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Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

Capoeira: Ensaio sobre a função da diversidade na roda

A composição de uma roda de capoeira passa essencialmente por considerar a contribuição de diferentes personagens em distintas tarefas. Neste sentido, alguns tocam, outro canta, a dupla joga, e os demais acompanham, tudo mediado pelo mais antigo, que na lógica pedagógica pode ser comparada a “zona de desenvolvimento proximal” de Vygotsky.

Tive a possibilidade de vivenciar uma “cena” emblemática numa roda no estaleiro do Bomfim, em que foi possível aprender com o contexto, pois na roda jogando tínhamos uma japonesa e um norte americano, na bateria tínhamos diferentes mestres de múltiplas referências, atrás da roda acontecia uma cerimônia religiosa de matriz africana, e ao lado tínhamos o tradicional feijão sendo distribuído gratuitamente para alimentar a comunidade, ou seja, no mesmo momento foi possível perceber a “festa”, o lazer, o trabalho e a religião, com tudo interligado harmonicamente.

O detalhe é que a japonesa, jogou muito bem, cantou e tocou, e sua condição de estrangeira , não negra e mulher , não foram argumentos para justificar uma incompetência no trato com a arte, muito pelo contrário, ela soube com maestria usar isso em seu favor naquele ambiente….Sem dúvidas, essa pessoa entendeu o que é a capoeira.

Por outro lado temos sido bombardeados por uma série de iniciativas que nos convocam a um sentido contrário de trato com o potencial dessa diversidade, pois não é estranho que possamos nos deparar com uma chamada de evento…”Encontro de mulheres, negras e angoleiras”….Parece piada, mas é verdade, pois isso lamentavelmente existe, e se não bastasse, também é possível encontrar chamadas como…”Encontro de marxista da capoeira “, ou “Encontro de capoeira gospel”, ou seja, salvo melhor juízo, isso me parece uma tentativa de reinvenção do “negócio” capoeira.

Não desejo fazer uma escrita ingênua que desconsidera a estratégia antiga dos movimentos sociais , em se reunir por afinidades de luta para congregar com o “todo”, mas o problema é que essa tal congregação com o “todo” não chega, pois não é bom para o “negocio”.

Como é possível transformar o “todo” na segregação das “partes” menos favorecidas? É realmente uma estratégia de militância ou apenas mais forma de marketing de um novo/velho “negócio”?

Na verdade a complemetariedade dos diferentes é a força motriz da arte capoeira, e qualquer coisa fora disso, pode atentar contra este princípio estrutural.

Precisamos parar de repelir, excluir o diferente que incomoda, ao passo que, com generosidade intelectual, possamos ter a humildade de reconhecer que juntos somos melhores.

Entre o que acalanta meu ego e o que me tira da “zona de conforto”, optei pelo enfrentamento dialógico, e tenho colhido esse plantio, hora com coisas boas e hora com coisas terríveis para mim, mas pagando o preço pela possibilidade/realidade de contribuir com a arte capoeira.
Vamos lá!!! Vamos expandir a mente para além do “espelho de narciso”?

 

Axé
Mestre Jean Pangolin

Professor de capoeira desaparece ao tentar socorrer vítimas de deslizamento em Guarujá

Professor de capoeira desaparece ao tentar socorrer vítimas de deslizamento em Guarujá

A assistente social Antônia Marques, 51 anos, caminhava no início da tarde desta terça-feira (3), em meio ao alagamento de uma avenida em Guarujá (86 km de SP), para buscar água potável e notícias de conhecidos que sumiram durante o temporal que provocou o deslizamento de parte do morro do Macaco Molhado —as chuvas no litoral sul paulista provocaram a morte de 16 pessoas e outras 33 estão desaparecidas.

Antônia afirmou que sua casa, que fica no morro, foi invadida por água até a altura da cintura, por volta das 2h desta terça-feira. “Só tive tempo de salvar mantimentos. O restante de minhas coisas, perdi tudo”, disse.

Ela contou que conhecia uma das pessoas desaparecidas. Seu amigo, o professor de capoeira Rafael Rodrigues, idade não informada, sumiu no meio do barro e de escombros quando tentava ajudar a retirar pessoas soterradas no local, segundo Antônia. “Até agora não acharam ele. Isso é uma tragédia”, afirmou. 

A filha da assistente social, a recepcionista Tainá da Silva, 27, afirmou conhecer duas vítimas que morreram soterradas.

“Acharam o corpo da Tatiana [amiga dela] e do filhinho dela, 1 ano, agora pela manhã”, afirmou, sem saber informar o sobrenome e a idade da conhecida.

O porteiro Yago Wesley Gonçalves, 27 anos, mora no bairro Vila Elma, ao lado do morro. Ele contou que quando soube do desmoronamento, entre 1h30 e 2h, correu para lá.

“Vi que tinha um braço para fora do barro. Gritei e quatro pessoas [incluindo um bombeiro] vieram ajudar a desenterrar [com as mãos]”, relembra.

O açougueiro Djalma Valentim, 23, foi uma das pessoas que auxiliou.

Gonçalves afirmou que pelo fato de de o barro estar muito instável, usaram tábuas para conseguir até onde estava soterrado o cabo dos bombeiros Rogério de Moraes Santos, 43 . “Levamos uns dez minutos para desenterrar o bombeiro com as mãos”. O bombeiro morreu no local.

A reportagem apurou que por volta das 15h30 desta terça começou a vazar gás de um botijão de uma das casas destruídas pelo desmoronamento. Por isso, a rede elétrica de alguns pontos da comunidade foi cortada, para evitar eventuais explosões.

Na tarde desta terça, 23 voluntários ajudavam bombeiros com três baldes de 20 litros cada, que eram passados de mão em mão, para retirada de lama do morro.

O trabalho voluntário foi interrompido pouco antes das 15h, por ordem dos bombeiros, por causa de dois pequenos desmoronamentos de terra.

Um funcionário da Defesa Civil afirmou que técnicos encontraram, durante sobrevoo, uma cratera no morro. Segundo ele, há novo risco de desabamento.

Quatro cães farejadores da Polícia Militar ajudam na busca por desaparecidos.

 

Fonte: https://agora.folha.uol.com.br/

por Alfredo Henrique

Capoeira Fake: A diferença entre o “real” e o exposto nas redes sociais

Capoeira Fake: A diferença entre o “real” e o exposto nas redes sociais

O título “capoeira fake” faz uma alusão ao uso das redes sociais como mecanismo de legitimação pessoal e/ou de ideias, sem a devida sustentação em fatos concretos da realidade, criando uma ilusão e falseando a realidade em função de algum objetivo.

As ditas “fake news” são informações mentirosas publicadas em redes sociais como se fossem informações reais. Desta forma, esse tipo de texto, em sua maior parte, é feito e divulgado com o objetivo de legitimar um ponto de vista ou prejudicar uma pessoa ou grupo.

Em capoeira, o uso das redes sociais, funciona como uma faca de dois gumes, pois potencializa informações importantes e com grande alcance, mas também tem servido ao propósito difamatório, de pessoas e instituições, bem como a auto-promoção de anônimos/as que não produzem absolutamente NADA para a capoeira.

Atualmente eventos esvaziados ficam cheios pela simples manipulação do ângulo da imagem, fotografias antigas são “clonadas” com imagens recentes, vídeos são editados em função de “vender” uma ideia, dentre outras, e se não bastasse isso, ainda temos uma “cena” favorável, pois uma grande parcela da comunidade de capoeira carece do senso crítico necessário para separar o “joio do trigo”.

Na internet “covardes” ficam valentes, preguiçosos/as se transformam em grandes trabalhadores/as da arte capoeira e falsas ideias são difundidas como a “descoberta da roda”….Muito triste, mas essa realidade faseada tem sido a camuflagem de um exército de pessoas de má fé, manipulando a “consciência ingênua” das pessoas menos favorecidas…..Acordaaaaa capoeira!!!!

O problema esta nas redes sociais? Não, pois estas são apenas o veículo, considerando que o real problema é a índole e intenção daquelas pessoas que produzem a informação.

Como atenuar esse problema? Duvidando de tudo que acessamos e nos colocando como investigadores incansáveis da “verdade”…..Veja como pode ser simples….Imaginem uma situação fictícia…..Xícara sem alça desafiou Mestre “x” pelo Whatsapp, mas quando encontrou o referido Mestre em uma roda, colocou o “rabinho entre as pernas”….rsrsrsrsrs…..Valentão fake….
Xícara sem alça disse que a capoeira é africana, mas quando você foi estudar, percebeu que isso não é possível…Aí você, inteligente, faz a conexão entre o dito sobre a capoeira africana e as intenções escusas para ampliar o “negocio” de Xícara….rsrsrs

O mais importante desta nossa reflexão é que possamos entender que o mundo da capoeira não é uma ilha, portanto estará sempre susceptível as mazelas comuns da natureza humana, sendo importante sempre perceber o “contexto de cada texto”.

O crivo que tenho utilizado é sempre a própria capoeira, ou seja, o referido Xícara sem alça canta? Toca? Joga? Tem trabalho com discípulos? Conhece o fundamento? Tem serviços prestados à capoeira? Porque, para mim, fora disso será sempre uma pessoa “capoeira fake”….Como se diz aqui na minha terra ….”Bunda de caruru”….rsrsrsrs.

Meu povo…! Vamos tentar nos transformar, sendo a mudança que sonhamos para o mundo, pois o “bonde” da história tá passando e nos julgando….

Eu já ponguei no tal bonde, e você????

Axé.

Entre a Capoeira Referenciada e a Copiada

Entre a Capoeira Referenciada e a Copiada

O dias atuais tem nos convocado a pensarmos de forma mais ampliada, considerando o rompimento com alguns modelos e dogmas sociais, sendo a capoeira palco também desta demanda. Assim, tentarei tratar um pouco sobre o desafio de se romper o molde de protótipo de “super capoeira” da atualidade.

A economia de mercado tem “coisificado” pessoas, transformando-as em engrenagens de um famigerado negócio em favor do lucro a qualquer preço, e em capoeira temos isso expresso, dentre as muitas maneiras, na forma que nos movimentamos no jogo.

Geralmente o modelo de “sucesso” econômico em capoeira é aquele mais adequado ao que o “mercado” quer ver, e isso esta tão impregnado nos praticantes, que a maioria nem se percebe fazendo movimentos e expressões completamente desconectados da dinâmica cultural da arte, e/ou alheio ao que se pede no ritual daquele momento.

Certa feita perguntei a um destes “super capoeira” do momento, por que ele durante o jogo fazia uma parada de mãos, arqueando a coluna e olhando para o chão? …Ele respondeu que fazia isso porque era um movimento difícil e esteticamente bonito….Eu, por curiosidade, perguntei…E se o cara que tá jogando com você te der uma cabeçada?….Ele respondeu….”Aí ele está sendo desleal, pois é o momento do floreio …..Agradeci o diálogo e fui embora….No outro dia, após a oficina deste rapaz, estavam todos tentando fazer o mesmo movimento….E aí, o que dizer?

Entendi que imitar evita pensar muito, pois basta copiar, contudo, a capoeira nem sempre segue o ordenamento bonitinho….rsrsrs…..Na primeira festa de largo destes capoeiras cópias, eles entenderam que “calça de homem não cabe em menino”….E o pior é que muitos não entenderam até hoje o que aconteceu…

Qualquer movimento é benvindo em capoeira, desde que o “texto/jogo” respeite o “contexto/ritual”, pois fora disso, irá facilitar muito a vida de quem joga com essas figuras, pois viu um copiador, já viu todos.

Nossa reivindicação é em favor de termos uma capoeira com referência, em que a forma de jogo, lembra alguém que me inspira, e não o que temos visto hoje, uma total perda de identidade.

O esporte capoeira me preocupa, pois a depender do formato, poderá enquadrar, rotular e pasteurizar a dinâmica de jogo, e se assim for, a capoeira vai “chorar” e se esvair do corpo de quem a prática.

O mistério da capoeira é o “velho no novo”/ancestralidade, e o espírito “novo no velho”, com capacidade adaptativa temporal para continuar contribuindo com a arte , reinventando-se sempre que necessário.

Vem comigo, pois sozinho não consigo…Vamos na “forma” sem forma, no jogo que deixa fluir o inusitado e faz brotar a capoeira de “dentro pra fora”.

Axé.

Responsabilidades formativas em capoeira: O “freio de arrumação” na “casa de mãe joana”

Responsabilidades formativas em capoeira: O “freio de arrumação” na “casa de mãe joana”

Os ditos populares do subtítulo fazem referência a organização abrupta (freio de arrumação) de algo desorganizado (casa de mãe Joana). Neste sentido, seguiremos fazendo uma reflexão sobre as responsabilidades dos envolvidos no processo formativo em capoeira.

O Mestre será sempre o principal responsável pela formação de seus discípulos, mesmo que devamos considerar a coparticipação de outros agentes nesse processo, incluindo o próprio discípulo.

Quando um Mestre atribui uma titulação a alguém em capoeira, ele empresta “valor” a um dado processo formativo, que invariavelmente influência a comunidade para além dos limites da instituição que os envolvidos diretamente fazem parte, ou seja, graduar/reconhecer alguém em capoeira é como o cometa, ele passará, mas sempre deixa um rastro com seu “rabo”.

Esse papo de autonomia na formação é extremamente perigoso, pois cria a falsa ideia de que ações individuais não podem ser também parametrizadas pelo coletivo, como se uma pessoa pudesse sair atirando livremente nas ruas por conta do respeito à sua autonomia decisória.

As motivações para se graduar alguém em capoeira são as mais variadas possíveis….o Mestre precisa de grana….o Mestre quer demonstrar poder….o Mestre quer expandir seu “negócio”….o Mestre quer fazer uma “moral” com quem gradua….sei lá.. São tantas aberrações que chega a ser constrangedor descrever aqui. Desta forma, muitas vezes, a intenção primeira do processo formativo, desenvolver a capoeira, fica ofuscada pelos delírios de um Mestre “confuso”.

Qual a justificativa para se graduar alguém afastado da capoeira? Como é possível alguém chegar a mestria sem ter serviços prestados à capoeira? É legítima uma titulação “na tora”, apenas pela vontade de quem gradua?

Uma analogia interessante é quando imaginamos um tocador de piano clássico que não sabe afinar o próprio instrumento….”estranho”, mas na capoeira é possível ver alguém chegar a mestria sem saber nem armar um berimbau, pois para esse indivíduo, afina-lo seria uma espécie de “luxo pedagogico”…Onde vamos parar nessa “casa de mãe Joana”?

E se não bastasse o equívoco de agentes diretos envolvidos neste absurdo, ainda temos uma comunidade que tolera, aplaude de frente, e fofoca pelas costas destes Mestre atrapalhados, sendo o mais grave de tudo isso, que todos sabem, pelos códigos simbólicos culturais, quem tem “nome” e quem tem “apelido”.

Em alusão ao “mito da caverna” de Platão, penso que é preciso fazermos um pacto pela capoeira, sendo justos conosco e com o coletivo, convocando as pessoas que se enquadram nessa absoluta obscuridade, a sair da zona de conforto e buscar a “luz” fora da “caverna”/Mestre/grupo.

Se liga, pois quem é de grupo não cai em “grupo”.

Axé!

Diversidade de ritmos é a marca do Carnaval Paulistano: Axé, Punk e Capoeira

Diversidade de ritmos é a marca do Carnaval Paulistano: Axé, Punk e Capoeira

Carnaval: Com Marisa Orth e Mel Lisboa, Os Capoeira desfila em SP

Os blocos de rua estão cada vez mais presentes na cidade de São Paulo, abrindo alas para a diversidade de ritmos e gêneros musicais. Neste ano, há opções para quem curte punk, jazz, MPB, brega, axé, samba, pagode  anos 90 e ritmos nordestinos.

O bloco Os Capoeira desfilou no sábado (22) em São Paulo com uma homenagem aos povos indígenas do Brasil. O cortejo contou com a presença das atrizes Marisa Orth (porta estandarte) e Mel Lisboa (bateria), além da participação especial da cantora angolana Jéssica Areias.

Liderado pelo percussionista e capoeirista Mestre Dalua, Felipe Roseno, Contramestre Leandrinho e Cauê Silva, traz ritmos, cantos e movimentos ligados à capoeira, como o maculelê, o frevo e o samba de roda.

Diversidade de ritmos é a marca do Carnaval Paulistano: Axé, Punk e Capoeira Capoeira Portal Capoeira

Bloco Os Capoeira: Mais que um bloco, somos um movimento de cultura, educação e resgate de uma parte fundamental da história do Brasil. Somos a raiz do Carnaval!

Fundamentado nas tradições Afro-Brasileiras, tendo a capoeira como a base principal, o coletivo de percussionistas e capoeiristas inauguram o movimento chamado de, Os Capoeira.

O trabalho inclui, oficina de percussão e rodas de capoeira que começam acontecer todas as segundas feiras no Jongo Reverendo, a partir de 05 de setembro, e se prepara para ser bloco de carnaval em 2017.

Até lá, em 25 de julho e 29 de agosto, todos podem conhecer o trabalho e experimentar com as aulas abertas, sempre a partir as 20hs.

Idealizado e formado pelos capoeiristas e percussionistas, Mestre Dalua, Felipe Roseno , Contra-Mestre Leandrinho, e professor Cauê Silva, o grupo traz a proposta de trabalhar os ritmos, cantigas e movimentos de todas as culturas ligadas a capoeira, tais como o maculelê, frevo, ijexá, samba de roda, cabula, congo de ouro, barravento, além da capoeira em todas as suas potencialidades.

Com o auxilio de Emilio Martins, Paulinho, Samba Sam, Chrystian Galante, Milene Malvadeza, Mestre Maurão e alunos do grupo de capoeira Mandinga, o coletivo Os Capoeira, traz a proposta de não ser apenas mais um bloco, mas sim um movimento de cultura, educação e resgate de uma parte fundamental da história do Brasil.

Saber mais: https://www.facebook.com/Os-Capoeira-387454428096365/

“Dark Souls brasileiro” baseado na Idade Média Histórica conta com personagem lutador de capoeira

“Dark Souls brasileiro” baseado na Idade Média Histórica conta com personagem lutador de capoeira

“Existe uma visão extremamente ignorante e preconceituosa de que os povos africanos eram todos ‘bárbaros’ ou de nível tecnológico baixo”, comentou o desenvolvedor.

O Trialforge Studio, do Rio de Janeiro, está desenvolvendo o game Deathbound, ainda sem prazo de lançamento.

O game, que na opinião do editor do Drops, Pedro Zambarda, se assemelha a um “Dark Souls brasileiro”, retrata um mundo com reinos variados, incluindo o reino de Sayabakn, baseado no continente africano e suas culturas, um rico material histórico usualmente esquecido nos jogos e na mídia pop em geral.

Entre os detalhes que chamam a atenção no projeto, o game conta com a presença de Mamdile Ogaté, personagem do reino de Sayabakn, do mundo de Ziêminal, que apresenta dinâmica de gameplay e jogabilidade inspirados na movimentação da capoeira, luta brasileira de grande destaque.

Os pacotes de animação da Mixamo, utilizados pela desenvolvedora exigem poucos ajustes e contavam com um set de animações de capoeira. “Quando começamos a pensar na narrativa do jogo, tomamos algumas decisões”, comentou Thiago Baptista, designer de narrativa e jogos, em bate papo exclusivo com o Drops de Jogos.

“Como na maioria dos projetos de jogo, as decisões surgiram primeiro como uma necessidade de gameplay. O Deathbound começou usando muitos pacotes de Assets prontos, inclusive de animação”, detalhou o desenvolvedor.

“Na nossa narrativa, Mamdile faz parte de uma Ordem de lutadores devotos da Deusa Morte, algo próximo aos monges shaolin, mas num contexto do Oeste africano. Eles treinam desde criança para transformar seus corpos em armas à serviço de sua Deusa e de sua Igreja”.

O jogo, de acordo com as definições do time de desenvolvedores, é menos baseado numa Idade Média fantástica e mais próxima de uma Idade Média histórica. “Mais precisamente a Alta Idade Média do Ocidente”, definiu Thiago, ex-estudante de História na UFF. “Existe uma visão extremamente ignorante e preconceituosa de que os povos africanos eram todos ‘bárbaros’ ou de nível tecnológico baixo, somente tribais”, enfatizou.

“Queríamos com os personagens de Sayabakn mudar um pouco essa visão, e resgatar a memória dos grandes impérios africanos. Mali foi um dos reinos mais ricos da história do planeta, por exemplo”, complementou, no bate papo.

Os produtores foram generosos e ofereceram ao Drops de Jogos dois vídeos exclusivos com a movimentação do herói do game, que seguem abaixo. Os vídeos foram exibidos durante a apresentação das informações do game no quadro Fala, Indie!no programa News Games, da Rádio Geek.

Para acompanhar as novidades sobre a criação, basta seguir o estúdio Trialforge nas redes FacebookInstagram e Twitter, ou seguir o desenvolvimento do projeto na plataforma Discord.

 

 

por Kao Tokio em 19 de fevereiro de 2020

Fonte: https://dropsdejogos.uai.com.br/

 

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

Capoeira: A leitura do “todo” pela análise da “parte”

O século XXI nos imprime uma serie de releituras sobre alguns papeis sociais, dentre estes, destacamos a figura do facilitador em capoeira, considerando que este constantemente está sendo resinificado pelas demandas da conjuntura atual.

A mestria, em tese, deveria ser um ato sublime, pois pressupõe a possibilidade de difusão do conhecimento e consequente continuidade de uma arte ancestral, contudo, nem sempre tem sido assim, pois a figura do mediador em capoeira parece corroída pelas contradições da exploração do homem pelo homem. Assim, temos visto em muitos lugares uma relativa confusão sobre as reais implicações formativas de um processo de ensino aprendizagem capitaneado por alguém que não se coloca a serviço dos interesses da capoeira e sua comunidade.

Hoje, são frequentes as reuniões de pessoas que buscam, mediante objetivos comuns, a criação de espaços de poder que funcionam como uma espécie de “escudo das incompetências”, ou seja, são encontros sectáristas de um dado segmento do segmentos, que excluem a possibilidade de diálogo com a diversidade que compõe a comunidade, em favor do argumento de empoderamento dos membros reunidos e afins. Neste sentido, se este processo fosse apenas uma estratégia de fluxo provisório, mesmo estando em desencontro com a lógica inclusiva da capoeira, seria menos mal, mas o que estamos observando é uma avalanche de eventos propondo discussões fragmentadas, que enfraquecem a força coletiva de uma comunidade que clama por dias melhores.

Na formação em capoeira cabe ao mestre a responsabilidade de guiar os mais novos no processo educativo, mas muitas vezes, estes preferem ficar à margem dos espaços decisórios, ampliando o espaço para os “grupinhos”, que habilmente sabem usar o discurso para criar uma falsa ideia de que estão ali para defender os interesses do coletivo, contudo, sabemos que na realidade só estão preocupados com seu próprio “umbigo”.

Obviamente todos os temas emergentes na sociedade podem e devem ser abordados como estratégia formativa, mas daí a submeter a comunidade a dita “polêmica do minuto” apenas como forma de aparecer, denota um procedimento egoísta e pouco producente para a arte.

Os eventos, aglutinações, grupos, dentre outros, deveriam sempre estar focados nos interesses da comunidade e sua melhoria, mas as disputas de poder ofuscam o bom senso e levam pessoas esclarecidas ao equívoco de confundir a leitura da “parte” como resposta para os desafios do “todo”.

Vamos refletir sobre o que desejamos e como agimos para atingir os objetivos, pois muitas vezes falamos uma coisa e executamos ações contrarias a intenção daquilo que expressamos.

 

Por: Mestre Jean pangolin

Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira

Catorze reeducandos do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins de Barros (Pjallb), no Complexo do Curado, receberam graduações em capoeira, na manhã desta quarta (15). Durante o evento foram entregues certificados pela corda verde (para iniciantes) até a amarela e branca, destinadas aos professores do Projeto Liberdade da Ginga.
O projeto existe há seis anos e conta com 21 inscritos. Mais de 100 detentos do Pjallb já participaram do grupo desde a sua criação. O mestre Ubiraci Lima, 43 anos, recebeu o título dentro da unidade prisional e durante o evento desta quarta graduou dois professores. Conhecido como Timaia, Ubiraci ganhou a liberdade em novembro de 2019 e deseja ver todos darem continuidade ao Liberdade da Ginga.
“É muito gratificante ver tudo isso porque foi onde eu encontrei pessoas de boa índole, onde fiz amizades e abri minha mente”, contou.
Gestor do Pjallb há mais de cinco anos, José Sidney Souza, 58, considera a capoeira uma arte disciplinadora e afirma que quase 100% dos que participam não se envolvem em problemas. “Por ser um evento coletivo, baixa a tensão e o ócio criando uma irmandade. Mostra outro mundo, outras possibilidades”, destacou.
Durante a cerimônia, Sidnei recebeu do grupo um certificado de agradecimento. “Sou um cara durão e gosto das coisas certas. Nem sempre conseguimos tudo o que queremos, mas é preciso tentar. Procuro disseminar companheirismo, respeito, disciplina e principalmente crença na ressocialização”, disse. Foi homenageada também a equipe do setor Psicossocial, sob supervisão do policial penal Helder Leite.
O professor de capoeira, Williams Oliveira, 32, cumpriu pena de um ano e seis meses e ganhou a liberdade em 2016. “Eu era instrutor de capoeira quando fui convidado para dar aula. No início, eu era mais parado, ficava com raiva quando chegava a hora da aula, mas depois isso se tornou meu passatempo. Os alunos me fortaleceram”, afirmou. Do batizado, àquele momento em que o iniciante recebe a sua primeira corda, participou Amaro José, 37 anos, há dois anos e oito meses.
Detentos do Complexo do Curado são graduados em capoeira Capoeira Portal Capoeira

A prática é desenvolvida há seis anos no Presídio Juiz Antonio Luiz Lins de Barros (Pjallb) e contempla 21 detentos. (Foto: Divulgação/Seres.)

Capoeiristas de todo o mundo se reúnem em Brasília

Capoeiristas de todo o mundo se reúnem em Brasília

Centro Cultural de Capoeira Raízes do Brasil  com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer organizam o Encontro das Américas, Europeu e Africano de Capoeira

Cerca de 600 pessoas participam do Encontro das Américas, Europeu e Africano de Capoeira

Até domingo (15), a  22ª edição do Encontro das Américas, Europeu e Africano de Capoeira se realiza em três escolas públicas do Distrito Federal. A programação,  que começou na segunda-feira (9), inclui show cultural, roda de capoeira dos velhos mestres, orquestra de berimbaus, puxada de rede (encenação da atividade pesqueira), Maculelê (dança folclórica brasileira) e formatura de mestre.

O encontro reúne cerca de 600 capoeiristas, associados ao Raízes do Brasil, que moram em várias localidades do mundo com a proposta de disseminar essa expressão cultural que combina arte marcial, cultura popular, dança, esporte e música. Nesta oportunidade, Brasília recebe visitantes da Itália, Suécia, Espanha, São Tomé e Príncipe, além de outras regiões do país, como Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte, Maranhão e São Paulo.

Capoeiristas de todo o mundo se reúnem em Brasília Eventos - Agenda Portal Capoeira

O encontro está divido ente a Escola Parque 313/314 Sul, a Escola Classe 410 Sul e o Teatro da Escola Parque da 308 Sul. “Nós desenvolvemos várias atividades durante o ano, mas uma vez a cada 12 meses, nós tentamos reunir o máximo de integrantes aqui em Brasília para desenvolvermos atividades diversas, graduar professores e nos atualizar mesmo sobre o mundo da capoeira”, destaca Ralil Salomão, fundador do Raízes do Brasil, associação que iniciou em 1980 e já se espalhou em 16 unidades da federação.

A realização do encontro é do Centro Cultural de Capoeira Raízes do Brasil  com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer.

* Com informações da Secretaria de Esporte e Lazer