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Escola Aberta Trabalha a Educação Ambiental por meio da Capoeira

Trabalhar em prol do fortalecimento cultural e da preservação e Educação Ambiental. Esta foi a meta da Escola Estadual Professora Hilda Miranda Nascimento, em Serra, em parceira com um grupo de Capoeira, que promoveu no último fim de semana o I Ecoberimbau 2010.

Foram três dias de apresentações, oficinas e atividades, para mais de 50 pessoas que passaram pela escola. O curso de fabricação de berimbau ecológico foi o que mais chamou a atenção.

Além do incentivo à prática esportiva da capoeira nas comunidades, os oficineiros ensinaram aos participantes como é a confecção de berimbaus e a preservação da biriba, matéria-prima do instrumento.

“O objetivo principal do nosso encontro foi conscientizar as pessoas sobre a correta utilização desta madeira, para que não venhamos prejudicar o meio ambiente”, explicou o supervisor estadual do programa nas escolas localizadas no município de Serra, Amaury Motta da Silva Lamas.

Em meio às atividades, alguns alunos participantes do Escola Aberta e do grupo de capoeira seguiram para uma mata aberta, que fica próximo da escola, para conhecer a biriba e recolher sementes para replantio.

“Trouxemos para a escola muitas sementes e muitos ainda levaram para casa. Nossos objetivos em plantá-las são dois: devolver para a natureza a madeira e fazer nosso próprio estoque para confecção dos berimbaus. Tudo isso para incentivar as pessoas que trabalham com capoeira a serem mais conscientes”, conta o professor de capoeira Haroldo Bonfim Alves Santos.

De acordo com o professor, a expectativa é ampliar o projeto para as disciplinas da escola. “Queremos abranger esta iniciativa. Pretendemos até fazer uma coleta seletiva na mata, já que quando fomos recolher as sementes observamos muito lixo no local, como garrafas plásticas e papel”, finaliza.

 

Fonte: http://www.folhaes.com.br

O Surpreendente João Pequeno

O mestre João Pequeno de Pastinha é mesmo uma figura fantástica, é um desses representantes da nossa cultura popular que merece ser imortalizado na galeria dos grandes personagens do povo brasileiro.

Faz história na capoeira, pois do alto de seus 91 anos de idade, ainda comanda as rodas em sua academia lá no Forte Santo Antonio (atualmente denominado “Forte da Capoeira”, mas eu prefiro o nome antigo), em Salvador. Quem não conhece João pode até duvidar, mas esse ancião quase centenário ainda joga sua capoeira angola, com toda astúcia que Deus lhe deu e a mandinga que Pastinha lhe ensinou. E ai de quem descuidar !!! A cabeçada certeira de João continua fazendo vítimas até mesmo entre os mais hábeis angoleiros !

Nesses quinze anos de convivência com João Pequeno, tenho aprendido as lições mais profundas de humanidade. Esse homem de poucas palavras, mas de muita inspiração, está sempre a nos ensinar, de várias formas, jeitos e maneiras, até mesmo quando está calado. Quem tem luz própria não precisa dizer mesmo muita coisa. Aí vai uma dica pra muitos mestres da atualidade que falam, falam, falam….

Numa certa feita, estávamos acompanhando João numa gravação de uma matéria para a televisão em Salvador, em que o objetivo era mostrar o processo de retirada da biriba (madeira própria para a construção do berimbau) na mata. Nos deslocamos junto com a equipe de filmagem até Mata de São João, no Recôncavo Baiano, local onde João Pequeno passou boa parte de sua juventude. Ele conhecia tudo por lá e foi nos guiando pelos caminhos abertos na mata virgem, até encontrarmos a biriba. A equipe da televisão gravou todo o processo de corte da madeira, entrevistou João, fez belas imagens e se despediu de nós para voltar a Salvador.

Estávamos nos preparando para voltar também, pois fomos num carro separado da equipe da TV, quando João nos perguntou: “Pra onde é que vocês vão ???”.  “Ora mestre, pra Salvador, vamos voltar, a gravação já terminou !!!”, respondi eu, já abrindo a porta do carro para que ele entrasse. Ele então, com toda naturalidade disse: “Não, não…nós num viemo aqui pra apanhá biriba ??? Então vamo apanhá !!!”, e foi se embrenhando novamente no mato, decidido. Não nos restou outra alternativa, senão acompanhá-lo.

Era um fim de tarde, acompanhamos João mata adentro. Começava a escurecer. Já estávamos nos preocupando quando ele nos disse: “Vamos dormir por aqui hoje e pegar as biribas amanhã, logo cedo…eu lembro de uma casa de farinha abandonada que tem aí pra dentro – apontando para o meio do mato cerrado – a gente pousa lá e amanhã vai pegar mais biriba”, disse sem se deter na caminhada.

Andamos um bom tempo pelo meio da mata fechada, abrindo caminho no facão, já com pouca luz e bastante apreensivos com a possibilidade de João não encontrar a tal casa de farinha. Já estávamos duvidando que um homem de oitenta e poucos anos, que não voltava para esse local há pelo menos uma década, pudesse encontrar essa tal casa no meio da mata atlântica. Mas para o nosso alívio, com apenas a luminosidade da lua, João encontrou o local ! Dormimos no chão da casa de farinha, nessa noite enluarada ouvindo histórias desse homem fantástico e surpreendente. No dia seguinte, logo cedo, estávamos no mato a apanhar biriba. Afinal, não foi pra isso que fomos pra lá ???

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).


Coluna: “Crônicas da Capoeiragem” por Pedro Abib

Mais um envolvente texto da Coluna Crônicas da Capoeiragem, sob a tutela do nosso grande camarada e parceiro, Pedro Abib, enfocando histórias, casos, experiências, opiniões, críticas, enfim, um texto de uma lauda sobre o universo da capoeiragem.

Biriba, nome científico: Eschweira ovata

Nome vulgar: Imbiriba, Embiriba ou Biriba 
Nome científico: Eschweira ovata.
Habitar: interior da mata, restinga, borda da mata atlântica, solo arenoso argiloso. PE, RN,BA,SE,CE.Pernambuco PE, Rio Grande do norte RN, Bahia BA, Sergipe SE, Ceará CE.
Sementes: são grandes e irregulares.
Arvore: De porte linheiro, parte masculina amarelo vivo, produz ripas, varas para cercados, para galinheiros, madeira nobre para fabricação de berimbaus, instrumento músical, utilizado na Capoeira.
 
Caule, tronco: de cor cinza esverdeado, verde amarronzado, creme amarronzado, fibrosa com
tendência a formar "imbira" Designação de origem tupi (corrutela de ybira. casca).
Folhas: Crassas(duras), Cariáceas discolores, estreitas, com ocorrências frequentes.
Frutos: Imaturo – de cor verde maduros – de cor marron, em cápsulas
Flores: branca vistosa, com cheiro perfumado, em botões amarelo pálido, aromática, amarelo ouro com grande destaque, amarelo creme perfumado.
Aspectos morfológicos: É uma arvore das matas de restinga e também da mata atlântica, com cerca de 1 a mais de 10 metros de altura, folhas alternas, oblongas, de consistência coreácias e sem estípulas.
Sua floração é no verão e sua flores saõ amarelas vistosas e reunidas em enflorescências. Possui numerosos
estames, muito modificados formando uma estrutura denominado de andróforo. seus frutos são secos e deiscentes,
abrindo-se por meio de um opérculo.
 
Posição sistemática:
 
Divisão: Magnóliophyta
Classe: Magnóliopsida
Subclasse: Dilleniidae
Ordem: Lecythidales
Familia: Lecythdácea
Gênero: Eschweilera
Espécie:Eschweilera ovata ( cambess) mart

Fonte: Botânica- Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Qualibio- Universidade Federal da Bahia.

CAPOEIRA ANGOLA: Uma discussão sobre turismo e preservação de recursos naturais

CAPOEIRA ANGOLA: UMA DISCUSSÃO SOBRE TURISMO E PRESERVAÇÃO  DE RECURSOS NATURAIS A PARTIR DE TRADIÇÕES CULTURAIS


Rosa Maria Araújo Simões
Professora do Departamento de Artes e Representação Gráfica – FAAC – Unesp/Bauru
Doutoranda em Ciências Sociais – UFSCar
Membro do LEL-UNESP/Rio Claro
Orientadora: Profa. PhD. Marina Denise Cardoso
Av. Eng. Luís Edmundo Carrijo Coub, s/n – Bauru/SP – CEP 17033-360
(DARG/FAAC/UNESP)
rosinha@faac.unesp.br

 

Introdução 

A roda de capoeira angola é um processo ritual1 do qual se apreende um sistema de valores que aponta para uma cosmovisão sobre a relação homem-ambiente (capoeirista-roda).
A partir dos objetos utilizados (instrumentos musicais), da música produzida, dos movimentos corporais e do próprio significado da roda (que representa ‘O mundo velho de Deus’), o presente trabalho objetiva ilustrar, por um lado, a lógica subjacente a tal manifestação a partir de discursos de seus guardiães (mestres de capoeira angola da cidade de Salvador – BA) e apontar diferentes significações e/ ou re-significações ao considerar, por outro lado, os discursos de turistas em Salvador que, quando questionados sobre o que é a capoeira afirmam: ‘capoeira é um folclore da Bahia’, ‘é uma luta baiana’, ‘uma dança africana’, ou ainda, quando abordados no Mercado Modelo e questionados sobre o porque de seu interesse pelo berimbau, respondem que é para dar de presente como lembrança da Bahia, ou, para enfeitar a parede de sua sala etc. Assim, no que diz respeito à produção de instrumentos musicais, por exemplo, podemos citar a técnica de extração da biriba, madeira utilizada para a confecção de um ‘bom berimbau’. A percepção estética de grandes mestres de capoeira, não só relacionada a uma audição aguçada para a afinação do instrumento, mas também para a plasticidade do mesmo, os permitem salientar a diferença existente entre o berimbau para turista, vendido, sobretudo, no Mercado Modelo e utilizado como objeto de decoração e/ou lembrança da Bahia e o berimbau utilizado na roda (objeto ritual).
 

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