Ministério da Cultura destina R$1,85 milhão à capoeira
31 Mar 2005

Ministério da Cultura destina R$1,85 milhão à capoeira

Mais de 400 capoeiristas de 40 grupos integraram o Cortejo Viva Salvador, que percorreu as ruas da cidade   O secretário executivo

31 Mar 2005
Mais de 400 capoeiristas de 40 grupos integraram o Cortejo Viva Salvador, que percorreu as ruas da cidade
 
O secretário executivo do Ministério da Cultura (Minc), Juca Oliveira, aproveitou que Salvador ficou mais velha ontem para lhe dar um presente. Ele anunciou a liberação R$1,85 milhão para financiar dez projetos envolvidos com a capoeira na Bahia. O edital será publicado hoje no Diário Oficial da União. A novidade foi revelada durante a caminhada Cortejo Viva Salvador, que percorreu o trajeto do Campo Grande à Praça Municipal, com a presença de 456 capoeristas, de 40 grupos diferentes. "Precisamos reconhecer a maior manifestação cultural do Brasil. Pretendemos lançar outros projetos", acrescentou Oliveira.
 
Segundo o secretário, a capoeira existe em mais de 150 países do mundo, mas ainda assim é muito discriminada, por ter nascido no período da colonização do Brasil como uma forma de resistência dos escravos negros. "Até hoje a luta misturada à dança não recebeu seu verdadeiro reconhecimento. Capoeira é dança, é cultura, é educação física, fortalece o espírito de lealdade e solidariedade. Está na hora de dar a ela seu valor. Este é só começo de muitos outros investimentos que virão", informou.
 

A grande celebração, promovida pela Fundação Gregório de Mattos, ao som de berimbaus e meio à ginga, envolveu grupos de capoeira das duas diferentes vertentes (angola e regional). O ator Jackson Costa foi quem puxou o cortejo, que contou com a presença dos principais nomes da capoeira na Bahia, como os mestres Boca Rica, Boinha, Brandão, Cafuné, Curió, Decânio, Diogo, Geni, Gerson, Quadrado, Gigante, Itapuã, João Pequeno, José Bonitinho, Lua de Bobó, Marinheiro, Moraes, Nenel, Olavo, Pelé da Bomba, Virgílio e Xaréu.
 
Durante o trajeto, o ator recitou poemas de Castro Alves, Gregório de Mattos e Zé da Luz. Para ele, capoeira é também poesia. Lisonjeado por ter sido escolhido para puxar o cortejo, revela: "Buscaram alguém que pudesse declamar poesias ao ritmo dos berimbaus que regem a capoeira. Como sou um ator marcado pela poesia, acho que a escolha para saudar os capoeristas foi certa", brinca Jackson Antunes.
 
Na Praça Municipal, ao final da caminhada, todos os grupos se encontraram para assistir à principal de todas as rodas de capoeira. Ela homenageou os mestres que têm mais de 60 anos e foram alunos dos mestres Bimba e Pastinha. Um deles, mestre Curió, agradeceu a homenagem e o apoio do Ministério da Cultura. "A capoeira é nossa realidade, é a nossa filosofia. Ainda bem que o governo federal está abrindo os olhos para nossa cultura, nós capoeristas só temos a ganhar com isso", acrescentou.
 
Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo Costa Lima, a caminhada foi uma ação de mão dupla. "Os capoeristas saúdam a cidade e Salvador reverencia as tradições populares". De acordo com Lima, a capoeira está espalhada por diversas partes do planeta e Salvador é a meca da luta misturada àa dança. "É importante que a Bahia, priorize essa cultura, no momento em que essa arte se dissemina pelo mundo", disse o presidente da fundação, lembrando a conexão desse projeto com a filosofia de apoio à capoeira já manifestada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e o secretário do Minc, Juca Ferreira.
 
 
Aqui Salvador, Correio da Bahia, 30.03.2005
 
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