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Brincadeiras de rua, capoeira e vivências estão na programação da Semana Mundial do Brincar

Brincadeiras de rua, capoeira e vivências estão na programação da Semana Mundial do Brincar

Grátis no Sesc Santo André!

No mês de maio acontece a Semana Mundial do Brincar e esse ano o Sesc tem como tema o Brincar de corpo e alma. Direcionadas a crianças entre 0 e 12 anos e seus familiares, educadores e demais adultos de referência, as atividades incluem experiências práticas e teóricas que visam a fortalecer a brincadeira como elemento fundamental do universo da infância. No Sesc Santo André, a programação vai até 27 de maio, com diferentes atividades gratuitas e livres para todas as idades!

Confira a programação:

  • Vivência – Brincar Capoeira – De 5 a 26/5 – sábados – a partir das 15h30 – Na Sala de Práticas Corporais, o contramestre Pingo convida a todos para a vivência dessa manifestação cultural multidisciplinar que é a Capoeira, uma atividade que permeia entre jogo, dança, luta. No final, se mostra uma grande brincadeira com inúmeras possibilidades de aprendizado.
  • Vivência – Brincontro: Brincadeiras ao Ar Livre – Dia 20 e 27/5 – domingos – a partir das 14h – Os instrutores do Sesc Santo André realizam brincadeiras ao ar livre, com atividades que estimulam a criatividade e interação social. Brincar descalça, pular corda, escalar, batucar são ações que permitem à criança sentir o corpo como instrumento de explorar o mundo, no gramado da unidade.
  • Vivência – Degustando a Brincadeira – De 22 a 25/5 – Terça a sexta-feira – a partir das 12h30 – O palco da Comedoria, um local reservado para shows, abre espaço para crianças e adultos degustarem as mais diferentes brincadeiras. Com vivências simples e divertidas, a hora de comer também se torna tempo de brincar.
  • Palestra – Brincar de Corpo Inteiro – Dia 22/5 – terça-feira – às 19h – o encontro convida o público para experimentar vivências brincantes e refletir sobre referências práticas e teóricas que envolvem o brincar na primeira infância. Nesta idade, o corpo se torna uma construção encantada de significados, um patrimônio de cada criança que deve ser respeitado em sua individualidade e ludicidade. O conhecimento do corpo durante a brincadeira auxilia o ritmo vital da infância e desenvolvimento de outras relações sociais individuais e coletivas. A palestra conta com participação de Andresa Ugaya, Patrícia Dias Prado e Juliana Olivia dos Anjos. A atividade é sugerida para pais, mães e interessados no tema. É necessária a retirada de ingressos gratuitos a partir das 18h na Loja Sesc ou Bilheteria.
  • Vivência – Brincar Junto: Brincadeiras e Jogos nas Ruas – Dia 19/5 e 26/5 – sábados – a partir das 14h30 – Entre os momentos marcantes da infância, as brincadeiras de rua ganham grande espaço na nossa memória. Nos dia de vivências, os instrutores da unidade resgatam brincadeiras de rua pouco habituais nos dias de hoje, como pião, corda, peteca, entre outras. Além das brincadeiras tradicionais, os instrutores apresentam brincadeiras de origens afro-latinas, como o Pega-Bastão, da Etiópia, o Labirinto, de Moçambiquem, entre outras atividades. As brincadeiras acontecerão nas ruas do entorno do Sesc Santo André. No dia 19/5 , na rua Capixingui, s/n, no Conjunto Prestes Maia e, no dia 26/5, na rua Garanhuns, Centro Comunitário da Tamarutaca.

Promovida no Brasil desde 2009 pela Aliança pela Infância (surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos no final da década de 90 e chegou ao Brasil em 2001), a Semana Mundial do Brincar busca a construção e proteção do brincar como fundamento da expressão genuína da criança, e conta com a parceria do Sesc São Paulo desde 2013.

 

Passeio: Semana Mundial do Brincar – Sesc Santo André
Recomendado: Todas as idades
Quando: de 05/05/18 a 27/05/18
Horários: variados – dependendo da atração
Preços: Gratuito
Onde: Sesc Santo André – Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar – Santo André
Informações: (11) 4469-1200
[email protected]

 

Fonte: http://saopauloparacriancas.com.br/

7 Frases Que Você NUNCA Deve Dizer A Um Aluno

1. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”

A pior das frases que um professor pode dizer a um aluno tem base em uma ideia obvia, mas muitas vezes deliberadamente ignorada: o exemplo vale mais do que as palavras.

Sabemos que quando apenas falamos algo a um aluno, desacompanhado do exemplo prático, a absorção das palavras é mínima. Imagine agora se esta mínima absorção for contrariada pelo exemplo.

Já foi extensivamente pesquisado que o cérebro grava melhor informações associadas, e que por isso, quanto mais variados forem os estímulos, maior será a aprendizagem.

Quando nos comportamos de maneira coerente com nosso discurso, o aluno recebe não apenas um estímulo auditivo, pois nosso comportamento vem acompanhado de cheiro, movimento, visualização e, mais importante, repetição. O bom exemplo reiteradamente exibido pelo professor implanta um ideal a ser seguido pelo aluno.

Resumindo: se você quer que seu aluno siga certas ideias, aplique-as em sua vida pessoal.

 

 2. “O aluno tem que se adaptar à Capoeira, não o contrário”

 

A Capoeira é como água. Se adapta a tudo. Se está num copo, toma a forma do copo. Se está na garrafa, se adapta a ela. Condensa-se, vira gelo, evapora. Toma a forma de rio, de oceano ou de chuva e mesmo assim sempre encontra um jeito de continuar sendo água.

Se não fosse assim, não teríamos tantos estilos, tantas escolas e tantas manifestações diferentes, como Capo-Jitsu, Capoeira Gospel, Capo-Terapia ou campeonatos diversos convivendo com rodas tradicionais, jogos improvisados ou apresentações de artistas de rua. Tampouco teríamos Capoeira sendo ensinada para idosos, pessoas com necessidades especiais ou crianças.

Dizer que o “aluno tem que se adaptar à Capoeira” é geralmente uma maneira do professor se eximir de encarar sua própria dificuldade em relação às peculiaridades de determinados aprendizes que desafiam sua capacidade de adaptação.

Talvez fosse bom aprendermos com a Capoeira a sermos mais “água”, tornando-nos “professores líquidos” capazes de responder às necessidades específicas de cada aluno ao invés de sermos “professores rochas”, encastelados em nossas posições.

 3. “A Capoeira é para todos, mas nem todos são para Capoeira”

 

 

Esta frase, exaustivamente repetida, é comum a diversas atividades, como esportes ou religiões.

 

 

Podemos entender que o ensinamento filosófico pretensamente apresentado se refere à necessidade do esforço individual, por parte do aluno, para se tornar, de fato, um membro reconhecido na comunidade.

Mas o que a frase não explica é: quem seria a pessoa que poderia determinar quem “é” e quem não “é” para a Capoeira? Quais são os critérios para definir um capoeirista “de verdade”?

Quando proferida por um professor, a frase traz em si uma declaração de veracidade sobre si próprio e uma dúvida sobre os demais. Botar em xeque a autenticidade dos alunos reforça a legitimidade do professor como alguém que “é para a Capoeira”, enquanto os alunos seguem imersos na dúvida sobre suas próprias condições.

Qual o objetivo disso, se não exercer um narcisismo exacerbado? Qual a função de colocar os outros em dúvida sobre suas legitimidades?

Talvez poderíamos trocar a frase para “A Capoeira é para Todos e Todos São Para a Capoeira. Inclusive Você!”

 

4. “Faço assim porque aprendi assim”

 

Essa frase segue a linha do “Bato nos meus filhos porque também apanhei, e nem por isso virei bandido”.

Da mesma forma que a pessoa que apanhou não virou bandido APESAR das pancadas, e não DEVIDO a elas, a pessoa que é ensinada de forma errada ainda assim pode aprender corretamente, simplesmente porque buscou o correto por conta própria.

O problema é que o aluno oprimido tende a reproduzir os erros pedagógicos quando se torna professor, repetindo novamente o ciclo de opressão-reprodução.

Isso não quer dizer que devemos jogar fora todos os ensinamentos de uma pessoa somente porque ela erra em alguns pontos, mas si que devemos filtrar as informações e escolheremos o que queremos reproduzir.

O conhecimento sobre a pedagogia evoluiu muito nas últimas décadas e a neurociência continuamente vem provando que bons estímulos cognitivos estão aliados a experiências prazerosas e não a relacionamentos opressivos.

O professor de Capoeira do século XXI não pode continuar sendo um reprodutor de modelos pedagógicos herdados do militarismo do século XIX. Temos que basear nossa didática em métodos que funcionam e em estratégias eficientes e transformadoras no campo emocional, social e político no qual o aluno está inserido.

A tradição existe para ser repetida em seus acertos, não em seus erros. Muitos comportamentos opressivos ainda seguem em voga no nosso meio, em nome de uma suposta tradição. Repetindo comportamentos do passado, que já estão “ultra-passados”, arcaicos e anacrônicos, não iremos promover nenhum tipo de revolução.

Por exemplo: antigamente as pessoas ajoelhavam no milho quando desobedeciam os professores, e nem por isso aprendiam melhor. Erros existem para aprendermos com eles, não para repeti-los.

Continuar os erros do passado em nome de uma suposta tradição é, no mínimo, preguiça pedagógica.

 

5. “No meu tempo era diferente”

 

Esta frase, em teoria, não apresenta problemas, pois obviamente todo tempo é diferente do outro. Como na alegoria do rio que nunca passa duas vezes no mesmo lugar, tudo está sempre em constante mudança.

No entanto, implicitamente essa frase traz sub-leituras, como: “No meu tempo era tudo mais verdadeiro”; “No meu tempo é que era bom”; “No meu tempo é que havia respeito” etc.

E o curioso disso é que a mitificação do “antigo” acontece em todos os “tempos” e lugares. Como na cantiga “Alegria do vaqueiro é ver a queda do boi, alegria do velho é dizer quem ele foi” o “velho”, independentemente de sua idade – sim, há velhos que são cronologicamente jovens-, está sempre falando sobre o passado para desmerecer o presente.

A pergunta que fica é: se a pessoa está viva, como pode falar sobre o “seu tempo” se ela está vivendo o momento de agora? Talvez a resposta seja que sua cabeça vive no passado, por dificuldade de se adequar ao presente.

Ao repetirmos infinitamente esta frase, passamos a ideia de que já somos passado e que os “áureos tempos” que vivemos nos fizeram ser melhores do que nossos alunos são. Nada poderia ser mais falso, pois no caso específico da Capoeira, nunca houve tempo melhor.

Se há 100 anos o capoeirista podia ser preso por “capoeirar”, hoje em dia é recebido com louvor em todos os cantos, seja em universidades e palácios governamentais, seja em comunidades populares ou em centros culturais.

Ainda há muito a melhorar e muitas barreiras a quebrar, mas mitificar uma “idade do ouro” que nunca aconteceu não ajuda a lutar por um presente melhor.

 

 6. “O aluno tem que respeitar o mestre”

 

Há um ditado que diz que é possível forçar um cavalo a um rio, mas não pode-se força-lo a beber de sua água. Exigir respeito é como exigir que o cavalo beba água.

Respeito é um conceito que implica em construção coletiva, não em obediência cega. É uma via de mão dupla, ensinada pelo exemplo. Se o mestre respeita os alunos; os mais velhos respeitam os mais novos e os alunos respeitam-se entre si, obviamente o mestre será respeitado pelos alunos também.

Eu não tenho como cobrar respeito do meu aluno, pois somente ele pode construir essa atitude para comigo. Mas eu tenho como respeitá-lo, mostrando com atitudes que levo em consideração sua presença, seus sentimentos e suas necessidades.

O ambiente a ser construído numa escola de Capoeira deve ser de respeito mútuo e de respeito a regras que beneficiem o coletivo. Desta forma o conceito será vivido por todos, não precisando ser mencionado.

Um líder que “exige respeito” dos alunos não respeita nem mesmo o próprio papel, portanto não tem como exigir respeito de ninguém.

 7. “Se machucou porque não treinou”

 

Essa é a clássica desculpa do professor para eximir-se de sua responsabilidade quanto a integridade física dos alunos.

A cena acontece assim: um jogo de Capoeira transcorre normalmente até que um dos jogadores resolve soltar um golpe a um milhão por hora. O golpe pega e machuca o outro jogador. O machucado vai ao hospital (geralmente sozinho) e volta remendado depois de alguns dias. O que machucou é isentado de responsabilidade, pois era a obrigação do machucado sair do golpe. Se não saiu, é porque precisava ter treinado mais, diz o professor, do alto de sua sapiência.

O aluno aceita a explicação e continua na Capoeira e um dia se torna professor, repetindo o mesmo ciclo por causa do tal “ensino como aprendi”. E nessa brincadeira as lesões vão pipocando por todo lado e muitos bons capoeiristas abandonam a arte por não quererem se machucar.

A ideia de que a Capoeira é uma “arte marcial” como a luta greco-romana ou um “Esporte de Combate” como o boxe leva a um discurso “guerreiro” que serve somente para desresponsabilizar o líder da aula sobre as lesões dos alunos.

 

O professor deve ter em mente que qualquer machucado ocorrido em sua aula é sua co-responsabilidade.

Independentemente de ter sido uma fatalidade ou um golpe intencional o aluno estava sob a sua supervisão e por isso não pode ser responsabilizado sozinho por algo que aconteceu coletivamente.É importante que haja um código de conduta no qual estejam previstos os comportamentos desejados pelos praticantes e o zelo com o corpo dos demais.

Em breve escreveremos novo artigo falando sobre golpes proibidos em nossas rodas!

Vamos fechar este artigo com uma fala que poderia ser facilmente escutada em muitas escolas de Capoeira:

E aí, o o que você achou? Deixe seu comentário e compartilhe este texto com os colegas!

Axé!

Ferradura

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina

Em 2008, após uma grande pesquisa desenvolvida no Brasil, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) formatou um inventário com o intuito de registrar a Roda de Capoeira e o Ofício dos Mestres nos Livros de Registros das Formas de Expressão e dos Saberes, respectivamente. 

Seis anos depois, em 2014, na 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, a Unesco aprova a Roda de Capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Com esse registro e reconhecimento, o Brasil tornou-se responsável pela salvaguarda da Capoeira. Entende-se por salvaguarda as medidas que visam a garantir a visibilidade do patrimônio cultural imaterial, tais como a identificação, a documentação, a investigação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão e a revitalização deste patrimônio em seus diversos aspectos, assim como sua preservação e manutenção, fomentando ações para que haja a perpetuação do patrimônio e de seus mantenedores, os Mestres de Capoeira.

Dessa forma, em cada estado da federação, o Iphan estabelece a iniciativa de organizar coletivos que pudessem desenvolver um plano de salvaguarda dentro da realidade local. A denominação desses coletivos varia regionalmente, podendo ser: conselho de Mestres, conselho gestor, colegiado de Mestres, ou outras nomenclaturas. Não existe regra para a escolha da denominação e também não existe nenhuma remuneração pela participação dos Mestres.

Panorama das ações do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina Capoeira Portal CapoeiraEm Santa Catarina, no ano de 2015, o Iphan fez um chamamento aos capoeiristas para uma plenária que teve como resultado o Colegiado de Mestres. O nome ‘Colegiado’ foi escolhido pelo entendimento de que os membros eleitos opinam e definem suas ações com igualdade de voz e voto. O movimento não tem a pretensão de se organizar como entidade jurídica; mas, sim, como um coletivo de Mestres catarinenses.

Como primeiras ações, o Colegiado empenhou esforço na construção dos documentos que norteariam suas ações, sendo: Estatuto e Código de Ética. Após a elaboração e aprovação desses documentos, decidiu-se realizar uma ação coletiva para a comunidade da Capoeira catarinense: a Formação Continuada de Educadores de Capoeira. A proposição do Colegiado de Mestres, projetada em 2016 e colocada em prática em 2017, foi endossada pelas parcerias com o Iphan e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os conteúdos foram divididos em oito encontros presenciais quinzenais, totalizando oitenta (80) horas de formação continuada, com os seguintes temas:

  • – Origem da Capoeira;
  • – Relações de Poder, Raça e Gênero na Capoeira;
  • – Diferença, Geração e Capoeira;
  • – Metodologia e Prática de Ensino de Capoeira: Pessoas com Deficiência,

Idosos, Reabilitação, Crianças e Adultos;

  • – Prevenção a Acidentes e Primeiros Socorros;
  • – Oratória e Saúde Vocal;
  • – Marketing na Capoeira;
  • – Captação de Recursos;
  • – Formalização de Organizações de Capoeira; e
  • – Microempreendedorismo (MEI).

Foram abertas e preenchidas sessenta vagas (60) contando com a participação de vinte e dois (22) municípios de todo o estado e oriundos de trinta e seis (36) entidades de Capoeira (grupos, associações, escolas etc.).

Já em 2018, aconteceu a assembleia de posse da segunda gestão do Colegiado de Mestres. Ali, estabeleceu-se como objetivo para os encontros bimestrais e itinerantes (realizados cada vez em uma cidade diferente do estado) estreitar a participação da comunidade, realizando reuniões abertas ao coletivo, com debates e práticas sobre temas diversos. O pano de fundo de todas as ações do Colegiado de Mestres de Santa Catarina é a construção e aplicação do Plano de Ações de Salvaguarda da Capoeira.

Nesta caminhada recente, dificuldades já foram – e continuarão sendo – vislumbradas pelos Mestres, mas a Capoeira é sinônimo de resistência; portanto, faz-se necessário enfrentar as agruras como um bom desafio e como uma missão a se cumprir. Acima de tudo, os Mestres do Colegiado têm a consciência de que não agem com vistas ao resultado particular; mas, sim, para os jovens capoeiristas que continuarão o legado e perpetuarão a arte Capoeira no futuro.

 Capoeira Portal Capoeira

Membros do Colegiado de Mestres de Capoeira de Santa Catarina:

Titulares: Kadu, Tuti, Sinhozinho, Careca, Zico, Silvio e Curió.
Suplentes: Habibs, Curisco, Tigre, Dourado e Bião.

 

 

Por:

Marcos Duarte de Oliveira (Mestre Kadu)

Fernando Bueno (Mestre Tuti)

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!!

 

O projeto de revitalização da Praça Mestre Bimba situada no bairro da Amaralina em Salvador, Bahia, Brasil foi concluída com êxito no mês de Julho de 2017.

Após  uma grande batalha por parte da Turma de Bimba, da Família do Mestre Bimba e da comunidade da Capoeira do Brasil, foi conseguido junto aos órgãos públicos a obra que deu a comunidade um espaço apropriado a prática da Capoeiragem, prestando assim uma bela homenagem a um patrono da nossa arte.

Porém, menos de um ano depois passamos pelo mesmo problema, o descaso por parte dos órgãos que seriam os responsáveis pela manutenção do local, nos apresentam um cenário indigno para o tamanho da grandeza da obra do Mestre Bimba .

Uma vez mais a comunidade da Capoeiragem deve dar as mãos e pedir o devido respeito para com o Sr. Dr. Manoel dos Reis Machado criador da Capoeira Regional Baiana que esse ano completa 100 anos.

HÁ CERCA DE UM ANO ATRÁS…

Se o Rio Vermelho já era conhecido por ser o point de Iemanjá e da boemia, agora ele se estende para a valorização da capoeira e da memória militar. Com homenagens à Mestre Bimba e ex-combatentes do Exército Brasileiro, foi entregue pela prefeitura, nesta quinta-feira (27), a terceira e última etapa de requalificação da orla do lugar – que vai desde o Supermercado Bompreço até o Quartel de Amaralina, um perímetro de mais de 600 metros. Com investimento de cerca de R$3,7 milhões, a obra foi realizada em quatro meses numa parceria entre a Secretaria Municipal de Infrestrutura e Obras Públicas (Seinfra) e Fundação Mário Leal Ferreira. A requalificação começou em 2015 e custou, ao todo, R$65,3 milhões.

A obra contemplou a revitalização da Praça Mestre Bimba, ícone da capoeira mundial, incluindo no local um espaço para roda de capoeira com arquibancada para até 25 pessoas e piso intertravado de 250m² ao redor. Foi recuperado também o monumento desenhado pela artista Mercedes Kruchewsky em homenagem ao mestre: um medalhão de bronze acoplado à uma estrutura de 3,69m de altura em formato de berimbau. O capoeirista Manoel dos Reis Machado ficou conhecido por ajudar a descriminalizar a prática da capoeira por meio da obra “A capoeira regional”.

PRAÇA MESTRE BIMBA • 100 ANOS DA REGIONAL • RESPEITO!!! Capoeira Cidadania Portal Capoeira

Na reinauguração, diversos grupos de capoeira se reuniram para saudar a memória e os ensinamentos de Bimba. O grupo de Mestre Itapuã, 70, que começou a ser aluno dele aos 16 anos, era um deles. “Eu fui educado dentro da academia de Bimba. Meu pai tinha morrido nessa época, então a figura forte que eu tinha era ele. Bimba era um exemplo. Ele sempre exigia as coisas certas e que a gente fosse alguém”, lembra.

Contente, Dona Bena, 86, uma das viúvas do capoeirista, falou de como aprendeu a jogar capoeira escondido com o companheiro por causa da repressão. “Naquele tempo, mulher não podia jogar porque não consentiam. Uma vez ele fez uma turma, mas desmanchou porque os maiorais não deixavam. Só era para homem”, relembra ela, que defende hoje a democratização e valorização dessa expressão cultural.

(FONTE: http://www.correio24horas.com.br/)

 

Video da Praça do Mestre Bimba – “REinauguração” – Julho 2017 

ACORDA BAHIA… FESTA… PROMOÇÃO… VIDEO PROMOCIONAL… TUDO MUITO BONITO… PORÉM, MANTER O ESPAÇO, PREZERVAR O PATRÍMONIO, ZELAR PELA NOSSA CAPOEIRAGEM… ISSO JÁ É OUTRA COISA!!!

Respeito!!! É a única coisa que pedimos. Viva Seu Bimba!!!

Revista Acadêmica GUETO

Revista Acadêmica GUETO, registrada no Centro Brasileiro de ISSN sob o nr. 2319-0752 e com periodicidade de publicação semestral, está sob a responsabilidade editorial do Grupo de Pesquisa GUETO, do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Vale ressaltar, que esta iniciativa foi consubstanciada como produto da parceria entre a Universidade Federal do Reconcavo da Bahia – UFRB e a Uminho, a partir do Programa de doutoramento em Ciências da Educação, na área de especialidades em Desenvolvimento Curricular, no Centro de Investigação em Estudos da Criança, em pesquisa desenvolvida pelo Prof. Jean Adriano Barros da Silva, sob a orientação da Profª Drª Isabel Maria da Torre Carvalho Viana.

O seu principal objetivo é publicar artigos, ensaios, debates, entrevistas e resenhas  inéditos em  qualquer língua sobre temas que contribuam para o desenvolvimento do debate educacional, bem como para a divulgação do conhecimento produzido na área, considerando as perspectivas da Inclusão e Cultura Corporal.

É dirigida  a pesquisadores, profissionais e alunos da Educação. A sua organização nas seções propostas permite a publicação de materiais sob diferentes formatos e naturezas. Os textos em outros idiomas, exceto o Espanhol, poderão ser traduzidos e apresentados na mesma edição.

Revista Acadêmica GUETO Capoeira Portal Capoeira

 

 

Editor Chefe – Prof. Dr. Jean Adriano Barros da Silva – http://lattes.cnpq.br/4808864760751921

Professor assistente e pesquisador do Centro de Formação de Professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Possui graduação em licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal da Bahia (2001), especialista em educação física escolar (2003), mestre de capoeira e mestrado em educação pela Universidade Federal da Bahia (2008). Doutor em Ciências da Educação pela Uminho – PT (2017). Coordenador do Grupo de Pesquisa Gueto/UFRB e coordenador do Projeto de Extensão Balaio de Gato – UFRB. Atualmente é presidente – cargo não remunerado da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação inclusiva, atuando principalmente nos seguintes temas: capoeira, cultura corporal humana, estagio supervisionado em educação física e deficiência visual.

Profª Dra. Anália de Jesus Moreira – http://lattes.cnpq.br/1045272167785063

Professora assistente do centro de formação de professores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB. Doutora em educação (FACED/UFBA), mestrado em educação (FACED/UFBA). Doutoranda em educação no mesmo ppg na linha de pesquisa educação, cultura corporal e lazer. Licenciatura plena em educação física na universidade católica do salvador (UCSAL). Especialização em metodologia da educação física e esporte escolar (UNEB).

Prof. Dr. Emanoel Luís Roque Soares – http://lattes.cnpq.br/3011122221613108

Professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Formação de Professores, Amargosa -BA, doutor em Educação (2008) Universidade Federal do Ceará/FACED. Mestre em Educação (2004) Universidade Federal da Bahia/FACED, Especialista em Estética, Semiótica, Cultura e Educação (2001): Universidade Federal da Bahia/FACED. Bacharel em Filosofia (1999): Universidade Católica do Salvador.

 

Ms. Carolina Gusmão Magalhães – http://lattes.cnpq.br/3303183194939389

Mestrado em Ciencias Sociais Aplicadas | ADM l UFBA, Bacharel em Nutrição pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB (2004), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UNEB/2005) e em metodologia de ensino da Educação Física Escolar (FAVIC/2005). Graduanda em Licenciatura em Educação Física (UFRB), bem como integrante do Grupo de Pesquisa G.U.E.T.O. (UFRB). Possui grande experiência em Nutrição Clínica e em Saúde Coletiva – desde 2004, e em docência – desde 1996, conferencista internacional (COL, ARG, ECU, ESP, FRA, POR, MOZ e JAP) e como nutricionista e gestora social voluntaria da Associação Cultural Grupo Unido para Educação e Trabalhos de Orientação. Tem experiência na área de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva, Educação Nutricional, Gestão Social e Cultural, com ênfase no ensino de práticas da cultura popular afro-brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, nutrição clínica, capoeira, gestão social e capacitação.

 

Conselho Científico e Comissões Pareceristas

O Conselho Científico da Revista Acadêmica GUETO é composto por professores doutores ou doutorandos de IES que pesquisem as temáticas preferenciais desta revista: cultura, corpo, educação, artes, linguagens, saúde, inclusão social, capoeira, diversidade, memória, identidade, territorialidades, sociedades e Lutas.

 

Comissão de editoração gráfica e eletrônica

A esta comissão cabe a editoração gráfica e eletrônica da revista, garantindo sua qualidade visual, respeitando o projeto original e as determinações do Conselho Editorial. Funcionará sob a presidência de um docente capacitado para tanto.

Ver mais:

 https://www2.ufrb.edu.br/revistaacademicagueto/conselho-cientifico 

https://www.facebook.com/jean.pangolin

Uma História para partilhar… E se fosse você?

Uma História para partilhar… E se fosse você?

Essa é a história de Louise. Mas também é a sua, a minha, a de todos nós.

Quem nunca se machucou numa roda de Capoeira?

Qual capoeirista nunca foi a um hospital após um acidente no treino ou na roda?

Quem nunca chorou por estar impossibilitado de jogar devido a uma lesão?

↘️Quantas vezes já escutamos que uma pessoa machucada por um chute ou uma queda era culpada porque “deveria ter esquivado” ou então porque não havia “treinado o suficiente”?

↘️Quantas vezes já vimos pessoas saírem lesionadas das rodas e terem que se virar, indo sozinhas a um pronto-socorro, impossibilitadas de trabalhar no dia seguinte e precisando gastar dinheiro com remédios?

 É hora de pensar no que queremos para a Capoeira.

Assista o vídeo, emocione-se, reflita.

Comente e compartilhe.

 

Texto originalmente partilhado no Facebook do nosso amigo e colaborador Mestre Ferradura – Omri Ferradura Breda


Nota do Editor:

Pois é meu amigo Omri Ferradura Breda… Acho que o vídeo é fundamental para que possamos perceber que esta conexão tem uma nuclear necessidade de se fazer valer… Todos nós já passamos por isso… De forma mais leve ou até mais difícil… Este tipo de postura é reflexo da nossa vida…

Ajudar, preocupar, querer bem… É algo que infelizmente não é comum dentro do nosso contexto…

E só quem já passou por isso, só quem sentiu na pele, nos dentes, no nariz, nas costelas… Só quem passou horas no hospital é que entende… O tapinha nas costas… O tá tudo bem… O levanta não foi nada… Tá atrapalhando a roda…

Deveríamos refletir sobre isso com urgência e carinho… Capoeira ajuda Capoeira…

Luciano Milani

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

“Capoeira Gospel” cresce e gera tensão entre evangélicos e movimento negro

 

Estavam presentes o berimbau, o atabaque, a ginga e os saltos mortais. Quase tudo fazia lembrar um jogo de capoeira típico, mas, em vez dos cânticos que enaltecem os orixás ou trazem referências à cultura negra, os versos faziam louvor a Jesus Cristo e a roda era alternada com momentos de pregação e oração.

“Não deixa seu barco virar, não deixa a maré te levar, acredite no Senhor, só ele é quem pode salvar”, cantavam as cerca de 200 pessoas, reunidas na quadra de uma escola para o “1º Encontro Cristão de Capoeira do Gama” (cidade satélite de Brasília), numa tarde de sábado.

Era mais um evento de capoeira evangélica, também chamada de capoeira gospel, vertente que ganha cada vez mais adeptos no Brasil, principalmente por meio da palavra e do gingado de antigos mestres que se converteram à religião.

Se antes a prática enfrentava resistência dentro de igrejas, agora, nessa nova roupagem, é cada vez mais considerada uma eficiente ferramenta de evangelização.

“Hoje é difícil você ir numa roda que não tenha um (capoeirista evangélico), e vários capoeiristas viraram pastores. É um instrumento lindo de evangelização porque é alegre, descontraído, traz saúde, benefícios sociais”, afirma Elto de Brito, seguidor da Igreja Cristã Evangélica do Brasil e um dos palestrantes do evento.

Praticante de capoeira há 40 anos e convertido há 25, Mestre Suíno é líder do movimento “Capoeiristas de Cristo”, que estima reunir cerca de 5 mil pessoas no país. Ele realiza encontros nacionais em Goiânia há 13 anos – a edição de 2018 será pela primeira vez em Brasília.

 

Veja o Video da BBC

O mestre calcula ainda que já existem cerca de 30 “ministérios” de capoeira, ou seja, grupos diretamente ligados a igrejas.

“Há um cuidado para não chocar com as visões da igreja. Cuidado com a roupa, com o linguajar, com as músicas, mas que “não necessariamente tem que ser só música que fala de evangelho, de Deus”, explica.

Críticas

O crescimento da prática, porém, tem gerado incômodo entre capoeiristas tradicionalistas e o movimento negro, que veem na novidade uma forma de apropriação cultural e apagamento da raiz afrobrasiliera da capoeira, prática que surgiu como forma de resistência entre escravos, a partir do século 18.

Eles também reclamam que em algumas dessas rodas haveria discursos de “demonização” contra a capoeira tradicional e as religiões do candomblé e da umbanda.

O Colegiado Setorial de Cultura Afrobrasileira, que faz parte do Conselho Nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, chegou a divulgar em maio a “Carta de repúdio à ‘capoeira gospel’ e à expropriação das expressões culturais afrobrasileiras”.

 

O documento, uma reação ao 3º Encontro Nacional de Capoeira Gospel convocado para junho deste ano, em João Pessoa (PB), reconhece que seguidores de qualquer credo podem praticar capoeira, mas cobra “respeito” a sua tradição.

“Temos lutado contra o racismo em suas diversas e perversas manifestações. A demonização perpetrada por pastores, mestres ou professores de ‘capoeira gospel’, ensinando o ódio e a intolerância contra as raízes da capoeira e contra seus praticantes não evangélicos, é um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana”, diz a carta.

 

 

 

Patrimônio

A capoeira, que no passado chegou a ser proibida, recebeu em 2014 o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, órgão da ONU para educação. O Iphan, órgão responsável por sua “salvaguarda” no Brasil, reconhece em documento sua “ligação com práticas ancestrais africanas”.

A antropóloga Maria Paula Adinolfi, técnica do Iphan, diz que “não é possível impedir a capoeira gospel”, mas explica que o órgão está focado em “fortalecer ações que vinculam a capoeira à matriz africana” como “uma política de reparação do processo de apagamento da memória afrobrasileira e de genocídio do povo negro”.

 

Organizador do evento na Paraíba, Ricardo Cerqueira, o contramestre Baiano, recebeu, além da carta de repúdio, algumas ligações com críticas e até mesmo ameaças de processo. Seguidor da Igreja Batista, ele diz reverenciar os grandes mestres da capoeira, como os baianos Bimba, Pastinha e Waldemar, já falecidos, mas argumenta que a “capoeira não pertence à cultura africana”.

“O país é laico. Acho que cada um tem liberdade para fazer a sua capoeira da forma que quiser”, defendeu.

“Colocamos o nome gospel sem intenção de descaracterizar a capoeira, até porque nós usamos todos os instrumentos e cantamos também música secular”, disse ainda.

 

Diferenças

Além das músicas e orações, mais alguns detalhes diferenciam a capoeira evangélica da “capoeira do mundo”, explicou à reportagem Gilson Araújo de Souza, pastor evangélico e mestre capoeirista em Manaus.

Em geral, rodas evangélicas não chamam a troca de corda de “batismo” porque o termo deve ser usado apenas no seu sentido religioso, de se converter e receber o Espírito Santo. Além disso, alguns capoeiristas também evitam o uso de apelidos, que, segundo Souza, tem origem na época que a capoeira era perseguida.

“No mundo cristão, Deus nos chama pelo nome. Antes, eu era conhecido como mestre Gil Malhado, hoje sou chamado de mestre pastor Gilson. Não preciso me camuflar”, explica ele, que faz parte da Igreja de Cristo Ministério Apostólico.

 

“Anos atrás, eu enfrentei muita dificuldade para levar a capoeira para a igreja. O pastor batia a porta na minha cara, dizia que era coisa da macumba, que não podia. Hoje eu sou pastor e as portas se abriram”, conta também.

Segundo o mestre Suíno, a adoção do termo “gospel” fez parte desse processo de quebrar resistências. Era uma forma, observa, de convencer os pastores que a capoeira podia ser praticada dentro dos valores cristãos.

Hoje ele próprio repudia esse “rótulo” por causa da polêmica que tem gerado. Suíno afirma que, apesar de haver algumas práticas próprias da capoeira cristã, sua “essência” de capoeira é a mesma.

“Não existe capoeira gospel! Não queremos bagunçar a capoeira. Nós respeitamos os mestres, respeitamos os fundamentos da capoeira, respeitamos as tradições, e vamos defender porque quem não defende a capoeira não tem direito de ser capoeirista”, discursou, empolgado, durante o evento no Gama, cujo lema era “minha cultura não atrapalha a minha fé”.

 

Constante mutação

 

Diante da polêmica, o historiador da capoeira Matthias Röhrig Assunção ressalta que a prática já passou por muitas transformações desde seu surgimento.

Hoje, há três vertentes principais: a angola (mais lenta e gingada, tida como a mais próxima da “original”), a regional (mais acelerada, que incorpora movimentos de lutas marciais) e a contemporânea – uma mistura das duas primeiras que surgiu no Sudeste a partir dos anos 70 e foi o estilo que conquistou o mundo.

“Acho que capoeira tradicional não existe mais, todos (os estilos) são modernizados”, resume Assunção, que é professor do departamento de história da Universidade de Essex, na Inglaterra.

Embora não simpatize com a ideia de uma capoeira evangélica, o professor afirma que não se trata do primeiro processo de “apropriação” da prática.

“A capoeira gospel me parece ser mais uma estratégia desses grupos religiosos de ocuparem espaços e de ganhar adeptos, mas não vejo como parar isso, não tem como proibir”, observou.

“Historicamente, houve muitas apropriações da capoeira. Há uma apropriação nacionalista forte, rodas no exterior com as bandeiras do Brasil, o verde e o amarelo, por exemplo, em que a origem da capoeira, a história de resistência e a ligação com os africanos escravizados muitas vezes não têm destaque algum”, pondera.

 

Fonte: BBC – http://www.bbc.com/

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Museu Itinerante Balaio da Capoeira

Velho ônibus escolar roda pelo Brasil divulgando a arte marcial brasileira criada pelos escravos

Pilotado por Mestre 90, o museu itinerante tem até navalha de Cintura Fina

 
Nesta grande roda da capoeiragem… neste mundo de meu Deus… cada qual é como cada qual… assim é Mestre 90 e seu #balaiodacapoeira!!!

 

No começo dos anos 1970, época de sua fabricação, ele fazia a linha Centro-Carrefour Contagem. Na década seguinte, passou a servir ao transporte escolar e circulava pelos bairros da Região Oeste de Belo Horizonte – Grajaú, Gutierrez e Barroca. Por volta de 2003, assumiu função inusitada: virou museu, viajando para vários cantos de Minas Gerais e para fora do estado. Estamos falando de um ônibus Mercedes-Benz de 1972 – apelido “Dino”, alusão aos dinossauros. “Com mais de 40 anos, ele roda que é uma beleza. Tudo é original de fábrica. Precisa ver que maravilha é o motor”, celebra o proprietário do “balaio”, Rudney Ribeiro Carias, de 61 anos, o Mestre 90, um dos ícones da capoeira em Minas Gerais.

Capoeirista desde menino, ao longo dos anos Mestre 90 foi acumulando não só conhecimento, mas milhares de objetos relacionados à arte, que mistura esporte, luta, dança, cultura popular, música e brincadeira. “A maioria de nós só se preocupava em jogar. Eu não. Jogava e guardava qualquer coisa ligada à capoeira, porque sempre fui muito organizado. Daí a ideia de criar um museu. Hoje, tenho cerca de 4 mil itens no meu acervo. O interessante é que fui criando a consciência nas pessoas de guardar coisas ligadas a essa manifestação. Muitos dos meus companheiros fornecem material para o museu”, ressalta.

O acervo conta com livros, revistas, quadros, fotos, discos, berimbaus e outros instrumentos, além de armas usadas nas rodas. Uma delas é a navalha que pertenceu ao travesti Cintura Fina, mito da zona boêmia de Belo Horizonte nos anos 1950. Ficou famoso pelas brigas, era temido pela destreza com que manejava a navalha, sempre amarrada a um cordão. “Ele foi muito valente, mas a gente não tem provas de que foi capoeirista. Porém, o Cintura faz parte da história das rodas e das lutas da cidade”, explica Mestre 90.

Depois de se aposentar como motorista, ele decidiu aproveitar o veículo escolar com o qual ganhava a vida para preservar a história da capoeira. “Já que as pessoas não vão muito a museu, decidi levar o museu até elas. Nunca ganhei nada com a capoeira. Pelo contrário: sempre gastei muito (risos). Mas não me arrependo e daí a ideia de criar esse espaço”, destaca Mestre 90, que conta com a colaboração dos mestres Gaio, Luiz Amarante (Mineiro) e Toninho Cavalieri.

Sempre que é convidado para algum evento, o capoeirista leva o ônibus. Quando o “busão” chega, vira festa. “Ele é uma grande novidade. As pessoas, sobretudo a criançada, ficam fascinadas. O comentário que mais ouço é: nossa, não sabia que a capoeira tinha tanta coisa e tanta história”, repara.

 

 

A divulgação da iniciativa tem apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2012, a pedido dos mestres, o historiador, documentarista e videomaker Daniel Porto elaborou o projeto Museu Itinerante Balaio da Capoeira, contemplado no Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI). Daniel participa da Rede Catitu Cultural, associação em defesa de artistas e mestres populares voltada para conhecimentos tradicionais e étnicos.

“Recebemos recursos para fazer toda a catalogação e identificação do material, realizamos um documentário e agora aguardamos para reformar o ônibus e inaugurá-lo oficialmente junto ao Iphan. Vai deixar de ser o ônibus do 90 e se transformar num museu de verdade, com sustentabilidade. Vai sair por aí visitando escolas e instituições, cair na estrada mesmo. A expectativa é de que isso ocorra este ano”, afirma Daniel Porto. O Iphan informa que tem interesse em concretizar a iniciativa e aguarda alguns trâmites burocráticos para viabilizá-la. Porém, não há data definida.

Museu Itinerante Balaio da Capoeira Cidadania Curiosidades Portal Capoeira 1

“Mestre 90 fez algo fantástico. Se você não contar a sua própria história e a história do seu grupo, ninguém vai contá-la. Se você não se organizar para resguardar sua memória, ninguém fará isso. Daí a importância de um projeto como este”, conclui Daniel Porto.

MUSEU DA CAPOEIRA
Visitas agendadas e informações: (31) 99997-69473.

 

Carta para um jovem negro e capoeirista assassinado na Amadora

Carta para um jovem negro e capoeirista assassinado na Amadora

Lenine Sanches nasceu em Cabo Verde e veio para Portugal aos nove anos de idade. Tal como muitos jovens oriundos de famílias africanas, a sua vida não era fácil, marcada por intempéries e dificuldades. Foi por volta de 2010 que o conheci num projeto social na freguesia de Caneças, no concelho de Odivelas, onde ele atuava como dinamizador junto ao projeto Távola Redonda, em conjunto com outros jovens de origem africana. O projeto social Távola Redonda foi criado em parceria com instituições locais para desenvolver atividades lúdicas e culturais junto aos jovens do bairro. Lenine fazia parte de um grupo de jovens que já praticava capoeira, mas que na altura não possuía professor. As aulas aconteciam na Casa da Cultura de Caneças e no dia em que o vi pela primeira vez, ele estava na aula que, por falta de professor, era dada por um dos jovens que tinha um pouco mais de experiência. Aceitámos conduzir as classes de capoeira em regime voluntário, realizando uma parceria entre o projeto Távola e a nossa Associação Ginga Brasil capoeira.

Na nossa associação, Lenine atuava junto a um vasto grupo de amigos de origem africana com quem tinha fortes laços de amizade, privava e dividia o dia-a-dia de um entusiasta da capoeira. Para muitos deles, a capoeira era a felicidade das suas vidas, uma saída para a diversão, o lazer de que eram privados como pobres e negros e, porque não dizer mesmo, uma saída profissional. Nos trabalhos da associação alguns já atuavam em breves atividades remuneradas, remuneração que, sendo pouca, poderia significar ter o que comer num dia difícil.

Em 2010 a associação Ginga Brasil organizou o 1.º Encontro Gingando pela Cidadania que constava de um intercâmbio de jovens entre dois países, Portugal e Estónia. Foi possível aos jovens estonianos e africanos participarem numa série de atividades em Portugal e na Estónia que envolviam a música, a dança, a construção de instrumentos e a prática da capoeira. Em 2011 a Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania lançou, em parceria com a Associação Ginga Brasil e o projeto Távola Redonda, o projeto Diferentes Origens, Uma Cidadania, no âmbito do programa Juventude em Ação. Lenine, bem como os seus companheiros, eram ativos participantes e envolvidos em todas as atividades e projetos da associação.

Lenine Sanches, “o Laranjinha”, como era carinhosamente chamado por todos, era um dos nossos, do “gangue” da capoeira. Era alegre, divertido, prestativo e cheio de vida. Era pai de uma criança de tenra idade, fruto de uma relação que mantinha com uma jovem do bairro e com quem tinha grande proximidade, como pai, companheiro e provedor das parcas condições financeiras que ajudavam a sustentar a criança.

Na entrevista que conduzi junto ao seu grupo de amigos, todos afirmaram ter tido problemas com as forças policiais e sentiam-se, por vezes, inconformados com as relações sociais desiguais das quais eram vítimas pela sua condição racial e social. No seu depoimento sobre o racismo e a intolerância, “o Laranjinha” utilizou as seguintes palavras para definir o que sentia sobre o assunto:

“Quando nos discriminam, sentimo-nos em baixo, mas temos de mostrar que não somos inferiores a eles. Mas às vezes, ao mostrar que somos iguais, há negros que partem para a violência. Acho errado, por vezes acontecem coisas que não deviam acontecer.”

Ao reler o seu depoimento, dei comigo a pensar que ele não faria ideia de que seria vítima da intolerância que concebia como incorreta.

Há algum tempo, ele tinha sido condenado a trabalhos comunitários por ter sido apanhado sem passe nos transportes públicos de Lisboa. Ficou designado pelo juiz que trabalharia num campo de futebol junto à escola em que foi assassinado e era isso que estava a fazer, quando foi confrontado com a disputa litigiosa entre grupos de indivíduos com quem nada tinha a ver. Não é possível afirmar que a tal contenda era um acerto de contas de gangues, como publicitou a imprensa. O julgamento é precipitado e incorreto até, uma vez que faltam informações que atestem o facto. Consta que Lenine, que estava a trabalhar no momento, sentindo o perigo que o rodeava, correu em direção à escola. Como era negro, tal como os demais, acabou por ser confundido e esfaqueado pelos seus próprios pares de cor.

No dia de sua morte, ao terminar o trabalho comunitário que lhe foi atribuído, ele dormiria na casa de um dos diretores da nossa associação para que, no dia seguinte, tomasse parte numa ação educativa junto a crianças. “O Laranjinha” tinha um dom especial no trato com os alunos e crianças, uma alegria inata, natural e honesta, razão pela qual era sempre chamado a cooperar na lida educativa do quotidiano da Associação Ginga Brasil.

O que me entristece, como capoeirista e imigrante, é saber como a sua condição de negro e imigrante o inseria, à partida, num grupo de alto risco – seja pelos seus algozes, também negros, que lhe retiraram a vida, seja pela polícia ou pela imprensa que o classificou, sem o menor escrúpulo, como membro de um gangue. Para mim, ele é tão vítima quanto os que o mataram, todos em busca de um espaço na urbe lisboeta que os rejeita, como seres humanos e cidadãos negros. Para a imprensa portuguesa, bem como para a maioria dos que viram os telejornais, ele era mais um tipo de cor, revoltado e marginal que talvez até fizesse por merecer o triste fim.

Entretanto, acalenta-me saber e dizer que ele era um de nós, capoeirista, e isso fez grande diferença na sua vida, na sua existência, na sua educação e na sua consciência como negro. Para quem não conhece a capoeira como prática social, cultural e desportiva, isso fará pouco sentido, mas para nós é o que anima as nossas almas, o nosso viver em sociedade.

Dentro de uma semana o nosso “Laranjinha” receberia uma nova graduação, dada no âmbito de um evento anual realizado pela nossa associação. Faremos esse ritual simbólico, para o lembrar e para recordar que a capoeira é também a luta em favor do oprimido. Ele estará nos nossos corações e memórias sempre que o berimbau tocar numa roda de capoeira na velha Lisboa.

 

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Praça Nelson Mandela tem aula grátis de capoeira para crianças

Iniciativa é um desdobramento do movimento ‘Ocupa Praça Nelson Mandela’, promovido pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo

RIO — As crianças que forem à Praça Nelson Mandela, em Botafogo, quarta-feira, entre 17h e 17h30m, poderão participar de uma aula gratuita de capoeira. A atividade usará o método “Brincadeira de Angola”, criado pelo Mestre Ferradura, com ênfase na aprendizagem significativa através de brincadeiras.

A iniciativa é um desdobramento do movimento “Ocupa Praça Nelson Mandela”, promovido no início de maio pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab) com o objetivo de cobrar reforços na segurança da praça e, ao mesmo tempo, iniciar um processo de revitalização da área.

De acordo com números do Instituto de Segurança Pública (ISP), o número de roubos a transeuntes disparou no intervalo de um ano na área da 10ª DP, que abrange os bairros de Botafogo, Humaitá e Urca. Em março deste ano, foram registradas 88 ocorrências, contra 30 no mesmo período de 2016, o que representa uma alarmante alta de 193%. Em relação a fevereiro de 2017, mês em que foram registrados 40 roubos a transeuntes, o crescimento desse tipo de crime foi de 120%.

 

ver também:

  • CAPOEIRA ANGOLA EM BOTAFOGO – AULAS PARA INICIANTES

 

Fonte: O Globo