Contra mestre Janja, Grupo Nzinga de capoeira Angola.
“A gente precisava contrariar essa lógica (que via a capoeira como esporte ou
folclore). Isso foi feito através desse princípio: situar a capoeira dentro do legado da cultura dos povos bantos no Brasil. A partir daí, nos dedicamos a essa dupla militância: dar visibilidade ao pensamento e resistência do
mestre Pastinha e denunciar a hegemonia iorubá.”
Janja iniciou-se no Grupo de capoeira Angola Pelourinho (GCAP) a princípios da década de 1980. Herdeiro de
mestre Pastinha, o GCAP funcionou como o principal elementro revigorador desta arte banto, em um momento em que a capoeira começava a homogenizar-se e perder suas africanidades. No GCAP, Janja fez-se Contra
mestre. Hoje ela é presidenta do Instituto Nzinga de Estudos da capoeira Angola e de Tradições Educativas Banto no Brasil (INCAB) e também mestra em educação pela USP, onde atualmente realiza seu doutorado.
"Se você pensar a geração de mestre João Grande, de mestre João Pequeno, de mestre Curió, eles não tiveram acesso às formas oficiais de educação, e nosso país não tem uma tradição sobre a importância destes memoriais vivos, não o valorizou ao ponto dele permanecer no Brasil, ele (mestre João Grande) tá nos EUA e hoje vive uma outra realidade, inclusive do ponto de vista da auto-estima, da dignidade dele. A diferença da minha geração de capoeira é que nós, não tínhamos acesso, poderíamos ter acesso: quando começamos no GCAP, eu e Paulinha éramos as duas únicas que estávamos na universidade e éramos as mulheres chegando e o grupo percebeu um diferencial: a presença da mulher falando e atuando enquanto capoeirista. E quando nós iniciamos a “cruzada contra a ignorância”, tínhamos a compreensão que muito da juventude, falo especificamente do povo negro, porque era essa a parcela com a qual nós trabalhávamos na Bahia."
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