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O Fenomemo da Exportação – Onda 1

Turismo e Grupos Parafolclóricos

Dentro do contexto e da dinâmica da Exportação da capoeira é possível estabelecer um paralelo entre as “ondas do desenvolvimento humano” – que Alvin Toffler* nos colocou em seu Best-seller A Terceira Onda e as “quatro ondas de projeção” internacional da capoeira, cronologicamente encadeadas em analogia as “Ondas de Toffler”. Este paralelo foi o que norteou e alimentou um delicioso estudo e pesquisa direcionada que culminou em uma Importante Palestra ministrada na Europa pelos Professores e pesquisadores Acúrsio Esteves e Luciano Milani, ambos integrantes da equipe do Portal Capoeira. O caminho da capoeiragem das senzalas às universidades pode ser entendido e até enumerado dentro deste contexto sob o prisma das Ondas de Projeção que podem e certamente acabarão por ser mais do que quatro… pois estas ondas assim como escreveu Toffler, são dinâmicas, difusas e vivas…

 

As Ondas de Projeção

  1. Turismo e Grupos Parafolclóricos
  2. Academias e Boa Forma (Febre das Academias)
  3. Pesquisa e Produção Academica/Cientifica (Entidades de Ensino, Mestrados, Livros…)
  4. TIC´s – Web – Games – Mídia (Toda a rede digital e suas ramificações em função da divulgação e dissiminação da capoeira**)

Nesta primeira abordagem iremos tratar apenas da primeira onda: Turismo e Grupos Parafolclóricos. Em tempo, iremos também abordar, as restantes ondas de projeção internacional da capoeira (Onda 2, 3 e 4).

 

Uma Semente Africana…

“A capoeira, tem origens e raízes africanas…seu ventre, sua mãe… é conhecida como cultura negra… seu pai a liberdade… mas nasceu e foi criada no brasil, algures no recôncavo Baiano… cercada de malandragem e brasilidade… quando jovem foi rebelde, mal vista, perseguida… na adolescência se desenvolveu, cresceu… ganhou o mundo e respeito… tirou o seu passaporte…
Hoje, mais madura esta presente em todos os lugares… nos quatro cantos do mundo e tem o orgulho de dizer SOU BRASILEIRA.“
Luciano Milani

 

Uma História recente…

A capoeira, nasceu a cerca de 500 anos, foi criada em solo Brasileiro, tem origens e semente africana, cultivada e adubada pela magia da miscigenação e do pluralismo de saberes de culturas e raças… “Excluida e Criminalizada” no Governo Mal. Deodoro da Fonseca (Infração prevista no Código Penal – Artigo 402  de  1890), sua essência libertária, resistência e riqueza cultural fomentam ainda mais a suas quase infinitas possibilidades.

Bimba e Pastinha, ícones contemporâneos, influenciaram a forma como praticamos e vivenciamos a capoeira. Ambos os mestres tiveram um papel fundamental principalmente na década de trinta com a criação da Luta Regional Baiana e da Capoeira Angola… Impulsionados pelo cenário “politico/social/economico da época”, assim como outros importantes nomes dos mais diversos setores tiveram e continuam tendo um peso enorme neste emaranhado tão complexo e multi cultural turbilhão chamado capoeira

“A capoeira é um organismo vivo, ela evolui de acordo com as suas necessidades…”
Mestre Camisa

Fazendo uma analise ao cenário politico/social/economico da época (Governo Populista de Getúlio Vargas e o processo de Legalização da Capoeira), temos uma maior participação da classe média e dos universitários (classe academica) da Bahia, em maior sintonia com a “Capoeira Regional” de Manuel dos Reis Machado, cujo o legado e o método, revolucionaram a forma de praticar capoeira (Lazer, Esporte e Folclore  em Ambientes Fechados / Metodologia de Ensino) e uma maior aproximação da Esquerda e da classe artística/cultural (Jorge Amado, Pierre Verger, Caribé) com a “Capoeira Angola” de Vicente Ferreira Pastinha, que usou com maior enfase a vertente da Filosofia, Cultura e Ancestralidade.

Não devemos esquecer outras importantes frentes da dinâmica de disseminação e expansão da capoeira em outros estados como por exemplo a forte presença marcial da capoeiragem Carioca e Pernambucana e porque não citar a “Capoeira Utilitária” do Paulista-Carioca mestre Sinhozinho e até mesmo a Tiririca Paulista… todo bom estudioso da cultura popular sabe que as manifestações raramente ocorrem em regiões de forma isolada geográfica e temporalmente. Tanto é que Edison Carneiro, excelente folclorista, fez questão de deixar bem claro no título de um de seus livros (Dinâmica do Folclore), que tudo acontece dinamicamente. Em alguns casos manifestações se fundem, resultando em novas manifestações… correlatas e interligadas… com a proibição da capoeira em Pernambuco, aliado a questões político-social da época, nasce o Frevo!!! O bom capoeira sabe perceber que a “malícia” do bom “frevista” está ligado à ginga de um bom capoeira. E é isto que eram no passado: capoeiras. No Rio de Janeiro, a perseguição à capoeiragem (que, funcional e socialmente não é o mesmo que capoeira) resultou na Pernada Carioca. Digamos que era a “capoeira que não se chamava capoeira”, mas que tinha a eficiência da mesma, tanto enquanto luta, como também como lazer.

 Bimba e Getúlio Vargas

Segundo Liberac em sua analise sobre o surgimento da capoeira moderna baiana: “O Rio de Janeiro foi um ponto alto no que concerne à difusão de idéias sobre formas de aproveitamento da capoeira como esporte nacional e que foi a base política ao movimento em direção às academias (Onda 2 ) . Este cenário mostra o afastamento total da capoeira com o corpo cultural exibe um campo fértil para a transformação em luta marcial, diferentemente do contexto que a capoeira baiana moderna é construída.”

 

Apenas na segunda metade do século XX (década de 60/70),  já com a capoeira “reorganizada sob a nova otica da Angola e Regional” que a nossa vasta e “multifacetada arte”  tirou o seu passaporte. Este processo teve início de forma ímpar e quase que inconsciente… Foi através dos grupos parafolcloricos e do turismo que a capoeira ganhou o mundo… Então vamos “surfar na onda 1…”

Onda 1

Emília Biancardi, uma das principais fagulhas da “Exportação da Capoeira”, folclorista, professora, pesquisadora, escritora e responsável pelo magnifico trabalho do Grupo Folclórico Viva Bahia,criado em 1962, reuniu importantes representantes das manifestações culturais afro-brasileiras para integrar a equipe de base do “VIVA BAHIA”.  Entre os professores estavam Mestre Pastinha e João Grande (capoeira), Mestre Popó do Maculelê (foi com o grupo parafolclórico que pela primeira vez o Maculelê foi apresentado para o grande público e divulgado no exterior,  Emília escreveu a obra prima do Maculelê – Olê lê Maculelê), Neuza Saad (dança), D. Coleta de Omolu (Candomblé), Sr. Negão de Doni (Candomblé) e Mestre Canapun (puxada de rede). Muitos outros mestres de capoeira passaram pelo grupo. Consagrado internacionalmente, serviu de inspiração e incentivo para a formação de outros grupos de prestígio no Brasil e exterior, inclusive para o Balé Folclórico da Bahia, cujo criador foi discípulo da professora Emília Biancardi.

O “VIVA BAHIA”, foi sem dúvida alguma, um dos principais responsáveis pela internacionalização e exportação da capoeira e suas manifestações correlatas. Muitos mestres que viajaram com o grupo não retornaram das viagens. Amém ficou na Califórnia, Jelon e Loremil introduziram a capoeira em Nova York, nos anos 1970.

Somente em 1966 que a “capoeira fez seu primeiro voo transatlântico”, convidados pelo Ministério das Relações Exteriores que reuniu uma comitiva de capoeiristas, dentre eles mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras – África – Dakar.***

mestres Pastinha, João Grande, Gato, Gildo Alfinete, Roberto Satanás e Camafeu de Oxossi, para representar a cultura popular afro-brasileira no I Festival Mundial de Artes Negras - África – Dakar.

A participação de Vicente Ferreira Pastinha nesta celebração da cultura afrodescendente é e sempre será lembrada pois está gravada em versos na memória musical da capoeira
“… Pastinha já foi à África, pra mostrar capoeira do Brasil…”.

Para a comunidade capoeirística este fato representa o momento de encontro muito especial entre o mestre e os irmãos africanos,  evocando encontros também acontecidos na diáspora da população africana, que no Brasil enriqueceu de forma bastante evidente os campos artístico, cultural e econômico. Mesmo já estando cego, mestre Pastinha conseguiu a realização do sonho de conhecer a África…

 

Do Brasil para o Mundo

O crescimento da capoeira a nível mundial tem sido um fenômeno importantíssimo de divulgação e valorização dessa arte-luta que durante muito tempo sofreu uma perseguição, por vezes “velada”, porém implacável no brasil. Contudo essa “globalização” da capoeira traz também consequências negativas.

“O capitalismo e a política sabem muito bem como se apropriar dos bens produzidos pela sociedade – sejam eles materiais ou imateriais – para adequá-los às suas lógicas perversas.”
Acúrsio Esteves

Percebemos assim, uma tendência global que vem crescendo nos últimos anos, de transformação da capoeira em mais uma mercadoria na prateleira dos “shopping centers das culturas globalizadas”.

Se por um lado, isso garante a disseminação e divulgação dessa manifestação para um público cada vez maior, por outro faz com que ela perca muito dos seus traços identitários que a caracterizam como cultura popular, tradicional, libertária e de resistência.

“A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo”.
Mestre Canjiquinha


* Alvin Toffler (3 de Outubro de 1928) é um escritor e futurista norte-americano doutorado em Letras, Leis e Ciência, conhecido pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das comunicações e a singularidade tecnológica.

** A Roda em Rede – Mariana Marchesi  (http://portalcapoeira.com/Publicacoes-e-Artigos/a-roda-em-rede-a-capoeira-em-ambientes-digitais)

*** Video do Festival Mundial de Arte Negra – Dakar – 1966 http://www.youtube.com/watch?v=YVZJwvzt8dY

Salvador: Homenagem aos 95 anos do Mestre João Pequeno

HOMENAGEM AO MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA AOS 95 ANOS – DIA 27/12

PROGRAMAÇÃO

  • Oficina de Capoeira Angola 16h  “Profª Nani de João pequeno”
  • Vídeos 17h … PAZ NO MUNDO CAMARÁ: A CAPOEIRA ANGOLA E A VOLTA QUE O MUNDO DÁ, de Carem Abreu (2012).
  • VÍDEO HOMENAGEM (2012) “Ao Mestre João Pequeno”
  • *Abertura das Apresentações 18h – Fala Representativa Sobre o Mestre “Nani de João Pequeno”
  • Apresentação de Dança “Arilma Soares”
  • Teatro de Boneco – “Revisitando o Cordel da Vida do Mestre João Pequeno de Pastinha” Nildes Sena, Alice di Sanayá e Jaciara Ferreira
  • Tradicional Roda do Mestre João Pequeno de Pastinha (19:30hs)

 

contato: 71 33230708

ORIENTAÇÃO MAPA

Contatos JPP:

Dica do Editor:

Não deixem de visitar o site deste baluarte da capoeira, nosso querido Mestre João Pequeno de Pastinha

Nestor capoeira: Encontros com grandes mestres – Caiçaras e Canjiquinha

Meu encontro com mestre Caiçaras

Mas nem tudo era “academicismo” entre os mestres mais reconhecidos de Salvador.  É verdade que os “valentões” e os “disordeiros”, os “bambas da era de 1922”, tinham sido desbancados pelos “educadores” como mestre Bimba, seguido de vários outros, entre os quais o famoso mestre Pastinha.Mas os disordeiros não partiram sem deixar herdeiros que eram encontrados nas ruas, no Mercado Modelo, etc.  O mais famoso entre eles era Mestre Caiçaras (Antonio Conceição Moraes, 1923-1997), “o dono da capoeira de rua”, com sua impressionante voz, grave e profunda.

O vozeirão de Caiçaras ressoava como o dos possantes cantores de ópera; tanto pelo volume, quanto pela afinação, e também por um natural e sadio exibicionismo.  Na música brasileira, seria o equivalente de um Orlando Silva – “o cantor das multidões” -, um Cauby Peixoto, ou um Nelson Gonçalves, que dominaram o cenário da música e do rádio com seus vozeirões, até aproximadamente 1960, quando foram finalmente destronados pela Bossa Nova com seus cantores de voz baixinha, suave e “intimista” como João Gilberto, Nara Leão, Tom Jobin, Vinicius de Moraes, etc. -, todos influencidos pelo jazz norte-americano e seus cantores cool, tipo Chet Baker. 
Mas Caiçaras não era apenas um falastrão cheio  de presepadas e (o que soava como) lorotas (aos ouvidos do iniciante): levantava sua camisa e mostrava a marca dos tiros,  das facadas, das navalhadas; cada uma com sua história, que ele contava de bom grado se o convidassem para beber uma cerveja gelada acompanhada de cachaça e tira-gosto.  Alem disso, no candomblé não se brincava com ele. As múltiplas e vistosas guias que adornavam seu pescoço taurino não estavam ali apenas para fazer bonito.

Quando o conheci – eu, um iniciante de 23 anos de idade; ele, um homem maduro e mestre renomado de 46 anos -, após inúmeras cervejas super-geladas (algo que não é sempre fácil  de achar em Salvador) e tiragostos variados, estávamos  sentados numa área de má reputação, do lado  de fora de um botequim pé-sujo – ele, sentado, balançando para a frente e para trás como se numa cadeira-de-balanço; eu, num banquinho -, quando subitamente uma patrulhinha da polícia brecou no meio da rua e dela desceu um sargento tamanho geladeira que, a passos largos, se encaminhou cheio de decisão na nossa direção.Eu trinquei.Fiquei mais gelado que a meia dúzia de louras que havíamos consumido.É que havia um pequeno problema.  Aliás, pequeno não: mestre Caiçaras segurava displicentemente, na mão repleta de anéis, um itaba di ungira de fazer inveja a qualquer charuto cubano de Fidel Castro.  Rapidamente, por entre os vapores alcoólicos – tínhamos temperado a cerveja com algumas bem servidas doses de cachaça -, e o fumacê da cannabis sativa, vislumbrei meu futuro próximo: ver o sol nascer quadrado por entre as grades de uma janelinha da penitenciária soteropolitana.

Olhei rápido para mestre Caiçaras e me preparei para o que desse e viesse.  Será que ele, com seu passado de rufião, ia dar testa aos homens da lei?  Ele continuava impávido no seu balanço na cadeira do bar, e a única atitude radical que tomou foi dar mais um profundo trago no charo, empestando mais ainda o odorífico do ambiente.O sargento chegou, parou em frente a Caiçaras, tocou um joelho no chão, traçou uns pontos riscados no chão, osculou a mão do mestre e pediu:- Sua benção, meu pai.Caiçaras, bateu a cinza do charuto e traçou, com a mesma mão enfumaçada, alguns sinais cabalísticos sobre a cabeça do sargento enquanto murmurava algumas frases em nagô.O sargento levantou-se, agradeceu, entrou na patrulhinha, e partiu.

Meu encontro com mestre Canjiquinha

Mestre Canjiquinha era conhecido por estar sempre de bom humor; era exímio contador de piadas com as quais recheava suas apresentações de capoeira, fazendo sucesso entre turistas e gringos. Mas isto despertava a ira (e inveja) de seus colegas, e o desprezo do estudioso purista; achavam que um mestre devia se enquadrar num “molde” de seriedade.Seus alunos, no entanto, o adoravam e apelidaram-no “a alegria da capoeira”.Waldeloir Rego, ao descrever as qualidades de cada mestre no Capoeira Angola (um livro de 1968 que marcou época, inaugurou uma nova fase dos estudo sobre capoeira, e é básico até hoje) -, cita uns 12 mestres que atuavam, ensinavam, e faziam apresentações para turistas, em Salvador na década de 1960 -, ressalta que Canjiquinha era jogador e ensinava “porém seu maior destaque é no canto e no toque”.Aliás, isto é um detalhe importante que vale a pena resaltar mais uma vez: em pleno 1968, quando o Grupo Senzala ja estava bombando no Rio; e as academias de Acordeon, Suassuna, Paulo Gomes e outros já estavam entupidas de alunos em São Paulo; Waldeloir cita apenas uma dúzia de mestres em atividade em Salvador e, destes, apenas mestre Bimba tinha alunos suficientes para (sobre)viver exclusivamente de capoeira – daí, a grande disputa para ser o mestre convidado a dar apresentações (pagas) pelo orgão oficial de turismo soteropolitano. Salvador é a “terra-mãe” da capoeira mas nunca deu mole para seus ilustres filhos que se tornaram mestres: para sobreviver exclusivamente de capoeira, são obrigados a viajar no Brasil ou exterior. E, mesmo hoje, não existe um só mestre em Salvador que tenha mais de 10 alunos baianos pagando mensalidades – e, daí, a disputa pelos alunos visitantes, brasileiros e gringos, que querem conhecer a “verdadeira capoeira baiana”.

É difícil para o capoeirista de nossos dias avaliar o peso e a importância que mestre Canjiquinha teve nas décadas de 1950, 1960 e 1970, na capoeira de Salvador e do Brasil: sua imagem, após sua morte, foi eclipsada pela luz de Bimba e Pastinha.Porque?Seus alunos não perpetuaram seu nome – não por descaso, mas pela própria natureza daquela rapaziada, em grande parte ligada ao mundo das ruas -,algo que também aconteceu com Waldemar e Caiçaras. Mas o currículo de Canjiquinha é revelador:Canjiquinha nasceu em 1925 no  Maciel de Baixo, zona de malandragem e prostituição; era, portanto, 36 anos mais novo que Pastinha, e 25 anos mais novo que Bimba. Ou seja, uma diferença semelhante à minha com meus filhos. Começou capoeira com Aberrê em 1935, aos 10 anos de idade. Em 1951, com 26 anos, era contramestre e dava aulas na academia de Pastinha.Foi goleiro do Ipiranga Futebol Clube (o preto-e-amarelo, cores que Pastinha escolheu para sua academia); foi cantor de gafieira; durante muitos anos, foi o responsável pelos shows de capoeira do orgão oficial de turismo de Salvador; organizou  e participou das cenas e rodas de capoeira dos filmes “Barravento” (dir.: Glauber Rocha); e “Pagador de Promessas” (dir.: Anselmo Duarte), que gannhou a “Palma de Ouro” do prestigiado Festival de Cinema de Cannes (França).

Estas participações, em filmes que se tornaram clássicos do cinema brasileiro, muitas vezes é lida rapidamente sem que o leitor se dê conta do peso que isto tinha nos 1950s/1960s. A televisão ainda engatinhava e o “cinema novo” era o ti-ti-ti de artistas, intelectuais, jornalistas, e do próprio governo que via o Brasil ser aclamado no badaladíssimo Festival Internacional de Cannes (depois do “Pagador de Promessas”, o Brasil nunca mais foi vencedor em Cannes, na França; nem tampouco no Oscar de Hollywood). No filme, a cena da roda de capoeira na frente da igreja de Santa Bárbara, a briga dos capoeiras com a polícia (que não queria que Zé do Burro entrasse na igreja carregando sua cruz), a morte de Zé do Burro e sua entrada na igreja, deitado morto em cima da cruz carregada pelos capoeiras e pelo povo, é o ponto alto do filme e tantalizou os gringos. Bimba foi campeão invicto em 1936 e criou e inaugurou a era das  academias; Pastinha foi ao Festival de Artes Negras em Dakar;  mas foi com Canjiquinha, no filme “Pagador de Promessas”, que o mundo, estupefato e fascinado, viu pela primeira vez a capoeira, tanto na sua forma “cultural” e “ritual” de roda, como na sua forma de luta e briga de rua.

Quando Canjiquinha abriu sua própria academia, apesar de ter sido  aluno de Aberrê e contramestre de Pastinha, não adotou a “tradicional” (e radical) capoeira angola de Pastinha; e também não aderiu à (radical) regional de Bimba. Canjiquinha tinha seu estilo próprio: jogava os ritmos lentos, mas preferia um jogo alto e rápido. Sua postura independente e seu “currículo” – jogador de futebol, crooner de gafieira, mestre de capoeira, profundo conhecedor do candomblé -, somados ao conhecimento da malandragem das ruas e das noitadas soteropolitanas, aliados a sua personalidade que fazia amigos rapidamente, tornou-o popular entre a juventude. E mais que isto: abriu os olhos de toda uma geração baiana mais nova, mostrando que a capoeira não era só Bimba e Pastinha. Mestre Canjiquinha também teve influência na capoeira paulista, a tal ponto que em 1981, quando Canjiquinha tinha 56 anos, mestre Brasília (São Paulo) criou, com o apoio  da Federação Paulista de Capoeira, o Troféu Mestre Canjiquinha em sua homenagem.

Eu não tive oportunidade de conversar e conhecer mestre Canjiquinha nas primeira vezes que fui a Salvador. Cruzei com ele algumas vezes, mas só fomos bater papo e nos conhecermos melhor em 1984 no Circo Voador, uma famosa casa de espetáculos do Rio de Janeiro, num grande encontro nacional que reuniu vários mestres da velha guarda de Salvador (João Pequeno, Waldemar, Canjiquinha, Atenilo, Onça-Tigre, Paulo dos Anjos, Gato Preto), e também mestres que eram jovens e hoje são uma referência  (Acordeon, Itapoã, Camisa – o organizador do encontro -, Moraes, Lua Rasta, o pessoal da Senzala, Mão Branca , Mulatinho, Edna, etc.), e grupos de oito estados – aliás, creio que este foi o último “grande encontro nacional” que reuniu a maioria das “pessoas importantes” da capoeiragem; depois disso, a capoeira cresceu tanto, e apareceram tantos novos talentos, que se tornou impraticavel um encontro com os nomes mais significativos. Me lembro que, neste encontro de 1984, Canjiquinha me deu uma entrevista que coloquei no meu segundo livro, Galo Ja Cantou (1985). Canjiquinha comentou que “sou velho (tinha, então, 50 anos) mas não vou escurecer a verdade, a capoeira melhorou em muitos aspectos”.

Na sua juventude, os golpes mais temidos eram a rasteira e a cabeçada; os golpes de pé eram mais lentos que agora, e não faziam muito estrago; mas “uma queixada destas de hoje em dia pode matar um”; em compensação, dizia Canjiquinha, a rapaziada tinha perdido “na parte da malícia e da visão de jogo”. Deste nosso primeiro bate-papo, felizmente alguém tirou uma foto que também publiquei no livro: sentados na mesa do bar do Circo Voador, Canjiquinha está explicando algum lance de um jogo, e em volta, atentos, estão Gato (da Senzala), Miguel (do Grupo Cativeiro),  eu (que tinha 38 anos de idade semelhante a Gato e Miguel), Cobrinha Mansa (ainda bem jovem), e João Pequeno.  “Bons tempos” diriam alguns, e Canjquinha certamente iria concordar; mas se estivesse vivo, com sua alegria de viver, é certo que diria que “o tempo melhor é agora”

Nestor capoeira: Encontros com grandes Mestres – Pastinha

Alo rapaziada… Neste mes de setembro vou falar de outro primeiro encontro marcante com os grandes mestres do passado: meu encontro com mestre Pastinha em 1969, em Salvador. Eu estava no Grupo Senzala (RJ), tinha 23 anos e acabara de receber minha “corda-vermelha” (a graduação mais alta da Senzala); e mestre Pastinha tinha 80 anos e ainda comandava a roda num sobrado no Largo do Pelourinho (Salvador). Espero que vocês curtam, Nestor.

Cheguei no Largo do Pelourinho, nº19, uns 15 minutos antes de começar a roda.

É óbvio que não botei minha corda-vermelha na cintura pois sabia do antagonismo entre capoeiristas baianos e cariocas, e de regionais versus angoleiros – e o Grupo Senzala, ao qual eu pertencia, e que começava rapidamente a tomar um lugar de destaque no cenário nacional depois de ser tri-campeão do Berimbau de Ouro (em 1967, 1968 e 1969), era carioca e inspirava-se na regional de mestre Bimba.

Além disto, eu estava numa posição super-delicada: o Ballet Brasileiro da Bahia, cujo corpo de baile era formado pelas dondoquinhas mais patricinhas e ricas de Salvador, tinha feito uma excursão se apresentando nos melhores tearos do Rio de Janeiro (Teatro Municipal), Vitória, Belo Horizonte, e agora finalizavam a turnê em sua cidade natal – Salvador. OBallet estava em contato com  a Dalal Ashcar, uma ricaça que morava no Rio e que amava e patrocinava a dança clássica, e tinham chamdo os três primeiros-bailarinos e as duas primeira-baliarinas do Teatro Municipal do  Rio de Janeiro para dar um lance profissional ao Ballet. O espetáculo tinha números de dança clássica, moderna, jazz, e também de “folclore” – samba, bumba-meu-boi, congada, maculelê e capoeira. Inusitadamente o Ballet da Bahia não chamou capoeiristas de Salvador para compor o elenco; chamaram três capoeiras do Grupo Senzala do Rio: Augusto “Baiano  Anzol” (que hoje é professor de Educação Física e Diretor do Departamento de Artes Marciais da UFRJ), o falecido Helinho, e eu (Nestor Capoeira).

 

Por todas essas, quando cheguei em  Salvador no fim da tournê pelo Brasil, eu fui em Pastinha sozinho e “disfarçado”: calça e camisa brancas, sapatos (regional joga descalço, mas angoleiro só joga de sapato), e dizia para todos que era mineiro – disfarçando, também, o “s” com o chiado de “x”.  Eu dizia que era mineiro, o que não era exatamente uma mentira – tinha nascido em Belo Horizonte mas fui criado no Rio desde os 2 anos de idade.

 

O sobrado onde mestre Pastinha dava aulas não era exclusivo da capoeira, Pastinha só podia utilizá-lo dois ou tres dias na semana por algumas horas; haviam outros lances que tambem funcionavam lá.

Eu cheguei cedo, pensando que a sala do sobrado ia estar lotado. Mas não tinha ninguém. O salão estava vazio. Só tinha um cara, que eu saquei que devia ser o zelador, comendo um “prato feito”, sentado perto de uma das janelas.

– Quem é que está aí?

– Sou um visitante de Minas Gerais.  Estava querendo saber se era possível assistir à roda do mestre Pastinha.

– Chegue mais, meu filho.  O pessoal deve começar a chegar daqui a pouco.  Aceita almoçar?

Declinei o convite e fiquei sentado, ao lado do corôa, trocando uma idéia e observando pela janela o movimento no Largo do Pelourinho, logo abaixo.  De repente, olhei com mais cuidado o rosto do velhinho e subitamente percebi que já o conhecia de fotografias ; não era zelador, nem varredor porra nenhuma, era o próprio mestre Pastinha.

Fiquei tão emocionado com a simplicidade e o acolhimento caloroso do venerando mestre – um dos meus ídolos – que meus olhos se encheram de lágrimas.

Mestre Pastinha já tinha 80 anos, naquela época.  Quase já não enxergava mais nada, apenas sombras e vultos.  É dessa época, outra conhecida frase sua:

“Capoeirista, menino da menina dos meus olhos”.

 

Em mestre Pastinha havia um real alto-astral.

Mas, de maneira geral, havia tanta desconfiança entre capoeiristas que, alguns dias mais tarde, tomando cachaça e fumando uns baseados com uns capoeiristas malandros, no antigo Mercado Modelo (que “pegou” fogo, quando o governo quis mudá-lo de lugar, e os barraqueiros não), tive até que mostrar a carteira de identidade quando um dos malandragens me imprensou:

–  Tu não é mineiro porra nenhuma.  Minas Gerais não tem capoeira.

– Qual é, meu irmão, pra que eu ia mentir?

– Além do mais, tem todo esse papo de “qual é, meu irmão” da malandragem carioca.  Tá achando que nós é otário?

Com essa, o resto da galera, que tinha estado na roda de rua da qual eu participara, se sentiu ofendido.

– Essa porra desse carioca tá achando que nós é otário!

Insistiu meu interlocutor, e o grupo foi lentamente se fechando em torno de mim.  A coisa não estava boa e eu tive que apelar.

– Já vi que você é esperto.  Tão esperto que é capaz de chamar um cara de mentiroso e advinhar onde ele nasceu.  Então vamos fazer o seguinte: vou mandar descer seis cervejas.  Vou pagar as seis.  Agora se eu provar que sou mineiro, aí eu só pago três, e você paga as outras três.

A malandragem gostou.  Aplausos e risadas.  As seis cervejas geladérrimas, já sendo abertas, em cima do balcão.

– Agora é que eu quero  ver!

– Tu foi mexer com o cara!  Não foge da raia não!

Aí, puxei o brabilaque do bolso e dei uma carteirada no malandro – “data de nascimento: 29/9/1946, naturalidade: Minas Gerais”.

Foi um escracho geral.  Todo mundo entornando as cervejas, sacaneando meu interlocutor e, eu, o queridinho da rapaziada.

Mas percebi que tinha feito um inimigo. E me lembrei de meu mestre, Leopoldina: “o bom  negócio tem de ser bom pra todo mundo”.

Ora, eu não posso dizer que sou malandro, mas tive escola.  Além disto, sempre tive sorte.  E otário com sorte é duas vezes malandro. Então, reverti a situação.  Me virei pro interlocutor e mandei.

– Mas é o seguinte.  Eu não estava mentindo, mas você também não está totalmente errado.  Eu tenho viajado bastante pro Rio, fazendo umas tranzações por lá.  E peguei muita coisa do jogo de lá.  Você, como capoeira experiente, sacou a influência carioca.  Por isso, em tua homenagem, um camarada que conhece a fundo a capoeira, vou mandar descer mais três lourinhas geladas, por minha conta.

Foi um sucesso da porra!

 

Alguns anos mais tarde, nos 1970s, mestre Pastinha teve sua academia tomada pelas autoridades – o IPAC -, sob o pretexto das reformas do Largo do Pelourinho. Ao final das obras o espaço foi dado ao SENAC, uma escola de cozinha baiana com seu restaurante. Mestre Pastinha perdeu tudo, os móveis, mais de uma dezena de bancos de jacarandá, os berimbaus, os registros e fotos e reportagens.

Jorge Amado arranjou que recebesse um salário mínimo mensal. Era muito pouco para Pastinha, sua mulher, Maria Romélia de Oliveira que vendia acarajé, e seus três filhos. Sem falar de mais de uma dezena de filhos adotivos, a maioria já adultos em 1970. De sua academia, guardou apenas um banco de madeira onde se sentavam os tocadores de berimbau.

Mestre Pastinha – velho, cego, abandonado -, viveu os anos seguintes num quartinho, na Ladeira do Pelourinho, na miséria.

Finalmente, em 1979, ajudado por Vivaldo da Costa Lima, conseguiu que a prefeitura lhe cedesse um espaço na Ladeira do  Ferrão. Seus alunos, como João Grande e João Pequeno, davam as aulas, mas Pastinha já estava cego e amargurado

 

A capoeira de nada precisa, quem precisa sou eu… Quero falar com o Dr. Antonio Carlos Magalhães (o governador), há muito  tempo venho dizendo isto, mas ninguém me atende (484)

 

Em 1979 foi internado num hospital público onde ficou um ano e, ao sair de lá, foi para o abrigo público para idosos, Abrigo D. Pedro II.

Faleceu aos 92 anos de idade, em 13 de novembro de 1981, e seu amigo, o pintor Carybé, teve de pagar seu enterro.

Nota na TV: 15 anos da morte do Mestre Pastinha

Nota em um telejornal, noticiando a missa em memória do Mestre Pastinha. Presença dos Mestres Caiçara, Gigante, Dois de Ouro, Geraldo Lemos, Gildo Alfinete, Mala, Lua Rasta e outros.

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Livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira”

Livro do jornalista José Barreto sobre Pastinha é um dos finalistas do Prêmio Jabuti e resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira.

Salvador – O livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” é um dos finalistas do 54º Prêmio Jabuti, na categoria infantil. Escrito pelo jornalista baiano José de Jesus Barreto, ilustrado pelo artista plástico Cau Gomez (mineiro radicado na Bahia) e editado pela Solisluna Editora – sediada em Lauro de Freitas – o livro resgata a história da iniciação de Vicente Perreira Pastinha na arte da capoeira. Nascido no Pelourinho, o menino aprendeu a jogar com o negro banto e ex-escravo Benedito e tornou-se o criador da Capoeira Angola da Bahia.

A lista de finalistas foi divulgada ontem à noite (20) e inclui nomes consagrados como Ziraldo, criador de “O menino maluquinho”, o contista Ignácio de Loyola Brandão e o poeta e cronista Fabrício Carpinejar. Em 2010, uma obra publicada pela Solisluna Editora ficou em terceiro lugar na categoria projeto gráfico do Prêmio Jabuti, com o livro “Rico Lins: uma gráfica de fronteira”, de Rico Lins.

 

O vencedor do 54º Prêmio Jabuti deve ser divulgado no dia 18 de outubro e a lista completa dos finalistas pode ser conferida no site da premiação: http://www.premiojabuti.com.br/resultado-fase1-2012

 

Pastinha foi lançado em fevereiro deste ano em Salvador e nos últimos meses foi apresentado na III Feira do Livro Infantil de Fortaleza e na V Feira Literária de Porto Seguro. A obra é o 11º título do catálogo infantojuvenil da Solisluna Editora, que tem 27 livros publicados. História, cultura afro-brasileira, não ficção, arte visual e poesia estão entre os temas mais recorrentes no catálogo geral da editora.

 

A história narrada em “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” foi baseada em uma entrevista do capoeirista, datada de 1967. A partir desse material, o jornalista e escritor José de Jesus Barreto reconta essa trajetória, juntamente com os desenhos do artista gráfico Cau Gomez, que dão ao livro um toque de obra de arte.

 

http://www.jornaldamidia.com.br

Angola Bienal – 2013

 

Aos Senhores, Mestres, Professores, alunos e ao público em geral, venho através deste convida-los para o evento ANGOLA BIENAL 2013, que acontecerá na cidade de Salvador Bahia, entre os dias 08 e 13 de Janeiro.
O evento será organizado e realizado pela Academia João Pequeno de Pastinha – CECA que funciona no Bairro do Rio Vermelho na comunidade do vale das pedrinhas com a direção do Mestre Faísca.
Nesta Angola Bienal – 2013, trataremos do tema: “Mestre João Pequeno de Pastinha, transmissão da cultura popular”, onde discutiremos o legado do Mestre João Pequeno de Pastinha, enquanto genuinamente a voz da cultura Popular. Teremos uma programação extensa, com Oficinas de Capoeira Angola sob a técnica do Mestre João Pequeno de Pastinha, Palestras, oficinas de construção de instrumentos e de Samba, exposições fotos, entrega de carteiras a novos alunos, festa baiana, etc…. O evento conta sempre com a presença da velha guarda da Bahia e toda juventude capoeiristica nacional e internacional.
A Angola Bienal, é um evento de grande cunho social e cultural na Bahia, sem fins lucrativos. Sua presença não só engrandecerá o evento, mas será uma oportunidade para fortalecemos os valores da Capoeira Angola, Cultura Popular e compreender melhor o legado do Mestre João Pequeno, Mestre Pastinha e da missão do Mestre Faísca, que é um ativista sócio-cultural com resultados relevantes na comunidade do Vale das Pedrinhas e preservador da técnica de Mestre João Pequeno de Pastinha.
Continuaremos em contato, enviando novas informações!
Um forte abraço e vibrações Positivas,
Mestre Faísca

 

Projeto de capoeira em Buriti do Tocantins vem fazendo a diferença entre a juventude local.

O berimbau toca. Os capoeiristas se reúnem em círculo ao seu redor. Após ser entoada uma ladainha, que pode ser uma exaltação à valentia do capoeira, um pedido de proteção ou um canto de lamento de um escravo com saudade de casa, dois adversários, ou “camarás”, como se diz na linguagem da luta, começam uma disputa de movimentos quase que coreografados. Um jogo de perguntas e respostas, de ataque e defesa, de ritmo e som.

Isso é a capoeira.

A teoria de que a capoeira foi desenvolvida por escravos há mais de 200 anos nas senzalas brasileiras é ainda a mais aceita por historiadores e estudiosos em geral. Estima-se que seja praticada por mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo. Graças à figura de Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba e Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha, essa arte marcial que é um misto de dança e luta se difundiu pelo mundo, levando o legado brasileiro a países como Israel, Estados Unidos, França, Austrália e até China.

Na cidade de Buriti do Tocantins existe o projeto Educamará, que difunde a capoeirae a sua filosofia de vida. Liderado pelo professor Marcos Vinicius da Cruz Andrade, professorda rede estadual de ensino, o projeto, que é voluntario, atende a alunos da Escola VicenteCarlos de Sousa e também da comunidade em geral.

Atualmente com cerca de 20 alunos, são realizadas aulas três vezes por semana, onde os alunos aprendem os fundamentos dacapoeira, a tocar os instrumentos, cantar músicas e o principal: aprendem a conviver bemcom as outras pessoas. “Pratico capoeira desde os 12 anos e foi uma coisa que sempre gosteide fazer”, diz o professor Marcos. “Quando vim pra cá em 2008, vi muitos jovens ociosos edesestimulados na escola.

Achei que a capoeira poderia ensiná-los algo, como me ensinou”, completou.

Além dos treinos, os alunos assistem a palestras, filmes e documentários e quandopossível, realizam apresentações em Buriti e outras cidades.

Mesmo com todas as dificuldades, o projeto vem gerando bons frutos. Um dos pontos fortes é a diminuição da reprovação e evasão escolar. “Os alunos que participam das aulas de capoeira têm se mostrado mais participativos e vem apresentando melhora no desempenho escolar.” O professor acredita no potencial da capoeira como agente transformador social. “Seria interessante ampliar as ações do projeto, para atender mais crianças e adolescentes da cidade. Afinal, a capoeira é para todos, pois promove disciplina, saúde e inclusão social.” (Marcos Vinicius da Cruz Andrade)

 

Nota de Falecimento: Mestre Decanio

TRÊS “ERRES” FUNDAMENTAIS

Capoeira é uma palavra estranha…
que se escreve com um “rê” suave…
e se pratica com três “erres”…
o primeiro é o RITMO… o segundo o RITUAL..
o terceiro é o RESPEITO…
sem os quais não se joga capoeira!

 

Em homenagem ao amigo, parceiro e principal inspirador do meu trabalho…

 

Portal Capoeira, seus colaboradores, parceiros e amigos prestam esta singela homenagem a este discípulo de mestre Bimba, a este grande cidadão da Bahia e do Mundo e um dos principais mentores deste Projeto.

Mais do que um aluno do grande mestre, Decanio, foi sem duvida um dos companheiros mais chegados de Manuel dos Reis Machado… 

Foi médico, amigo, conselheiro, filho, irmão e um dos principais responsáveis pela criação e documentação da “Luta Regional Baiana”.

Uma importante dica é a visita obrigatória ao site CAPOEIRA DA BAHIA, organizado pelo saudoso mestreDecanio

Mestre Decanio, a quem considero um grande amigo, um exemplo… e acima de tudo o Pai do Portal Capoeira!!!

 

Leia todos os artigos relacionados:

Uma homenagem ao Mestre.

Luciano Milani

 

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Visite o site de Mestre Decanio e conheça um dos mais importantes meios de difusão de cultura e cidadania


Capoeira da Bahia Uma Escola de Cidadania

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O ano de 2011 foi um ano difícil para a capoeira com a morte de mestres importantes como o mestre Artur Emídio em Maio de 2011  e de Mestre João Pequeno em Dezembro do mesmo ano. Com eles perdemos as memórias e as vivências de um passado glorioso e rico da capoeira que ainda está por resgatar.

Para além do aspecto da memória da capoeira atravês da história oral transmitidas pelos antigos mestres, devemos ter em conta a dignidade de pessoas que dedicaram uma vida por esta arte afro-brasileira, por sua preservação e continuidade, tal com foram ensinados por seus mestres. Mestre Decânio estava, na atualidade, para a capoeira Regional de Bimba tal como estava Mestre João Pequeno para a capoeira Angola criada por Mestre Pastinha. Foram eles guardiões de um legado valioso que marca a contemporaneidade da capoeira.

Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira

História do capoeirista Mestre Pastinha ganha livro ilustrado

A vida e ginga de um jovem mulato que vivia nas ruas do Pelourinho, no Centro histórico de Salvador, é tema do livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira”, de José de Jesus Barreto e Cau Gómez, com edição da Solisluna Editora, que será lançado amanhã, às 18 horas, na Livraria Cultura no Salvador Shopping.

Era uma vez … um menino mulatinho, esperto e miúdo nascido no Pelô que, depois de muito brincar e brigar na rua, tornou-se o maior de todos os mestres da Capoeira Angola da Bahia. O nome desse menino virou lenda, mundo afora, mas a história de Mestre pastinha é real e está contada, tim-tim por tim-tim neste livro de José de Jesus Barreto e Cau Gomez com edição cuidadosa da Solisluna Editora e que será lançado dia 27 de janeiro às 18 horas na Livraria Cultura no Salvador Shopping.

O livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” conta, em letras e desenhos, a história verdadeira de como o mirrado menino Vicente Ferreira Pastinha, nascido na Rua do Tijolo, Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, no ano de 1889, aprendeu o jogo da capoeira, ainda guri, tornando-se, de meados do século XX em diante, o criador e maior de todos os mestres da Capoeira Angola da Bahia, uma arte que ganhou o mundo. A história da iniciação do menino, através dos ensinamentos do negro banto e ex-escravo chamado Benedito, foi contada pelo próprio Pastinha, numa entrevista datada de 1967, e é recontada no texto do jornalista e escrevinhador José de Jesus Barreto e também através dos desenhos do artista gráfico Cau Gomez, ilustrações que dão ao livro um toque de obra de arte, um encantamento a mais para os olhos de crianças, jovens e adultos.

Com 32 páginas ilustradas em cores e duas fotos do Mestre Pastinha feitas por Zélia Gattai na primeira metade dos anos 1960, o livro “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” editado pela Solisluna Editora, com edição, design e projeto gráfico de Valéria Pergentino, Enéas Guerra e Elaine Quirelli. Impresso em papel couché pela Gráfica Santa Marta.

  • SERVIÇO

LANÇAMENTOS DO LIVRO “Pastinha – O menino que virou Mestre de capoeira” Autores: José de Jesus Barreto e Cau Gomez Solisluna Editora QUANDO: Dia 27 de janeiro, às 18 horas ONDE: Livraria Cultura do Salvador Shopping PREÇO: R$35,00 
+ CONTATOS (outras informações e entrevistas): Solisluna Design Editora: 71 3379.6691 – 9964.4817 valeria@solislunadesign.com.br José de Jesus Barreto: 71 3378.7703 – 9911.4654 zedejesusbarreto@uol.com.br Cau Gomez: 71 3240.4079 – 8898.4079 caugomez@uol.com.br 
Mandinga

Além da história da iniciação e das pernadas de Pastinha pelas ruas da cidade, o livro toca nos ensinamentos do Mestre: o significado da capoeira Angola, a importância do berimbau na roda do jogo e da ginga na arte da vida, além de mostrar os principais golpes da luta que também é dança, jogo, reza, manha, vadiação e arte… “é mandinga de escravo em ânsia de liberdade”, como bem ensinou o mestre. 
A idéia de fazer um livro para crianças e jovens sobre a figura de Pastinha, um mito, uma lenda baiana, surgiu com a da obra intitulada “Pastinha, O grande mestre da Capoeira Angola” , escrita pelos jornalistas José de Jesus Barreto e Otto Freitas. “Vimos que a história era curiosa, encantadora e se encaixaria muito bem em nossa proposta editorial de publicar livros para crianças e jovens que também agradam os adultos. Então, convidamos José de Jesus Barreto, autor de outros títulos de nossa editora, para essa parceria, sugerindo a elaboração de um novo texto apropriado, mais enxuto, numa linguagem voltada a esse público leitor que muito nos interessa; e o resultado nos agradou bastante”, conta a editora Valéria Pergentino, diretora da Solisluna.

Seu companheiro, que é também diretor da Solisluna, o editor, designer e artista gráfico Enéas Guerra, então de acordo com o autor do texto, convidou o premiado Cau Gomez para criar as ilustrações fundamentadas no escrito. “Os desenhos em cores de Cau são lindos, têm uma luz própria que dá um clima, um movimento e ambientam a história no tempo e no espaço em que tudo aconteceu, o centro antigo da cidade de Salvador numa determinada época de sua história, os sobrados e as ruas do Pelourinho, sua gente…”, comenta Enéas.

“Pastinha é um naco simbólico de uma certa Bahia cantada por Caymmi, descrita por Jorge Amado, desenhada por Carybé… O mestre de capoeira, que era ainda um filósofo, um educador, um pensador popular de grande talento, ajudou também a construir com sua arte o mito da baianidade, escreveu um instigante capítulo da história de nossa gente mestiça” reflete o autor do texto, que conheceu Pastinha já bem idoso, na sua “academia” de Capoeira Angola, no Largo do Pelourinho, integrado à paisagem urbana de então.

O artista gráfico Cau Gomez ficou feliz com o resultado do trabalho: “É a história fantástica de um guerreiro do povo, um genuíno homem baiano, que com ritmo e mandinga, ensinou a arte da luta de resistência. Tentei passar isso com meu traço.”

“Pastinha – O menino que virou Mestre da Capoeira” é um livro de arte para crianças e jovens, que pode ser visto e lido com prazer, também, por meninos e meninas de todas as idades, mesmo crescidos, já adultos. Um trabalho educativo e coletivo, criado e realizado em harmonia plena: idéias, fotos, desenhos, cores, textos… Um regalo, digno das artes, manhas e sabedorias do pequenino e grandioso Mestre Pastinha, um símbolo da Bahia.