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O Berimbau

A Lenda do Berimbau

Uma menina saiu a passeio. Ao atravessar um córrego abaixou-se e tomou a água no côncavo das mãos. No momento em que, sofregamente, saciava a sede, um homem deu-lhe uma forte pancada na nuca. Ao morrer, transformou-se imediatamente num arco musical: seu corpo se converteu no madeiro, seus membros na corda, sua cabeça na caixa de ressonância e seu espírito na música dolene e sentimental.

(Conto existente no leste e no norte africano)
(Texto retirado da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia) nº 80 de 1956.

Origem:

A introdução deste instrumento no Brasil foi feita com a chegada dos negros Bantos, mais precisamente pelos Angolanos, cuja a cultura é uma das mais antigas de África.

No entanto, vale a pena salientar que, apesar do Arco Musical ter chegado ao Brasil por intermédio dos negros africanos, isto não implica que tenha sido criado por estes.

Emília Biancardi, na obra Raízes Musicais da Bahia, diz acreditar-se que o arco musical já estava em uso há 15.000 anos antes de Cristo, porquanto aparece em pinturas rupestres da época, como a que foi encontrada na caverna Les Trois Frèmes, no sudeste da França. Albano Marinho de Oliveira, em pesquisa publicada na revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia de 1956, diz que, de entre os instrumentos de corda conhecidos no mundo, os mais antigos são a harpa, o Alaúde e a Cítara.

Estes Instrumentos existem há cerca de 4.000 anos antes de Cristo e foram encontradas gravuras em pinturas e relevos do antigo Egipto. Todos estes três instrumentos retratados, tiveram a sua origem num arco musical, que tinha como característica, uma corda fixada nas suas extremidades e tendo como amplificador de som, uma caixa de ressonância, podendo até mesmo ser um buraco no chão.

O arco musical foi, com toda a certeza, o ponto de origem da Harpa, opinião dominante entre os musicólogos. Hugo Riemann, na sua obra História La Música – 1930, diz acreditar que o som produzido pelo arco de caçador ao disparar a flecha foi, sem dúvida, segundo a lenda, a causa da invenção do arco musical. Teoria esta, contestada por Curt Sachs, na obra História Universal de Los Instrumentos Musicales.
De qualquer forma, torna-se impossível fixar o ponto e época exacta do seu aparecimento, pois a extensão geográfica da sua expansão dificulta certezas. Curt Sachs, anota a sua existência no México, na Califórnia, na Rodésia, no Norte e no Este Africanos, na ilha de Pentecostes, e na Índia; Carlos Vega, entre Índios da parte mais meridional da América do Sul e Ortiz, na ilha de Cuba.

Albano de Oliveira resume que:
“dos instrumentos de corda primitivos, a harpa provém de um arco, semelhante ao de caçador. E como referências antigas dão como a arpa originária do Egito, lítcito é se adimitir que o arco musical dalí partiu, espalhando-se a princípio pelo Oriente Próximo, Sul da Índia, onde Curt Sachs acredita existir a forma mais primitiva do arco musical, Indostão, Oceania, Continente Africano e somente nos tempos modernos, Europa e América.”

O Nome:

Hoje em dia não nos é possível definir com exactidão a origem do vocábulo Berimbau, nem tão pouco sabermos quando este arco musical perdeu o nome de origem e herdou o termo conhecido actualmente.

A ideia mais aceite, é a de que o nome Berimbau venha do termo vindo do quibundo m`birimbau, existem ainda os que defendam sua origem vinda do termo Balimbano, de origem mandinga, ambos os termos estão registados no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado. De outra forma, acredita-se que seja um termo vindo da palavra de origem Ibérica Birimbau, que, no Dicionário da Real Academia Espanhola, é definido como sendo um pequeno instrumento, composto de arame ou madeira, com uma lâmina fina fixa ao meio.
Segundo Albano de Oliveira, em pesquisa na obra “Viagem Pitoresca e Histórica do Brasil” de Jean Baptiste Debret, artista Francês que morou no Brasil de 1816 até 1831, o nome de origem do nosso conhecido arco musical, o berimbau, era Urucungo, termo angolano, comprovando assim a origem angolana do instrumento.

De outra forma, encontramos vários outros termos que definem o berimbau de barriga, são estes Uricundo, Urucungo (este último também registrado por Edson Carneiro, como já referido, sendo de origem Angolana), Orucungo, Oricungo, Lucungo, Gobo, Rucungo (registrados por Arthur Ramos), Bucumba, Macungo, Matungo e Rucumbo, bem como outros termos ainda não conhecidos.

O emprego do Arco Musical:

Segundo a ordem cronológica da história dos instrumentos, os de percussão surgiram primeiro, sendo utilizados pelos povos guerreiros, seguidos dos de cordas e posteriormente, os de sopro.

O arco musical teria nascido no Egipto, ou segundo Curt Sachs, no sul da Índia, em épocas muito remotas, e atravessou tempo e fronteiras, sendo conhecido em todos os continentes. O seu uso deveria ser apenas para a satisfação humana nas horas de lazer, ou ainda para manifestações religiosas, pois segundo consta, toda a história da música, está retratada em registros e documentos religiosos, como as gravuras tumulares egípcias, onde os instrumentos aparecem como forma de reverência aos Deuses, ao que o arco musical não seria excepção.

Provando isso, Curt Sachs, em pesquisa sobre o arco musical, encontrou povos em ainda estágios primitivos de civilização, no qual o arco musical está ligado a religião, misticismo ou lenda, como, por exemplo, a dos povos do Norte e Este Africano, que narram a história da menina que bebia água num córrego, retratada no início desta pesquisa. Povos do México, como os Covas, utilizam um arco musical com uma caixa de ressonância separada. Esta caixa é na verdade o símbolo da deusa da Lua e da Terra, e entre algumas tribos deste mesmo povo, só as mulheres podem tocá-lo. Na Rodésia, o arco musical é tocado na iniciação das meninas. Já os Washam Balás, do Leste Africano, acreditam que o homem não poderá casar se, quando estiver fabricando o instrumento, se partir a corda, pois trata-se de um instrumento sagrado.

O emprego do arco musical com característica religiosa, tende a diminuir entre os povos com níveis diferentes de cultura, é o que acredita Albano de Oliveira. No Tongo, o arco musical é tocado pelos velhos anciãos nativos apenas como forma de recordarem os tempos áureos da juventude. É o que faziam, segundo relato de Alfredo Brandão, quando os negros de alagoas, tocados pelos sentimentos de saudade e tristeza, aproveitavam a calada da noite nas senzalas para tocarem o berimbau.

No Brasil, o berimbau não esteve, nem está ligado, a religiosidade, no entanto, sabemos do emprego do mesmo em missas, ou momentos que relembrem velhos mestres, sendo esta uma prática particular dos capoeiristas. Na bahia, durante as festas de largos em dias santificados, era costume aparecerem tocadores de berimbaus.

Retratado ainda pelos viajantes Rugendas e Debret como instrumento utilizado para atrair fregueses, ou mesmo, como forma de um cego pedir auxílio, o berimbau exercia várias funções.

Hoje em dia, no Brasil, o berimbau é encontrado especialmente nos grupos de capoeira, onde exerce um papel importantíssimo na manutenção do jogo. É ainda usado por músicos e grupos de danças como instrumento de percussão.

A introdução na Capoeira:

Como sempre, esbarrando na carência de documentos que comprovem com exactidão o uso do berimbau na capoeira, pesquisadores e historiadores, baseiam-se em gravuras, desenhos, pinturas, crónicas, anotações e narrativas da época, sendo estas as únicas fontes existentes para a pesquisa, que por si só, não nos garantem certezas.

Sabendo que a capoeira nasceu primeiramente como luta, podemos deduzir que o berimbau não tenha tido, nesta época, relação com a mesma, cabendo este papel aos batuques e atabaques, que possuem uma identificação maior com as lutas e rituais afros, é o que prova a gravura intitulada “Kriegsspiel” (Brincadeira de Guerra), registrada na obra “Viagem Pitoresca Através do Brasil”, livro lançado em 1763, de Jean Maurice Rugendas. Nesta gravura, não se verificou a presença do berimbau, e sim de um pequeno atabaque, e em volta dos lutadores, pessoas animando e a baterem palmas, num local, que, segundo Albano de Oliveira, é provavelmente o trecho onde é hoje Monte Serrate, na Bahia. Outra obra publicada entre 1834 e 1839, do francês Jean Baptiste Debrete, intitulada “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, retrata um arco musical nas mãos de um cego. Temos ainda a ilustração de Joachim C. Guillobel (1787 – 1859), que registra a presença de um berimbau a ser tocado por um vendedor ambulante, como forma de atrair os fregueses, não vinculando assim o instrumento com a capoeira.

Sabemos ainda que as maltas de capoeiras no Rio de Janeiro foram perseguidas, sendo, desta forma, extinta a capoeiragem na antiga capital, e que, no Rio, se desconhecia a presença deste arco musical. Na Bahia, segundo Emília Biancarde, na segunda metade do século XIX, o berimbau foi introduzido na arte, pois a capoeira só se perpetuou graças ao seu uso, e ao dos demais instrumentos, pois, quando alguém estranho ao grupo se aproximava, era fácil transformar o jogo em dança, como por exemplo, o samba de roda. Com o passar do tempo, o berimbau passou a comandar a roda, sendo até hoje indispensável o seu uso. Emília Biancardi diz ainda que, segundo Mestre Pastinha, na década de 40, se costumava ver a presença de uma viola de doze cordas nas rodas, e que a presença do berimbau já se fazia sentir.

Existem, no entanto, aqueles que acreditam que o Berimbau já era usado na arte capoeira desde a época colonial, dentro das senzalas, segundo alguns relatos, como o que Rosangela Peta descreve na matéria sobre capoeira, na revista Super Interesante, lançada no mês de Maio de 96. Henry Koster (Inglês que se radicou em Pernambuco, virou senhor de engenho e passou a ser chamado Henrique Costa), escreveu nas suas anotações de 1816 que, de vez em quando, os escravos pediam licença para dançar em frente as senzalas, e divertiam-se ao som de objectos rudes. Um deles era o atabaque, outro “um grande arco com uma corda, tendo uma meia quenga de coco no meio ou uma pequena cabaça amarrada”, trazendo assim, a utilização do berimbau nos momentos em que os escravos, supostamente, estariam treinando a capoeiragem, em meio a festa.

Os tipos de Berimbaus na capoeira:

Na capoeira, são conhecidos três tipos de berimbaus, que possuem individualmente funções diferentes na bateria, que têm de ser bem executadas de forma a criar uma perfeita harmonia na roda. Na Bateria da capoeira angola usam-se três berimbaus, na charanga da regional, apenas um, sendo este acompanhado pela marcação dos pandeiros.

O Gunga:

É o berimbau que possui o som mais grave, tem como característica possuir uma cabaça (caixa de ressonância) grande. Alguns autores acreditam que o seu vocábulo venha da palavra angolana hungu. É também conhecido por muitos como berra boi. Este tipo de berimbau é mais utilizado no estilo de capoeira angola, onde é normalmente tocado pelo mestre ou capoeirista responsável em manter o ritmo da roda, pois é o gunga quem comanda a base do ritmo, ditando o toque e a cadência a serem executados.

O Médio:

Como o próprio nome refere, é o que possui uma cabaça com tamanho intermediário aos outros dois, tendo no som a mesma característica, tem como função acompanhar a base do toque do berimbau gunga, podendo no entanto, pontualmente, executar algumas variações. É o tipo de berimbau mais utilizado na formação dos instrumentos da Capoeira Regional, porém, é também parte integrante da bateria da Capoeira Angola.

O Viola:

Conhecido também como violinha, é responsável pelo improviso, dando o chamado “molho” ao ritmo. Quando um bom tocador está a manuseá-lo, seu som agudo, é de uma vibração inigualável, fazendo com que a assistência escute o lamento ou mesmo uma saudação alegre e feliz, através de sua música. É dos três tipos o que possui a menor das cabaças.

A constituição do Berimbau:

Um instrumento monocórdio, constituído por uma verga arqueada, um arame estendido, uma cabaça, que tem o papel de caixa de ressonância, uma baqueta de percussão, um dobrão ou seixo, e ainda é acompanhado pelo uso do caxixi.

A Verga:

A madeira que deve ser usada para a confecção do berimbau tem de ser flexível e resistente, a mais usada e conhecida é a Biriba, que deve ser cortada no mato, na lua quarto minguante. Em viagem pela Bahia, perguntei ao Mestre Marinheiro, residente em Feira de Santana, artesão e vendedor de berimbau e caxixi, que se encontrava na capital baiana, se, com tanta extracção de Biriba, ela não correria o risco de se extinguir, ao que ele respondeu que, normalmente quando extraída da mata, passados dois a três anos ela renasce do mesmo ramo cortado.
Alguns artesãos cozinham a biriba, como forma de torná-la mais resistente. O Berimbau ainda pode ser feito com outros tipos de madeiras, tais como o cunduru, o pau d´darco, o pau pombo, a tapioca, o bambu e outras. Em Portugal, como forma de suprir a carência de espécies encontradas somente na Mata Atlântica, usa-se o eucalipto, ou o pau de lodo, sendo este último utilizado no tradicional Jogo do Pau Português. No caso do eucalipto, este deve ser tirado quando ainda está pequeno e verde, e antes de o cortar, deve-se primeiro vergá-lo a fim de não proceder a um corte desnecessário, ficando a verga inutilizável e sem uso. Depois de verificada a resistência e feito o corte, deve-se retirar a casca, quando esta ainda se encontra verde e húmida, logo depois deixa-se secar à sombra durante cerca de uma semana e meia, e só depois se poderá proceder ao trabalho de acabamento.

A Corda:

Em tempos remotos, eram usados como fio para este instrumento, sipó ou vísceras de animais, só muito tempo depois se introduziu o uso do arame comum (recozido), para só depois então, com a chegada dos primeiros automóveis importados a Salvador, segundo mestre Pastinha em relato a Emília Biancarde, os tocadores, que na sua maioria trabalhavam como estivadores nas docas de salvador, descobrirem que o arame temperado existente nos pneus dos carros produziam um som melhor que o sipó-timbó ou arame comum, e passaram a utilizá-lo.

A Cabaça:

(Cucurbita Lagenaria, Lineu) É uma planta rampante. De uso múltiplo e secular entre os utensílios domésticos, herdados da indiaria. Deve ser utilizada quando bem seca, cortada no caule, lixada por dentro a fim de limpá-la das sementes e vestígios de fibras encontrados no seu interior, para depois serem feitos dois furos, onde passará um cordão a fim de fixá-la na verga, esta terá a função de ampliar o som do arame percutido. Mestre João Pequeno, quando do término de sua roda na academia João Pequeno de Pastinha, localizada no Forte Santo António, utiliza-se da cabaça como forma de ampliar a sua voz, para proferir a sua palavras aos capoeiristas e público presente na sua academia.

O Dobrão:

Segundo relato de Mestre Pastinha, nos primitivos berimbaus, os músicos utilizavam as unhas do dedo polegar, como forma de obter efeito sonoro, colocando-a próxima ou distante da corda. O nome dobrão, tão caro ao Mestre Noronha, é tomado da moeda de 40 reis, sendo essa uma peça de cobre com cerca de 5 centímetros. No entanto, muitos capoeiras preferem o uso dos seixos como forma de modular as notas e, segundo Dr. Decânio, os africanos costumam utilizar-se desta mesma pedra. Em Portugal os seixos são encontrados em abundância, nas margens das suas praias com características rochosas, moldados pelo mar, tomando uma forma cilíndrica quase que perfeita, óptima para o manuseio.

A Baqueta:

medindo cerca de 40 centímetros, é utilizada para percutir no arame montado na verga e, dependendo do gosto do tocador, ela pode ser leve ou pesada, tem de ser feita com material resistente, como ticum, lasca de bambu, ou até mesmo eucalipto.

As partes do Berimbau:

Em visita a Associação de capoeira Mestre Bimba, presidida e orientada pelo Mestre Bamba, tive o prazer de conversar com o já citado Mestre Marinheiro, que definiu os nomes das partes do berimbau como sendo:

Birro:

acabamento na parte inferior da verga, onde o arame é fixado, alguns capoeiristas chamam-no de “casa”. Existem diferenças na forma como são encontrados os Birros, na Capoeira Regional, pode ser pontiagudo, e na angola, feito com uma saliência.

Argola:

Extremidade da parte inferior do arame, onde será fixo no birro.

Presilha:

É na verdade, o cordão que serve para prender a cabaça na verga e no arame.

Couraça de protecção ou couro:

É um pequeno disco de cabedal grosso, fixo na extremidade superior da verga, como forma de evitar que o arame penetre na verga inutilizando-a.

Ponteira:

extremidade superior da corda (arame), onde este se encontra moldado como uma argola, e onde é preso um cordão de algodão ou sisal, que irá tencionar o fio de arame, e fixá-lo na verga.

Outras partes do Berimbau:

Verga, cabaça, baqueta, dobrão ou seixo, arame de aço, e ainda como complemento o caxixi.

 

Fonte: Blog Capoeira Alto astral

A capoeira desde o descobrimento do Brasil – A Origem da Capoeira

A CAPOEIRA DESDE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL: A CAPOEIRA sem sombras de dúvidas é uma arte genuinamente brasileira, ou seja, uma arte criada no Brasil.

Embora seja uma arte riquíssima que existe nela, música, dança, luta, artezanato, composição, poesia, literatura, história, filosofia de vida e muito mais valores, tem a sua origem despersa, onde estudiosos no assunto buscam respostas para essa questão, A ORIGEM DA CAPOEIRA.

Em várias revistas, livros, sites de grupos de capoeira, podemos observar um texto de autoria desconhecida que diz o seguinte:

“A discussão é interminável: pesquisadores, folcloristas, historiadores e africanistas ainda buscam resposta para seguinte questão: a Capoeira é uma invenção africana ou brasileira? Teria sido uma invenção do escravo com fome de liberdade? Ou uma invenção do indígena?

As opiniões tendem para o lado brasileiro e aquí vão alguns exemplos: no livro A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil, do Padre José de Anchieta, editado em 1595, há uma citação de que “os índios tupi-guarani devertiam-se jogando Capoeira”. Guilherme de Almeida no livro Música no Brasil, suatenta serem indígenas as raízes da Capoeira. O navegador português Martim Afonso de Souza observou tribos jogando Capoeira. Como se não bastasse, a palavra Capoeira (Caá-Puera) é um vocábulo tupi-guarani que significa “mato ralo” ou “mato que foi cortado”…”

Fui a campo para pesquisar as referências do texto, e tive acesso a obra original do Jesuita, o livro A ARTE DA GRAMÁTICA DA LÍNGUA MAIS USADA NA COSTA DO BRASIL, editado em 1595, desta primeira edição, impressa em Coimbra por Antonio de Mariz, são conhecidos doze exemplares, lí o livro umas quarenta veses, trata-se de um livro escrito em um portugues muito antigo, além de várias citações em Latim, tem apenas 60 páginas, e trata-se de um livro espécie de dicionário traduzindo e ensinando a língua Tupi guarani, que na época do descobrimento era um dialeto falado pela maioria dos povos indígenas, só que a citação que índios divertiam-se jogando capoeira não existe, algo que me espantou, por eu ser um defensor de que a capoeira seja dos índios brasileiros, e sempre ter usado tal referência em debates sobre a origem. Procurei então pesquisar o navegador Martim Afonso de Souza que também é citado no texto, e descobri que todos os detalhes sobre a primeira expedição colonizadora, fora relatado pelo irmão do navegador e não por Martim Afonso de Souza, e os relatos encontram-se no diário de bordo de Pero Lopez, onde algumas veses é relatado o contato com os índios, mas em nenhum momento ele relata sobre tribos jogarem Capoeira, mas uma vez fiquei espantado pelo que não achei, e então fui até a casa Guilherme de Almeida no bairro de Sumaré em São Paulo/SP para pesquisar o livro Músicas no Brasil, e fui informado que não existe nenhuma obra do autor com esse tema, por fim uma coisa é certa sobre o texto acima, a palavra CAPOEIRA, é sim de origem Tupi guarani, mas preciso descobrir agora além da Origem da CAPOEIRA, o autor de tal texto que usou tais inexistentes referência, como sou um jóvem historiador com apenas 18 anos de pesquisas sobre a origem da capoeira, venho através deste artigo, esclarecer esses fatos citados, e ainda dizer que vestígios indígenas sobre a origem da capoeira, encontrei muitos, mas nenhum com certeza absoluta, e de certeza absoluta, apenas minha opinião de que a capoeira já existia no Brasil na época do descobrimento, essa opinião, é pelo fato de que além de historiador, sou também capoeirista, e quando pesquiso livros antigos, artigos, cartas, tudo que possam me levar a alguma pista, observo com olhar técnico de conhecedor da arte Capoeira, onde encontrei inclusive, no que se diz a certidão de nascimento do Brasil, ou seja, a Carta do escrivão Pero Vaz de Caminha, alguns indícios relatado por ele, que para mim possa ser Capoeira.

Não posso deixar de citar, que houve no Brasil, mais de 200 anos de escravidão indígena, e abolida inicialmente pelo Marques de Pombal, mas no início da colonização do Brasil, os colonos portugueses escravizaram os índios, e de 1556 a 1567, ocorre a primeira grande guerra em terras brasileiras, conhecida na história por CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, onde a maioria dos Tupinambás, que foram os primeiros índios a serem escravos no Brasil, são dizimados quase que no total, e os poucos índios sobreviventes da guerra foram feitos escravos, e é nessa época que inicia-se a diáspora africana para o Brasil, pois os portugueses achavam que os negros eram mais dóceis para lidar do que os indígenas, e índios e negros são colocados juntos nas senzalas.

Em livros históricos sobre A CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, também encontrei vestígios sobre a presença da capoeira, e novamente olhando com olhares técnicos, nota-se isso no livro Duas viagens ao Brasil, escrito por Hanz staden, publicado orinalmente em 1557, Hanz Stadem foi um alemão que ficou refém dos Tupinambás por quase dois anos. este livro conheceu sucessivas edições onde existem descrições de costumes exóticos e rituais antropofágicos.

Por outro lado e lógica quando afirmo que a CAPOEIRA SEJA UMA ARTE GENUINAMENTE BRASILERIA E QUE JÁ EXISTIA NO BRASIL NA ÉPOCA DO DESCOBRIMENTO, a começar é pela própria palavra que é de origem indígena, pois se fosse oriunda da Africa ou de misturas de artes africanas, a lógica é que a CAPOEIRA teria também um nome africano, coisa que não ocorre, outro aspecto muito lógico também, é que as etnias de negros trazidas para o Brasil para serm escravos, também foram levados para vários outros países para também serem escravos, e a capoeira nunca veio a se manifestar em algum outro lugar a não ser no Brasil, além de que nunca existiu CAPOEIRA na Africa, a não ser atualmente que existe, devido a brasileiros terem levados a CAPOEIRA para lá.

Algumas outras lógicas interessantes: Queixada, que é um golpe de capoeira, tem seu nome originado também do Tupi guarani, e significa aquele que corta, bem típico do movimento, IÊ, que é uma palavra muito usada em rodas de capoeira como um alerta, também é uma palavra oriunda do Tupi Guarani, e seu sigificado é o mesmo das rodas de capoeira, significa: Olhe, veja, preste atenção, interessante isso, e além todas estas lógicas, pessoas ainda buscam a origem do berimbau, que é o instrumento principal das rodas de capoeira, onde sua aparição em rodas também não sabe-se ao certo, e muitas teorias surgem sobre a semelhança com o URUCUNGO que é um instrumento africano, mas tocado parecidamente como se toca um violino, então o violino teria que ser oriundo do urucungo e não o berimbau, pois berimbau sempre foi berimbau e nunca derivou de nenhum outro instrumento, e berimbau também é uma palavra Tupi guarani, que significa do morro furado.

Embora as lógicas são tantas, infelizmente ainda ensistem brasileiros com falta de conhecimento e patriotismo, que preferem falar que a nossa rica CAPOEIRA seja oriunda de transformações de culturas vindas da africa.

 

Douglas Tessuto (PROFESSOR PELICANO, Historiador da arte CAPOEIRA)

 

Agradecimentos ao Mestre Wellington pela oportunidade de expôr este assunto tão polêmico que é a origem da CAPOEIRA.

 

Fonte: http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog

Exposição: Origem da Capoeira

Cinco séculos de capoeira

“Capoeira é, acima de tudo, companheirismo, união e respeito. Ela sintetiza nossas origens e nossa cultura”, explica Mestre Arrepio, no centro da roda formada por crianças e adolescentes na galeria de arte Newton Navarro. Atentos, eles acompanham a destreza dos capoeiristas que exibem sincronia e gingado marcados pelo som do berimbau, do atabaque e do pandeiro. Em cartaz até o próximo dia 5 de outubro, na Fundação Capitania das Artes, a exposição “Origem da Capoeira” faz um retrospecto educativo, artístico e sociocultural sobre a origem desta arte marcial genuinamente brasileira.

Funcionando em horário estendido, das 9h às 21h de segunda à sexta-feira, a galeria abre as portas para visitantes interessados em manter contato com a capoeira não apenas através das performances esportivas do Grupo Cordão de Ouro, mas também a partir de maquetes, exibição de vídeos, aulas teóricas e pinturas especialmente produzidos para a ocasião pelos artistas plásticos Francisco Eduardo, Paixão, Carlos Sérgio Borges, Fernando Galvão, Roberto Medeiros e Guaraci Gabriel.

Ao todo são trinta obras, cinco de cada, que contam cronologicamente os vários momentos da capoeira, desde o século 16 até a expansão mundial nos dias atuais. “Para entender a origem da capoeira, que se espalhou por mais de 200 países, temos que conhecer a própria história do Brasil, desde o tempo da colônia. Só assim podemos compreender por que, desde 2008, ela é reconhecida pelo Iphan como patrimônio cultural brasileiro”, garante o pedagogo e arte-educador potiguar Nivaldo Freire, 34 anos, batizado na capoeira como Mestre Arrepio. Com 25 anos de experiência, ele diz que essa é a primeira vez que a capoeira é abordada sob vários aspectos em uma mesma exposição.

PINTURAS CRONOLÓGICAS

O desafio de retratar a trajetória da capoeira, desde sua origem nas senzalas, passando pela proibição de sua prática que durou até o início da década de trinta, desembocando no reconhecimento mundial como arte marcial, em telas, materializado pelos artistas, traça um panorama eclético com seis visões diferentes para o mesmo tema. 

A CRONOLOGIA ARTÍSTICA

Francisco Eduardo, por exemplo, ficou incumbido de retratar o período pré-escravidão. Seus trabalhos, em tons pastéis, a figura do negro ainda não está presente. Já Paixão destaca a chegada do escravo e Carlos Sérgio adentra as senzalas e retrata o período dos castigos nas fazendas coloniais. Fernando Galvão mostra o início do desenvolvimento da capoeira, enquanto Roberto Medeiros aborda a abolição da escravatura e difusão da capoeira no meio urbano. A última fase fica por conta do artistas Guaraci Gabriel. Conhecido por suas megaesculturas de metal, ele explora a pluralidade de povos “contaminados” pela arte da capoeira. Seus desenhos, com detalhes furta-cor, desembarcam no século 21 e apresentam a globalização da arte marcial tupiniquim.

“Estamos aqui para reforçar essa história. As pessoas precisam conhecer a origem da capoeira, saber que ela foi criada aqui no Brasil, tirar a ideia da cabeça que existem vários tipos (Angola e Regional): tudo é capoeira! O que define é o ritmo”, disse Mestre Arrepio. Ele comentou que a desmarginalização por completo da capoeira ainda está em andamento, mas acredita que “o processo está cada vez mais rápido. Quando imaginaríamos que a capoeira ocuparia uma galeria de arte?”, questiona.

ESPANHA

“Em março do próximo ano, essa exposição será exibida na Semana de Arte da Universidade de Barcelona, na Espanha. O evento reúne manifestações culturais de mais de 80 países, e nós seremos os únicos representantes brasileiros”, comemora Arrepio, que recebeu o apelido de Mestre Suassuna de São Paulo, um costume entre os adeptos da capoeira. Ele disse que a intenção, após retornar da Europa, é chegar no Recife (PE), Salvador (BA) e no Rio de Janeiro – cidades onde a arte marcial foi inicialmente desenvolvida. “Acertado mesmo, até agora, temos Mossoró e Pau dos Ferros em novembro”, informa.

A viagem para Barcelona foi acertada a partir de um aluno da universidade espanhola que conheceu Mestre Arrepio durante temporada de férias em Natal. “Temos hospedagem e alimentação garantida para uma equipe de 16 pessoas, incluindo os seis artistas que colaboraram doando os quadros”, disse. A única pendência para o grupo são as passagens aéreas, e ele espera receber apoio do poder público para representar o Brasil e o RN. “É o reconhecimento de um trabalho sério e comprometido”, garante.

ESCOLA CORDÃO DE OURO

A escola Cordão de Ouro mantida no bairro de Cidade Nova por Arrepio faz de uma rede homônima, que no RN é coordenado pelo Mestre Irani, sediada em São Paulo, com filiais filiais espalhadas por todo o Brasil e em outros 28 países. “Natal aparece com destaque por ser a sede do centro cultural e de pesquisa. Inclusive estou com a missão de criar o primeiro memorial da capoeira”, orgulha-se.

Vale registrar que a mostra “Origem da Capoeira” foi viabilizada com investimento pessoal do Mestre Arrepio, mais apoio das Fundações Joaquim Nabuco (vídeo), Palmares, José Augusto (camisas e banners), Capitania das Artes (pauta da galeria, cartazes e contato com artistas pláticos ) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan.

Serviço:

“Origem da Capoeira”, de segunda a  sexta-feira, das 9h às 21h, até dia 5 de outubro, na galeria da Funcarte. Av. Câmara Cascudo – Centro.

 

Fonte: Tribuna do Norte – http://tribunadonorte.com.br/

22 de agosto: Dia do Folclore

Veja o rico floclore do Brasil, região por região

Em 22 de agosto, o Brasil comemora o Dia do Folclore. A data foi criada em 1965 através de um decreto federal. No Estado de São Paulo, um decreto estadual instituiu agosto como o mês do folclore.

Folclore é o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país. O folclore pode ser percebido na alimentação, linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação. Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo I Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, “constituem fato folclórico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação”.

Para que serve?

O folclore é o modo que um povo tem para compreender o mundo em que vive. Conhecendo o folclore de um país, podemos compreender o seu povo. E assim conhecemos, ao mesmo tempo, parte de sua História. Mas para que um certo costume seja realmente considerado folclore, dizem os estudiosos que é preciso que este seja praticado por um grande número de pessoas e que também tenha origem anônima.

Qual a origem da palavra “folclore”?

A palavra surgiu a partir de dois vocábulos saxônicos antigos. “Folk”, em inglês, significa “povo”. E “lore”, conhecimento. Assim, folk + lore (folklore) quer dizer ”conhecimento popular”. O termo foi criado por William John Thoms (1803-1885), um pesquisador da cultura européia que, em 22 de agosto de 1846, publicou um artigo intitulado “Folk-lore”. No Brasil, após a reforma ortográfica de 1934, que eliminou a letra k, a palavra perdeu também o hífen e tornou-se “folclore”.

Qual a origem do folclore brasileiro?

O folclore brasileiro, um dos mais ricos do mundo, formou-se ao longo dos anos principalmente por índios, brancos e negros.

Região Sul

Danças: congada, cateretê, baião, chula, chimarrita, jardineira, marujada.
Festas tradicionais: Nossa Senhora dos Navegadores, em Porto Alegre; da Uva, em Caxias do Sul; da Cerveja, em Blumenau; festas juninas; rodeios.
Lendas: Negrinho do Pastoreio, do Sapé, Tiaracaju do Boitatá, do Boiguaçú, do Curupira, do Saci-Pererê.
Pratos: Baba-de-moça, churrasco, arroz-de-carreteiro, feijoada, fervido.
Bebidas: chimarrão, feito com erva-mate, tomado em cuia e bomba apropriada.

Região Sudeste

Danças: fandango, folia de reis, catira e batuque.
Lendas: Lobisomem, Mula-sem-cabeça, Iara, Lagoa Santa.
Pratos: tutu de feijão, feijoada, lingüiça, carne de porco.
Artesanato: trabalhos em pedra-sabão, colchas, bordados, e trabalhos em cerâmica.

Região Centro-Oeste

Danças: tapiocas, congada, reisado, folia de reis, cururu e tambor.
Festas tradicionais: carvalhada, tourada, festas juninas.
Lendas: pé-de-garrafa, Lobisomem, Saci-Pererê, Ramãozinho.
Pratos: arroz de carreteiro, mandioca, peixes.

Região Nordeste

Danças: frevo, bumba-meu-boi, maracatu, baião, capoeira, caboclinhos, bambolê, congada, carvalhada e cirandas.
Festas: Senhor do Bonfim, Nossa Senhora da Conceição, Iemanjá, na Bahia; Missa do Vaqueiro, Paixão de Cristo, em Pernambuco; romarias – destaca-se a de Juazeiro do Norte, no Ceará.
Pratos – Arroz de Hauçá, Baba-de Moça, Frigideira de camarão, Bolo-de-Milho e outros.

Região Norte

Danças: marujada, carimbó, boi-bumbá, ciranda.
Festas: Círio de Nazaré (Belém), indígenas.
Artesanato: cerâmica marajoara, máscaras indígenas, artigos feitos em palha.
Lenda: Sumaré, Iara, Curupira, da Vitória-régia, Mandioca, Uirapuru.
Pratos: caldeirada de tucunaré, tacacá, tapioca, prato no tucupi .

Principais manifestações folclóricas:

BUMBA-MEU-BOI – Auto ou drama pastoril que por tradição é representado durante o período natalino, como sobrevivência das festividades cristãs medievais, em que o culto do boi se fazia em homenagem ao nascimento de Cristo. De tradição luso-ibérica do século XVI, nasceu dos escravos e pessoas agregadas aos engenhos e fazendas.

PASTORIL – Festa de origem portuguesa, onde “pastoras” vestidas de azul e encarnado, se apresentam diante do presépio em atitude de louvor ao Menino Jesus. Representado durante o Natal.

REISADO – De origem ibérica, é caracterizada por um grupo de pessoas que se reúne para cantar e louvar o nascimento de Cristo. Os praticantes personificam a história dos gladiadores romanos, dos três reis magos e a perseguição aos cristãos. A época principal de exibição são as festividades natalinas, sobretudo no período dos Santos Reis, e o local é de preferência diante de uma lapinha ou presépio. O enredo mais autêntico é registrado em Juazeiro do Norte.

CANINHA VERDE – Dança-cordão de origem portuguesa, introduzida no Brasil durante o ciclo da cana-de-açúcar. Apresenta também elementos de outros folguedos, tais como: casamento matuto (quadrilha junina), mestres e a formação de cordões (pastoril).

DANÇA DO COCO – Surgiu nos engenhos de açúcar, entre os negros existentes no Ceará. Nasceu da cantiga de trabalho, ritmada pela batida das pedras quebrando os frutos, transformando-se, posteriormente, em dança, surgindo uma variedade de temas e formas de coco (coco de praia, do qual participa apenas o elemento masculino, e o coco do sertão, dançando aos pares, homens e mulheres). Dançado em roda, numa forma rítmica altamente contagiante e sensual.

MANEIRO PAU – Surgiu na região do Cariri na época do cangaço. Caracteriza-se por uma dança cujo entrechoque dos cacetes e o coro dos dançarinos produzem a musicalidade e a percussão necessárias. No Crato, o grupo de Maneiro Pau associado à Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto realiza a dança com características dramáticas. É representado nos sítios, subúrbios e pés-de-serra do Crato e cidades vizinhas por ocasião de comemorações diversas.

FOLIA DE REIS – Originalmente, festa popular dedicada aos Três Reis Magos em sua visita ao Deus Menino. É caracterizada por um grupo de pessoas que visitam amigos ou conhecidos, a partir do dia 2 de janeiro ou nas vésperas dos Reis (5/1). Nas visitas eles cantam e dançam versos alusivos à data, ao som de instrumentos e solicitam alimentos e dinheiro. É tradicional utilizar a arrecadação para a ceia no dia de Nossa Senhora das Candeias (2 de fevereiro). A visita noturna tem mais graça quando se torna uma surpresa.

TORÉM – Dança indígena originária dos descendentes dos índios Tremembé, nativos do povoado de Almofala, no distrito de Itarema, o Torém surgiu por volta do século XVIII no Ceará. É simples e imitativa da fauna local, tendo como ponto alto o momento em que é servido o “mocororó”, uma bebida fermentada do caju, bastante forte. O espetáculo é de grande plasticidade.

DANÇA DE SÃO GONÇALO – Como parte integrante da bagagem cultural do colonizador lusitano, a dança que integrava o culto a São Gonçalo do Amarante, bastante popular em Portugal, foi introduzida no Brasil, sendo, talvez, um dos ritmos mais difundidos do catolicismo rural brasileiro. No município de São Gonçalo do Amarante a dança é realizada durante a festa do santo padroeiro e apresentada em nove jornadas, num ambiente de muita fé e animação. São Gonçalo é o protetor dos violeiros e das donzelas casamenteiras.

MARACATU – De origem africana, consiste num desfile de reis. Apresenta-se em forma de cortejo carnavalesco que baila ao som de instrumentos de percussão, acompanhando uma mulher que na extremidade de um bastão conduz uma bonequinha ricamente enfeitada – a calunga. A dança se dá em passos lentos e cadenciados.

Parabés a todos os folcloristas e mantenedores das tradições

Fonte: André Cristiano Siewert
Gerente de Eventos Culturais
Rua 15 de novembro, 525 – Centro
Fone: (47) 3387 7224
MSN: culturaeventos@pomerode.sc.gov.br
Visite: www.pomerode.sc.gov.br 
www.vemprapomerode.com.br

“A cultura não deve sofrer nenhuma coerção por parte do poder,
político ou econômico, mas ser ajudada por um e por outro em todas 
as formas de iniciativa pública e privada conforme o verdadeiro humanismo, 
a tradição e o espírito autêntico de cada povo.”
( Papa João Paulo II )

A princesa Aqualtune

Não é apenas uma, duas ou três, são muitas as mulheres valentes e guerreiras que lutaram por si, pelo seu povo e por seus ideais.

Uma dessas mulheres é Aqualtune, princesa do Congo, que comandou um exército de dez mil homens em batalha contra os Jagas, guerreiros bárbaros que invadiram o Congo.

Com a interferência dos escravistas europeus que, com armas de fogo, desequilibravam as lutas dos povos africanos conforme seus interesses, o exército de Aqualtune foi derrotado e a princesa foi capturada e trazida ao Brasil nas condições sub-humanas de todo navio negreiro.

Aqualtune foi obrigada a manter relações sexuais com um escravo para fins reprodutivos e desembarcou já grávida no Porto de Recife. Foi leiloada e levada para um engenho em Porto Calvo, no sul de Pernambuco.

Foi no engenho que Aqualtune conheceu histórias sobre a resistência negra à escravidão e ouviu falar no Quilombo de Palmares. Com a mesma coragem e determinação que demonstrava em sua terra, Aqualtune organizou uma fuga para o quilombo e fugiu nos últimos meses de gravidez, acompanhada de outros escravos.

Já em Palmares, onde as tradições africanas eram preservadas, a princesa teve sua origem nobre reconhecida. 
Dois de seus filhos, Ganga Zumba e Gana Zona tornaram-se chefes dos mocambos mais importantes do quilombo e sua filha mais velha, Sabina, é a mãe de Zumbi dos Palmares.

Quanto à morte de Aqualtune, existem informações divergentes. Acredita-se que a princesa morreu queimada em 1677,quando sua aldeia foi incendiada durante uma batalha. Mas outras fontes citam que Aqualtune teria escapado, não sendo conhecida a data de sua morte.

Fontes:

A Terra da Liberdade
Criola.org
Casa de Cultura Mulher Negra
Meio Norte
Overmundo

Neila Vasconcelos – Venusianacapoeiradevenus.blogspot.com

Capoeira Sul da Bahia – 4º Encontro Mundial de Capoeira

De 27 de julho a 2 de agosto, Arraial D’Ajuda, em Porto Seguro, será sede do 4º Encontro Mundial de Capoeira, onde são esperados mais de mil capoeiristas de 18 diferentes países. O evento, que conta com oficinas, workshops, batizado, palestras, campeonatos e muitas rodas de capoeira, será realizado no Ginásio de Esportes e em outros pontos famosos da vila.

Segundo o organizador do evento, mestre Railson da Associação de Capoeira Sul da Bahia, o encontro tem como objetivo valorizar e fortalecer o desenvolvimento de atividades culturais e tradicionais, além de conscientizar a sociedade sobre a importância da capoeira.

Um dos destaques da programação é a palestra sobre a origem da capoeira, ministrada pelo historiador Frede Abreu, de Salvador, que abordará as raízes da capoeira, seus fundamentos, tradições e rituais.

Mais informações no site da Associação de Capoeira Sul da Bahia http://www.capoeirasuldabahia.com.br/

; ou pelo telefone (0xx73) 3575-3194.

Aconteceu: Palestra: A ORIGEM DA CAPOEIRA

Palestra: A ORIGEM DA CAPOEIRA
Prof. Mst. Ricardo Lussac "Mestre Teco" (CREF1 3944-G/RJ)
 
Local: Parthenon Eventos – Colégio Santa Mônica – Unidade Taquara.
Endereço: Rua Padre Ventura, 184 – Taquara – Rio de Janeiro – RJ.
Data: 07 de setembro de 2007. 
 
Capoeiras,
 
Sete de setembro de 2007, comemoração da Independência do Brasil… mas capoeira é capoeira e comemora do seu jeito… Fomos ao Colégio Santa Mônica assistir a uma sensacional palestra sobre a origem da capoeira. É! Muitos podem rir sobre o tema e até pensar "porque se perderia tempo assistindo alguém a falar sobre a origem da capoeira que todos sabem tão bem…" mas nós fomos: Genaro, Arnaldo Mineirinho, Ruffato, Silas e outros que totalizaram 19 (dezenove) assistentes numa palestra gratuita específica e rica de conteúdo acadêmico e popular, proferida pelo estudioso pesquisador do assunto capoeira professor Ricardo Martins Porto Lussac – "Mestre Teco".
 
O palestrante revelou a alquimia de como se procura, se colhe e se divulga a verdade "a mais verdadeira possível", dentro da ética e das possibilidades que os fatos, documentos investigados e a metodologia da pesquisa permitem ao capoeira pesquisador.
 
Orientou a todos sobre a isenção da paixão e tendenciosidades na procura e divulgação do que se propõe a entender para si e para os demais interessados na história da capoeira.
 
Como é sabido "capoeira é capoeira, é tudo que a boca come…", mas pesquisar a verdade, sem as mitificações de ídolos e as mistificações de fatos e "causos" é um árduo trabalho ético que muitas vezes vai de encontro às boas mentes pensantes e bem intencionadas que acreditam piamente no que "acha o achante", que aumenta um ponto no conto que viu ou ouviu dizer, mas incapaz de retroceder, cientificamente, à cosmogonia do universo da capoeira.
 
Uma palestra gratuita sobre um tema valiosíssimo… e apenas 19 (dezenove) assistentes… com direito a certificado escrito que tanto valor tem para o capoeirista que o soma ao seu currículo.
 
Mestre TecoA Parthenon Eventos, uma empresa prestadora de serviços esportivos, fundada em 1996, laborando comercialmente na implantação de projetos esportivos, atualização e qualificação profissional, oportunizou gratuitamente, mais uma vez à comunidade capoeira, através dessa palestra ministrada pelo Mestre Teco, profissional gabaritado a eliciar dos assistentes as respostas que a capoeira precisa, com a certeza e a dúvida que a pesquisa acadêmica impõe, mais um espaço interessante que podemos ocupar, em face da simpatia pela capoeira do seu administrador maior, Professor Bruno Castro, onde nós, os capoeiras, podemos ter mais um palco, uma roda, uma oficina, um laboratório, enfim, maiores chances de desenvolvimento, atualização e aquisição de novos conhecimentos, tornando-nos, sem subserviência alguma, melhores ao empreendimento ao qual nos propomos.
 
Parabéns, mestre Teco!!!
 
Muito obrigado, Professor Bruno Castro!!!
 
Iê capoeira!!!
 
Joel Pires Marques
55(21) 82004888 – 22649356 – 94845277
www.capoeirajogoatletico.com/blog

Mestre Tonho Matéria, Capoeira & Escolha do tema do carnaval de Salvador

De Salvador, Mestre Tonho Matéria, um grande guerreiro e capoeirista versátil (Tonho Matéria é mestre de Capoeira, compositor, cantor, produtor cultural e artista popular da Bahia. Escreve para sites e revistas especializadas em Capoeira) não poupa esforços para ver a CAPOEIRA como tema principal do Carnaval da Bahia… Até agora o sucesso desta empreitada esta sendo refletido na votação online no Portal do Carnaval, da Emtursa.
 
Desejamos que o resultado da votação seja favorável a capoeiragem, e desta forma iremos angariar mais um importante elemento nesta luta incessante da valorização e da dissiminação da nossa CAPOEIRA e da nossa CULTURA.
Luciano Milani
Termina na próxima sexta-feira, dia 29 de junho, o prazo para que internautas e outros interessados possam participar a escolha do tema do carnaval 2008, que será realizada de votação popular no Portal do Carnaval (www.carnaval.salvador.ba.gov.br), da Emtursa.
 
Três sugestões foram inicialmente apresentados ao Conselho Municipal do Carnaval: Capoeira, Revolta dos Búzios e Chegada da Corte Portuguesa ao Brasil.
 
Além dessas é possível sugerir outras idéias para tema da folia do próximo ano. Até o momento o tema Capoeira está liderando a votação com 86% dos votos. Em seguida vem a Chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, com 8% e como terceira opção está a revolta dos Búzios com 6%. O Conselho Municipal do Carnaval e a Emtursa estão empenhados em agilizar os preparativos de nossa maior festa popular, uma vez que o evento, em 2008, será bem cedo, de 31 de janeiro à 5 de fevereiro. 
 
Votação para o tema do Carnaval 2008 chegou ao fim!
 
Total de votos 96.531
 
Capoeira; – 56,3%
Revolta dos Búzios; – 43,4%
Chegada da Corte Portuguesa no Brasil; – 0,2%
Outros; – 0,1% (Maior índice para o Candoblé)
 
* Fonte Emtursa
O Carnaval de Salvador
 
 
O Carnaval de Salvador é a maior festa de participação popular do planeta. Criado e mantido pelo povo, trata-se de uma manifestação espontânea e livre, onde o carnal, o lúdico e o físico se misturam com a emoção e a ginga dos baianos que conseguem renovar a folia a cada ano.
O som eletrizante do trio é a deixa para que nos três circuitos (Osmar (Avenida), Dodô (Barra-Ondina) e Batatinha (Centro Histórico)) haja uma verdadeira explosão de alegria. Os blocos afro, com seus tambores e o som orientalizado dos afoxés são um contraponto para essa festa plural – porque rica de ritmos, estilos e manifestações artísticas – e singular porque única.
O Carnaval de Salvador atrai multidões. São mais de dois milhões de foliões – baianos e turistas) e cerca de 227 entidades (16 afoxés, 41 afros, 15 alternativos, 45 blocos de trio, 03 especiais, 02 de índios, 07 infantis, 17 pequenos grupos, 33 de percussão, 06 orquestras, 12 de travestidos e 30 trios independentes) cadastradas na Emtursa – Empresa de Turismo S/A, que organiza a festa.
A Cidade do Carnaval ocupa uma área de 25 quilômetros, abrigando camarotes, arquibancadas, postos de saúde, postos policiais, além de toda uma infra-estrutura especial montada pelos diversos órgãos municipais, estaduais e federais. Nos seis dias, como nos remete a própria marca da festa, “O coração do mundo bate aqui”, Salvador recebe gente de todo o estado da Bahia, de todo o país e dos quatro cantos do mundo que se unem numa mesma emoção.
Em 2007, a folia baiana faz uma homenagem ao samba e começa oficialmente no dia 15 de fevereiro (quinta-feira), no bairro da Liberdade, onde o prefeito João Henrique entrega as chaves da cidade ao Rei Momo, rainha e princesas. Em seguida, o séqüito real vai a Cajazeiras – o maior bairro da capital – onde tem Carnaval próprio, assim como em Itapuã, Periperi e Pau da Lima.
 
 
 
Origem do nome Carnaval
 
São varias as versões sobre a origem da palavra Carnaval. No dialeto milanês, Carnevale quer dizer " o tempo em que se tira o uso da carne ", já que o carnaval é propriamente a noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas. No Brasil, o evento é a maior manifestação de cultura popular, ao lado do futebol. É um misto de folguedo, festa e espetáculo teatral, que envolve arte e folclore. Na sua origem, surge basicamente como uma festa de rua. Porém, na maioria das grandes capitais, acaba concentrado em recintos fechados, como sambódromos e clubes.
 
 
Viagem no Tempo
 
A origem do Carnaval vem de uma manifestação popular anterior à era Cristã, tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias – festa em homenagem a Saturno. As divindades da mitologia greco-romana BACO e MOMO dividiam as honras nos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro.
 
 
 
O grande Carnaval de 1884
 
O ano de 1884 é considerado como o marco decisivo para o carnaval da Bahia. Embora a festa já possuísse considerável porte – principalmente nos salões – é nesse ano que teve início a organização dos festejos de ruas e os desfiles de clubes, corsos, carros alegóricos e de vários populares. A partir daí ocorre a intensificação da participação do povo e aclamação do carnaval de rua, que até hoje caracteriza esta festa na Bahia.
 
 
 
O primeiro Afoxé
 
Em 1895, os negros nagôs organizaram o primeiro afoxé, denominado "Embaixada Africana", que desfilou com roupas e objetos de adorno importados da África.
 
 
 
Surge o Trio Elétrico
 
Em 1950, surgiu, então, a famosa dupla elétrica. Após observarem o desfile da famosa "Vassourinha", entidade carnavalesca de Pernambuco que tocava frevo na rua Chile, e empolgados com a receptividade do bloco junto ao público, a dupla elétrica formada por Adolfo Antônio Nascimento – o Dodô e Osmar Álvares de Macêdo – Osmar resolveu restaurar um velho Ford 1929, guardado numa garagem. No Carnaval do mesmo ano, saiu às ruas tocando seus "paus elétricos" em cima do carro e com o som ampliado por alto-falantes. A apresentação aconteceu às cinco horas da tarde do domingo de Carnaval, arrastando uma multidão pelas ruas do centro da cidade.
 
 
 
Anos 70
 
Os anos 70 fizeram com que o apogeu do Carnaval de Salvador fosse a Praça Castro Alves, onde todas as pessoas se encontravam e se permitiam fazer tudo. Foi a época da liberação cultural, social e sexual.
 
 
 
Anos 80
 
No início dos anos 80, a transformação do Carnaval de Salvador se intensificou mais ainda e coube ao bloco "Traz Os Montes" introduzir algumas inovações, tais como a montagem de um trio elétrico com equipamentos transistorizados, instalação de ar condicionado para refrigerar e manter os equipamentos em temperatura suportável, retirada das bocas de alto-falantes, instalação de caixas de som de forma retangular, eliminação da tradicional percussão que ficava nas partes laterais do trio e inserção de uma banda com bateria, cantor e outros músicos em cima do caminhão.
 
 
 
Cronologia do Trio Elétrico
 
Existia em Salvador um conjunto musical, criado por Dorival Caymmi, que animava algumas festas e reuniões de fim de semana, e que se apresentava nas estações de rádio. Começava, então, a fazer sucesso na Bahia o grupo Três e Meio, cujos integrantes eram o próprio Caymmi, Alberto Costa, Zezinho Rodrigues e Adolfo Nascimento – o Dodô. Em 1938, com a saída de Caymmi, o grupo reestruturou-se e passou a contar com sete componentes, incluindo Osmar Macêdo.
 
 
 
Axé Music 20 anos de sucesso!
 
Tudo começou com o som vindo dos tambores das entidades carnavalescas de origem africana em meados da década de 70. Nesta época, a Bahia via surgir o bloco afro " Ilê Ayiê " e o afoxé " Badauê " e acompanhava ainda o renascimento do afoxé " Filhos de Gandhy " – depois, vieram os blocos afros " Olodum e o Muzenza ".
 
 
Leia Mais sobre este tema: http://www.carnaval.salvador.ba.gov.br/historia.asp
 

PARA O CARNAVAL DE 2008:
O BLOCO AFRO MANGANGÁ EM SEU PRIMEIRO ANO, ESTARÁ NA AVENIDA NA (QUINTA-FEIRA) DESFILANDO. O TEMA DO BLOCO É CAPOEIRA
POR ISSO O MANGANGÁ ESTARÁ LEVANDO TODO BRILHO, ALEGRIA, ENERGIA E A PAZ DO CAPOEIRISTA PARA A RUA.
 
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BLOCO AFRO MANGANGÁ:
 
O BLOCO SEGMENTADO PARA QUEM É CAPOEIRISTA OU QUEM TEM A CAPOEIRA NO CORAÇÃO
 
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CONTATOS: 071- 81269333 tonhomateria@hotmail.com
 

Maranhão, terra Mandinga

Mandinga (ou mandinka) refere-se a uma língua, uma região e um legado cultural. Hoje, vários dialetos Mandinga são falados por quase um milhão de pessoas na Guiné-Bisssau, no Senegal e na Gâmbia. A herança cultural remonta ao Império do Mali, um dos mais antigos grandes Estados no Ocidente Africano, que existiu entre aproximadamente 1200 e 1465……
Universidade de Essex, na Inglaterra
 
A etnicidade dos escravos africanos e de seus descendentes nas Américas é um tema amplo, complexo e polêmico. Amplo devido ao volume do tráfico negreiro (ao redor de 14 a 15 milhões, segundo os cálculos mais recentes) e à multiplicidade dos grupos étnicos deportados para as Américas. Complexo porque a etnicidade dos escravos e de seus descendentes crioulos, longe de constituir identidades imutáveis e fixas, foi submetida a processos constantes de re-elaboração dos dois lados do Atlântico. Assunto polêmico, finalmente, porque essas identidades constituem, até hoje, referências importantes na vida dos afro-descendentes e nas culturas do "Atlântico Negro".
 
A intenção deste artigo é tentar contribuir com o debate em torno das etnicidades afro-maranhenses, procurando resgatar a importância da cultura Mandinga, que, ao meu ver, foi até agora bastante desdenhada tanto por estudiosos quanto pela comunidade afro-maranhense. Inicio com alguns comentários introdutórios a respeito das "nações" e do tráfico negreiro para, em seguida, apresentar as primeiras evidências que demostram que o Maranhão é, talvez, mais do que qualquer outro estado brasileiro, uma terra Mandinga.
 
Mesmo constituindo consenso entre estudiosos, não é ainda bem divulgada entre o público mais amplo o fato que as "nações" africanas no Novo Mundo não derivaram necessariamente de "tribos" africanas de contornos bem definidos, mas, muitas vezes, das vicissitudes do tráfico, do interesse comercial dos negreiros e das necessidades dos cativos de reinventar uma identidade. As ‘nações’ podiam resultar, dessa maneira, do nome de uma entidade política (um reino), de uma língua comum a vários grupos étnicos ou simplesmente de um porto de embarque no litoral africano. A "nação" Angola, por exemplo, tem sua origem no porto e feitoria de Luanda, capital do reino de Angola, onde eram embarcados escravos procedentes das diferentes etnias e estados ao redor dessa colônia portuguesa. Como compartilhavam uma base cultural e lingüística comum, os Angolas, como os Cabinda e os Benguela, acabaram constituindo uma "nação" no Brasil. Mas trata-se de uma etnicidade nova, colonial.
 
Igualmente complicado e polissêmico é o significado do termo Mina. O termo deriva da feitoria e forte de El-Mina, no atual Ghana. Negros Minas eram todos os escravos embarcados nesse porto, independentemente de sua real origem étnica. Podia incluir negros oriundos de centenas de quilômetro mais ao Leste, do litoral da atual Nigéria e do Benin, como também de regiões situadas mais ao interior, incluindo a zona subsaariana do Sahel, residência dos fulas e peuls.
 
Não é de se estranhar, portanto, que estudiosos que trataram do assunto tenham incluído, debaixo do termo genérico Mina, grupos étnicos na circunferência do famigerado forte. Nina Rodrigues foi o primeiro a sugerir que muitos negros Mina fossem originários dos reinos Fanti e Ashanti, no atual Ghana, devido à sua proximidade geográfica.( Nina Rodrigues, Os africanos no Brasil, 5. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1977, p. 147.) Nisso foi seguido por Artur Ramos, que dedicou uma seção aos ‘Fanti-Ashanti’ na sua discussão das culturas negras no Brasil, apesar de constatar que da cultura espiritual e material dos Fanti-Ashanti "nada ficou entre nós", com a exceção do termo Bosum.( Artur Ramos, As culturas negras no Novo Mundo, 4. ed., São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1979, p. 209. )
 
Pesquisas mais recentes, no entanto, têm questionado essa asserção. Segundo Maria Inês Cortes de Oliveira, os portugueses, quando senhores de El-Mina, decidiram não vender negros desse litoral nem 10 milhas para o interior:
 
"Como posteriormente a Costa de Ouro passou sucessivamente para o controle dos holandeses e ingleses, a importação de cativos de origem Fanti e Ashanti ficou fora do raio de ação do tráfico português e brasileiro, que continuava a ser feito nos portos da Costa a Sotavento da Mina. Esses fatos mostram que, pelo menos desde o início do século XVII e durante o século XVIII, havia razões de sobra para que as populações da Costa do Ouro não fizessem parte dos contingentes africanos transferidos para o Brasil. O que podemos concluir é que o embarque de cativos dessa procedência, nos portos da Costa do Leste, se existiu, foi em tão pequena quantidade que nesse fato residiria a explicação dos pequenos vestígios que ficaram de sua passagem".( Oliveira, M. Inês Cortes de, "Quem eram os ‘negros da Guiné’? A origem dos africanos na Bahia". Afro-Ásia, no. 19-20, 37-74, 1997, aqui p. 62-63.)
 
Essa pequena revisão de dois autores clássicos dos estudos afro-brasileiros poderia não ter maiores conseqüências. Acontece, porém, que essa idéia sugerida por estudiosos, ou seja, de que numerosos escravos de procedência Fanti e Ashanti teriam desembarcado nas praias brasileiras e trazido com eles suas crenças e culturas, encantou líderes de comunidades religiosas influentes e passou a integrar um processo poderoso de reinvenção das tradições no Maranhão. Em São Luís, o terreiro Fanti-Ashanti, do Pai Euclides, é uma referência fundamental no universo do Tambor de Mina e do Candomblé do Maranhão, de maneira que podemos considerar Fanti-Ashanti uma "nação" afro-maranhense. Esse exemplo mostra como a cultura popular e a pesquisa acadêmica entretêm relações de influência mútuas, que vão além da simples dicotomia objeto de estudo – pesquisador.
 
Mas o que nos dizem as fontes históricas a respeito das etnias dos escravos maranhenses? Uma série de pesquisas monográficas, realizadas nas últimas décadas, contribuiu para um conhecimento mais preciso sobre o tráfico transatlântico de escravos.( Para uma síntese recente, ver Klein, Herbert S., The Transatlantic Slave Trade, Cambridge, Cambridge University Press, 1999. ) Esses estudos analisaram a organização do tráfico, as sociedades africanas, a viagem dos tumbeiros (o "middle passage") e o impacto do tráfico do lado americano. Tais estudos acabaram renovando a visão que tínhamos desse comércio. Mostram, por exemplo, que os traficantes europeus não eram todo-poderosos nas suas transações no litoral africano, mas tinham que negociar de maneira permanente com os reis e chefes africanos as condições do comércio e da aquisição de escravos. Estes não se contentavam com algumas bugigangas de pouco valor, mas exigiam produtos sofisticados como, por exemplo, armas, ferro produzido na Suécia ou tecidos da Índia.( Klein, Atlantic Slave Trade, p. 86-87; Thornton, John, Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1680, Cambridge, Cambridge University Press, 1992, p. 57-71.) Os europeus não estavam em condições de impor nem o sexo nem a idade dos cativos que adquiriram. Assim, a razão principal pela qual a maioria dos escravos deportados para as Américas era de sexo masculino reside não na procura do lado americano, como foi freqüentemente afirmado, mas na oferta do lado africano.
 
Infelizmente, o tráfico de escravos para o Maranhão não foi ainda objeto de maior atenção, com a exceção dos trabalhos de Manuel Dias e Antônio Carreira sobre o período da Companhia de Comércio.( Dias, Manuel Nunes, A Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão, 1755-1778, Belém, Universidade Federal do Pará, 1970; Carreira, Antônio, As Companhias Pombalinas de Grão-Pará e Maranhão e Pernambuco e Paraíba. Porto, Editorial Presença, 1983. Ver também MacLachlan, Colin M., "African Slave Trade and Economic Development in Amazônia, 1700-1800", In: Toplin, R. B. (ed.), Slavery and Race Relations in Latin America. Westport, p. 112-145, 1974.) Destarte, apesar do Maranhão ser a quinta província escravista na época da Independência – depois da Bahia, Minas, Rio de Janeiro e Pernambuco -, onde residiam então 8,9 % de todos os escravos no Brasil, não foi realizado, ainda, nenhum estudo monográfico sobre o tráfico de escravos para essa região. Tampouco há estatísticas fidedignas para todo o período do tráfico.( É significativo a este respeito que a compilação recente de Eltis, David, et. al., The Transatlantic Slave Trade. A Database on CD-Rom (Cambridge University Press, 1999) não contém nenhum dado sobre o tráfico negreiro para o Maranhão do período 1779-1818.) Além dos referidos estudos sobre a Companhia, existem somente estatísticas contemporâneas para os anos 1812-1828, repetidas ad infinitum pelos historiadores subseqüentes. Juntando as estatísticas e estimativas disponíveis, cheguei ao número global de 114.000 africanos deportados para o Maranhão.( Ver Matthias Röhrig Assunção, Pflanzer, Sklaven und Kleinbauern in der brasilianischen Provinz Maranhão, 1800-1850, Frankfurt, Vervuert, 1993, pp. 78-80.) Como esses dados não levam em consideração o tráfico clandestino e o tráfico por terra vindo da Bahia, é possível que esse número tenha chegado a 140 mil.
 
Em relação às origens étnicas, as melhores informações são da época da Companhia de Comércio do Maranhão e Grão Pará, que gozava de um monopólio real de comércio não somente no Norte do Brasil, mas também nos rios da Guiné. Esse monopólio estava longe de ser absoluto, pois o título "Senhor de Guiné", que o rei português ostentava, não significava um domínio português de fato sobre a região.(Carreira, António, Os portugueses nos rios de Guiné, 1500-1900. Lisboa: Litografia Tejo, 1984, p. 61, 63. Ver também McLachlan, "African Slave Trade", p. 120.) A Companhia pagava um tributo no valor de um conto por ano aos soberanos de Cacheu e Bissau para que estes permitissem o funcionamento de feitorias na área.( Carreira, Os portuguêses, p. 30.)
 
Em Angola, pelo contrário, a Companhia era obrigada a competir com outros negreiros portugueses ou mesmo de outras nações. Miller estima que a Companhia não embarcou mais de 8.000 escravos angolanos durante o período inteiro de sua atividade nessa região, de 1756 a 1782.( Miller Joseph C., Way of Death. Merchant Capitalism and the Angolan Slave Trade, 1730-1830. London: J. Currey, 1988, p. 574.) Como resultado, a grande maioria dos escravos levados para o Maranhão nos porões dos navios da Companhia durante o período 1757-1777 provinham da Guiné: 44 % deles foram embarcados em Cacheu, 43% em Bissau, e apenas 12% em Angola.( Dias, Fomento, I, p. 468.) Nos anos subseqüentes ainda foi significativo o número de escravos vindos dos rios da Guiné para o Maranhão e Pará. Entre 1788 e 1801, ainda foram embarcados 17.691 escravos de Cacheu e Bissau para esses dois destinos.( Carreira, Os portuguêses, p. 37, 67.) Esses números referem-se aos escravos embarcados, não aos que chegaram vivos no Brasil. A mortalidade era significativa tanto nos barracões, onde os escravos esperavam seu embarque, na África, quanto na própria travessia. É provável que o número de escravos embarcados na Guiné tenha caído muito depois de 1815, devido à proibição inglesa de tráfico de escravos ao Norte do Equador, acatada por Portugal.
 
Várias conclusões provisórias podem ser tiradas desses dados tão incompletos. Primeiro, que a contribuição dos escravos da Guiné à população escrava do Maranhão deve ter sido importante. Esse tema tem sido pouco explorado, apesar da origem étnica aparecer em vários tipos de fontes, como inventários e livros de óbitos. Octávio da Costa Eduardo levantou informação a esse respeito em 100 inventários de São Luís e Codó, contendo informação sobre a origem de 1.011 escravos, agrupados por quatro regiões.( Eduardo, Octávio da Costa. The Negro in Northern Brazil. A Study in Acculturation. Seattle and London: University of Washington Press, 1966, p. 7. Do total de 457 escravos nascidos na África, 70 foram registrados apenas como africanos e não foram considerados nessas percentagens.) O grupo mais importante dos 387 africanos com procedência indicada provinha da região de Angola/Congo (48 %). O segundo grupo maior provinha dos rios de Guiné (36 %). Apenas 13 % eram originários da Baia do Benin (Mina, Nagô e Calabar). Os Moçambique e Camunda representavam os 3 % restantes. Quais eram as procedências específicas mais importantes? 30 % dos africanos foram registrados como Angola, 14 % como Mandinga, 11 % como Mina, 10 % como Cacheu e 7 % Bijagó.
 
Instrumentos Ancestrais de MandinkaEssa preponderância dos escravos Angola e a significativa presença dos Mandinga são confirmadas pelo livro de óbitos da freguesia do Itapecuru-mirim, uma das principais áreas de plantation. O livro cobre a primeira metade do século XIX e menciona uma quinzena de "nações" de escravos negros falecidos. Ao lado dos escravos Mina, Angola, Benguela, Congo e Cabinda, aparecem especificamente sete etnias da Guiné: Mandinga, Papel, Bijagó, Fula, Balanta, Cassange e Nalu. Os Mandinga são, de longe, os mais freqüentemente mencionados (20), junto com os escravos denominados Angola (21).( "Livro de Óbitos da Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Itapecuru-mirim, 1807-1849", Arquivo da Arquidiocese, São Luís, Maranhão. Infelizmente um grande número de entradas não especifica a "nação" do falecido, contentando-se em assinalar que se tratava de um "preto" ou de uma "preta" escrava.)
 
Apesar da diminuição do tráfico proveniente da Guiné depois de 1810, os Mandinga continuaram a constituir um dos grupos étnicos mais significativos ao largo do século XIX. Numa partilha de bens de um fazendeiro de Guimarães, proprietário de 112 escravos, em 1844, os Angola constituem o grupo mais importante com 19, seguidos dos Mandinga, com sete escravos.( Ver a partilha amigável dos bens do Tenente Coronel Manoel Coelho de Souza, do 1.4.1844, in: Projeto Vida de Negro. Frechal, Terra de Preto. Quilombo reconhecido como reserva extrativista. São Luís: Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos, Centro de Cultura Negra do Maranhão, Associação de Moradores do Quilombo Frechal, 1996, p. 165-174.) Essas três fontes apontam para importância dos Mandinga, ao lado dos escravos Angola, na escravatura maranhense.
Mandinga (ou mandinka) refere-se a uma língua, uma região e um legado cultural. Hoje, vários dialetos Mandinga são falados por quase um milhão de pessoas na Guiné-Bisssau, no Senegal e na Gâmbia. A herança cultural remonta ao Império do Mali, um dos mais antigos grandes Estados no Ocidente Africano, que existiu entre aproximadamente 1200 e 1465. O Império do Mali controlava as rotas comerciais que atravessavam o Saara ocidental, negociando com ouro, cobre, escravos, sal e tecidos de algodão. Os seus soberanos, chamados "mansas", eram reputados por sua opulência e acabaram adotando o islã. O mais famoso, Mansa Musa, fez até uma peregrinação a Meca, em 1324, levando uma caravana de escravos e ouro. Os Mandinga são reputados por sua rica tradição musical e sobretudo por seus contadores de história e guardiões das tradições, os "griots". A contribuição desse grupo étnico e, mais geralmente, dos escravos provenientes dos rios da Guiné à cultura popular maranhense ainda não foi objeto de estudo, mas os dados apresentados aqui sugerem que deve ter sido muito mais importante do que geralmente se tem admitido. Seria importante levantar um léxico das palavras de origem africana usadas, ainda hoje, no Maranhão, para apurar a importância dos empréstimos de cada língua africana. Outra área onde existe um possível legado Mandinga é a culinária. O prato regional maranhense conhecido como arroz de cuxá é, provavelmente, de origem Mandinga, como sugeriu Antônio Carreira. Kutxá designa, nesse idioma, o quiabo-de-Angola ou vinagreira (Hibiscus sabdariffa, Lin.), cujas folhas verdes são usadas para um prato "de sabor acidulado, muito apreciado por quase todos os povos da Guiné".( Carreira, As Companhias Pombalinas, p. 103. Segundo Cascudo, Luís da Câmara, História da Alimentação no Brasil, Belo Horizonte, Itatiaia, 1983, II, p. 856 e 871, usavam-se duas variedades de quiabo no Brasil, ambos de origem africana: o hibiscus esculentus (chamado okra, na Nigéria, e quingombó, em Angola e algumas regiões da América) e o hibiscus sabdariffa, chamada vinagreira ou quiabo-de-Angola no Brasil. ) Isso contrasta com a etimologia dada pelo Aurélio, que deriva cuxá da língua Tupi, dos vocábulos ku (o que conserva) e xai (azedo). Atualmente, esse prato típico do Maranhão, ainda preparado à base de vinagreira, tornou-se o "carro chefe de sua opulenta cozinha".( Castro e Lima, Zelinda Machado de, Pecados da Gula, Comeres e beberes das gentes do Maranhão. Receitas, São Luís, Centro Brasileiro de Produção Cultural, 1998, p. 22.) Ou seja, o prato que veio a ser símbolo do Estado é possivelmente de origem Mandinga sem que essa procedência seja reconhecida. Por essa razão, me parece importante resgatar o Maranhão como terra Mandinga.
COMISSÃO MARANHENSE DE FOLCLORE – CMF
 
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CAPOEIRA: Origem e Significado do Vocábulo

Matéria retirada do Jornal do Capoeira, www.capoeira.jex.com.br
Mantendo a colaboração e a parceria estabelecida entre estes dois meios de comunicação, o Portal Capoeira selecionou uma matéria interessante… vale a pena conhecer… e refletir…
Luciano Milani

Esta crônica foi a primeira enviada pelo Capoeira-Pesquisador Raphael Pereira Moreno, de São Carlos-SP. Na verdade é ela que inaugura a série “Toques de Capoeira”, que o autor, gentilmente, estará enviando para nosso “Jornal do CAPOEIRA”.
Do minidicionário de língua portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1. Gaiola grande onde se criam e alojam capões e outras aves domésticas. 2. O conjunto das aves domésticas.
ca.po.ei.ra.2
Bras. s. f. 1. Terreno onde o mato foi roçado e/ou queimado para cultivo da terra, ou outro fim. 2. Jogo atlético individual, com um sistema de ataque e defesa. * S2g. 3. Quem o pratica.
Do dicionário eletrônico Michaelis:

ca.po.ei.ra.1
s. f. 1 Mato de pequeno porte que nasceu nas derrubadas da mata virgem. 2. Esp. Jogo atlético de ataque e defesa.
ca.po.ei.ra.2
s. f .2. Jacá para transportar galinhas.

José de Alencar, primeiro estudioso a analisar a palavra CAPOEIRA, em 1865, propôs para a origem do vocábulo o tupi CAA-APUAM-ERA, traduzido por ilha de mato já cortado. A composição da palavra ainda não foi totalmente esclarecida existindo diversas possibilidades para a montagem do vocábulo. Seguindo na proposta de origem em um vocábulo tupi-guarani, as opções mais aceitas pelos pesquisadores são CAÁPUÊRA e COÓPUERA.
Analisando CAÁPUERA, origem proposta em 1880 por Macedo Soares, nas palavras portuguesas de origem guarani, a sílaba CÁ, do guarani CAÁ, significa coisa de mato, planta, floresta virgem ou erva. Enquanto que o adjetivo PUÊRA significa a expressão do pretérito, que quer dizer o que foi, não existe mais. Portanto, pode-se aceitar como significado para a palavra capoeira mato extinto.
Tomando como partida a palavra COÓPUERA,onde COÓ significa roça, a palavra CAPOEIRA tem como significado roça abandonada. Para quem defende essa segunda versão, a palavra passaria de coópuera para capoeira, como evolução natural, assim como já aconteceu com outras palavras.
Também se atribui a palavra CAPOEIRA ao nome popular de uma ave (Opontoohorus Capueira, Soix), também conhecida por URU ou URU-DO-NORDESTE. É uma ave que vive no chão, muito semelhante ao faisão e CAPOEIRAS também eram chamados os caçadores desta ave. Em outro sentido para capoeira, Macedo Soares nos conta que os moleques ou pastores que vigiavam gado, para chamarem uns aos outros e também ao gado, reproduziam o canto da capoeira (URU) assobiando. Dessa forma o moleque que tinha essa missão era chamado capoeira.
Hoje em dia, existem mais de 25 definições para a palavra capoeira, porém na grande maioria, com significados em algum tipo de mato ou ave.
Aqui também podemos abrir um espaço para uma outra face interessante dessse assunto, que são as diferentes formas faladas ou escritas, já com a intenção de designar a arte da Capoeira. Em registros do início do século passado e em alguns nem tão antigos (anos 60) encontramos as formas CAPUEIRA, CAPUERA, CAPOERA e CAPOEIREIRO designando o jogo ou os praticantes. CAPOEIRAGEM é outra forma bastante utilizada, principalmente ao analisar os registros do Rio de Janeiro antigo.
Com a origem e o significado morfológico da palavra CAPOEIRA não completamente resolvidos, porém em parte entendidos, podemos começar a analisar a ligação entre o nome tupi-guarani e o nosso “jogo de pernas pro ar”.
Ainda que existam pesquisadores que relacionem o jogo da capoeira que nós conhecemos com o comportamento ciumento da ave protegendo seu território, de todas as definições já apresentadas por folcloristas e estudiosos, acredito que duas podem realmente nos levar a origem do nome dessa nossa luta-dança-esporte-música afro-brasileira.
Na primeira delas, os negros escravos, durante suas horas de folga (que de fato eram muito poucas) se reuniam num local de mato rasteiro, já cortado, onde realizavam suas danças, resquícios de um passado livre na África. Danças inofensivas aos olhares dos ioiôs, iaiás e feitores. Nesse ritual, os negros camuflaram um treinamento de luta, e mais do que isso, mantiveram uma ligação entre o processo de aculturação – os horrores na senzala – imposto pela escravidão e as manifestações culturais nativas de seus  povos.
Na segunda, os negros escravos ou forros levavam gaiolas de aves para serem vendidas nos portos e mercados, e enquanto estes não abriam suas portas, os negros se divertiam numa brincadeira de pernadas e cabeçadas.
Neste momento chegamos a um conflito histórico e muito discutido pelos capoeiras e historiadores. Se seguirmos a primeira ligação, onde o negro escravo na senzala se utilizava da dança como um treinamento camuflado visando a liberdade, acabamos por definir o surgimento da capoeira como um fenômeno estritamente rural que foi se expandindo até atingir as cidades. Em contrapartida, adotando a explicação das brincadeiras nos portos, chegamos a um surgimento urbano da capoeira.
Há também quem diga que na origem da capoeira existiu forte influência indígena… mas é inegável a presença dos valores africanos nos rituais… porém, essa discussão já é assunto para um próximo texto! (ler: Brasil ou África: onde nasceu a capoeira?)
Sagu ” raphaelmoreno@yahoo.com.br
São Carlos – 20/09/2004
Fontes consultadas:
1. Waldeloir Rego. “Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico”, Ed. Itapoan, Salvador, 1968.
2. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Mini dicionário da língua brasileira Escolar.
3. Michaelis. Dicionário eletrônico.
4. Alceu Maynard Araújo. “Folclore Nacional”, 1967.
Aproveite e consulte o Dicionário da Capoeira, uma ferramenta interativa com vocábulos pertencentes ao mundo da capoeira