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A Literatura de Cordel e a Música na Capoeira

 

Pensando em tudo isso, fui buscar a origem de algumas cantigas que mais gostava e cheguei até a poesia de cordel. A história do Valente Vilela e o ensinamento contado na vida de Pedro Cem, ambos personagens presentes na literatura de cordel, foram os meus iniciais. Assim como ainda acontece hoje em dia, principalmente no Nordeste do país, acredito que os folhetos de cordel sempre foram muito divulgados e, devido ao preço de centavos, muito acessíveis. Conta-se inclusive, que antes da chegada da Televisão, o nordestino do interior aguardava a chegada do Poeta de Cordel para saber em versos, os acontecimentos do mundo, sempre numa linguagem oral, popular.

Alguns anos atrás, ouvindo CD de mestre Waldemar, me perguntei: Será que a poesia da capoeira foi um privilégio dos nossos avós de capoeira? Talvez não. Mas e a malícia em organizar as idéias de um modo “não tão direto”, aquela mandinga nas palavras, que mestre Jerônimo lá da Austrália sabe tão bem desenvolver?
O assunto é interessante, e por vezes já foi citado e comentado por diversas pessoas. Na verdade, pessoas com muito mais bagagem e conhecimento no assunto. Mas o que me faz escrever algumas linhas sobre a relação entre a literatura de cordel e as canções na capoeira, é justamente a necessidade que sinto de uma melhora nas músicas que são compostas e cantadas hoje em dia. É verdade que ainda hoje, em diversas rodas pelo Brasil e mundo afora, reinam canções de mais de um século de idade, numa mostra de resistência da cultura da capoeira. Mas são algumas canções “modernas” que preocupam. Canções pobres de conteúdo, vazias.

 

Vida de Pedro Cem

Vou narrar agora um fato

Que há cinco séculos se deu,

De um grande capitalista

Do continente europeu,

Fortuna que como aquela,

Ainda não apareceu.

(…) Diz a história onde li

O todo desse passado

Que Pedro Cem nunca deu

Uma esmola a um desgraçado

Não olhava para um pobre

Nem falava com criado

(…) A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem,

Encontrou uma mochila

E dentro dela um vintém

E um letreiro que dizia:

Ontem teve e hoje não tem.

* Rafael Augusto de Souza

 

 

Pedro Cem

Lá no céu vai quem merece

Na terra vale quem tem

A soberba combatida

Foi quem matou Pedro Cem

(…) Ele dizia nas portas

Uma esmola a Pedro Cem

Quem já teve hoje não tem

A quem eu neguei esmola

Hoje me nega também

(…)A justiça examinando

Os bolsos de Pedro Cem

Encontrou uma muchila

Dentro dela um vintêm

E um letreiro que dizia

Já teve, hoje não tem

* Mestre Waldemar

 

O cordel tem origem na península ibérica, em Portugal e Espanha, no século XVI, onde as estórias se apresentavam em versos e prosas. Até hoje não se sabe bem quando os folhetos entraram no Brasil, mas muito provavelmente vieram com os colonizadores. Outra característica interessante, é que aqui no Brasil, a literatura de cordel sempre esteve ligada à cultura oral e popular, e escrita em versos.

E de onde vem a ligação com a capoeira? De maneira clara e intuitiva esse é mais um dos argumentos para a interpretação da capoeira como cultura popular. Na verdade não há algo que as ligue, e sim ambas fazem parte da tão rica cultura popular brasileira. E a cumplicidade não é só com o cordel, mas também com o samba de roda e todos os demais ritmos populares, quase todos de origem africana. Assim como os cantadores e repentistas, o capoeira deve estar atento ao que acontece ao seu redor. Deve ser um responsável pela divulgação de informações e opiniões.

Como escutei do amigo Miltinho Astronauta certa vez… “Todo capoeira é, ou deveria ser, um poeta, um cronista social e um sócio-crítico dioturno…”. Pensando dessa forma, embolando as idéias entre o passado e o presente, passando por críticas e homenagens, aproveitando o que foi criado e dando liberdade à nossa criatividade, devemos também mandar nosso recado, prestando atenção para essa característica tão marcante, interessante e importante da capoeira.

Sagu – raphaelmoreno@yahoo.com.br

São Carlos – Maio/2006

Fontes consultadas:

1. Jangada Brasil. www.jangadabrasil.com.br

2. ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel. www.ablc.com.br

Centenário de Jorge Amado relembra escritor que ‘melhor escreveu um país’

“Não tenho nenhuma ilusão sobre a importância de minha obra”, afirmou Jorge Amado. “Mas, se nela existe alguma virtude, é essa fidelidade ao povo brasileiro.”

A intimidade com que expôs traços, costumes e contradições da cultura brasileira foram um dos fatores por trás da popularidade de que Amado desfrutou em vida.

Mas no centenário de nascimento do escritor baiano, celebrado nesta sexta-feira, o reconhecimento sobre a importância de sua obra continua a crescer no Brasil e no exterior.

Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos internacionalmente, com obras publicadas em 49 línguas e 55 países.

O interesse aumentou com a aproximação do centenário. Nos últimos três anos, pelo menos 45 contratos foram fechados com editoras estrangeiras para a publicação de seus livros, conta Thyago Nogueira, editor responsável por sua obra na Companhia das Letras.

Países como Romênia, Alemanha, Espanha, Bulgária, Sérvia, China, Estados Unidos e Rússia são alguns dos que firmaram contratos recentes para lançar seus livros, diz Nogueira.

Para marcar a data, a prestigiosa coleção Penguin Classics está lançando dois de seus livros em inglês, A morte e a morte de Quincas Berro d’água e A descoberta da América pelos turcos. Amado é o segundo autor brasileiro publicado pelo selo, o primeiro foi Euclides da Cunha.

O centenário motivou uma série de seminários e eventos comemorativos em cidades como Salvador, Ilhéus, Londres, Madri, Lisboa, Salamanca e Paris.

A reverberação lembra a frase do escritor moçambicano Mia Couto, para quem Amado fez mais para projetar a imagem do Brasil lá fora do que todas as instituições governamentais reunidas.

“Jorge Amado não escreveu livros, escreveu um país”, afirmou Couto em 2008, em uma palestra em que prestou testemunho sobre a forte influência do autor sobre escritores africanos.

Amado nasceu em 12 de agosto de 1912 em Itabuna, na Bahia, e escreveu quase 40 livros, com um olhar aguçado sobre os costumes e a cultura popular do país. Ele morreu em 2001.

A fazenda de cacau em que nasceu, os terreiros de candomblé, a mistura de crenças religiosas, a pobreza nas ruas de Salvador, a miscigenação, o racismo velado da sociedade brasileira são alguns dos elementos que compõem sua obra, caracterizada por uma “profunda identificação com o povo brasileiro”, diz Eduardo de Assis Duarte.

“Ele tinha o compromisso de ser uma espécie de narrador do Brasil, alguém que quer passar o país a limpo”, diz o pesquisador, professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor de Jorge Amado: Romance em tempos de utopia.

O baiano destacou a herança africana e a mistura que compõe a sociedade brasileira como valores positivos do país.

Ele adotava uma postura crítica dos problemas sociais do país e ao mesmo tempo retratava “um povo alegre, trabalhador, que não desiste”, diz Assis Duarte. “Para os críticos, ele faz uma idealização do povo.”

Amado leva para o centro de suas histórias heróis improváveis para seus tempos – um negro, uma prostituta, um faxineiro, meninos de rua, mulheres protagonistas.

“Ele traz o homem do povo para o centro do livro. Coloca-o como herói de suas histórias e ganha o homem do povo como leitor”, diz Assis Duarte.

Comunismo

Tanto a vida quanto a obra de Amado foram marcadas por sua militância no comunismo. Os livros do início de sua carreira eram fortemente ideológicos.

“Saíram livros bons dessa fase, mas também livros muito panfletários, maniqueístas, em que os ricos são todos maus e os pobres são todos bons”, comenta a antropóloga Ilana Goldstein, autora de O Brasil best seller de Jorge Amado: literatura e identidade nacional.

O baiano chegou a se eleger deputado em 1945 – seu slogan, lembra Ilana, era “o romancista do povo”. Apenas dois anos depois, porém, teve que partir para o exílio na França. Sob pressão da Guerra Fria, o Partido Comunista Brasileiro fora banido e seu mandato, cassado.

Durante os cinco anos de exílio, passados com a esposa Zélia Gattai na França e na antiga Tcheco-eslováquia, Amado viajou e ampliou seu círculo de amizades – conheceu Pablo Picasso, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir.

Nos anos 1950, época em que os crimes do líder soviético Josef Stalin vieram à tona, Amado rompeu com o partido. Iniciou-se uma nova fase em sua literatura, mais leve e bem-humorada, menos ideológica.

Para as massas

Amado gostava de se definir como um “contador de causos”. Mais do que explorar novas linguagens literárias, seu objetivo era conquistar leitores e alcançar a massa, diz Assis Duarte.

Sua linguagem era coloquial, simples, como a língua falada; sua forma de contar histórias era folhetinesca, com muitos personagens, ápices e acontecimentos.

Isso ajuda a explicar a rejeição da crítica acadêmica durante muitos anos. Também ajuda a entender as prolíficas adaptações de sua obra para filmes, novelas, peças e séries de TV.

“Sua literatura se aproxima da cultura de massa. São textos que parecem ter sido escritos para serem adaptados”, diz Assis Duarte.

Com a preocupação de proporcionar uma leitura agradável, Amado fez o que queria: conquistar leitores e contar suas histórias.

“Ele foi um escritor popular em um país onde não se lê muito, e que não tem uma tradição de leitura apesar de ter grandes escritores”, diz Milton Hatoum.

O escritor amazonense leu Jorge Amado pela primeira vez na escola de Manaus, aos 14 anos. A professora apresentou Capitães da Areia, logo cativando o interesse da classe ao contar que o livro havia sido queimado em Salvador em 1937, durante o Estado Novo.

“Eu era de Manaus, e para mim o Brasil era aquele mundo cercado de água e de floresta. A leitura de Capitães da Areia foi uma revelação de outra paisagem social e geográfica no mesmo país.”

Para Hatoum, o universo ficcional rico em tramas e personagens de Amado parece dar conta de toda a pirâmide social do Brasil, da elite política e econômica aos mais desvalidos.

Ele afirma quase poder tocar os lugares e personagens quando lê a obra de Amado. “O mundo que ele criou é cheio de personagens muito vivos, de um colorido, uma sensualidade que não é exótica. Quer dizer, é exótica, talvez, para quem não conhece a Bahia ou o Brasil.”

BBC – Brasil – http://www.bbc.co.uk/portuguese

Literatura de Cordel: Bloco Cacique de Ramos

LITERATURA DE CORDEL CONTA A TRAJETÓRIA DO BLOCO CACIQUE DE RAMOS

 

 

Em 20 de janeiro de 1961 um grupo de jovens de Ramos, Olaria e Bonsucesso, fundava um pequeno bloco sem maiores pretensões. 50 anos depois, este bloco tornou-se um mito do carnaval brasileiro e sua quadra abriga um pagode onde passaram os maiores nomes do samba brasileiro e muitos ali foram revelados. É o Cacique de Ramos, patrimônio cultural do Rio de Janeiro. E pra contar a sua trajetória, o poeta popular Victor Alvim, conhecido também como “Lobisomem”, escreveu sua história no formato da tradicional LITERATURA DE CORDEL.

 

“Freqüentador da roda de samba do Cacique de Ramos, o autor tinha o rascunho deste cordel guardado há cerca de 5 anos e decidiu continuar a missão de terminar o texto para homenagear o bloco no seu cinqüentenário

 

 

“…O Brasil é terra rica

Na arte e na cultura

E tudo que vem do povo

Na sua expressão mais pura

É obra que emociona

Até a alma mais dura

 

E foi um dos grandes blocos

Que me chamou atenção

Despertou meu interesse

E tocou meu coração

Se tornando para mim

Fonte de inspiração

 

 

Um bloco muito animado

E também tradicional

Que arrasta multidões

Fenômeno sem igual

É o Cacique de Ramos

Um dos reis do carnaval…”

 

 

 

Pesquisando em livros, discos, jornais, vídeos e conversando com integrantes novos e antigos da agremiação, Victor reuniu as informações básicas que precisava para escrever. A origem das 3 famílias que fundaram o bloco; a rivalidade com o bloco “Bafo da Onça” do bairro do Catumbi; grandes nomes que passaram pela sua quadra e outros detalhes importantes.

 

 

“…E com essas três famílias

De Ramos e Olaria

Um capítulo importante

Do carnaval surgiria

Mas isso naquele tempo

Ninguém imaginaria

 

As mulheres já queriam

Dos grupos participar

As irmãs e namoradas

Foram reivindicar

Rapidamente atendidas Conquistaram seu lugar

 

E assim dessa maneira

Um novo bloco nasceu

O “Cacique Boa Boca”

De repente apareceu

Em homenagem aos índios

Esse nome se escolheu

 

 


Na década de 60

 

Começou a sua história

No ano 61

Registrado na memória

O Cacique começou

Sua carreira com glória…”

 

 

 

Conversas com Bira Presidente e Sereno, fundadores do bloco e integrantes do grupo Fundo de Quintal, foram primordiais para esclarecer dúvidas sobre nomes e fatos importantes.

 

 

“ …Na fundação do Cacique

Também temos que lembrar

De Ênio, Mendes e Dida

Everaldo e Alomar

E outras tantas figuras

Que é difícil enumerar…”

 

 

Membros da diretoria do Cacique como Tuninho Cabral, Ronaldo Felipe e Renatinho Partideiro, membros da diretoria e apaixonados pelo Cacique foram grandes colaboradores e incentivadores para que o cordelista publicasse o livreto ainda em tempo para as comemorações dos 50 anos do Cacique de Ramos que começam na próxima quinta feira dia 20 de janeiro na sede da Rua Uranos, 1326.

 

 

“…O bloco que começou

Somente por diversão

De uma turma de jovens

Sem nenhuma pretensão

Que jamais imaginavam

Que cumpriam uma missão

 

Que começou no subúrbio

Do velho Rio de Janeiro

Cresceu, ficou conhecido

Por esse Brasil inteiro

Transformando-se num mito

Do carnaval brasileiro

 

O Cacique é referência

Na música brasileira

Vem gente do Brasil todo

E até de terra estrangeira

Pra conhecer o Cacique

E a sua tamarineira

 

Desejamos ao Cacique

Um feliz aniversário

Parabéns por sua história

E pelo cinquentário

Vida longa e muito samba

Aguardando o centenário! …”

 

 

 

 

O AUTOR

 

 

“Lobisomem” é o apelido de Victor Alvim Itahim Garcia nascido no Rio de Janeiro em 21 de dezembro de 1973 na maternidade São Sebastião, filho de Joe Garcia e Nádia Itahim Garcia.

É capoeirista, discípulo de Mestre Camisa e membro da ABADÁ-CAPOEIRA. Compositor e poeta popular, foi eleito em 2007 para ocupar, na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a cadeira de nº. 27, tendo como patrono o poeta pernambucano Severino Milanês.

Publicou recentemente os folhetos “A Fantástica História de Zeca Pagodinho e o Disco Voador” e “O Maravilhoso Encontro de São Jorge com Jorge Benjor”.

Tem como objetivo maior sempre divulgar e elevar o nome da capoeira, do samba, da literatura de cordel e de toda a cultura popular brasileira.

 

 

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www.quintal-do-lobisomem.blogspot.com

Lançamento do Livro CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO

Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil trata do processo de (re)invenção e afirmação das identidades produzidas na dinâmica da cultura afro-brasileira, com especial atenção para a experiência histórica da capoeira e sua relação com diferentes contextos vivenciados na sociedade brasileira. O livro é composto por 9 ensaios, divididos em 3 partes temáticas distintas. Na primeira parte do livro, intitulada: Capoeira, história e identidade, a capoeira é situada na produção da historiografia brasileira, nos manuais didáticos de história, assim como no debate político-ideológico que definia a sua participação, como prática simbólica afro-brasileira, no “projeto” de formação da identidade nacional. Na segunda parte, Personagens da capoeira na literatura brasileira, narrativas literárias são analisadas como registros das diferentes experiências sócio-culturais dos capoeiras tanto na Bahia quanto no Pará, através da produção romanesca da literatura brasileira. A terceira e última parte do livro – Gênero, cultura e capoeiragem – trata da experiência de mulheres no universo da capoeiragem, problematizando as possibilidades de pesquisas mais aprofundadas sobre este tema que tem custado tão caro à historiografia da capoeira no Brasil. Nesta parte do livro, é também apresentada para o leitor uma outra possibilidade de leitura da capoeira, a partir do discurso imagético de Gabriel Ferreira, artista plástico baiano que tem se destacado pela mágica de seus pincéis, ao dar movimento ao jogo da capoeira sobre as telas de madeira e algodão.

A reunião destes ensaios, visa demonstrar a importância da história da capoeira para a compreensão da história do Brasil. Além disso, permite uma reflexão acerca dos procedimentos metodológicos, domínios temáticos e crítica à documentação que devem estar voltados para qualquer pesquisa que venha a ser feita sobre a capoeira. Politicamente, os recortes em torno da identidade nacional, educação, historiografia, literatura, gênero e arte visam permitir ao leitor, de qualquer nível de formação e interesse, compreender o alcance da prática da capoeira na sociedade brasileira.


Retirar a capoeira de certo nicho, reduto marcado pelo exotismo, pela “folclorização” (com todo respeito pelos trabalhos de folclore) e de um campo mitológico empolgante, mas igualmente isolado e estigmatizado, para incorporá-la às questões maiores da formação da nacionalidade, da educação, da construção da identidade nacional. Assim, (…) a capoeira finalmente se torna parte integrante da história do país, da sua face, da sua gênese, faceta antes percebida, mas nunca explicitada.

Do prefácio de Carlos Eugênio Líbano Soares – Universidade Federal da Bahia

 

Lançamento!

Augusto Leal /Josivaldo Oliveira
ISBN 978-85-232-0585-0
Editora EDUFBA – 2009
200 p. Com ilustrações

 

O quê: Lançamento do livro Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil, escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal e Josivaldo Pires de Oliveira.
Quando: 23 de outubro, sexta-feira.
Onde: Auditório da Casa da Linguagem – Avenida Nazaré, próximo à Praça da República.
Horário: 18:30 horas
Mais: Exclusivamente neste dia o livro terá o preço promocional de R$ 25,00.

Fantástica tradição que se renova

Folcloristas estão sempre de olho vivo no andar da carruagem que carrega as manifestações culturais de seu povo. Eles protestam quando vêem pedaços desse legado caindo no brutal caminho do esquecimento ou do preconceito.

Neste 22 de agosto, quando se comemora nacionalmente o Dia do Folclore, mais importante do que se inteirar das atividades programadas para a data, é refletir que, apesar dos avanços tecnológicos e das transformações sociais, preservar a tradição é uma maneira de não deixar a história se perder.

Na Bahia, terra de todos os ritos e mitos, as manifestações folclóricas que ostentam a riqueza do imaginário popular são representadas pela capoeira (há um mês tombada como Patrimônio Imaterial Brasileiro), rodas de samba, puxadas de mastro, ternos de reis e bumba-meu-boi.

A etnomusicóloga baiana e autoridade em folclore, Emília Biancardi, puxa o cordão dos descontentes. "Todos nós folcloristas, incluindo (o pernambucano) Roberto Benjamim, achamos que, apesar do atual movimento em torno da valorização das tradições, a prática não condiz com a falação".

Para ela, pesquisadora do repertório musical afro-baiano e pioneira em levar essas manifestações para palcos

do mundo inteiro, a volta da Caminhada Axé, por exemplo, seria um ganho cultural para o estado.

“Para fazer valer a proposta do atual governo baiano de resgatar as manifestações tradicionais, é preciso que se invista na formação escolar voltada para a nossa história, para as nossas origens", sugere a pesquisadora, autora do livro Raízes Musicais da Bahia.

Falar de folclore sem se reportar a Luis da Câmara Cascudo (1898-1986) é o mesmo que ignorar figuras fantásticas da cultura brasileira, como o saci-pererê, a curupira, a mula-sem-cabeça e o boitatá.

Mas é bom lembrar que, como a cultura é dinâmica e está sempre se modificando, o folclore é tradição que se renova e ganha elementos novos ao longo do tempo e de um lugar para o outro.

Folclore, enquanto manifestações culturais e artísticas de um povo, é entendido por Mario Souto Maior, no seu Dicionário de Folcloristas Brasileiros, “o conjunto de costumes, crenças, tradições, lendas, provérbios, danças e canções transmitidos de geração em geração”.

História – A palavra folclore é de origem inglesa: folk (povo) e lore (saber) e significa sabedoria popular. Foi empregada pela primeira vez, em 1846, pelo arqueólogo inglês William John Thoms, para substituir a expressão “Antigüidades Populares". Em 1965, foi instituído o 22 de agosto no Brasil como o Dia do Folclore.

Algumas manifestações folclóricas são de caráter nacional (carnaval, futebol) e outras, regional (boi-bumbá, no Amazonas; Maracatu, em Pernambuco, Farra do Boi, em Santa Catarina, etc).

PROGRAMAÇÃO

Escola de Dança da Funceb – Dentre as comemorações pelo Dia do Folclore, destaque para o cortejo formado por cerca de 350 alunos do curso preparatório da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado, dirigida por Clécia Queiroz. Pelo segundo ano, eles desfilarão pelo Centro Histórico, amanhã, a partir das 15 horas, partindo de sua sede (Pelourinho) à Praça Pedro Arcanjo.

Pelourinho Cultural – Já o programa da Secretaria de Cultura da Bahia aposta no projeto Literatura entre as Ruas. O evento, cuja proposta é resgatar e valorizar a cultura popular através do teatro, artes plásticas, literatura, dança e música, teve quarta, 20, e prossegue até sexta, 22, no Largo Tereza Batista, das 10 às 20 horas, com acesso gratuito ao público. O projeto explora a literatura de cordel por meio de oficinas de xilogravura, teatro e construção de poesia popular. Haverá também feira de livros, palestras, apresentações teatral e musical, além da exposição Cordel reformado.

Mestre Bigodinho – Ainda dentro da programação folclórica, atenção para o Tributo ao Mestre Bigodinho, o Raimundo Santana, ainda na ativa , aos 79 anos. O projeto, organizado pelos mestres Lua Rasta e Ivan, tem abertura amanhã, às 10 horas, na Faculdade de Educação da Ufba (Canela), onde cerca de 20 crianças capoeiristas de Santo Amaro serão recebidas por mestres de capoeira. Em seguida, às 15 horas, o grupo visita o Centro Histórico e participam de oficinas e roda de capoeira.

Cirandando Brasil
– As crianças da Oscip – Sons do bem, através do projeto Cirandando Brasil – Memória da Brincadeira, da cantora Nairzinha, apresentam o que estão aprendendo em música, literatura, capoeira, dança, brincadeiras, folclore de origem africana, indígena e portuguesa. O evento acontece das 8h30 às 11h e das 14 às 16h30 na Escola Estadual Anísio Teixeira (Ladeira do Paiva, 40, Caixa D´Água).

Balé Folclórico da Bahia – Única companhia de dança folclórica profissional do país, o Balé Folclórico da Bahia completa no mês em se comemora o Dia do Folclore 20 anos de atividades. O grupo criado por Walson Botelho e Ninho Reis irá apresentar um espetáculo especial. No Teatro Castro Alves, neste domingo, às 20 horas, quando reviverá no palco duas décadas de dedicação às manifestações populares, representadas através da dança e da música.

Fonte: http://www.atarde.com.br/

Rio de Janeiro: Cordel & Capoeira para criança

Caros amigos,

No sábado e domingo próximo (28 e 29 de julho) as 14 horas no Parque Lage, estarei apresentando LITERATURA DE CORDEL & CAPOEIRA para crianças dentro da programação do FESTIVAL INTERCÂMBIO DE LINGUAGENS.

Haverá contação de história do folclore através da literatura de cordel, mini-aula e roda de capoeira.

Também estarei lançando o folheto ABC DA CAPOEIRA PARA CRIANÇAS.

Convidem seus alunos, filhos, sobrinhos etc…

Os capoeiristas adultos também são bem vindos para ajudar e participar da roda de capoeira.

DATA: SÁBADO E DOMINGO
28 E 29 DE JULHO DE 2007
 
HORA: 14 HORAS

ENDEREÇO: PARQUE LAGE – RUA JARDIM BOTÂNICO, 414
 

ENTRADA FRANCA!

Victor Garcia – "Lobisomem"
victorlobisomem@yahoo.com.br

SP: Mestre Careca lança livro…

Emílio Lopes dos Santos, o Mestre Careca (Butantã, capital paulista) publicou seu primeiro livro em dezembro de 2005, cujo título sugestivo é "Em todos os sentidos da vida".
Apesar do título não incluir o termo capoeira, podemos garantir que o mesmo é imerso em uma trama capoeirística vivida pelo autor, sendo que em alguns momentos, os personagens se entrelaçam entre os limites reais e imaginários. Nomes conhecidos da capoeira paulistana como o dos Mestres Joel, Cavaco, Ananias, Biné, Kenura, Miguel, Jogo de Dentro, Plínio, Letícia Vidor, Paulão e tantos outros são entremeados no cerne do livro.
       
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SE

Traduzido por Ângelo Augusto Decânio Filho

Se és capaz
De manter a calma quando todos já a perderam e te culpam
Crer em ti mesmo quando todos estão duvidando
E mesmo assim os desculpar!
Se és capaz
De esperar sem desesperar
Ser enganado e não mentir ao mentiroso
Odiado, não se envolver no ódio
Não parecer bom demais, nem pretensioso!
Se és capaz
De pensar sem se escravizar aos pensamentos
Sonhar sem permanecer no sonho
Enfrentar a derrota e o triunfo com a mesma serenidade!
Se és capaz
De sofrer a dor de ver transformada em mentira
A verdade que propagar
A razão de sua vida estraçalhada pelos cães
E mesmo assim
Levantar e recomeçar com o que te resta!
Se és capaz
De arriscar numa única parada tudo que ganhastes na vida
Perder e sem lamentar voltar ao ponto de partida
Recomeçar com o pouco que te resta!
Se és capaz
De forçar coração e espírito a buscar o que neles ainda existe
Obrigando-os a continuar
Porque tua Vontade diz
Persiste!
Se és capaz
De conviver com a plebe sem se vulgarizar
Freqüentar palácios sem perder a naturalidade
Dos amigos, bons ou maus, não depender
Pronto a todos servir com prazer!
Se és capaz
De dar ao tempo
Segundo por segundo
Todo brilho e valor que merece!
TUA ÉS A TERRA COM TUDO QUE EXISTE NESTE MUNDO
E
MUITO MAIS DO QUE TUDO ISTO

ÉS UM HOMEM!

IÊ !

Iê !
Meu grito ganhou o espaço
partiu grilhões
correu mato
virou quilombos

Iê !
É a liberdade dita, que nunca chegou
A liberdade ganhada, mas que não vingou
Não é o que se quer.
Lutar, resistir, reagir
me caem melhor.

Iê !
Ouvidos ouviram meu canto
palmas marcaram meu ritmo
do silêncio se fez som
Cabaças contaram de tempos de sonho

Iê !
O grito ecoou nas esquinas
Nas senzalas, casas-grandes
nas minas
brilhou como ouro, café, açúcar e sangue
E mágoa, e humilhação,
e preconceito.
E resistência, e fé,
e esperança.

Iê !
E meu grito de medo e dor
ganhou tons de revolta
de justiça
de liberdade
Ganhou inocência de menino
e veneno de cascavel

Iê !
Meu grito que agora anda torto
que tem flor na lapela
e navalha na mão
Meu grito que joga

Iê !
E se fez resistência
que traz no pé a força
no olhar, a mandinga
e no coração, liberdade

Iê !
Hoje meu canto é alegre
No peito não mais trago dor
Meu grito se fez corrente, elo
Meu grito se fez jogador

… e que brinca no cais
ou no pé da ladeira
Iê ! e é arte
Iê ! é luta
Iê ! é capoeira.