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A IMPORTÂNCIA DO TRANSE CAPOEIRANO NO JOGO DE CAPOEIRA DA BAHIA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.
Os registros históricos, científicos e religiosos de condições de bilocação, teletransporte, telecinesia, materializações e desmaterializações, bem como os estudos de física subatômica, nos vem atraindo a atenção para o efeito dos sons e dos ritmos sonoros sobre os níveis e estados de consciência, bem como a correspondência entre os mesmos e as manifestações motora e comportamentais daqueles sob a sua influência.
É notória a influência da música sobre o estado de humor das pessoas, basta lembrar a tristeza do toque de silêncio, a ternura da Ave-Maria, a agitação do Olodum e dos trios elétricos, os movimentos suaves do balé no “Lago do Cisne”.
É evidente que os movimentos induzido pelo “reagge” são diferentes daqueles do samba, da valsa, do cancã ou do foxblue. Sem falar da marcha forçada sob o rufar dos tambores; da tranqüilidade do silêncio; da irritação pelos ruídos; do pânico ao bramir dos elefantes, do rugir do tigre, do estrondo das trovoadas; da sensação de bem estar e conforto trazida pelo ruflar da brisa suave na folhas…
A cultura africana encontramos o uso de música, ritmo e cânticos como gerenciadores, coordenadores, estimuladores de atividades comunitárias como pesca, caça, plantio, etc.
O candomblé oferece-nos uma variedade de toques de atabaques, com diversos ritmos e andamentos, capazes de desencadearem manifestações motoras padronizadas sob categorias de orixás.
É conveniente estudar as associações de toques, ritmos e andamentos com os padrões de comportamentos dos orixás e personalidades dos “filhos de santo” para melhor entendermos a influência dos toques, ritmos e andamentos nos desenvolvimento do jogo de capoeira, consoante a variedade de temperamentos e personalidades dos capoeiristas.
O exame das fotografias de Pierre Fatumbi Verger, de cenas de candomblé colhidas na África, documenta a identidade daqueles movimentos durante o transe dos orixás, que manifestam a atividade gerada pelos toques e ritmos musicais do candomblé e destes da capoeira.
É conveniente lembrar a associação dos estados de humor com as expressões faciais e posturas do corpo para compreendermos melhor as repercussões das modificações de estado de consciência e as manifestações motoras conseqüentes.
Todos reconhecemos os ombros caídos do desânimo, o olhar de tristeza, a vivacidade dos movimentos de alegria, a expressão corporal do animal prestes a atacar, etc.
Quantos outros quadros poderíamos citar?
Portanto, se a música pode alterar o estado de ânimo e as suas manifestações motoras estáticas e dinâmicas, forçosamente teremos que concluir que o andamento, ritmo, palmas e cantos também modificam o comportamento dos capoeiristas durante o jogo.

INFLUÊNCIA DO ARQUÉTIPO COMPORTAMENTAL

Ante um mesmo toque, ritmo e andamento, os diversos arquétipos manifestam sua identidade de modo particular, especifico para cada entidade comportamental (com nuanças especiais, intrínsecas a cada ser e cada momento histórico) de modo que o comportamento é praticamente imprevisível a cada instante, porém com um fluxo natural, espontâneo, ingênito, inato… instintivo como dizia Bimba.
Assim é o próprio Bimba conhecia o fato e afirmava “é o jeitcho dêle“, permitindo que cada um jogasse capoeira com suas características pessoais.
Fato muito notório em certos capoeiristas de movimentos muito lentos, porém dotados de grande mobilidade articular e elasticidade, como Prof. Hélio Ramos, “Cascavel,” Eziquiel “Jiquié”, “Caveirinha”, entre tantos. Assim é que “Atenilo” (jocosamente conhecido como “Relâmpago”) um dos mais antigos dos alunos do Mestre, jamais modificou seu estilo tardo, lerdo, ingênuo, de praticar a capoeira.


Entretanto, ainda hoje não consigo reconhecer ou identificar os vários arquétipos de capoeiristas, mas posso perceber de modo vago, as semelhanças que se repetem independentemente de mestres, momento histórico e localização geográfica.
Assim é que venho detectando similitude do que chamamos de “jogo” (estilo pessoal, jeito particular de jogar) em alunos de diferentes mestres e em regiões diferentes, i.e., encontrando “jogos” parecidos com alguns dos companheiros de meus tempos antigos em locais diversos, como em Natal/RN, Goiânia/GO, etc.
Fato mais surpreendente foi ver, recentemente, na Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, aparecer um rapaz, cujo nome e mestre não consegui identificar, cerca de 17 anos, negro, alto, longilíneo; pescoço fino, elástico e forte; com um jogo incrivelmente semelhante ao do meu Mestre (Bimba), a ponto de me sugerir a sua reincarnação.

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório).
Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize.
Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc.
Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira.
A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa.
Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de “banguela” o Mestre resmungava:

“Tô disperdiçandu minha banguela!
“Só merecem mesmu a cavalaria!”
E…
“virava” para o toque mais duro e bruto da “regional”…
impiedosamente mais adequado para os embrutecidos…
insensíveis e afobados.

O CAMPO ENERGÉTICO
DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade
Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto.
Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie.
Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes.
O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo.
As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo.
O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a “africanidade” original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer.
Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes.
O agogô e o , são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque.
O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo.
Aviola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira.
Opandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento.
Mestre Bimba dizia que “O pandeiro é o atabaque do capoeirista“.
Oberimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como “ capoeira” pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como “capoeira de Fulano de Tal“) é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo “angola” seja o “regional”.
Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma “volta” ou “jogo”, sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

TEXTOS CORRELATOS

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO (TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoeirista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.
Decanio Filho, A. A. – in Fundamentos da capoeira (texto publicado em Capoeira da Bahia Online para download). 

BERIMBAU – A LIGAÇÏ ENTRE O MANIFESTO E O INVISÍVEL

O capoeirista para jogar capoeira não precisa de conhecer a história e a técnica da capoeira, por que o ritmo/melodia põe o ouvinte diretamente em sintonia com a “capoeira” abstrata, que abrange a fonte etérea dos movimentos, os paradigmas de jogos, os arquétipos de capoeiristas e talvez com a própria “tradição”. Por este motivo, poderemos aprender por ver, ouvir e dançar… como “Totônio de Maré” o fez no cais do porto de Salvador/BA.
“Itapoan” perguntou a “Maré” como aprendera capoeira e este respondeu:

“Vendo os outros jogarem. Gostei, entrei na roda e joguei!”

Conforme assisti em gravação VHS do acervo do Mestre Itapoan, em casa do mesmo.
E “Vovô Capoeira” fez o mesmo, aos 84 anos de idade, na roda de Mestre Canelão em Natal/RN.
Assim é que, aos poucos a conjugação da música com os movimentos relaxados vai orientando o capoeirista no caminho do transe que o conduzirá diretamente à fonte da capoeira, na face invisível da realidade, que não depende dos sentidos corpóreos.

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO.

Em Ioga percebemos a importância dos mantras…
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida…
… na África Antiga não foi diferente!

Os africanos ao divinizarem os seus ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos, descobriram categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.

O “SER” exposto às vibrações sonoras ritmadas oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o “SER” passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação medulo-espinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.
Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada “incorporação” de entidades africanas em europeus em primeiro contacto com “exibição” de música de candomblé, portanto, fora do contexto religioso. Durante o tempo em que funcionei como “apresentador” do “show folclórico” de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuí à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.
Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuro-endócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuro-psico-cultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.


Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam, um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima da capacidade considerada como ‘normal”.

Trata-se dum estado transitório, em que não há perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada “SER”.
É interessante registrar que em outros membros da “família cultural da capoeira” (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações “normais”. De outro modo não assistiríamos a idosos desfilando em “escola de samba” ou saracoteando em frevo…
Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu “EU”, manifestado de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.

Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.
Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.

Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada “SER” a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.
A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.

É interessante o estudo do simbolismo dos constituintes da personalidade humana na arte iorubana que indica no mínimo a noção de níveis de consciência, pois entre os povos iorubanos a consciência (personalidade exterior) é representada pela coroa (ile ori), enquanto a personalidade íntima (ori inu) correspondente ao (subconsciente+inconsciente) é simbolizado pelo ibori, uma pequenasaliência no ponto mais alto da coroa.
Angelo A. Decanio Filhoo – Falando em capoeira, Coleção S. Salomão, CEPAC, Salvador/BA, pg: 51

https://portalcapoeira.com/downloads/transe-capoeirano

“Enquanto houver capoeira, meu nome será lembrado”

“Enquanto houver capoeira, meu nome será lembrado” Mestre João Pequeno de Pastinha.

Hoje dia 09 de dezembro completam-se 9 anos da passagem do nosso querido mestre João Pequeno de Pastinha, que nos deixou prestes a completar 94 anos no ano de 2011.

Esse grande homem deixou sua marca não somente na história da capoeira, mas também para toda cultura afro-brasileira em geral.

João Pereira dos Santos é uma referência de homem negro que soube valorizar e elevar a cultura de seu povo para patamares de reconhecimento e valorização no Brasil e no mundo, foi uma importante referência para um processo de educação inclusiva que respeita a diversidade e a individualidade dos educandos, foi um exemplo de generosidade, de sabedoria, de humildade, assim como todo grande mestre.

Nós do CECA – Centro Esportivo de Capoeira Angola Mestre João Pequeno de Pastinha assumimos o desafio de dar continuidade ao seu legado e à sua obra mantendo ativo o seu espaço localizado no Forte da Capoeira no Centro Histórico de Salvador, com aulas e rodas de capoeira coordenadas pelos seus discípulos, onde funciona também o Memorial Mestre João Pequeno de Pastinha, aberto à visitação pública, com informações, fotografias e objetos que dizem respeito à sua trajetória.

Mestre João Pequeno se foi, mas sua memória continua viva, cada vez que um toque de berimbau inicia uma ladainha numa roda de capoeira em qualquer parte do mundo, continua tatuada no corpo de cada capoeirista que respeita e valoriza sua ancestralidade e suas tradições.

“Enquanto houver capoeira, meu nome será lembrado”

dizia mestre João Pequeno.

Axé !

Fonte: Nani de João Pequeno

O triste fim de um Mestre(a) de Capoeira

O triste fim de um Mestre(a) de Capoeira

“Pastinha… Pastinha você tá aí??? Pastinha o que é que voce está sentindo agora???”

“Quando ele moreu mandaram um caixão de indigente!!!!”

Vicente Ferreira Pastinha (Salvador, 5 de abril de 1889 — Salvador, 13 de novembro de 1981), foi um dos principais mestres de Capoeira da história.

Parece uma sina.

Parece uma sina… Aconteceu com Bimba, Pastinha, Waldemar, Cobrinha Verde, Gigante e tantos outros… anonimos ou ícones da nossa capoeiragem, morrem na pobreza, sem o devido amparo, respeito e dignidade da comunidade e reconhecimento governamental.

 

Iêêêêê…. já foram embora…. camará….
Iêêêêê…. não voltam mais…. camará….
Iêêêêê…. já foram embora….  E AGORA camará?!?!?

 

A história se repete…

Mestra Saruê foi a primeira mulher capoeirista de Ribeirão Preto, prestou serviços em prol das comunidades de sua região uma vida inteira.

O triste fim de um Mestre(a) de Capoeira Capoeira Portal Capoeira

Mestra Saruê – Ana Lúcia Graciano Lopes da Silva – Ribeirão Preto / SP

Atualmente se encontra desempregada por motivos de saúde e perto de perder sua casa de cohab, precisando de ajuda urgentemente de amigos e simpatizantes da causa.

É conhecida como uma grande capoeirista e uma das mais velhas em todo território brasileiro.

Mas assim como grandes mestres, esta passando dificuldades extremas, pois não tem ajuda do governo, o INSS ainda não foi liberado, mesmo tendo trabalhado por mais de 30 anos e estando com problemas sérios de saúde, o que acarretou em grandes dificuldades, gerando muitas dividas por exemplo de sua casa.

Prestes a perder a casa, vem pedir ajuda! Qualquer colaboração será de grande feito nessa causa, contamos com a ajuda e sensibilidade de todos os capoeiristas, amigos, colegas, conhecidos e simpatizantes.

Fica aqui a sensibilização e o link para quem quiser participar deste movimento de cidadania e ajuda ao próximo.

SOLIDARIEDADE / PESSOAS / SAÚDE / CARIDADE

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajuda-para-nao-perder-a-casa-ana-lucia-graciano-lopes-da-silva

 

 

  • VER TAMBÉM:

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Revista Placar 505 – 28 Dezembro 1979

Se liga capoeira!!! Fica a reflexão…

Anatomia de um prêmio em 12 facadas

por Mauricio Acuna

Misteriosamente, o Badauê surgiu
Moa do Katendê

 

1. Hoje ganhei um prêmio: Menção Honrosa de melhor tese em Ciências Humanas da USP. Reconhecimento de excelência em pesquisa em uma das melhores universidades do mundo;

Anatomia de um prêmio em 12 facadas Capoeira Notícias - Atualidades Portal Capoeira 1

2. Trabalho escrito por mãos que aprenderam a escrever na escola pública em São Bernardo do Campo, e que apertaram muitas outras mãos sonhadoras em cursinhos populares pré-vestibular. Trabalho estimulado por mãe, irmã, companheira, sobrinha, amigas: muitas mulheres. Trabalho nutrido por mestres de capoeira e suas criações infinitas com os corpos e os instrumentos: muitas artes afro-brasileiras. Trabalho que ganhou a cara de uma das melhores e mais conservadoras universidades públicas do Brasil, mas com as marcas da diferença e dos diferentes que, cada vez mais, participam das aulas com a cabeça erguida pelo direito conquistado;

3. A tese que ganhou esta menção honrosa conta a história de um dos grandes mestres de capoeira nascido no Brasil e mundialmente reconhecido: Vicente Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha. Também conta a história de seus saberes subalternizados e racializados. Conhecimento marginal das letras e das gingas. Briga antiga da cidade letrada e das quebradas gingadas;

4. Foi sem o reconhecimento acadêmico, e com muito pouco apoio do Estado em suas várias instâncias, que centenas de mestres contribuíram ao longo de muitas décadas, para a transformação da capoeira em Patrimônio Mundial da Humanidade em 2014, reconhecida pela Unesco;

5. Moa do Katendê, um desses mestres, foi brutalmente assassinado domingo, 7 de outubro de 2018, como efeito trágico da nossa democracia envenenada;

6. “Oi sim, sim, sim, Oi não, não, não

7. Assim ensinam os capoeiras em uma de suas mais famosas canções. Mas não se enganem, o verso é uma pequena, mas poderosa fórmula na “pedagoginga” – como ensina Allan da Rosa. Cantar esses versos inspira a diplomacia da ginga, a capacidade de se mover entre os contrários, de não se reduzir aos opostos;

8. Como uma forma de democracia, a capoeira hoje é a arte do discordar sem exterminar. Mas não se parece com a nossa democracia de milícias afiadas;

9. Em 2004, Gilberto Gil, o sábio Ministro da Cultura, propôs na ONU, a capoeira como uma “tecnologia social” para a paz. Eis que, mais de uma década depois, ela é ensinada em campos de refugiados noCaribe, África e Oriente, participando, significativamente, junto ao problemas globais das migrações e das catástrofes causadas pelas mudanças climáticas;

10. Como filho de exilados políticos da ditadura assassina no Chile, eu me pergunto se nós, brasileiros, aprenderemos algum dia novamente com os mestres, como se constrói democracia e participação?

11. Que toquem os berimbaus e atabaques, entre terra e céu para Mestre Moa do Katendê. Quem sabe ele joga com Mestre Pastinha, e é assistido por Marielle: “oi, sim, sim, sim…oi, não, não, não”.

12. Democracia sim, cultura sim, liberdade sim….milicianos não, tortura não, extermínio não.

 

12 de outubro de 2018. Dia de Oxum e de Nossa Senhora Aparecida.

Mestre Moa do Katendê

Veja Também: Tese de Doutorado

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Maestrias de Mestre Pastinha: um intelectual da cidade gingada 6Mb 361 downloads

Maestrias de Mestre Pastinha: um intelectual da cidade gingada Resumo em português Vicente...

DOI: 10.11606/T.8.2018.tde-18042018-100742

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Mestre Pastinha – Revista Placar Dezembro 1979

Revista Placar 505 – 28 Dezembro 1979

Se liga capoeira!!! Fica a reflexão…

Obrigado ao nosso colaborador Teimosia pelo importante registro.

Fonte: Arquivo Teimosia

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO – DEZEMBRO DE JOÃO 2017

CONVITE

Salvador –Bahia Dezembro de 2017.

Prezados (as) Mestres (as) O Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha tem a honra de convida-lo para participar das homenagens ao centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha que serão realizadas entre os dias 09,15,21, 26 e 27 de Dezembro de 2017, desde já agradecemos a sua atenção e manifestamos o ansejo pela sua presença.

Segue abaixo a programação do referido evento.

Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha, Matriz Forte Santo Antonio Além do Carmo (Forte da Capoeira)

Centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha.

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira 2

DEZEMBRO DE JOÃO CRONOGRAMA DO CENTENARIO EM SALVADOR

PROGRAMAÇÃO

01/12– ABERTURA DO DEZEMBRO DE JOÃO ABERTURA : FALA DE ABERTURA -UMA MOSTRA DE VIDEO SOBRE O EVENTO – APRESENTAÇÃO DO GRUPO IMPORTUNO POÉTICO- PERFORMANCE-MESA DE CONVERSA COM CONVIDADOS: PARA FALAR SOBRE VIVENCIA E IMPORTÂNCIA DO MESTRE JOÃO PEQUENO

CONVIDADOS: *LUCÍLIA DOS SANTOS *JOÃO EVANGELHO DOS SANTO *EDELZUITA ROSA ( DONA MÃEZINHA) *PROFª E PESQUISADORA NILDES SENA * PROFª SELICK TRINDADE -UM VÍDEO CELEBRANDO O MESTRE JOÃO -INTERVENÇÃO DE HOMENAGEM MUSICAL COM MESTRE CIRO.

09/12 :19:30 – RODA EM MEMORIA A PASSAGEM DO MESTRE JOÃO PEQUENO (CONVIDADA PROFª VANDA MACHADO E MESTRE MORAES)

10/12: 15HS – RODA (SALÃO NOBRE DA CAPOEIRA ANGOLA JOÃO PEQUENO) EM PERNANBUÉS COM O MESTRE CIRO

15/12 : 18HS – HOMENAGEM AO TITULO DE DOUTOR HONORES CAUSA DO DR MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA (SALÃO NOBRE DA REITORIA DA UFBA )

21/12 19HS INTERVENÇÃO NA PRAÇA DO SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO -MOSTRA DO VIDEO: O VELHO CAPOEIRISTA (PEDRO ABIB) -RODA NA PRAÇA DO SANTO ANTÔNIO ALÉM DO CARMO

26/12: 19HS –TRADICIONAL RODA DO MESTRE JOÃO PEQUENO – COM ABERTURA DO SEMEANDO “ MESTRE JOGO DE DENTRO” 21HS – CONFRATERNIZAÇÃO

27/12 9HS – OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA MESTRE ARANHA 15HS – OFICINA DE CAPOEIRA ANGOLA (PROF NANI DE JOÃO PEQUENO) -17h HOMENAGENS AO MESTRE JOÃO PEQUENO EM MEMORIA AO SEUS 100 ANOS 18HS – RODA EM MEMORIA AOS 100 ANOS DO MESTRE JOÃO PEQUENO 20:30 HS – CONFRATERNIZAÇÃO COM A TRADICIONAL MESA DE FRUTAS

CENTENÁRIO DO MESTRE JOÃO PEQUENO Capoeira Eventos - Agenda Portal Capoeira

INFORME PRINCIPAL PARA PARTICIPAR DAS ATIVIDADES: TODOS QUE QUEIRAM PARTICIPAR DAS ATIVIDADES DE RODA E OFICINA DEVERAM ESTAR DEVIDAMENTE FARDADOS, CALÇADOS E COM A CAMISA DO CENTENÁRIO QUE ESTARÁ A VENDA NO LOCAL.

Centro Esportivo de Capoeira Angola – Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha, Matriz Forte Santo Antonio Além do Carmo (Forte da Capoeira) Centenário de nascimento do Mestre João Pequeno de Pastinha. Atenciosamente

Nani João Pequeno

INFORMAÇÕES 71 33230708 71 988331469 71 987466141

Pags do Facebook: Ceca-Ajpp Matriz-Salvador

 

O menino que virou mestre de capoeira Pastinha

O menino que virou mestre de capoeira Pastinha

O livro, escrito por um jornalista, narra a história de mestre Pastinha (1889-1981), contextualizando-a no interior do contexto histórico da época. Fartamente ilustrado, além do texto escrito, o cenário do período também é reconstituído por meio de belas e elucidativas ilustrações.

A narrativa é lúdica, de fácil compreensão e muito fiel à biografia de Pastinha, como, por exemplo, quando descreve como o negro alforriado africano Benedito lhe ensinou a capoeira, o que mudaria para sempre a vida do menino Pastinha. Ele aprendeu que “na capoeira, a surpresa é um fundamento”. (p.16)

Ao final da obra, há o texto “A capoeira Angola”, aliás bastante didático, onde são mostrados os principais fundamentos da capoeira Angola, quais sejam: a ginga, a bateria de instrumentos, a importância do berimbau e sua origem, o ritual da roda, bem como os golpes e contragolpes.

Por fim, são apresentados os principais golpes desse jogo/luta/dança, como, por exemplo, a cabeçada e o rabo de arraia.

Como dizia mestre Pastinha: “Capoeirista é mesmo muito disfarçado, contra a força só isso mesmo”.

 

 

Barreto, José de Jesus. O menino que virou mestre de capoeira Pastinha; Cau Gomez, ilustrações. Salvador, BA: Solisluna Design Editora, 2011.

 

Por Letícia Vidor de Sousa Reis

 

A Herança de Mestre Pastinha

Titulo do livro: A herança de Pastinha.
Autor: Angelo A. Decanio Filho.
Copyright by Angelo A. Decanio Filho.
Editoração electrônica do texto; revisão; criação e arte final da capa:
Angelo A. Decanio Filho.
2a Edição:  com dicionário dialetal, 1997
Endereço para correspondência:
Angelo A. Decanio Filho
Rua Eduardo Dotto, s/n – Vivenda Iemanjá
Praia de Tubarão – Paripe
Salvador – Bahia – Brasil
CEP 40801-970

Capoeira Angola por Mestre Pastinha

O livro: “Capoeira Angola“, com prefácio de Jorge Amado foi originalmente lançado em 1964, pela Gráfica Loreto. A edição disponivel para download é datada de 1988, já em sua 3ª edição. Capa: Carybé

“É muito raro sair acidentado algum capoeirista em conseqüência da prática da Capoeira em demonstrações esportivas, porém, tratando-se de enfrentar um inimigo, a Capoeira não é dotada somente de grande poder agressivo, mas possui uma qualidade que a torna mais perigosa – é extremamente “maliciosa”.

O capoeirista lança mão de inúmeros artifícios para enganar e distrair o adversário: Finge que se retira e volta rapidamente; deita-se e levanta-se; avança e recua; finge que não está vendo o adversário para atraí-lo; gira para todos os lados e se contorce numa “ginga” maliciosa e desconcertante.

Não tem pressa em aplicar o golpe, ele será desferido quando as probabilidades de falhar sejam as mínimas possíveis.

O capoeirista sabe aproveitar de tudo o que o ambiente lhe pode proporcionar”.

  • fonte:texto extraído do livro “Capoeira Angola”, de Mestre Pastinha

 

Agradecimentos:

Bruno Sousa – Teimosia

Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha

Entre os dias 31 de março e 6 de abril, a Escola de Capoeira Angola Resistência comemora os 125 anos de história do Mestre Pastinha, um dos principais mestres de Capoeira da história, com uma semana de diversas atividades.

Na programação da semana está uma exposição de fotos retratando um pouco da vida do Mestre Pastinha, a exibição do filme “Mestre Pastinha, Uma vida pela capoeira”,  roda de conversa, aula aberta de Capoeira Angola com professores, além de muita roda de capoeira.

As atividades acontecem em diferentes locais da cidade de Campinas e também em Hortolândia. Haverá rodas de capoeira na Praça Rui Barbosa, na Lagoa do Taquaral, na Estação Cultura, onde fica a sede da escola em Campinas, e nos núcleos de Hortolândia, Pirassununga e Barão Geraldo.

Mais informações em nosso site: www.escolaresistencia.com.br