 1:30 mins)

 

Nascido em setembro de 1925, filho de alfaiate José Bruno da Silva e de lavadeira Amália Maria da Conceição, em Salvador Bahia.

Aprendeu a arte da capoeiragem com Mestre Raimundo “Aberrê” em Matatu Pequeno, na Baixa de Tubo, Brotas – BA.

Era contra-mestre de Mestre Pastinha, goleiro do Ipiranga e participou no filmes: O Pagador de Promessas e Barravento. Gravou CDs e escreveu o livro “A Alegria da Capoeira”, publicado em 1989.

Em 1988 criou a “Academia de Canjiquinha e Seus Amigos”, no bairro Colina do Mar – Bahia.

Entrevista Mestre Canjiquinha 1960 Capoeira Portal Capoeira

Imagem por: Velhos Mestres

Ver Mais:

Portal Capoeira: Notícias, Artigos, Crônicas e Downloads “MOVIDOS POR UMA INCONDICIONAL PAIXÃO PELA CAPOEIRAGEM…”

 

Agradecimentos:

Teimosia e alexlilico pelos videos. (youtube)

Mestre Cobra mansa pelo audio da entrevista.

Nota de Falecimento: Mestre Joel

Nota de Falecimento: Mestre Joel

MESTRE JOEL DE MENEZES FALECEU EM SALVADOR – 03/06/2020

Diagnosticado com covid-19, esteve internado em Salvador; sogros também tiveram doença

Um dos responsáveis por levar a capoeira para São Paulo, o mestre Joel de Menezes, 76 anos, faleceu após ter testado positivo para o novo coronavírus. O mestre esteve internado em estado grave no Hospital Ernesto Simões, em Salvador desde o dia 12/05/2020.

Pioneirismo

Nascido em Santo Amaro e criado em Feira de Santana, Mestre Joel residiu em Salvador, mas sempre fazia viagens para São Paulo, onde formou grupos de capoeira.

Segundo Mestre Dadá, Joel aprendeu a arte com o Mestre Arara, que era aluno do Mestre Bimba, e sempre tentou preservar as raízes e tradições da capoeira.

Em 1972, Joel foi reconhecido como mestre de capoeira por Mestre Bimba. O baiano é presidente do grupo Organização Onças de São Paulo e da Associação de Capoeira Ilha de Itapuã.

Além de expandir o alcance da capoeira, Mestre Joel foi um dos primeiros a gravar discos com músicas de capoeira. “Ele gravou discos nos chamados bolachões. Ele foi um dos pioneiros nessa gravação, com músicas que sempre falam da Bahia”, explicou Dadá.

Em 1979, o mestre lançou Capoeira, que foi seguido de Capoeira Raiz, de 1993. Por fim, foi lançado o disco Capoeira Volume 1, datado de 1994.

Desejemos os mais siceros pêsames, muita força e luz à família, amigos e a comunidade capoeira…

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA

Há tempos, ou por toda a minha trajetória, tenho sido convidada para fazer falas em eventos. Já virei figura carimbada com rótulo de depoimentos que revelam a minha história de vida, e como, na condição feminina, consegui sobreviver a um processo formativo até a titulação de mestre de capoeira, na BAHIA. Sobre a natureza destes convites e o que está por trás deles, revelando o lugar (in)COMUM de tudo aquilo que uma mulher pode fazer na capoeira, que vamos tratar neste texto.

Peço, no entanto, que a força do feminino que habita em cada um de nós, da sedutora e intuitiva mãe Oxum, possa abençoar meus dedos a fazer uma escrita sensata, sensível e antenada com o mundo que acredito, um mundo de homens e mulheres vivendo juntos e em harmonia, demonstrando a sabedoria da equidade, do feminino e do masculino em ato e amor.

Então… quando penso nos convites que recebi e dei conta, revelam-se muitas dúvidas, outras tantas certezas que circundam o pensamento sobre a formação de mulheres em capoeira.

Nas dúvidas, acredito que perguntas como: Será que ela tem competências em capoeira? Como será que foi o percurso formativo desta mestra? Será que ela vive o mesmo universo que o meu? Será que de fato ela vive, com a mesma intensidade, as cobranças que são feitas aos homens diante dos elementos que fundamentam a capoeira? Será que não foi uma graduação de benevolência do seu mestre, que por vezes pode ser também seu esposo? Será que não “entrou pela janela”?

Nas certezas, seguem convicções como: Vou enxertar a programação com esta mestra para afastar o discurso de que sou machista e não dou vez a mulher!… Se ela for fraca, é mulher mesmo!… Vou pedir a ela pra contar sua trajetória de vida, pois, sabendo que mulheres são frágeis e incompetentes, ela preencherá o tempo destinado a esta concessão no evento “contando histórias” e o resto eu preencho com “capoeira de verdade”, protagonizado pelos companheiros que convidei! …

Entre dúvidas e certezas, sempre está a baixa expectativa do meu potencial enquanto capoeirista… Se há culpados? Com certeza! Mas prefiro crer que mais que encontrá-los/las posso anunciar saídas… Entre as dúvidas e certezas, que prefiro conceituar de certezas provisórias, mora a brecha da possibilidade de encontrar em mim mais do que uma contadora de história de vida.

Se ao invés das motivações descritas acima você me convidar para apresentar os saberes que me constituem enquanto mestra, poderá identificar a qualidade, ou não, de minha formação, cada passo que dei para conquistar este lugar de fala – o lugar de conhecedora da arte capoeira… Cada toque que fiz e refiz para alcançar o alto nível em meu tocar… Cada cantiga que entoei, de diferentes mestres antigos que escutei para dar vida ao meu canto… Cada aluno que toquei nas mãos para fazer nascer o brilho e encanto pela capoeira… Cada evento que produzi, para ver a capoeira se estabelecendo enquanto ferramenta de formação humana… Cada roda que experimentei pelo mundo afora, vivenciando a vida por dentro do jogo e o jogo por dentro da vida…

Em qualquer arte, ou campo do conhecimento, semelhante a capoeira, nós somos reconhecidos pelo que produzimos, por isso convido a todos/as a refletirem porque com relação a mulheres e capoeira seria diferente? Não precisamos de concessões, precisamos de um convite, precedido de investigação sobre nosso “fazer capoeira”, para que depois desta análise prévia, você se deixe encantar pelo que vamos apresentar aos seus alunos ou congressistas.

É claro que, neste caminho, encontrarás muitas mulheres que, tal como homens, se escondem em um discurso que nem sempre é acompanhado por uma prática que o sustente, uma berimbau que fale, uma cantiga que arrepie, nem um jogo bem jogado. Muitas vezes ao procurar sua palestrante ou oficineira, irás se deparar com mulheres que não experimentaram a capoeira com profundidade… que não sabem “nem pra onde vai, nem de onde vem” a capoeira… não conhecem seus antigos… suas manhas… nunca tocou, por exemplo, o toque de Iúna pra uma platéia de 100 pessoas, na charanga da regional, para dar vez ao jogo de formados com balões da cintura desprezada… ou não, nunca abriu uma roda de Capoeira Angola com uma ladainha bem entoada, contando a história de seus ancestrais… Isso é que separa o “jóio do trigo”, isso é o que queremos dizer quando falamos “não tem farinha no saco”, serve para mulheres e para homens…

Portanto capoeiras!… quando pensarem em uma mulher para compor o seu evento, pensem na capoeira que a preenche, pois assim estará assegurando a respeitabilidade por quem você convida, o berimbau bem tocado, a cantiga que arrepia e o jogo cadenciado, referenciado, agigantando a mulher na capoeira pela capoeira na mulher.

Axé!

 

* THE (UN)COMMON PLACE OF WOMEN IN CAPOEIRA *

By: Mestra Brisa

For some time, or throughout my career, I have been invited to speak at events. I have already become a figure stamped with testimonials label that reveals my life story, and how, as a female, I managed to survive a formative process until the title of capoeira master, in BAHIA. About the nature of these invitations and what is behind them, revealing the (in) COMMON place of everything that a woman can do in capoeira, which we will deal with within this text.

I ask, however, that the strength of the feminine that lives in each one of us, of the seductive and intuitive mother Oxum, can bless my fingers to do sensible, sensitive and attuned writing with the world I believe in, a world of men and women living together and in harmony, demonstrating the wisdom of equity, feminine and masculine in act and love.

So … when I think about the invitations I received and realized, there are many doubts, many other certainties that surround the thinking about the formation of women in capoeira.

When in doubt, I believe that questions such as: Does she have skills in capoeira? How was the training course for this teacher? Does she live the same universe as mine? Does it really live, with the same intensity, the demands made on men in the face of the elements that underpin capoeira? Was it not a degree of benevolence from your master, who can sometimes also be your husband? Did it not “come in through the window”?

O LUGAR (IN)COMUM DA MULHER NA CAPOEIRA Capoeira Mulheres Portal Capoeira

Certainly, they follow convictions such as I will engraft the programming with this master to rule out the discourse that I am a sexist and I don’t give the woman a chance! … If she is weak, she is a woman! … I will ask her to tell her life trajectory, because, knowing that women are fragile and incompetent, she will fill the time destined for this concession in the event “telling stories” and the rest I fill with “capoeira de truth”, led by the companions I invited! …

Among doubts and certainties, there is always a low expectation of my potential as a capoeirista … If there are culprits? For sure! But I prefer to believe that more than finding them, I can announce ways out … Among the doubts and certainties, which I prefer to conceptualize as provisional certainties, there is a gap in the possibility of finding in me more than a life storyteller.

If instead of the motivations described above, you invite me to present the knowledge that constitutes me as a teacher, you will be able to identify the quality, or not, of my training, every step I took to conquer this place of speech – the place of knowledge of capoeira art … Each touch that I made and remade to reach the highest level in my playing … Each song that I sang, from different ancient masters that I heard to give life to my singing … Each student that I touched my hands to make the brilliance and charm for capoeira … Each event I produced, to see capoeira establishing itself as a tool of human formation … Each roda that I experienced around the world, experiencing life inside the game and the game inside life. ..

In any art, or field of knowledge, similar to capoeira, we are recognized for what we produce, so I invite everyone to reflect on why it would be different from women and capoeira? We do not need concessions, we need an invitation, preceded by an investigation of our “making capoeira” so that after this previous analysis, you will be enchanted by what we are going to present to your students or congressmen.

Of course, on this path, you will find many women who, like men, hide in a speech that is not always accompanied by a practice that sustains them, a berimbau that speaks, a song that chills, or a game well played. Often when looking for your speaker or workshop, you will come across women who have not experienced capoeira in-depth … who do not know “neither where to go, nor where” capoeira comes from … they do not know their old ones … your morning … never touched, for example, Iúna’s touch for an audience of 100 people, in the charanga of the regional, to give time to the game of graduates with balloons from the despised waist … or not, never opened a circle of Capoeira Angola with a well-intoned ladainha, telling the story of its ancestors … This is what separates the “jewel from the wheat”, this is what we mean when we say “there is no flour in the bag”, it is for women and for men …

So capoeiras! … when you think of a woman to compose your event, think of the capoeira that fills it, as this will ensure respectability for those you invite, the berimbau well played, the song that chills and the cadenced game, referenced, looming the woman in capoeira by the capoeira in the woman.

Axe!

Coletivo Capoeiragem Bahia

Coletivo Capoeiragem – Bahia

“Era eu era meu mano… Era meu mano era eu

O importante é estar juntos… Mesmo que distantes…

Coletivo Capoeiragem, unindo ideias e ideais…

 

 

Mestre Jean Pangolin, Mestra Brisa e Milani juntos em um um bate papo informal e descontraído sobre capoeiragem… Não percam!

 

Coletivo Capoeiragem BA Capoeira Portal Capoeira

 

 

Nesta Sexta-feira, 15/05 no canal do Portal Capoeira no Facebook:

https://facebook.com/portalcapoeira/videos

16:00hs Brasil – (Brasília)

21:00hs Alemanha-Itália-Espanha

22:00hs Russia- 20:00hs Portugal

#capoeira #capoeiragem #mestrabrisa #jeanpangolin #milanicapoeira #portalcapoeira #coletivocapoeiragem #todosjuntos

Ginga…

Ginga…

A palavra “ginga” possui uma origem desconhecida, contudo especula-se uma possível vinculação com o nome pelo qual ficou conhecida D. Ana de Sousa, rainha histórica dos reinos angolanos de Ndongo e Matamba. Neste sentido, mesmo não encontrando uma relação direta com a ancestralidade africana, acreditamos que possivelmente exista algum tipo de vinculação, considerando que o vocábulo em Portugal assume outra conotação diversa.

No Candomblé os termos “jika” ou “gicá” são associados a movimentos circulares executados com os ombros, em uma dança sensual, sinuosa e com muito molejo, perspectiva que nos aproxima de parte do sentido atribuído a palavra “ginga” no Brasil, em referencia a capacidade de mobilidade de um individuo, seu “meneio”, sua habilidade em desvensilhar-se de situações difíceis com a corporeidade.

Para alem da associação à mobilidade, a palavra “ginga” também assume a conotação de saber “se virar” em situações imprevistas, ou seja, a capacidade de contornar problemas no cotidiano. Assim, em capoeira, o sentido da ginga incorpora esta ambigüidade metafórica, ratificando que o referido movimento transita entre a capacidade de mobilidade corporal no jogo, mas também assume a subjetividade nos comportamentos para a superação dos conflitos em sociedade.

Tecnicamente, a biomecânica da ginga em capoeira possui uma função fluida, que mescla simultaneamente a capacidade de defesa, ataque e dissimulação de intenções, portanto, como em grande parte da cultura afro descendente, fica impossível definir um sentido único e monolítico a mobilidade no contexto cultural, pois, ao contrario da sociedade ocidental, em africanidades não separamos os diferentes momentos sociais, sendo freqüente a possibilidade de um mesmo “movimento” expressar aspectos religiosos, lúdicos, festivos e laborais, sem contudo, perder de vista o profundo respeito ritualístico a cada um destes aspectos da vida em sociedade.

E aí, vamos gingar mais?

 

Por: Mestre Jean Pangolin

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

O CAPOEIRA NA “RODA DA VIDA” – Pensando em Esperanças

Os dilemas constantes da pós modernidade, considerando a grande inconstância da realidade, tornam cada vez mais difícil discernir/escolher entre a busca pelas “coisas da vida” e o cuidado com a “vida das coisas”, pois em um fração de segundos somos capazes de acusar, julgar, condenar e até executar a pena de uma pessoa que consideramos de conduta inapropriada, segundo nossa crenças e valores.

Vivemos em permanente estado de alerta, sempre ávidos a nos escudar pela denuncia do que esta no outro, pois é muito doloroso voltar o olha para nossas próprias imperfeições. Agredimos, gritamos, difamamos e odiamos pessoas, apenas por defenderem idéias diferentes, confundindo a crença alheia com a própria personalidade de quem a professa. Onde isso vai parar?

Não somos capazes de exercitar a tão falada alteridade, pois, em fluxo continuo temos nos tornado aquilo que mais criticamos, muitas vezes utilizando as mesmas armas do excludente de outrora, para excluir outros que nos desagradam. Neste sentido, como bem dito por Paulo Freire, repetimos o comportamento do “oprimido gestando o opressor”. Reivindicamos respeito ao direito de um dado coletivo, invariavelmente, atropelando o exercício deliberativo de outros. Exigimos a possibilidade de “falar”, mas silenciamos quem pensa diferente. Reclamamos da opressão, mas na primeira oportunidade que temos, oprimimos cruelmente e ainda argumentamos que foi merecido, pois os fins justificam os meios.

As relações se tornam frágeis e volúveis, mediadas por uma linha fininha que separa o bom senso e o rancor desmedido, considerando sempre alguma disputa de poder provisória, envolvendo algo que não se sustentará no tempo. Desta forma, na maioria das vezes, os embates não são verdadeiramente sobre e/ou em favor da capoeira, mas sim, entre pessoas, como descreve Foucault, em sua obra “Microfisica do Poder”.

As pessoas envolvidas na “cena social” da capoeira, muitas vezes desconsideram a “roda da vida”, não sendo capazes de aplicar os ensinamentos da arte no exercício cotidiano de lida com sua comunidade, esquecendo de jogar “com” e não “contra” o outro, negando que é no fluxo dialógico que validamos a substituição do “argumento da força” pela “força do argumento”. Por que é tão difícil ser capoeira na vida?

Queremos colher o que não plantamos e fugimos da colheita daquilo que já foi plantado por nós mesmos, pois não aceitamos “errar”, confundindo esse “erro” com algo negativo, e não como possibilidade de emancipação pelo aprendizado de quem tentou “acertar”, ratificando a crise pós moderna do mundo em que “somos livres e podemos TUDO”, mesmo que isso não exista na totalidade material da vida, pois a liberdade sempre pressupõe responsabilidade com as conseqüências do que fazemos.

Eu guardei minha “pedra”, e você, vai continuar jogando as suas, ou me ajudará a juntar todas que jogam em nós,  para JUNTOS, construirmos nosso “castelo”?

Com esperança em dias melhores, AXÉ.:

 

Por: Mestre Jean Pangolin

Capoeira Fake: A diferença entre o “real” e o exposto nas redes sociais

Capoeira Fake: A diferença entre o “real” e o exposto nas redes sociais

O título “capoeira fake” faz uma alusão ao uso das redes sociais como mecanismo de legitimação pessoal e/ou de ideias, sem a devida sustentação em fatos concretos da realidade, criando uma ilusão e falseando a realidade em função de algum objetivo.

As ditas “fake news” são informações mentirosas publicadas em redes sociais como se fossem informações reais. Desta forma, esse tipo de texto, em sua maior parte, é feito e divulgado com o objetivo de legitimar um ponto de vista ou prejudicar uma pessoa ou grupo.

Em capoeira, o uso das redes sociais, funciona como uma faca de dois gumes, pois potencializa informações importantes e com grande alcance, mas também tem servido ao propósito difamatório, de pessoas e instituições, bem como a auto-promoção de anônimos/as que não produzem absolutamente NADA para a capoeira.

Atualmente eventos esvaziados ficam cheios pela simples manipulação do ângulo da imagem, fotografias antigas são “clonadas” com imagens recentes, vídeos são editados em função de “vender” uma ideia, dentre outras, e se não bastasse isso, ainda temos uma “cena” favorável, pois uma grande parcela da comunidade de capoeira carece do senso crítico necessário para separar o “joio do trigo”.

Na internet “covardes” ficam valentes, preguiçosos/as se transformam em grandes trabalhadores/as da arte capoeira e falsas ideias são difundidas como a “descoberta da roda”….Muito triste, mas essa realidade faseada tem sido a camuflagem de um exército de pessoas de má fé, manipulando a “consciência ingênua” das pessoas menos favorecidas…..Acordaaaaa capoeira!!!!

O problema esta nas redes sociais? Não, pois estas são apenas o veículo, considerando que o real problema é a índole e intenção daquelas pessoas que produzem a informação.

Como atenuar esse problema? Duvidando de tudo que acessamos e nos colocando como investigadores incansáveis da “verdade”…..Veja como pode ser simples….Imaginem uma situação fictícia…..Xícara sem alça desafiou Mestre “x” pelo Whatsapp, mas quando encontrou o referido Mestre em uma roda, colocou o “rabinho entre as pernas”….rsrsrsrsrs…..Valentão fake….
Xícara sem alça disse que a capoeira é africana, mas quando você foi estudar, percebeu que isso não é possível…Aí você, inteligente, faz a conexão entre o dito sobre a capoeira africana e as intenções escusas para ampliar o “negocio” de Xícara….rsrsrs

O mais importante desta nossa reflexão é que possamos entender que o mundo da capoeira não é uma ilha, portanto estará sempre susceptível as mazelas comuns da natureza humana, sendo importante sempre perceber o “contexto de cada texto”.

O crivo que tenho utilizado é sempre a própria capoeira, ou seja, o referido Xícara sem alça canta? Toca? Joga? Tem trabalho com discípulos? Conhece o fundamento? Tem serviços prestados à capoeira? Porque, para mim, fora disso será sempre uma pessoa “capoeira fake”….Como se diz aqui na minha terra ….”Bunda de caruru”….rsrsrsrs.

Meu povo…! Vamos tentar nos transformar, sendo a mudança que sonhamos para o mundo, pois o “bonde” da história tá passando e nos julgando….

Eu já ponguei no tal bonde, e você????

Axé.

Entre a Capoeira Referenciada e a Copiada

Entre a Capoeira Referenciada e a Copiada

O dias atuais tem nos convocado a pensarmos de forma mais ampliada, considerando o rompimento com alguns modelos e dogmas sociais, sendo a capoeira palco também desta demanda. Assim, tentarei tratar um pouco sobre o desafio de se romper o molde de protótipo de “super capoeira” da atualidade.

A economia de mercado tem “coisificado” pessoas, transformando-as em engrenagens de um famigerado negócio em favor do lucro a qualquer preço, e em capoeira temos isso expresso, dentre as muitas maneiras, na forma que nos movimentamos no jogo.

Geralmente o modelo de “sucesso” econômico em capoeira é aquele mais adequado ao que o “mercado” quer ver, e isso esta tão impregnado nos praticantes, que a maioria nem se percebe fazendo movimentos e expressões completamente desconectados da dinâmica cultural da arte, e/ou alheio ao que se pede no ritual daquele momento.

Certa feita perguntei a um destes “super capoeira” do momento, por que ele durante o jogo fazia uma parada de mãos, arqueando a coluna e olhando para o chão? …Ele respondeu que fazia isso porque era um movimento difícil e esteticamente bonito….Eu, por curiosidade, perguntei…E se o cara que tá jogando com você te der uma cabeçada?….Ele respondeu….”Aí ele está sendo desleal, pois é o momento do floreio …..Agradeci o diálogo e fui embora….No outro dia, após a oficina deste rapaz, estavam todos tentando fazer o mesmo movimento….E aí, o que dizer?

Entendi que imitar evita pensar muito, pois basta copiar, contudo, a capoeira nem sempre segue o ordenamento bonitinho….rsrsrs…..Na primeira festa de largo destes capoeiras cópias, eles entenderam que “calça de homem não cabe em menino”….E o pior é que muitos não entenderam até hoje o que aconteceu…

Qualquer movimento é benvindo em capoeira, desde que o “texto/jogo” respeite o “contexto/ritual”, pois fora disso, irá facilitar muito a vida de quem joga com essas figuras, pois viu um copiador, já viu todos.

Nossa reivindicação é em favor de termos uma capoeira com referência, em que a forma de jogo, lembra alguém que me inspira, e não o que temos visto hoje, uma total perda de identidade.

O esporte capoeira me preocupa, pois a depender do formato, poderá enquadrar, rotular e pasteurizar a dinâmica de jogo, e se assim for, a capoeira vai “chorar” e se esvair do corpo de quem a prática.

O mistério da capoeira é o “velho no novo”/ancestralidade, e o espírito “novo no velho”, com capacidade adaptativa temporal para continuar contribuindo com a arte , reinventando-se sempre que necessário.

Vem comigo, pois sozinho não consigo…Vamos na “forma” sem forma, no jogo que deixa fluir o inusitado e faz brotar a capoeira de “dentro pra fora”.

Axé.

Responsabilidades formativas em capoeira: O “freio de arrumação” na “casa de mãe joana”

Responsabilidades formativas em capoeira: O “freio de arrumação” na “casa de mãe joana”

Os ditos populares do subtítulo fazem referência a organização abrupta (freio de arrumação) de algo desorganizado (casa de mãe Joana). Neste sentido, seguiremos fazendo uma reflexão sobre as responsabilidades dos envolvidos no processo formativo em capoeira.

O Mestre será sempre o principal responsável pela formação de seus discípulos, mesmo que devamos considerar a coparticipação de outros agentes nesse processo, incluindo o próprio discípulo.

Quando um Mestre atribui uma titulação a alguém em capoeira, ele empresta “valor” a um dado processo formativo, que invariavelmente influência a comunidade para além dos limites da instituição que os envolvidos diretamente fazem parte, ou seja, graduar/reconhecer alguém em capoeira é como o cometa, ele passará, mas sempre deixa um rastro com seu “rabo”.

Esse papo de autonomia na formação é extremamente perigoso, pois cria a falsa ideia de que ações individuais não podem ser também parametrizadas pelo coletivo, como se uma pessoa pudesse sair atirando livremente nas ruas por conta do respeito à sua autonomia decisória.

As motivações para se graduar alguém em capoeira são as mais variadas possíveis….o Mestre precisa de grana….o Mestre quer demonstrar poder….o Mestre quer expandir seu “negócio”….o Mestre quer fazer uma “moral” com quem gradua….sei lá.. São tantas aberrações que chega a ser constrangedor descrever aqui. Desta forma, muitas vezes, a intenção primeira do processo formativo, desenvolver a capoeira, fica ofuscada pelos delírios de um Mestre “confuso”.

Qual a justificativa para se graduar alguém afastado da capoeira? Como é possível alguém chegar a mestria sem ter serviços prestados à capoeira? É legítima uma titulação “na tora”, apenas pela vontade de quem gradua?

Uma analogia interessante é quando imaginamos um tocador de piano clássico que não sabe afinar o próprio instrumento….”estranho”, mas na capoeira é possível ver alguém chegar a mestria sem saber nem armar um berimbau, pois para esse indivíduo, afina-lo seria uma espécie de “luxo pedagogico”…Onde vamos parar nessa “casa de mãe Joana”?

E se não bastasse o equívoco de agentes diretos envolvidos neste absurdo, ainda temos uma comunidade que tolera, aplaude de frente, e fofoca pelas costas destes Mestre atrapalhados, sendo o mais grave de tudo isso, que todos sabem, pelos códigos simbólicos culturais, quem tem “nome” e quem tem “apelido”.

Em alusão ao “mito da caverna” de Platão, penso que é preciso fazermos um pacto pela capoeira, sendo justos conosco e com o coletivo, convocando as pessoas que se enquadram nessa absoluta obscuridade, a sair da zona de conforto e buscar a “luz” fora da “caverna”/Mestre/grupo.

Se liga, pois quem é de grupo não cai em “grupo”.

Axé!

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

O século XXI nos imprime uma serie de releituras sobre alguns papeis sociais, dentre estes, destacamos a figura do facilitador em capoeira, considerando que este constantemente está sendo resinificado pelas demandas da conjuntura atual.

A mestria, em tese, deveria ser um ato sublime, pois pressupõe a possibilidade de difusão do conhecimento e consequente continuidade de uma arte ancestral, contudo, nem sempre tem sido assim, pois a figura do mediador em capoeira parece corroída pelas contradições da exploração do homem pelo homem. Assim, temos visto em muitos lugares uma relativa confusão sobre as reais implicações formativas de um processo de ensino aprendizagem capitaneado por alguém que não se coloca a serviço dos interesses da capoeira e sua comunidade.

Hoje, são frequentes as reuniões de pessoas que buscam, mediante objetivos comuns, a criação de espaços de poder que funcionam como uma espécie de “escudo das incompetências”, ou seja, são encontros sectáristas de um dado segmento do segmentos, que excluem a possibilidade de diálogo com a diversidade que compõe a comunidade, em favor do argumento de empoderamento dos membros reunidos e afins. Neste sentido, se este processo fosse apenas uma estratégia de fluxo provisório, mesmo estando em desencontro com a lógica inclusiva da capoeira, seria menos mal, mas o que estamos observando é uma avalanche de eventos propondo discussões fragmentadas, que enfraquecem a força coletiva de uma comunidade que clama por dias melhores.

Na formação em capoeira cabe ao mestre a responsabilidade de guiar os mais novos no processo educativo, mas muitas vezes, estes preferem ficar à margem dos espaços decisórios, ampliando o espaço para os “grupinhos”, que habilmente sabem usar o discurso para criar uma falsa ideia de que estão ali para defender os interesses do coletivo, contudo, sabemos que na realidade só estão preocupados com seu próprio “umbigo”.

Obviamente todos os temas emergentes na sociedade podem e devem ser abordados como estratégia formativa, mas daí a submeter a comunidade a dita “polêmica do minuto” apenas como forma de aparecer, denota um procedimento egoísta e pouco producente para a arte.

Os eventos, aglutinações, grupos, dentre outros, deveriam sempre estar focados nos interesses da comunidade e sua melhoria, mas as disputas de poder ofuscam o bom senso e levam pessoas esclarecidas ao equívoco de confundir a leitura da “parte” como resposta para os desafios do “todo”.

Vamos refletir sobre o que desejamos e como agimos para atingir os objetivos, pois muitas vezes falamos uma coisa e executamos ações contrarias a intenção daquilo que expressamos.

 

Por: Mestre Jean pangolin