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João Pequeno foi para Terras de Aruanda

“Quando eu aqui cheguei, a todos eu vim louvar…”

Deve ter sido assim que mestre João Pequeno de Pastinha cantou quando chegou em terras de Aruanda, lugar mítico, para onde se acredita vão os mortos…que nunca morrem…como se crê em África !

Assim como João cantou tantas vezes essa mesma ladainha, onde quer que chegava para mostrar sua capoeira angola aos quatro cantos desse mundo … êita coisa bonita de se ver ! O velho capoeirista tocando mansamente seu berimbau e cantando…dando ordem pra roda começar. Os privilegiados que puderam compartilhar com João Pequeno esses momentos, sabem bem do que estou falando.

Foram 94 anos bem vividos. Aposto que daqui não levou mágoa, não era de seu feitio. Inimigos também não deixou, sua alma boa não permitiria. Partiu como um passarinho, leve e feliz, como vão todos os grandes homens: certeza de missão cumprida.

Deve estar agora junto de seu Pastinha, naquela conversa preguiçosa, que não precisa de muita palavra, que só os bons amigos sabem conversar. E seu Pastinha deve estar orgulhoso de seu menino. Fez direitinho tudo que ele pediu: tomou conta da sua capoeira angola com toda a dignidade, fazendo com que ela se espalhasse mundo afora. A semente que seu Pastinha plantou, João soube regar e cultivar muito bem. Êita menino arretado esse João Pequeno !

Nunca foi de falar muito. Só quando era preciso. E nessa hora saía cada coisa, meu amigo ! Coisa pra se guardar na mente e no coração. Mas muitas vezes falava só com o silêncio. Do seu olhar sempre atento, nada escapava. Observava tudo ao seu redor e sabia a hora certa de intervir, mostrar o caminho certo, quando achava que o jogo na roda tava indo pro lado errado. Até gostava de um jogo mais apertado, aquele em que o capoeira tem que saber se virar pra não tomar um pé pela cara. Mas só quando via que os dois tinham “farinha no saco” pra isso. João nunca permitiu que um jogador mais experiente ou maldoso abusasse de violência contra um outro inexperiente ou mal preparado.

Quando tinha mulher na roda então, aí é que o velho capoeirista não deixava mesmo que nenhum marmanjo tirasse proveito de maior força física ou malandragem pra cima de uma moça menos avisada no jogo, coisa comum na capoeira que é ainda muito machista. A não ser que ela tivesse como responder à provocação na mesma moeda. E era cada bronca quando via sujeito tratar mal uma mulher na roda, misericórdia ! Afinal, ele sempre dizia que “a capoeira é  uma dança, então como é que você vai tirar uma mulher pra dançar e bater nela ?“. Não pode !

A simplicidade, a generosidade, a humildade, a paciência, a sabedoria, a fala mansa e contida, sem necessidade de intermináveis discursos de auto-promoção, eram as características mais notáveis de João Pequeno, próprias de um verdadeiro mestre. Muito diferente do que se vê na grande maioria dos mestres da atualidade, diga-se de passagem, que auto-proclamam sua importância para a capoeira, que fazem e acontecem… que batem no peito e falam, falam, falam.

Nesses quase 20 anos de convivência muito próxima a João Pequeno, tive o privilégio e a oportunidade de aprender algumas das mais caras (e raras) lições de vida e humanidade, que jamais teria aprendido em qualquer universidade, nem sequer poderia obter através de algum diploma qualquer que fosse. Esse homem analfabeto que nunca frequentou os bancos da escola, foi responsável por um legado de ensinamentos que orientam milhares e milhares de pessoas em nosso país e também no mundo todo, que reconhecem o valor de João Pequeno como um dos mais importantes mestres da cultura popular e da tradição afro-brasileira de todos os tempos.

João Pequeno representa a voz de todos os excluídos, marginalizados, oprimidos que através da capoeira encontraram uma forma de lutar e resistir, manter viva a tradição de seu povo e dar legitimidade a uma cultura que foi sempre perseguida e violentada nesse país. O velho capoeirista soube conduzir muito bem sua missão de liderança, responsável pela recuperação da capoeira angola a partir da década de oitenta do século passado, quando após a morte do Mestre Pastinha, se encontrava em franca decadência. Quando se instalou no Forte Santo Antonio em 1981, João iniciou a partir de sua academia um movimento importantíssimo de revalorização da capoeira angola, fazendo com que ela se difundisse e se consolidasse como expressão da tradição popular afro-brasileira, presente hoje em mais de 160 países.

Mas João Pequeno nunca precisou ficar afirmando isso por aí, nem tampouco dizer da sua importância para a capoeira. João é considerado um dos grandes baluartes da capoeira angola, mas ele nunca saiu proclamando isso para ninguém. Na sua humildade nos ensinou que o reconhecimento de valor do mestre tem que vir dos outros, da comunidade da qual faz parte e nunca do próprio discurso muitas vezes carregado de vaidade e arrogância. João simplesmente jogava e ensinava sua capoeira. E por isso era grande !

E de lá, das terras de Aruanda continuará a iluminar os caminhos de todos nós.

João Pequeno não morreu !

por Pedro Abib

discípulo do mestre João Pequeno

 

Dica do Editor:

Portal Capoeira recomenda uma visita: 
Mestre João Pequeno de Pastinha

Homenagenm aos 94 anos do mestre João Pequeno

Quem pensa que tudo acabou… Esta enganado, mestre João Pequeno nunca vai parar de fazer o que ele sempre fez com tanto amor e dedicação…

As atividades continuam e a luta é grande por isso, que tenho certeza, que ele onde ele chegava, plantava sua semente e marcava com a bandeira do arco-íres a sua passagem para nessa hora de descanso ter essa continuidade provando que enquanto discutem quem é mais que quem ele estava trabalhando.

Com isso estaremos como todos os outros anos fazendo homenagem ao Dr. mestre João pequeno aparte das 17 h no dia 27 de dezembro no forte santo Antonio (forte da capoeira). seja bem vindo com a sua. CONFIRAM O CARTAZ

 

 

DIA 27/12:

Programação ESPECIAL:

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA HOMENAGENS AO SEUS 94 ANOS DE NASCIMENTO

A PARTIR DAS 17hs

Vídeos: Doutor Mestre João Pequeno de Pastinha;

Roda de Conversa;

Apresentações;

Roda de Capoeira Angola e Confraternização. tudo do dia 27/12 no forte da capoeiradentro da academia do mestre

 

DIA 28/12:

ATIVIDADE COM RODA CAPOEIRA ANGOLA NA FAZENDA COUTOS (Projeto Pequenos do João)

Nota de Falecimento: Mestre João Pequeno de Pastinha

MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA

Morreu, nesta Sexta feira (09/12/11), o Mestre João Pequeno, conhecido por seu trabalho na capoeira, um Mestre conceituado. Um Baluarte da Capoeira Angola.

Velório: 08:00hs da manhã

O enterro será realizado no cemitério parque bosque da paz as 16:00hs na av. aliomar baleeiro, nº 7370 (estrada velha do aeroporto) nova brasília 2201-4222

www.bosquedapaz.com.br/localização.cfm

O mestre nos deixa a lembrança da importância de se valorizar e se reconhecer os constituintes da nossa cultura popular enquanto vivos.

Mestre Pelé da Bomba

 

PRESTES A COMPLETAR 94 ANOS, UM DOS MAIORES ÍCONES DA CAPOEIRA PARTIU DEIXANDO-NOS MUITOS ENSINAMENTOS… MESTRE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA ERA SEM DUVIDA UM DOS SERES HUMANOS MAIS SÁBIOS E HUMILDES QUE ALGUMA VEZ CONHECI.

DONO DE UMA HERANÇA CULTURAL SEM IGUAL E DE UM AMOR INCONDICIONAL PELA NOSSA CULTURA O ÍMPAR CAPOEIRISTA IRÁ FICAR IMORTALIZADO PELA SUA OBRA, ENSINAMENTOS E POR TODA SUA ÁRDUA E RICA CAMINHADA…

Nós do Portal Capoeira, estamos profundamente sentidos e sensibilizados por este trágico acontecimento e gostaríamos de deixar toda nossa força e coragem para a “Grande Família PEQUENO”. Um abraço especial muito apertado e repleto de sentimentos para a amiga e parceira Nani de João Pequeno, neta e aluna deste baluarte da nossa cultura.

Fica nossa homenagem…. Segue a Cronica publicada em dezembro de 2009 de autoria de nosso querido Pedrão, que com certeza hoje se encontra muito triste…. Pedro Abib, que vive na bahia há muitos anos, era um “membro especial da família PEQUENO, além de aluno do Grande MESTRE.

 

Um Menino de 92 Anos

 

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestrePastinha. 

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.

E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho…graças a Deus !!!

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Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

 

 

 

Mestre João Pequeno

Mestre João Pequeno

João Pereira dos Santos, aluno de mestre Gilvenson e depois discípulo de Mestre Pastinha, de quem se tornou continuador. Integrou em 1966 a delegação brasileira no Premier Festival des Arts Nègres, em Dakar (Senegal).Hoje, ainda mantém Academia de Capoeira, no Forte Santo Antônio (centro histórico de Salvador). Em 1970, Mestre Pastinha assim se manifestou sobre ele e seu companheiro João Grande: “Eles serão os grandes capoeiras do futuro e para isso trabalhei e lutei com eles e por eles. Serão mestres mesmo, não professores de improviso, como existem por aí e que só servem para destruir nossa tradição que é tão bela. A esses rapazes ensinei tudo o que sei, até mesmo o pulo do gato”.

Em 27 de dezembro 1917 nasceu em Araci no interior da Bahia João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas. Aos quinze anos (em 1933) fugiu da seca a pé, indo até Alagoinhas seguindo depois para Mata de São João onde permaneceu dez anos e trabalhou na plantação de cana de açúcar como chamador de boi, então conheceu Juvêncio na Fazenda são Pedro, que era ferreiro e capoeirista, foi aí que conheceu a capoeira.

Aos 25 anos, mudou-se para Salvador, onde trabalhou como condutor (cobrador) de bondes e na construção civil

como servente de pedreiro, pedreiro, chegando a ser mestre de obras. Foi na construção civil que conheceu Cândido que lhe apresentou o mestre Barbosa que era um carregador do largo dois de julho, Barbosa dava os treinos, juntava um grupo de amigos e nos finais de semana ia nas rodas de Cobrinha Verde no Chame-chame.

Inscreveu-se no Centro Esportivo de Capoeira Angola, que era uma congregação de capoeiristas coordenada pelo Mestre Pastinha.

Desde então, João Pereira passou a acompanhar o mestre Pastinha que logo ofereceu-lhe o cargo de treinel, isso foi por media de 1945, algum tempo depois João Pereira tornou-se então João Pequeno.

No final da década de sessenta quando Pastinha não podia mais ensinar passou a capoeira para João pequeno dizendo: “João, você toma conta disto, porque eu vou morrer mas morro somente o corpo, e em

espírito eu vivo, enquanto houver Capoeira o meu nome não desaparecerá”.

Na academia do Mestre Pastinha, João Pequeno ensinou capoeira a todos os outros grandes capoeiristas que dali se originaram e mais tarde tornaram-se grandes Mestres, entre eles João Grande, que tornou-se seu Grande parceiro de jogo, Morais e Curió.

Foi aconselhado pelo Mestre Pastinha a trabalhar menos e dedicar-se mais a capoeira. Embora pensasse que não passaria dos 50 anos percebeu que viveria bem mais ao completar tal idade.

Tendo que enfrentar a dureza da cidade grande João Pequeno também foi feirante, e carvoeiro chegou a ser conhecido como João do carvão, residiu no Garcia, e num barraco próximo ao Dique do Tororó.

Sua primeira esposa faleceu, mas, um tempo depois conheceu Dona Mãezinha no Pelourinho, nos tempos de ouro da academia de seu Pastinha, constituíram família, e com muito esforço construíram uma casa em fazenda Coutos,

Lá no subúrbio, bem longe do Centro onde foram morar e receber visitas de capoeiristas de várias partes do mundo.

Para João Pequeno o capoeirista deve ser uma pessoa educada “uma boa arvore para dar bons frutos”. Para quem a capoeira é muito boa não só para o corpo que se mantém flexível e jovem, mas também para desenvolver a mente e até mesmo servir como terapia, alem de ser usada de várias formas, trabalhada como a terra, pode-se até tirar o alimento dela.

João Pequeno vê a capoeira como um processo de desenvolvimento do indivíduo, uma luta criada pelo fraco para enfrentar o forte, mas também uma dança, cuja qual ninguém deve machucar o par com quem dança, defende a idéia que o bom capoeirista sabe parar o pé para não machucar o adversário.

Algum tempo após a morte do mestre Pastinha, em 1981, o mestre João Pequeno reabre o Centro Esportivo de Capoeira Angola ( CECA ) no Forte Santo Antônio Alem do Carmo(1982), onde constitui a nova base de resistência, onde a capoeira angola despontaria-se para o mundo, embora encontrando várias dificuldades para manutenção de sua academia, conseguiu formar alguns mestres e um vasto numero de discípulos.

Na década de noventa houve várias tentativas por parte do governo do estado em desocupar o forte Santo Antônio para fins de reforma e modificação do uso do forte, paradoxalmente em um período também em que foi amplamente homenageado recebendo o titulo de cidadão da cidade de Salvador pela câmara municipal de vereadores, Doutor Honoris Causa pela universidade de Uberlândia, e Comendador de Cultura da República pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

”É uma doce pessoa” é o que afirmam todos que tem a oportunidade de conhecer o Mestre João Pequeno, cuja simplicidade, a espontaneidade e o carisma seduz a todos que vão até o Forte Santo Antonio conferir suas rodas, é um bricalhão, mas que também não deixa de dar uma baquetada nos que se exaltam e esquecem dos fundamentos da brincadeira e da dança.

  • Leia Mais : Mestre João Pequeno de Pastinha

3ª Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afro-brasileira ressalta a força das matriarcas negras


Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda de Goiás, grupos de Capoeira e Congada reverenciam três importantes mestres: Pai João de Abuque, Mestre Bimba e Mestre Pastinha; destacam a história do capoeirista Manoel Pio de Sales (Mestre Sabu) e reconhecem a luta e a coragem de duas matriarcas negras de Goiás: Maria Dalva Mendonça e Maria José Alves, em uma grande caminhada no dia 17 de setembro, a partir das 15h, no Setor Pedro Ludovico

Nas culturas e religiosidades de matriz africana, os anciãos e as anciãs ensinam o tempo todo. Em situações do cotidiano, transmitem aos mais novos seus saberes e valores, e assim esse aprendizado é assimilado, principalmente por que alguns detalhes só se aprendem com a prática coletiva. Com o objetivo de reconhecer e valorizar a atuação desses mestres e mestras é que a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba realiza no próximo dia 17 de setembro (sábado), a partir das 15h, a terceira edição da Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afro-brasileira.

A atividade é aberta ao público e reúne membros do Afoxé Asè Omo Odé, casas de Candomblé e Umbanda de Goiás, grupos de Capoeira e Congada Ilé Ibá Ibomim (Casa de Pai João de Abuque, na rua 1059, quadra 134, lote 04), que de lá saem em cortejo pelas principais ruas do Setor Pedro Ludovico (rua 1064 e Avenida Circular), relembrando e celebrando música e dança a história de mestres e mestras.

O cortejo retorna à Rua 1059, e em frente à Casa de Pai João de Abuque será realizado o encerramento do evento, com uma programação cultural que inclui o show “Divas Negras”, com as cantoras Clécia Santana, Henusa Mendonça e Janaína Soldera; shows das bandas “Visual Ilê” e a “A trilha” e apresentações de capoeira e samba de roda.

 

GUARDIÕES DA CULTURA

Por meio da tradição oral, mestres e mestras transmitem suas orientações sobre a vida, ensinam a importância de relembrar os antepassados, homens e mulheres que são as raízes nas quais a população negra busca a força para dar continuidade a sua história de luta e resistência. Por sua sabedoria, sua experiência de vida, e as memórias que carregam e partilham, é que são considerados guardiões e guardiãs do saber, dessa herança que trazem dentro si.

Como ocorre já pelo terceiro ano consecutivo, a Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição Afrobrasileira resgata a história de Pai João de Abuque (mais antigo babalorixá e primeiro ancestral do candomblé goiano); Mestre Bimba (o criador da capoeira regional) e Mestre Pastinha (um dos ícones da capoeira angola). Este ano também reverência Manoel Pio Sales – Mestre Sabu (pioneiro da capoeira angola no Estado), e destaca a história de vida e luta de duas mulheres negras, como Maria Dalva Mendonça (matriarca do Movimento Negro em Goiás e fundadora da Comunidade Visual Ilê) e Maria José Alves (em memória – uma das matriarcas das congadas de Goiás).

“Homenagear nossos ancestrais, e este ano em especial as mulheres significa reverenciar a própria cultura afro-brasileira em Goiás. Precisamos falar desses mestres e mestras, pois sem eles não estaríamos aqui hoje. E sem dúvida, a atuação de Dona Dalva e Dona Maria José revelam a coragem e a resistência das mulheres negras”, enfatiza Luis Lopes Machado (Mestre Luizinho), filho de Mestre Bimba e organizador da caminhada.

 

MESTRES E MESTRAS DA TRADIÇÃO AFRO-BRASILEIRA

Maria Dalva Mendonça

Nascida em Pires do Rio. Ela fala com orgulho de suas origens africanas (Angolana) e indígenas (Tapuia). Fundadora da Comunidade Visual Ilê e da Escola de Samba Flora do Vale, Dona Dalva, como é conhecida, é figura importante do movimento negro e de mulheres, do samba, das congadas e das religiões de matriz africana no Estado.

Dona Maria José Alves (em memória)

Natural de Catalão/GO, um das matriarcas das congadas de Goiás, teve uma atuação significativa em vários movimentos sociais (de mulheres, negros, idosos e trabalhadores). Foi também uma das fundadoras da Pastoral do Negro e assumiu diversas funções de liderança na Vila João Vaz, onde estava especialmente à frente da Festa do Rosário e da Congada.

Manoel Pio de Sales (Mestre Sabu)

Nasceu na Cidade de Goiás, viveu por 20 anos em Salvador e foi o pioneiro da Capoeira Angola no Estado. Sempre imponente em seu terno branco, Mestre Sabu é sem dúvida a figura de um valente, daquele que usa da mandinga para superar com dignidade os desafios que surgem em seu caminho.

Pai João de Abuque

Em sua casa de candomblé foram iniciados muitos filhos-de-santo, tantos que nem lembrava mais quantos. E são esses filhos e filhas que hoje dão continuidade à herança deixada por esse mestre, mantém o Ilè Iba Ibomim e também o Afoxé Asè Omo Odé, bloco criado na década de 1990 que levou a tradição afro-brasileira para os carnavais d Goiânia. E ainda hoje, persiste em levar às ruas e palcos as bênçãos dessa religiosidade e a história de seus antepassados, em especial Pai João de Abuque, que em setembro de 2006, tornou-se o primeiro ancestral do candomblé goiano.

Mestre Bimba

Foi um homem a frente do seu tempo. Imaginava e acreditava na expansão da capoeira. E se hoje outros mestres estão pelo mundo afora ensinando essa filosofia de vida, eles devem muito a luta de Manoel dos Reis Machado, mais conhecido como Mestre Bimba, que nos anos de 1930 defendeu o reconhecimento da capoeira regional e da tradição de matriz africana. Faleceu em fevereiro de 1974, em Goiânia. Mas permanece vivo na memória e na continuidade que seus discípulos e filhos, entre eles Luiz Lopes Machado (Mestre Luizinho) dão ao seu exemplo de vida e luta.

Mestre Pastinha

Considerado o guardião da capoeira tradicional, Vicente Joaquim Ferreira Pastinha (Mestre Pastinha) considerava a capoeira não apenas uma luta, mas uma forma específica de ser e estar no mundo. Por isso, destacou o aspecto esportivo e lúdico da capoeira, definindo as regras, os cantos, a utilização dos instrumentos e a hierarquia dentro do jogo. Falecido em novembro de 1981, seus ensinamentos continuam nas rodas de capoeira e na atuação de novos mestres que mantém essa importante expressão cultural afro-brasileira.

 

MEMÓRIA E RESISTÊNCIA

A 3ª Caminhada em Homenagem aos Mestres da Tradição representa o desejo e o empenho em manter vivas as tradições de matriz africana, e principalmente, o exemplo de resistência de mestres e antepassados. E exatamente com esse objetivo é que em 1999, Luiz Lopes Machado (Mestre Luizinho, filho caçula de Mestre Bimba) criou a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba, e desde então desenvolve atividades e projetos que promovam e divulguem a cultura e religiosidade afrobrasileira em Goiás.

Mestre Luizinho destaca ainda que a Caminhada é realizada  “em memória e em reverência a esses mestres e mestras de ontem e de hoje, que pelo som dos atabaques, pelas expressões corporais, pelos ritmos, pelos signos e valores de nossa religiosidade, pelas cores e estampas que o Afoxé Asè Omo Odé e várias expressões culturais e religiosas afro-brasileiras levarão para as ruas de Goiânia a beleza e a força da ancestralidade negra”.

Para realização desta terceira caminhada, a Associação Desportiva e Cultural de Capoeira Mestre Bimba tem como parceiros: Pontão de Cultura República do Cerrado, Belcar Caminhões, Secretaria de Estado de Políticas Públicas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), Assessoria Especial de Políticas Públicas para a Igualdade Racial da Prefeitura de Goiânia (Asppir), Canela di Ema Produções, OlhO Comunicação Estratégica, Grupo Calunga de Capoeira Angola, Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira (AGEPEL), Grupo de Capoeira Angola Barravento, DJ Claudinho, Sindicato dos Docentes da UFG (Adufg) e Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG (Facomb).

 

Serviço:

3ª Caminhada em homenagem aos mestres da tradição afrobrasileira

Data: 17 de setembro

Horário: 15 horas

Percurso: Saída do Ilè Ibá Ibomim (Casa de Pai João de Abuque)

Rua 1059, quadra. 134, lote 04, St. Pedro Ludovico

Mais Informações: Janaína Gomes (62) 8522-2792/ Ceiça Ferreira (62) 8191-2122

Anexo fotos de 2010 (Crédito: Ana Rita Vidica, José Jair Bazán e Gabriel Moreira Paiva).

Assessoria de Imprensa: OlhO Comunicação Estratégica Fone: (62) 3541-5960 Celular: (62) 8445-2741Site: www.olhocomunica.com.brTwitter: twitter/OlhOComunica

Capoeira, qual é a sua, Angola, Regional ou contemporânea?

Certamente o leitor atento as questões da capoeira terá feito a si próprio ou aos outros o tipo de pergunta que compõe o título dessa crónica. A resposta, se bem pensada, poderá ser por vezes dúbia, impõe particularidades existenciais e requer alguma reflexão.

Como sabemos o que convencionou-se chamar de capoeira Angola e Regional formou-se na década de 30 durante o Governo de Getúlio Vargas a partir das figuras eminentes dos Mestres Pastinha e Bimba. Estas fórmulas marcaram uma divisão clara na maneira de ver e praticar a capoeira até por que nasceram em oposição a outra. Se as divergências e as diferenças tendiam a ser mais óbvias no passado, bem menos são no presente se observarmos os processos de hibridação e novas formatações que ocorreram com a capoeira produzida pelos dois mestres.

Alguns autores chamam a atenção que para além de Bimba e Pastinha, destaca-se também a figura de um terceiro mestre no panteão dos importantes fundadores da capoeira que hoje jogamos. Trata-se de Washington Bruno da Silva, o Mestre Canjiquinha. Apesar de nunca ter criado um estilo propriamente, recordamos que o mestre criou dois toques, Samango e Muzenza e foi um importante divulgador da capoeira no sul do Brasil. A relevância do seu trabalho reside sobretudo na capacidade de síntese que realizou com o legado dos mestres Bimba e Pastinha, estabelecendo assim uma terceira posição que é hoje a postura da maioria dos grupos. Para além dos seus shows e excursões para o sul do Brasil o mestre participou de dois filmes importantes na década de sessenta como O pagador de Promessas e Barravento de Glauber Rocha, que ajudaram a popularizar a capoeira.

Destacamos a importância de alguns grupos na produção de uma nova atitude que envolve as duas formas basilares de fazer a capoeira, entre eles certamente o grupo Cordão de Ouro em São Paulo cuja simbiose de diferentes jogos produziu o miudinho. Contudo, arriscaria dizer que foi com o grupo Senzala que estas colagens ganharam maior proeminência e popularidade. O uso corrente do São Bento Grande de Angola e a mesma bateria utilizada na Capoeira Angola, contrasta com o jogo rápido, quase sempre em cima, a utilização de uma distinção hierárquica, as cordas, e uma atitude que em grande parte se aproxima da capoeira Regional. Mas afinal que formato é esse, é Angola ou Regional? A parte da resposta polémica, a verdade é que essa maneira de fazer capoeira, que alguns chamam simplesmente de Capoeira, nem Angola nem Regional, generalizou-se a partir da influência do Grupo Senzala principalmente. As fusões podem ainda se tornar mais complexas quando alguns grupos podem fazer uso da bateria da Capoeira Angola, tocar São Bento Grande de Bimba, numa atitude que de alguma forma mais se aproxima da Regional, contendo algo da Angola, ainda que de maneira discreta.

Na ausência de um termo mais adequada, convencionamos chamar de “capoeira contemporânea” toda prática da capoeira que de alguma maneira não se enquadra nem na Regional, tão pouco na Angola. Mestre Nestor Capoeira, a respeito da capoeira feita pelo grupo Senzala, batizou-a de estilo regional-senzala, nome que nunca chegou a propagar-se nos jargões correntes dos capoeiristas, penso que por força da sua pouca consistência. Embora o termo “capoeira contemporânea” tenha-se generalizado, tão pouco tornou-se consensual, pois alega-se, em argumento válido, que contemporânea pode ser também toda e qualquer capoeira que se pratica em nosso tempo, seja ela qual for. O argumento tem pertinência, mas não resolve o problema de uma nomenclatura clara que nos permita situar as diversas formas de fazer e ver a capoeira hoje. Apesar das respostas estéreis e inconclusivas a esse debate, tenho de admitir que classificar faz parte da liturgia das nossas sociedades e os nossos atores sociais, os capoeiras, também fazem-no, como forma de categorizar a capoeira que praticam ou atribuir autenticidade e legitimidade aos coletivos em que se encontram.

De volta ao termo “capoeira contemporânea”, constatamos que formalmente esse “estilo”, se assim o podemos chamar, nunca foi criado ou instituído por nenhum mestre ou grupo, nem tão pouco exista um toque ou uma liturgia do jogo que o singularize. É do meu entendimento, sem grande margens para dúvidas, que em grande parte o Grupo Abada capoeira, quer goste-se ou não, na figura do mestre Camisa, também ele herdeiro de um certo legado do Grupo Senzala, popularizou uma estética que muitos caracterizam como contemporânea. Infelizmente, talvez por força das ferramentas do mercado e da indústria cultural com o qual o grupo Abada soube sempre trabalhar bem, está estética tornou-se uma imposição na qual muitos praticantes embarcaram de forma acrítica. Tudo que estava fora desse formato dominante passou a ser qualificado de coicero, saroba, e outros tantos adjetivos de tom pejorativo. Sabemos entretanto que a “capoeira contemporânea” jogada pelo grupo Abada nada tem de inovador, e nada mais é do que uma estetização uniformizada da capoeira no seu formato corporal e musical com base na capoeira de Bimba e Pastinha.

Se por um lado as práticas habituais da capoeira Angola e Regional foram formalmente instituídas e legalmente sancionadas pelo estado com a abertura das suas academias, “outras capoeiras” podem ser também criadas e inventadas pela pujança da sua vivência, pelo cariz de sua ideologia, pela força da sua estética ou pela forma generalizada da sua prática e é, a meu ver, o que ocorre com a “capoeira contemporânea” que singulariza o grupo Abada capoeira. Nada impede que, após o falecimento do Mestre Camisa – a quem espero que viva por muitos anos – que ele possa ser visto como criador da capoeira contemporânea, muito embora nunca a tenha instituído formalmente. Não podemos subestimar a força dos atores sociais e a sua capacidade de apropriarem-se, inventarem ou recriarem as coisas que os rodeiam.

No que toca a Capoeira Regional sabemos que poucos reivindicam essa ascendência, e os que fazem andam envoltos em polémicas, por não tomarem parte direta dos grupos que descendem dos discípulos de Bimba ou por não estarem ligados ao mestre Bimba por laços familiares e consanguíneos. Apesar da figura imponente do criador da Regional a verdade é que a Regional, no formato estrito concebido pelo mestre, nunca vingou, mesmo entre alguns dos seus mais conhecidos discípulos. Raros são os grupos em que se usa um berimbau e dois pandeiros, as sequencias, os balões e quase tudo que o mestre instituiu.

O mesmo não se passa com a capoeira Angola, cujo crescimento conheceu maior impulso com a sua internacionalização, como quase tudo no Brasil que só ganha visibilidade ao cruzar as fronteiras nacionais. Constata-se que há entre os praticantes da capoeira Angola um senso de pertença mais apurado que os caracteriza, muito embora, não se possa dizer que a capoeira Angola que hoje se pratica seja verdadeiramente unânime nas suas características e mesmo precisas na realização dos rituais tal como Mestre Pastinha os concebeu. Os uniformes são de cores diversas, existem diferenças nos alinhamentos das baterias, nos rituais de compra do jogo, na nomenclatura dos golpes e até o uso de cordas, que não é comum, serve de complemento aos paramentos utilizados em alguns coletivos para diferenciar as graduações. Vendida como a “capoeira mãe”, a verdadeira e autêntica, o que é certamente uma boa estratégia de mercado, a capoeira Angola é tão crioula e híbrida quantas as outras, carente de legitimidade e autenticidade que se busca nos discursos de pureza e originalidade.

A verdade é que a diferentes bricolagens e experimentações feitas com a capoeira permitem nos dizer que há muito mais o que nos une, capoeiristas, do que o que nos separa, ainda que muitos prefiram dividir e categorizar. E se dúvidas restarem sobre as classificações de que falamos, resta ainda perguntar: qual é mesmo a capoeira que praticas ?

 

* Ricardo Nascimento

Geógrafo
Mestre em Sociologia da Cultura
Doutorando em Antropologia
Professor de Capoeira

Festa, Capoeira, Frevo e Samba

Todos sabemos que a contribuição africana para a formação da cultura brasileira é imensa. Os africanos trazidos para cá como escravos, acabaram sendo os principais responsáveis por constituir algumas das características mais marcantes da nossa cultura: a musicalidade, a espontaneidade, a expressividade corporal e a criatividade presente nas mais variadas manifestações das culturas tradicionais de nosso povo.

Nesse sentido, a capoeira, o frevo e o samba, são três das manifestações de nossa cultura que reúnem essas características herdadas dessa ancestralidade africana. Essas expressões têm muita coisa em comum, mas principalmente, chama-nos atenção o fato de estarem sempre ligadas à festa: algo sobre o que, nós brasileiros, diga-se de passagem, entendemos muito bem.

O samba, que surge em nosso país em diversos locais, assumindo diferentes formas e sotaques, sempre esteve ligado à necessidade dos africanos e seus descendentes em festejar, dançar, cantar, beber e comer, enfim, compartilhar seus momentos de alegria, mesmo apesar do duro sofrimento a que eram submetidos no passado, e de certa forma ainda hoje no presente. A festa sempre fez parte do samba – e o samba da festa. Onde quer que se juntem pessoas nesse país para comemorar alguma coisa, o samba quase sempre se faz presente.

A capoeira, que se constituiu como uma estratégia de enfrentamento à violência do regime escravagista e do poder opressor em nosso país, teve como cenário de expansão e consolidação justamente as famosas “festas de largo” no início do século XX, em Salvador da Bahia. É justamente nessas festas populares – como Bonfim, Iemanjá e Conceição da Praia – que se inicia o processo de afirmação e aceitação social da capoeira através dos grandes mestres que começam a ganhar notoriedade nesses espaços, tais como os famosos Bimba, Pastinha, Noronha, entre outros.

E o frevo, que ao que tudo indica, surgiu a partir dos blocos carnavalescos do Recife e Olinda, no início do século XX, onde a rivalidade entre essas agremiações, fazia com que houvesse o enfrentamento entre elas, quando os caminhos se cruzavam durante a festa. Por isso, a necessidade de haver valentões dispostos a esses enfrentamentos – geralmente capoeiristas, que iam à frente desses cordões e, ao som das orquestras de metais e percussão, evoluíam com seus passos ágeis e coreografias bem desenhadas, dando origem à essa dança tão popular no carnaval de Recife e Olinda.

Percebemos então, que o sujeito social que freqüentava cada uma dessas manifestações era o mesmo, ou seja, o capoeirista era também o dançarino de frevo e vice-versa. Isso acontecia também com o sambista no Rio de Janeiro, que inclusive se vestia de forma muito parecida com o capoeirista da época: terno branco, chapéu de palha, lenço de seda no pescoço, e muitas vezes também a famosa navalha. Sem falar na perseguição policial que ambos sofriam, por serem tidos como vadios, marginais e capadócios.

 

Esses elementos nos dão pistas interessantes para tentarmos compreender o contexto social desse período histórico, onde esses sujeitos sociais: o capoeira, o sambista e o dançarino de frevo, compartilhavam do mesmo universo e transitavam com muita desenvoltura nesses ambientes, tendo como pano de fundo, justamente, a festa.

A festa sempre teve lugar de destaque na cultura brasileira, e talvez isso explique um pouco do nosso espírito alegre, nosso bom humor e nossa postura otimista diante das dificuldades da vida. São nos espaços festivos que exercitamos nossa sociabilidade, nosso sentido comunitário, nosso compartilhar de dores e alegrias, nossa sentido de pertença e identidade. A capoeira, o samba e o frevo, são ótimos exemplos desse exercício de cidadania. São manifestações que possuem o forte poder de agregar pessoas em torno da celebração, do encontro e da valorização da vida.

 

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Projeto Pequenos do João “capoeira em outras rodas”

Projeto Pequenos do João “capoeira em outras rodas” dia 18 na casa do mestre João Pequeno de Pastinha

18 de junho inicio as 14hs teremos:

  • Abertura com um bate papo
  • Oficinas para as crianças
  • Exibição de um video
  • Roda de capoeira ao comando do mestre João Pequeno
  • Confraternização com as tracas de frutas das crianças

 

toda criança tem que trazer uma fruta confira no cartaz em anexo

 

festa em homenagem as crianças, na casa do mestre João Pequeno no bairro da fazenda coutos  em salvador onde fica localizado o Projeto Pequenos do João. Compareças  traga sua fruta e comtribua e perticipe da nossa festa.

Local: Projeto Pequenos do João Bairro: Fazenda Coutos III Subúrbio, Casa do Mestre João Pequeno

Tel: 8833-1469/9635-5433/9680-6902

Email:nanidejoaopequeno@hotmail.com – nanidejoaopequeno@gmail.com

E-mail do mestre: mestrejoaopequeno@gmail.com

http://nanidejoaopequeno.blogspot.com/
http://joaopequeno.portalcapoeira.com/

I SEMINÁRIO: NO VENTRE, A CAPOEIRA

Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola

A Proposta do Projeto “NO VENTRE, A CAPOEIRA” tem como finalidade potencializar a participação feminina no universo da Capoeira Angola, refletir sobre sua prática e filosofia. O evento terá início em 19 de fevereiro de 2011, estendendo-se no mês de março focalizando a participação da mulher. Seguindo em abril com essas mulheres e demais participantes do AJPP –CECA e toda a comunidade, homenageando Mestre  Pastinha. Encerrando com chave de ouro no dia 09 de abril de 2011.

Os encontros acontecerão sempre das 14:00 às 18:30. Totalizando sete encontros aos sábados, incorporando à proposta, a tradicional homenagem ao Mestre Pastinha no dia 05 de abril (terça feira), aberto ao público em geral. Encerramento  do Seminário: “NO VENTRE, A CAPOEIRA”, apenas para as participantes das oficinas e convidadas, acontecerá no dia 09 de abril a partir das 14:00.

Teremos  a honra de receber ilustres convidadas, mulheres de grande relevância no contexto político -sócio cultural da Bahia. Essas mulheres nos felicitarão com intervenções nas rodas de prosas, oficinas e performances artísticas. São profissionais de diversas áreas de conhecimentos e contextos sociais ao qual estamos inseridas.

Ficha técnica:

Realização: Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola (AJPP _ CECA).

Coordenação do evento: Cristiane Miranda e Nildes Sena

Concepção e elaboração do projeto: Ivanildes Teixeira de Sena (Nildes Sena)

Produção: Cristiane Miranda (Nani )

Apóio e orientação: Prof. Drª Vanda Machado.

Colaboração: Todas as convidadas.

Criação da Marca: Nildes Sena


I SEMINÁRIO:

“NO VENTRE, A CAPOEIRA.”
“Dando ênfase à participação feminina na roda da vida e da capoeiragem.”
Data: de 19 de fevereiro a 09 de abril de 2011
Obs. (encontros sempre aos sábados)
Exceção: 05 de abril de 2011 (terça-feira). Homenagem ao MESTRE PASTINHA- 18:00 ÀS 21:00
HORÁRIO: das 14:00 AS 18:30
LOCAL: Forte Santo Antonio – Santo Antonio Além do Carmo.

 

CONTATOS PARA MAIS IMFORMAÇÕES:

 

(Nildes )71-  99255830 / 71 -83125830

(Nani) 71- 96355433 / 71-88331469

 

 

nanidejoaopequeno@gmail.com

nildesena@yahoo.com.br

 

Taxa única de inscrição : R$ 50,00

Taxa de inscrição por oficina:  R$ 15,00

 

Obs.  Participação no evento Confirmada com antecedência, enviando a ficha  para o email indicado paga apenas R$ 45,00 – (valor taxa única)

Validação da inscrição após pagamento do valor na hora do cadastramento.

 

Salvador – BA

 

ACADEMIA DE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA – CENTRO ESPORTIVO DE CAPOEIRA ANGOLA

C.E.C.A. Rio Vermelho – Angola Bienal 2011

ACADEMIA DE JOÃO PEQUENO DE PASTINHA – C.E.C.A.  RIO VERMELHO

A Academia de João Pequeno de Pastinha – Centro Esportivo de Capoeira Angola do Rio Vermelho em Salvador, vem, em sua Bienal 2011, apresentar o seguinte tema para reflexão:

Mestre Faísca e sua ação pela cultura afro-brasileira: O saber do Drº João Pequeno de Pastinha preservado e propagado pelo C. E. C. A. – Rio Vermelho.

Responsável pela direção do núcleo do Rio Vermelho e dos trabalhos a ele relacionados, Mestre Faísca reafirma diariamente o compromisso com a cultura afro-brasileira que lhe foi confiado pelo Doutor João Pequeno de Pastinha quando este o formou Mestre de Capoeira Angola. Buscando sempre a realização de um trabalho voltado à pesquisa e à propagação do saber acumulado pelo Doutor João Pequeno e pela Velha Guarda da Capoeira Angola, Mestre Faísca segue uma linha de transmissão de conhecimento que remete ancestralmente aos Doutores Pastinha e Benedito.

Com uma vida voltada ao aprendizado e ensino da Capoeira Angola, Mestre Faísca oficializa um trabalho que já vinha sendo realizado desde 1989, e cria no ano de 2003, a ONG – João Pequeno de Pastinha, prestando uma homenagem àquele que é sua maior fonte de conhecimentos, com a missão de “preservar a cultura afro-brasileira, através da Capoeira Angola e demais manifestações artísticas, utilizando-as como elemento de mudança sócio-educativa.” Esta iniciativa visa buscar apoio junto ao poder público para os projetos sócio-culturais por ele dirigidos. Projetos estes executados por trabalho voluntário e motivados unicamente pela crença na força da cultura afro-brasileira como uma fonte rica de conhecimento e transformação social.

Exemplo atual de projeto sócio-educativos bem sucedido coordenados por Mestre Faísca, através da Cultura Afro-brasileira como meio de transformação, é o Projeto João e Maria Capoeira Angola e Cidadania.

Hoje em dia há, por parte do Estado brasileiro, o reconhecimento da capoeira como um bem cultural surgido a partir da herança africana no Brasil. O que sinaliza uma novidade, pois a arte já foi em períodos anteriores tratada como crime ou como esporte nacional. Tal inovação se deve ao tombamento da capoeira como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo IPHAN em 2008. Momento em que também se atestou oficialmente a existência de um saber transmitido oralmente através de gerações pelos mestres de capoeira, reconhecidos enquanto tais por seus pares.

Também faz parte do contexto atual a obrigatoriedade da temática História Africana, Cultura Afro-brasileira e indigena na Rede de Ensino, determinação imposta pela Lei 11.645/08. Imposição que busca combater uma exclusão histórica destes conjuntos de saberes, fundamentais para a formação do povo brasileiro.

Dessa forma, tendo em vista o caráter do trabalho realizado por Mestre Faísca de preservação da Capoeira Angola – iniciativa que hoje abarca cidades brasileiras  São José do Rio Pardo – SP, Florianópolis – SC e as estrangeiras Bruxelas, Coimbra, Madri e Montevidéu – e o atual estado de relativa inércia do poder público em relação à capoeira e à cultura afro-brasileira, buscamos com a Angola Bienal 2011 destacar a importância que ações como a do C.E.C.A. – Rio Vermelho trazem para a valorização e afirmação da riqueza histórico-cultural da Capoeira Angola para o Brasil e para o mundo.  conjuntos de saberes, fundamentais para a formação do povo brasileiro.

Dessa forma, tendo em vista o caráter do trabalho realizado por Mestre Faísca de preservação da Capoeira Angola – iniciativa que hoje abarca cidades brasileiras  São José do Rio Pardo – SP, Florianópolis – SC e as estrangeiras Bruxelas, Coimbra, Madri e Montevidéu – e o atual estado de relativa inércia do poder público em relação à capoeira e à cultura afro-brasileira, buscamos com a Angola Bienal 2011 destacar a importância que ações como a do C.E.C.A. – Rio Vermelho trazem para a valorização e afirmação da riqueza histórico-cultural da Capoeira Angola para o Brasil e para o mundo.

 

PROGRAMAÇÃO

11/01 – Terça feira

15:00h – Boas vindas aos participantes, visita à comunidade do Vale das Pedrinhas e ao bairro Rio vermelho.

Local: Sede do C.E.C.A – Raimundo Viana, 61-E Rio Vermelho

12/01 – Quarta feira

17:00h – Oficina de Capoeira Angola: Teórico, Prático, Ritmo.

Formador: Mestre Faísca

Local: SESC – Piatã

13/01 –Quinta feira

08:00h – Oficina de Construção do instr. musical  ATABAQUE

Formador: Mestre Zé do Lenço

Local: Sede do C.E.C.A. – Raimundo Viana, 61-E Rio Vermelho

19:00h – Participação na tradicional vadiação da AJPP-CECA

Local: Forte Santo Antônio além do Carmo

 

14/01 – Sexta feira

09:00h – Oficina de Samba de roda do recôncavo

Formador: Mestre Pelé da Bomba

 

15:00h – Exposição de fotos e Mostra de vídeo.

17:00h – Em cena: Projeto João e Maria C.A. e cidadania

17:30h – Palestra: “Valorização e afirmação da riqueza histórico-cultural afro-brasileira para o Brasil e  o mundo”.

Palestrantes – Mestre Faísca – Ativista Social e Cultural

–  A definir

Local: Sede do C.E.C.A. – Raimundo Viana, 61-E Rio Vermelho

15/01– Sábado

 

08:30h Oficina de Capoeira Angola: Teórico, Prático  e Ritmo avançado.

15:00 h – Reunião da Rede CECA Rio Vermelho

16:30 h – Vadiação de Capoeira Angola e Samba de Roda, exclusivo aos integrantes da oficina.

Formador: Mestre Faísca

Local: SESC – Piatã

 

16/01 – Domingo

15:00h –  Vadiação  de capoeira com  a velha e jovem guarda da Capoeira Angola

 

· Apresentação de Mestres e Professores

· Vadiação com Alunos C.E.C.A. e convidados

· Entrega de carteiras para  rede CECA – RV

·              Vadiação de Mestres e Professores

 

20:00h – Roda de Samba

 

Mestre Pelé da Bomba e CECA Rio vermelho

 

Local: Anfiteatro do SESC/ SENAC Pelourinho.

 

Capoeirista traje: camisa de manga, calça e sapato.

 

O Evento é aberta ao público, exceto as oficinas.

 

Valor das 4 Oficinas: R$ 100,00

Obs. Haverá sorteio de atabaque aos inscritos nas oficinas

Inscrição e informações: mestrefaisca@hotmail.com

www.ceca-riovermelho.org.br

(71) 3345-2311 / 8813-9060 / 9214-5476

Vagas limitadas